O Bayern de Munique foi tão dominador quanto se poderia esperar nesta terça-feira (25). Fora de casa, enfrentou o Chelsea na partida de ida das oitavas de final da Champions League e aproveitou a ocasião para reforçar sua candidatura ao título da competição. Algo que antes não parecia ao alcance, mas que se fixa no horizonte à medida que o bom trabalho de Hansi Flick vai se consolidando. O 3 a 0 sobre os Blues em Londres poderia perfeitamente ter sido ainda mais largo, mas está também de bom tamanho para representar o domínio bávaro.

Em toda a partida, o Bayern dominou a posse de bola e também o que importa: as ações ofensivas. Com uma boa marcação alta, dificultou a saída do Chelsea e forçou o adversário a diversos erros. Barkley, em particular, os colecionou, chegando a dar duas boas oportunidades aos bávaros no primeiro tempo, mas Coman e, depois, Lewandowski desperdiçaram.

À ineficácia do Bayern no primeiro tempo somou-se a boa atuação de Willy Caballero, que em duas oportunidades parou Lewa quando o polonês tinha condições de marcar. Na melhor chance dos alemães na primeira etapa, Caballero nada pode fazer, mas contou com o travessão para impedir o gol de Thomas Müller, que cabeceou de forma inortodoxa, de costas, e quase anotou um belo tento.

Ao Chelsea, a melhor oportunidade na primeira etapa sequer acabou em finalização. Também buscando aproveitar erros da saída do Bayern, os Blues interceptaram um passe de Manuel Neuer, Mason Mount foi lançado pela esquerda e cruzou rasteiro para a área. Giroud se atirou à bola, mas não a alcançou, e ela saiu pela linha de fundo. Este foi um dos poucos momentos em que Alphonso Davies, soberano no duelo defensivo contra Mount, não pôde impedir a ação ofensiva perigosa do jovem inglês.

De tanto ensaiar no primeiro tempo, o Bayern chegou redondinho para a segunda etapa, desta vez trazendo consigo a efetividade que tanto lhe faltara nos 45 minutos iniciais. Em um intervalo de cerca de dois ou três minutos, Lewandowski e Gnabry combinaram no ataque em grande estilo e abriram o 2 a 0.

Aos seis minutos, Lewandowski atacou o espaço pela esquerda e recebeu passe excelente de Gnabry. Estava em condições de marcar com a canhota, mas, atraindo toda a marcação e também a atenção de Caballero, escolheu tocar de volta para Gnabry. Sozinho, o alemão finalizou sem dificuldades e abriu o placar.

Já aos nove, Neuer deu um chutão pra frente, Lewandowski ganhou de Azpilicueta pelo alto e, pegando a defesa do Chelsea desprevenida, tocou nas costas dos Blues para Gnabry ir na corrida. O alemão mais uma vez aproveitou bem a chance e ampliou, com um chute cruzado e rasteiro.

Em cena já bastante comum, Kingsley Coman deixou o campo machucado, dando espaço a Coutinho, aos 20 do segundo tempo. A alteração não mudou a história do jogo. O Bayern seguiu seu jogo bem engendrado e agora eficaz. Aos 30, veio o golpe final. Alphonso Davies fez grande jogada pela ponta esquerda, em velocidade impressionante, cruzando todo o campo do Chelsea. Tendo se livrado dos marcadores, cruzou para Lewandowski, e o polonês, tranquilo, fez o 3 a 0.

Como se a missão na volta já não fosse praticamente impossível, Jorginho levou um amarelo por reclamação no início do segundo tempo e será desfalque. Marcos Alonso também não estará em campo em Munique, sendo expulso aos 38 da etapa final por uma agressão estúpida, sem a bola, a Lewandowski. N’Golo Kanté, machucado, não pôde estar em campo nesta terça e pode perder também o jogo de volta, em uma temporada marcada por lesões.

Em nenhum momento o Chelsea pareceu apto para o confronto com o Bayern, e a responsabilidade de Lampard nisso tem um limite. Com as peças postas lado a lado, a diferença entre os planteis é grande – e se exacerba com o progresso do trabalho de Hansi Flick, técnico do Bayern desde novembro.

O Bayern de Munique que deu pontapé inicial à sua fase de mata-mata na Champions League nesta terça-feira é bem diferente daquele da fase de grupos. Se, por um lado, foi o único time com 100% de aproveitamento nos seis jogos iniciais, três deles feitos ainda com Niko Kovac, por outro vivia ainda um momento de instabilidade e princípio de trabalho de Flick, em que poucos se arriscariam a colocar suas fichas nos bávaros.

O 3 a 0 em pleno Stamford Bridge, com o domínio mostrado, o coletivo refinado e os indivíduos brilhantes, especialmente Lewa, Gnabry e Alphonso Davies, reforça com autoridade a candidatura do Bayern ao título ao fim da temporada, em Istambul, ainda mais em uma disputa que se apresenta, no momento, tão aberta, sem um grande favorito.