Colômbia manda o recado: cautela ao exaltar a Bélgica

Cafeteros venceram de maneira categórica em Bruxelas, em amistosos que só provou que o verdadeiro potencial das seleções terá que ser apresentado na Copa

Sensações das Eliminatórias, cabeças de chave da Copa do Mundo. As ‘promissoras gerações’ de Bélgica e Colômbia, de fato, prometiam um bom duelo em Bruxelas. É verdade que o amistoso poderia não ser levado com tanto empenho assim pelos dois times – como realmente aconteceu. Ainda assim, a vitória por 2 a 0 da Colômbia dá uma boa lição: é preciso ter cautela com o ‘favoritismo’ pintado por alguns aos belgas.

Depois de um primeiro tempo modorrento, em que as melhores chances foram chutes tortos dos belgas, a Colômbia acordou na volta do intervalo. Radamel Falcao García aproveitou um vacilo imenso da defesa adversária – que não contava com Vincent Kompany – para driblar Simon Mignolet e balançar as redes pela primeira vez. Pouco depois, foi a vez de Victor Ibarbo fuzilar, anotando um bonito gol após bola levantada na área. Dries Mertens quase fez o de honra, ao acertar a trave, mas os sul-americanos também tiveram a chance de anotar o terceiro.

A derrota levanta uma questão que não é nova sobre a Bélgica: a falta de testes de verdade à equipe. Desde 2010, a única vitória relevante do time aconteceu contra a Holanda. Além desse jogo, os Diabos Vermelhos tropeçaram contra Alemanha, Inglaterra e França. A derrota para a Colômbia também pode ser incluída neste grupo. Por mais que não tenha sido levado a sério pelos jogadores, o amistoso podia transformar essa desconfiança. Na próxima terça, contra o Japão, os belgas podem até vencer, mas não terão pela frente um adversário tão pesado para atestar a qualidade. São vários talentos individuais, que ainda não se provaram como conjunto.

E também nem dá para exaltar tanto assim a Colômbia pelo resultado. O segundo tempo incisivo ajudou a equipe de José Pekerman a construir o placar, embora a exibição nem de longe tenha sido espetacular. O setor ofensivo dos Cafeteros apresentou uma agressividade já conhecida, enquanto Ibarbo, que briga por uma vaga entre os titulares, foi quem mais mostrou serviço. As conclusões reais sobre o potencial das gerações só deverão acontecer mesmo na Copa do Mundo – ainda que os colombianos tenham mostrado mais vontade para isso.