Flamengo e Mario Balotelli chegaram ao acordo mútuo de não chegar acordo mútuo e, enquanto tentamos desvendar exatamente como isso funciona, o fato é que o futebol brasileiro perdeu a chance de ter um grande personagem, com seus gols e controvérsias. A passagem do atacante italiano por estas bandas ficou apenas na imaginação. E na simulação. E simulação no futebol significa Football Manager.

Usando o editor interno do jogo, colocamos Balotelli no time do Flamengo. Seria impossível reproduzir as condições exatas que ele encontraria se assinasse com os cariocas agora em agosto, então simulamos uma temporada completa do italiano, de janeiro ao fim do Campeonato Brasileiro, no começo de dezembro. O resultado não poderia ter sido melhor: em Melbourne, o clube carioca se sagrou bicampeão mundial, ao derrotar o Napoli, por 1 a 0.

Infelizmente, Balotelli não atuou no Mundial de Clubes porque sofreu uma entorse no tornozelo que o tirou de ação durante duas semanas. Recuperou-se a tempo de ficar no banco de reservas da decisão, mas, ainda sem ritmo de jogo, o ataque foi formado por Gabigol e Vitinho, autor do gol do título, com assistência de Everton Ribeiro. Na semifinal, o Flamengo havia derrotado o Espérance, da Tunísia, por 5 a 0.

“Muitos adeptos do Flamengo estarão certamente a recuperar de uma grande festa, depois da sua equipe, liderada por Jorge Jesus, ter trazido para casa o troféu da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Os elementos da claque do futebol declararam que a qualidade de Jesus como treinador dá lições a muitos dos seus colegas de profissão”, escreveu a SporTV, talvez em seu site ou em um editorial no Troca de Passes.

Mas Balotelli, camisa 9, teve uma boa temporada. Foi o segundo maior artilheiro do time, com 22 gols, atrás de Gabriel Barbosa. Ainda deu sete assistências e teve a quarta maior pontuação média entre os jogadores do Flamengo, com 7.11, atrás de Filipe Luis (7.12), Everton Ribeiro (7.15) e Gabigol (7.32). Atuou 49 vezes por todas as competições, mais um jogo pela Itália e dois amistosos, e levou nove cartões amarelos. Terminou a temporada com uma torção no tornozelo, seu quarto problema físico pelo Flamengo, mas nenhum foi muito significativo.

Lucas Mendes, ex-Coritiba, foi contratado do Al-Gharafa, o único reforço extra do ano (além de Balotelli). Pela outra porta, Gérson foi vendido ao Hertha Berlim, por R$ 75 milhões. Jorge Jesus, novo favorito da claque, armou a sua equipe em um 4-2-2-2 que teve Diego Alves no gol, Rafinha e Filipe Luis nas laterais, Pablo Marí e Rodrigo Caio como zagueiros, Willian Arão e Cuéllar como volantes, Everton Ribeiro e Vitinho pelas pontas e Balotelli e Gabriel Barbosa no ataque. Houve, naturalmente, algumas variações. Sem o italiano, por exemplo, Bruno Henrique foi aberto pela esquerda, e Vitinho adiantado para o lado de Gabigol.

O ano começou com o Campeonato Carioca, e o Flamengo teve problemas para enfrentar o Botafogo. A conquista da Taça Guanabara veio de maneira invicta, com gol de Balotelli na final garantindo a vitória por 1 a 0 sobre o rival. No entanto, o Fogão foi o responsável pela primeira derrota do time na competição, no começo da Taça Rio, e ainda prevaleceu nos pênaltis, na final do segundo turno. Após passar pelo Vasco na semifinal do Campeonato Carioca, com outro gol de Balotelli assegurando o triunfo pelo placar mínimo, o Flamengo voltou a encontrar o Botafogo na grande decisão. Alan Santos e Rhuan fizeram 2 a 0 para o Fogão.

