Ole Gunnar Solskjaer foi contratado para terminar a temporada, interinamente, depois da demissão de José Mourinho. Tinha, entre as suas missões, melhorar os resultados e o clima do vestiário, entregando um time mais coeso para o seu sucessor. Está saindo melhor do que a encomenda. O tempo passa, e o aproveitamento de 100% se mantém. Neste domingo, encarou seu primeiro grande desafio como treinador dos Red Devils e o superou, com a ajuda inestimável de David de Gea: 1 a 0 contra o Tottenham, em Wembley.

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São seis vitórias em seis partidas para Solskjaer, cinco pela Premier League.  Se as anteriores mostraram um Manchester United mais solto e ofensivo, esta pareceu um pouco mais com a era de Mourinho porque o melhor em campo foi, indiscutivelmente,  De Gea, responsável por garantir dezenas de pontos na passagem do português. Quando o seu goleiro precisa realizar 11 defesas para manter o zero no placar, segunda maior marca do espanhol na Premier League (contra 14 diante do Arsenal, em 2017), é porque o adversário teve muito espaço para criar.

E isso foi verdade. Mas não no primeiro tempo. O Manchester United fez uma etapa inicial muito boa. Feroz no contra-ataque, abriu o placar, aos 44 minutos, com um passe de cinema de Pogba para Rashford, que entrou na área pela direita e bateu cruzado. O contexto, depois do intervalo, foi totalmente diferente. O Tottenham pressionou constantemente, e o United teve pouca saída para respirar.

Antes dos cinco minutos, De Gea havia feito seu primeiro milagre. Kane abriu com Trippier, que cruzou para Alli. A cabeçada tinha potência e direção, mas o goleiro se esticou para espalmar. A resposta foi rápida. Pogba trouxe pelo meio e bateu de fora da área. A bola desviou na defesa e subiu. O meia francês entrou na área para recolhê-la, dominou e tentou um toque por cima de Lloris, que conseguiu desviar com os dedos. Pouco depois, Martial rolou para Pogba chapar da entrada da área, e Lloris mais uma vez manteve o Tottenham na partida.

A partir de então, a partida foi um diálogo entre os donos da casa e De Gea, emulando um grande goleiro de futsal. A maioria das suas grandes defesas foi com os pés. Primeiro, em um contra-ataque puxado por Dele Alli. O meia entrou na área, mas demorou demais para definir e carimbou o guarda-redes. Em uma cobrança de escanteio pela direita, Toby Alderweireld se antecipou e bateu com a perna direita, de dentro da pequena área. De Gea defendeu com a perna esquerda. Eriksen achou Alli pela esquerda. O domínio tirou a marcação. O chute, das proximidades da marca do pênalti, buscava o canto. De Gea se esticou e mandou para o lado.

Ainda estávamos aos 28 minutos do primeiro tempo. Mas o Tottenham precisou de alguns minutos para recupera a energia, mais cansado que o adversário por ter disputado um jogo decisivo contra o Chelsea, no meio de semana, pela semifinal da Copa da Liga Inglesa. Voltou à tona nos minutos finais, com Llorente de pivô e Kane flutuando. Deu certo: o espanhol arrumou para Kane, que tirou a marcação, abriu espaço na esquerda e soltou a canhota. Outra defesa com as pernas de De Gea.

A frustração foi gigantesca para o Tottenham, que criou mais do que o bastante para pelo menos empatar a partida. Não conseguiu porque De Gea estava em um dia inspirado e, nesses dias, é impossível fazer gol nele. O Tottenham, em terceiro lugar, tem apenas um ponto de vantagem para o Chelsea. E o United já empata com o Arsenal, na quinta posição, na melhor vitória da passagem de Solskjaer.