A situação do mercado não permite grandes exageros, mas não é a crise em decorrência da pandemia que impede a Atalanta de aproveitar seu bom momento. A Dea mantém sua política de contratações, sem gastos exorbitantes e com muita observação para adicionar talentos. Pois, até agora, a janela de transferências parece deixar o elenco de Gian Piero Gasperini com mais alternativas para seguir em sua ascensão. A única perda significativa foi a de Timothy Castagne, que seguiu ao Leicester por €24 milhões, embora alguns jogadores fora dos planos tenham rendido mais €19,5 milhões em vendas. Por outro lado, os nerazzurri buscaram sete reforços, mais dois anunciados nas últimas horas: o lateral Johan Mojica, emprestado pelo Girona, e o centroavante Sam Lammers, contratado junto ao PSV por €9 milhões.

O déficit da Atalanta no mercado é pequeno até o momento. O clube gastou €48 milhões, com saldo negativo de €4,5 milhões, se descontado o dinheiro recebido pelas vendas. A maior parte do montante foi desembolsada na permanência de Mario Pasalic, um dos destaques da última temporada, contratado em definitivo junto ao Chelsea por €15 milhões. O meia Aleksey Miranchuk veio do Lokomotiv Moscou por mais €14,5 milhões e é o nome mais badalado. É um jogador talentoso e que pode contribuir à ligação, com boa chegada na definição – como Josip Ilicic já realiza em Bérgamo.

De resto, nenhuma das apostas da Atalanta custou mais de €10 milhões e elas garantem opções em diferentes setores do elenco. O zagueiro Cristian Romero desembarcou por empréstimo de €2 milhões junto à Juventus, enquanto a Dea pagou mais €7 milhões à Velha Senhora para trazer o meio-campista Simone Muratore em definitivo. São dois jovens de 22 anos, que podem se desenvolver nas mãos de Gasperini. Outro emprestado foi o lateral direito Cristiano Piccini, já mais rodado, que estava no Valencia. Agora, Mojica e Lammers complementam o plantel.

Mojica deve contar com a ajuda de Luis Muriel e Duván Zapata para se adaptar. O lateral costuma ser convocado à seleção colombiana e disputou a Copa de 2018. Sua carreira por clubes foi vivida quase inteira na Espanha. Começou no Deportivo Cali, mas passou por Rayo Vallecano e Valladolid antes de chegar ao Girona. Foi um dos destaques dos catalães na primeira divisão, mas sofreu com uma ruptura dos ligamentos logo após o Mundial da Rússia, o que o tirou de La Liga 2018/19 praticamente inteira.

A partir da última temporada, Mojica recuperou-se na segundona do Campeonato Espanhol e dá um passo maior aos 28 anos. Como um jogador veloz e ofensivo, deve se encaixar bem no esquema da Atalanta, que conta demais com seus alas. Também possui ótimo porte físico e pode ser escalado até mesmo como ponta. Será um reserva de bom nível a Robin Gosens, geralmente suplantado por Castagne – que servia de alternativa nas duas laterais. Com a saída do belga por um bom dinheiro, a Dea pôde buscar dois reservas ao setor.

Lammers, por sua vez, é menos experimentado. O atacante fez sua formação nas categorias de base do PSV e ganhou mais destaque no segundo quadro dos Boeren. Em 2018/19, passou um ano emprestado ao Heerenveen e foi um dos destaques do time na Eredivisie, com 16 gols e cinco assistências. Entretanto, logo que voltou a Eindhoven, o centroavante precisou ser submetido a uma cirurgia no joelho. Retornou ao time no início de 2020 e também não atuou muito com o encerramento antecipado da temporada holandesa por causa da pandemia.

Aos 23 anos, Lammers não apresentou todo o seu potencial em alto nível, mas a Atalanta aproveita a sequência acidentada para investir pouco no jovem. O atacante não quis assinar a renovação de seu contrato com o PSV, em busca de mais minutos em campo, o que facilitou o acerto com a Dea. Ambidestro e bom nos dribles curtos, mesmo alto, é mais um que parece ter características preciosas ao estilo de jogo aplicado em Bérgamo. Vai se revezar com Muriel e Zapata, sobretudo, e contará com o apoio de Hans Hateboer e Marten de Roon na adaptação.

Seguir progredindo cada vez mais, como faz a Atalanta nas últimas temporadas, não é uma tarefa simples. O objetivo em 2020/21 será repetir um bom desempenho até os mata-matas da Champions e ser competitivo na Serie A, quem sabe para entrar no páreo dos líderes. Manter os protagonistas do elenco é fundamental e isso a Dea faz, sem que o sucesso cause um desmanche. Mas dá para tentar montar um elenco mais encorpado, que permita fôlego entre os desfalques por lesão e o desgaste físico provocados pelos jogos em sequência – o que os Orobici conseguem agora. Se não são reforços midiáticos, que gerem grande impacto, eles permitem acreditar que o time de Gian Piero Gasperini será ainda mais consistente para buscar suas metas.