Graças ao seu apoio, as colunas das cinco grandes ligas da Europa estão de volta, e quinta é dia da Fuoriclasse, com informações e análises sobre o futebol italiano. Faça parte do nosso financiamento coletivo no Apoia.se e nos ajude a bater mais metas.

A Internazionale está em segundo lugar na tabela da Serie A – por enquanto, porque pode ser ultrapassada pela Lazio, que tem um jogo a menos –, mas em um aspecto o clube de Milão é líder: de ter o técnico mais reclamão do país. Antes mesmo de começar a temporada, o técnico Antonio Conte cobrava publicamente a diretoria por reforços e isso continua ao longo de toda a temporada. Inclusive quando o time deixou de render e inclusive nas derrotas na Champions League, que custariam uma eliminação precoce no torneio europeu – um problema que ele viveu seguidamente na Juventus.

Mesmo recebendo o reforço que pediu no começo de temporada, Romelu Lukaku, que custou € 65 milhões que devem custar mais até chegar aos € 80 milhões em bônus, e outras excelentes contratações, como Stefano Sensi e Nicolò Barella (ambos empréstimos com compra vinculada ao final da temporada), o técnico seguiu reclamando. Para ele, ainda faltavam jogadores, ainda que o elenco já fosse mais forte que a maioria dos concorrentes.

Depois da derrota por 3 a 2 para o Borussia Dortmund fora de casa, na quarta rodada da Champions League, o técnico atacou a falta de experiência dos seus jogadores. “Estamos falando de jogadores que, à parte Diego Godín, nunca ganharam nada. A quem eu vou recorrer? Nicolò Barella, que veio do Cagliari? Ou Stefano Sensi, que veio do Sassuolo?”, afirmou o treinador. Como relatamos aqui na época, faltou um pouco de autocrítica ao treinador.

O elenco da Inter, mesmo antes das negociações de janeiro, já era forte. Era o suficiente para brigar na parte de cima, como está fazendo, mas era suficiente também para jogar mais bola e ir mais longe na Champions League, até porque faltou mesmo foi desempenho. Os resultados ruins foram a consequência. A derrota para o Dortmund, na Alemanha, veio depois de abrir 2 a 0 no primeiro tempo. Tomou a virada no segundo. Na rodada final, dependia só de si para avançar às oitavas de final, se vencesse o time reserva do Barcelona. Perdeu e o time só conseguiu ir para a Liga Europa.

Desde a eliminação na Champions League, o time dá uma no cravo, outra na ferradura em termos de resultados. São três vitórias e três empates. Só que os resultados só contam uma parte da história. O desempenho do time tem sido muito abaixo do esperado e, por vezes, a vitória vem porque individualmente os dois atacantes, Lautaro Martínez e Romelu Lukaku, estão decidindo. Algumas vezes até com goleadas. A Inter é um time fortíssimo no contra-ataque, então sair em vantagem acaba sendo algo muito importante para o time. Só que nem isso garante vitórias, porque o time não consegue manter o desempenho em toda a duração do jogo.

Isso não é novo quando falamos de Conte. O final da sua passagem pela Juventus tinha um pouco desse aspecto: o técnico dizia que a diretoria precisaria gastar mais para contratar se quisesse competir na Europa, o que desgastou a sua relação com o alto escalão do clube e também com os jogadores. Massimiliano Allegri chegou para substituí-lo e conseguiu levar o time a duas finais em três anos com um elenco muito similar ao que Conte tinha.

Ainda assim, diante de tudo que Conte tem reclamado da falta de profundidade do elenco, a diretoria da Inter decidiu dar mais jogadores experientes para o treinador. Ashley Young e Victor Moses foram contratados e já estão anunciados. São reforços para atuarem pelos lados do campo, setor crucial no seu 3-5-2. E os reforços não devem parar por aí. Christian Eriksen está alinhado, quer ir e falta só um entendimento final com o Tottenham; Olivier Giroud também está em espera, assim como Fernando Llorente – um dos dois deve vir ocupar a vaga de reserva de Lukaku, algo que o treinador afirma que é necessário. Um dos dois deve chegar a Milão.

Está bastante claro que a Inter não quer desperdiçar a chance que parece ter de conquistar o título italiano. Por enquanto, ainda está próximo da Juventus e o título ainda é uma possibilidade. Deram ao técnico o que ele pediu, mesmo que Young, Moses e mesmo Giroud ou Llorente sejam contratações bastante questionáveis em alguns aspectos. Eriksen seria uma grande contratação, se realmente chegar, essa muito mais garantida como um jogador de alto nível.

A ideia de Conte é ter, com Giroud ou Llorente, um atacante mais físico, algo que Lukaku exerce muito bem. Lautaro, Alexis Sánchez e Sebastiano Esposito não possuem essa característica Young é uma opção para atuar pelos lados do campo, seja como ala pela esquerda ou direita, seja até como ponta, se o técnico quiser – pelo que vimos, deve usar como ala. O mesmo vale para Moses, que atuou muito bem com Conte como ala direito no seu primeiro ano de Chelsea.

A Juventus está longe de ser a equipe dominante que já vimos nos últimos anos. É um time forte, capaz, que mostrou isso inclusive contra a Inter, ao vencer em San Siro no dia 6 de outubro, impondo a primeira derrota da equipe de Conte na Serie A. Apesar disso, é um time vulnerável, que tem problemas, e a Lazio foi quem melhorou explorou isso. Não foi o único a conseguir mostrar que o time de Maurizio Sarri tenha problemas. E é de olho nisso que a Inter quer dar tudo que for possível para que Conte conquiste o título.

Considerando que Cristiano Biraghi se tornou o titular na ala esquerda, Young pode ser interessante, porque dá criatividade, tem força e é um jogador de muita energia. É um jogador típico daqueles que Conte gosta: dedicação e resistência física. Vale o mesmo para Moses. O técnico ganha uma força física e criatividade pelos lados do campo para tentar ser melhor ofensivamente e não depender tanto dos seus dois atacantes.

Eriksen é quem mais tem a acrescentar no time. É um jogador criativo, bom meio-campista, capaz de fazer a Inter circular melhor a bola. O time de Conte por vezes sofre com a falta de criatividade, apesar de ter bons jogadores no setor, como os criticados Sensi e Barella, que não são meias ofensivos, mas são bons jogadores para controlar o jogo.

Conte tem uma chance de brigar pelo título e sabe disso. Pediu e reclamou demais para que viessem os reforços, que estão chegando. A ideia é fazer um ataque real ao título. Se o scudetto não vier, Conte não pode dizer que é porque faltou experiência, ou porque só tem jogadores que vieram do Cagliari ou do Sassuolo. Será porque o seu trabalho não foi suficientemente bom para fazer um time com bom elenco jogar mais bola e ter consistência ao longo do tempo. Está na hora de Conte para de reclamar e começar a mostrar trabalho com o time em campo.