A classificação do Bayern de Munique às quartas de final da Champions League, além de recuperar o ritmo de jogo da equipe, também demonstrou como Robert Lewandowski não desaprendeu a fazer gols depois de um mês sem partidas oficiais. Pelo contrário, a goleada por 4 a 1 sobre o Chelsea serviu para ampliar os números do centroavante. Com dois tentos na Allianz Arena, o artilheiro chegou a 13 nesta edição do torneio continental. Uma marca desde já histórica, que permite ao polonês perseguir o recorde absoluto do torneio, embora o regulamento excepcional dificulte sua tarefa.

Os 13 gols de Lewandowski representam sua melhor marca pela competição na carreira. O recorde pessoal havia sido estabelecido em 2012/13, quando brilhou na caminhada do Borussia Dortmund até a decisão. Foram 10 tentos naquela ocasião, incluindo os quatro na semifinal contra o Real Madrid. Pelo Bayern, Lewa nunca tinha chegado aos dois dígitos na Champions, embora sua média fosse alta – com 42 gols em 52 aparições. Mas nada comparado aos 13 tentos em apenas sete partidas nesta edição, em estatística que se torna ainda mais absurda por suas quatro assistências. O polonês produz mais de dois gols por aparição nesta Champions.

Lewandowski ainda não passou em branco no torneio em 2019/20. E os jogos contra o Chelsea serviram para apresentar o lado mais avassalador do centroavante, também solidário. Durante a partida de ida, o polonês deu duas assistências para Serge Gnabry, antes de fechar o placar em 3 a 0 no Stamford Bridge. Desta vez, foram dois gols e duas assistências. Abriu a contagem num pênalti que ele mesmo sofreu, deu o presente para Ivan Perisic ampliar, também cruzou no tento de Corentin Tolisso e passou a régua numa cabeçada certeira. O desinteresse do Chelsea facilitou a Lewa. Mas não é culpa dele se a defesa deu tantos espaços. A missão do camisa 9 é essa: balançar as redes.

Lewandowski se torna apenas o quarto jogador na história da Champions a alcançar a marca de 13 gols em uma mesma edição. O brasileiro Mazzola foi o primeiro, no Milan campeão de 1962/63. Desde então, apenas Lionel Messi e Cristiano Ronaldo tinham conseguido passar tal barreira. O argentino só a derrubou em 2011/12, enquanto o português extrapolaria esse sarrafo em três oportunidades. Em uma delas, estabeleceu o recorde da Champions, com as 17 bolas nas redes de 2013/14. Pela média de Lewa, segue ao alcance.

Se a Champions fosse realizada em condições normais, Lewandowski teria no máximo cinco jogos pela frente. Caso o Bayern disputasse a final, as chances de abocanhar o recorde seriam enormes. A situação muda com o teto de três jogos rumo à decisão no Final 8. De qualquer forma, se os bávaros confirmarem o favoritismo, ainda dá para imaginar um novo recorde nas mãos de Lewa. Apesar das alternativas de jogo no time de Hansi Flick e dos diversos jogadores aptos a brilharem, o sucesso naturalmente passa pelo artilheiro.

E, cada vez mais, Lewandowski se aproxima do pódio no total de gols assinalados na Champions. Neste sábado, ele alcançou os 66 tentos nas fases principais da competição. Ultrapassou Karim Benzema na quarta colocação da artilharia histórica e está a cinco tentos de Raúl. Não é pouco formar um triunvirato com Cristiano Ronaldo e Messi, possuindo uma média similar à do português, embora inferior à do argentino.

Até por ter estreado um pouco mais velho na Champions, Lewandowski não vai alcançar os 115 gols de Messi ou os 130 de Cristiano Ronaldo. Independentemente disso, ficar abaixo dos dois monstros é algo enorme. E a grandeza do centroavante na Champions será ainda mais reconhecida com uma boa campanha protagonizada por ele. A quem sofreu muitas críticas em eliminações recentes, emplacar desta forma na atual temporada é bastante representativo para Lewa se provar. O Barcelona é o próximo passo para ampliar esta história.