Abdelhak Nouri, ex-jogador do Ajax que, aos 20 anos, sofreu uma parada cardíaca que lhe causou sérios danos cerebrais, está em casa, fora do coma e consciente. Dorme, come, até arrota, segundo o seu irmão em entrevista a um programa da televisão holandesa, e se comunica por meio das sobrancelhas. Uma dessas comunicações foi uma dica para um amigo: sim, Frenkie de Jong deveria acertar com o Barcelona.

De Jong, contratado pelos catalães ano passado, foi um dos convidados da edição do programa Wereld Draait Door dedicado a Nouri, ao lado de Steven Bergwijn, do Tottenham, e Donny van de Beek, que continua no Ajax.

“Eu comecei a ter dúvidas”, disse De Jong. “Aí a mãe de Appie o perguntou: ‘Para onde Frenkie deveria ir?’. Ela citou os clubes e disse: ‘Ele deveria ir para o Barcelona?’. Então, Appie sinalizou com as sobrancelhas para concordar. Foi um momento muito bonito para mim e para a família”.

O meia também contou que não foi a primeira vez que seu destino passou pelos conselhos de Nouri. “Quando decidi que sairia do Willem II (2015), eu tinha um torneio na Grécia com o sub-19. Appie me disse: ‘Você tem que vir para o Ajax. Podemos todos jogar aqui. O que você fará no PSV? Apenas venha ao Ajax’. Ele falava muito comigo”, disse.

Para o amigo Van de Beek, Nouri tinha todos os predicados para chegar muito longe no futebol. “Na nossa opinião, sim. Ele tinha as qualidades. Eu estava convencido que aconteceria um dia, sempre disse isso. Infelizmente, não vamos descobrir, mas, na minha opinião, com certeza. Como jogamos agora no Ajax, ele certamente não estaria deslocado. Ele teria um papel muito importante”, assegurou.

O irmão Abderrahim relatou que Nouri está muito melhor desde que recentemente trocou o hospital pela sua casa. “Não está mais em coma. Está acordado. Dorme, espirra, come, arrota, mas não é como se levantasse da cama. Ele está muito acamado e ainda depende muito de nós. Nos seus bons dias, há uma forma de comunicação, confirmação com as sobrancelhas, mas você percebe que ele não dura tanto tempo. O que é muito fácil para nós é um esporte para ele”.

“Conversamos com ele como se não estivesse doente. Nós o levamos para nossas conversas e vemos futebol com ele na sala. Você percebe que ele gosta muito disso. Muitas vezes, ele mostra emoções. Às vezes, ele é emocional, mas muitas vezes também há um sorriso. Isso nos faz bem. Faz você realmente apreciar um sorriso”, completou.