Nota do editor: perdão pelas cores, mas clubes brasileiros não estão licenciados no FM 2019.

A caminhada na Copa do Brasil, com um time bem modificado, parou logo nas oitavas de final, contra o Palmeiras, apesar do bom empate no Allianz Parque, no jogo de ida, por 1 a 1, mas o foco estava, ou deveria estar, nas duas principais competições da temporada.

O Flamengo foi impecável na Libertadores. Ganhou 11 das 12 partidas, e a única derrota, nas quartas de final, para a Universidad Católica, não teve consequências. Passou com 100% de aproveitamento pelo grupo que tinha Universidad de Concepción, Peñarol e San Lorenzo, despachou o Nacional, do Uruguai, e a Católica, antes de marcar um encontro brasileiro com o Internacional. Vitórias por 2 a 1 no Beira-Rio, com gol de Balotelli, e 3 a 0 no Maracanã valeram vaga na final, em jogo único. Gabriel Barbosa, Lucas Mendes e Lincoln, boa surpresa com 17 tentos na temporada, construíram o placar de 3 a 0 sobre o São Paulo. Gabigol foi o artilheiro, com 12 gols. Balotelli marcou cinco.

 

O problema é que a campanha continental acabou atrapalhando o Flamengo no Brasileirão. O começo foi bom, com nove vitórias em 12 rodadas, mas a equipe de Jesus teve uma derrocada no segundo turno, especialmente no mês de novembro, quando não venceu em sete rodadas. Um 3 a 0 sobre o Santos e outro 1 a 0 sobre o Internacional, nas duas partidas finais, garantiram um lugar entre os quatro primeiros, a 13 pontos do campeão Santos. Balotelli atuou 31 vezes na liga nacional e fez 14 gols, mas sofreu uma lesão na curva de chegada que o impediu de jogar o Mundial de Clubes.

Pela simulação do Football Manager, o torcedor do Flamengo não tem nada a se preocupar. Balotelli fez uma boa temporada e foi importante, mas pareceu mais a cereja no bolo de um time que, mesmo sem ele, já foi muito forte, o que, coincidentemente, bate com a realidade.

Curiosidades

A troca de cadeiras começou com Mano Menezes assumindo a Chapecoense, depois de cair do Cruzeiro. Foi demitido em julho, substituído por Abel Braga. Fernando Diniz, ainda vivo como treinador do Fluminense na vida real, durou até 21 de julho no Football Manager, após perder três dos últimos cinco jogos pelo Brasileirão, no qual era 14º lugar, e ser eliminado “de forma humilhante” pelo Montevidéu Wanderers na Copa Sul-Americana. Alberto Valentim assumiu o seu lugar.

Rogério Ceni sentiu saudades de Fortaleza quando foi demitido pelo Cruzeiro, no final de junho, após mais uma eliminação “humilhante” na Copa Sul-Americana, para o Defensa y Justicia. Jair Ventura, com um perfil maias próximo ao de Mano Menezes, pegou as rédeas do clube mineiro e o levou ao tricampeonato da Copa do Brasil. Jorge Sampaoli confirmou o impacto que causou ao futebol brasileiro comandando o Santos ao título do Brasileirão, com seis pontos a mais do que o São Paulo.

Daniel Alves fez do São Paulo um verdadeiro candidato. O lateral direito atuou 49 vezes por todas as competições, com cinco gols e oito assistências. Foi o melhor jogador do time de Cuca na pontuação média, com 7.44.

Foi um mercado com mais vendas do que compras do futebol brasileiro, que se despediu de alguns veteranos. Felipe Melo e Vagner Love foram vendidos à Spal. Elias acertou com o Tondela e Bryan Ruiz foi desovado ao Spartak Moscou. Lucho González acertou com o Peñarol, e Andrés D’Alessandro deu adeus ao Internacional para jogar no… Emelec. Pois é. Às vezes o Football Manager dá uma exagerada.