A rodada da Premier League não terá um duelo entre os clubes do chamado “Big Six”, mas guardou um dos melhores jogos do primeiro turno para este sábado. O Liverpool atravessa um início de campanha arrasador e lidera com sobras. Independentemente disso, teria um desafio considerável em Anfield, ao receber o embalado Leicester. Além do encontro entre Jürgen Klopp e Brendan Rodgers, a partida prometia pelo futebol ofensivo apresentado pelos dois times na competição. E o embate cumpriu o que se esperava, com emoção até os últimos instantes. Os Reds precisaram aguardar sua comemoração definitiva até os 49 do segundo tempo, numa suada vitória por 2 a 1 que mantém a arrancada perfeita após oito rodadas.

A partida começou num ritmo acelerado, com as duas equipes jogando de maneira vertical. Ainda assim, as finalizações não eram tão numerosas, fruto da excelente leitura realizada pelas defesas. O Liverpool encontrava mais de brechas e, antes dos 15 minutos, assustou duas vezes. Kasper Schmeichel parou a tentativa de Mohamed Salah, antes que James Milner mandasse para fora uma boa chance. Era um duelo agradável de se ver, até pela forma como as marcações conseguiam travar ataques tão fluídos.

Até os 30 minutos, o Liverpool conseguiu se impor um pouco mais. Encontrava mais espaços nas pontas e contava sobretudo com a força de Trent Alexander-Arnold no apoio. Roberto Firmino poderia ter aberto o placar neste momento, mas mandou para fora. O Leicester cresceu pouco depois. Chegou a reclamar de um cartão vermelho a Alexander-Arnold, devidamente negado após a revisão do VAR, e forçou Adrián a realizar uma grande defesa em cabeçada de Çaglar Söyüncü, apesar do jogo parado. Passado o susto, os Reds fizeram valer sua superioridade e abriram a contagem aos 40. Milner iniciou a jogada pela esquerda e lançou Sadio Mané em velocidade. Após ganhar da marcação na velocidade, o senegalês definiu na saída de Schmeichel e estufou as redes.

O gol permitiu que o Liverpool se agigantasse e o segundo gol poderia ter saído antes do intervalo. Mané teve uma segunda chance contra Schmeichel, mas parou no goleiro, antes de Milner isolar a bola ajeitada por Salah. E o início segundo tempo viu os Reds manterem o ritmo, entre uma defesa que controlava as investidas do Leicester e o ataque veloz que agredia os oponentes. A transição dos Reds funcionava muito bem e os espaços para definir surgiam. Schmeichel voltou a salvar diante de Salah, antes que algumas escolhas erradas nas conclusões impedissem os anfitriões de construírem um placar mais confortável. Até os 20 minutos, foram ao menos três boas oportunidades que a equipe de Jürgen Klopp não aproveitou.

Se o jogo ganhou emoção na reta final, o Leicester possui grandes méritos nisso. Brendan Rodgers colocou o seu time mais para frente e finalmente os lances claros começaram a surgir, em trocação com o Liverpool. Adrián precisou se esticar para evitar o gol de Jamie Vardy em cima da hora, antes de Dennis Praet tirar tinta da trave. O belga logo sairia para a entrada de Ayoze Pérez. E o dedo do treinador mudou os rumos da partida. Aos 35, o substituto descolou um ótimo passe para James Maddison, que passou às costas de Virgil van Dijk. Diante de Adrián, o camisa 10 bateu rasteiro e correu para o abraço.

Os minutos finais prometiam uma partida totalmente indefinida. O Liverpool precisava aumentar a sua intensidade, diante do sossego que não construiu, enquanto o Leicester não era o time que sairia satisfeito com o empate. A tensão cresceu e os Reds voltaram a dominar os lances de ataque, graças às bolas paradas. Van Dijk quase marcou, mas o lance decisivo ficou para os 49, a partir da marcação de um pênalti.

Sadio Mané, de fato, foi tocado na área num lance infantil de Marc Albrighton, mas preferiu esquecer a bola que seguia dominada na outra perna para se jogar. Ainda assim, o VAR confirmou a infração e Milner garantiu a vitória ao vencer Schmeichel na marca da cal. Jogaço, à altura das expectativas criadas. Após o apito final, rolou até uma confusão entre Milner e Pérez, logo apartada. Era até natural que os nervos aflorassem. Vale mencionar ainda que Salah deixou o campo com dores nos acréscimos, após entrada dura de Hamza Choudhury.

O resultado amplia o início imparável do Liverpool. A equipe chega a oito vitórias consecutivas, igualando sua melhor largada na história do Campeonato Inglês, registrada em 1990/91. Curiosamente, o ritmo não se manteria e o time terminaria sete pontos atrás do Arsenal naquela campanha. Desta vez, Jürgen Klopp espera escrever um final diferente. Pode igualar o recorde da era Premier League já na próxima rodada, repetindo os nove triunfos iniciais do Chelsea de José Mourinho em 2004/05. Na volta da Data Fifa, a equipe disputará o clássico contra o Manchester United em Old Trafford.

Neste momento, o Liverpool abre oito pontos de vantagem na liderança da Premier League. São 24 pontos conquistados em 24 possíveis, contra 16 do Manchester City – que encara o Wolverhampton neste domingo. Já o Leicester provisoriamente se segura na terceira posição. Tem 14 pontos, mas pode ser ultrapassado ou igualado por até três equipes na sequência do final de semana. A atuação de Anfield, de qualquer maneira, comprova como as Raposas estão em alto nível competitivo.

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