Depois de muita relutância do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do governo do Japão, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados de 2020 para 2021. A pressão pelo adiamento foi crescendo à medida que a pandemia do novo coronavírus, causador da COVID-19, ficava ainda mais séria em mais países.

Apesar da demora, finalmente parece que os dirigentes perceberam que o adiamento era inevitável e que a crise de saúde pública que vivemos não irá desaparecer rápido a ponto de ser possível ter a maior competição esportiva no final de julho e começo de agosto. Ainda não foi definida uma data, mas o máximo será até o próximo verão do hemisfério norte.

A insistência do COI em manter as Olimpíadas mesmo com tudo que estava acontecendo no mundo parecia uma teimosia. A preparação dos atletas já ficou muito prejudicada com as medidas de distanciamento social, que mudaram as rotinas das pessoas no mundo inteiro. Não só para os esportes coletivos, mas mesmo para os atletas, individualmente. As perspectivas de uma melhora na situação são nebulosas. As previsões mais otimistas são de volta gradual às atividades em agosto, talvez setembro. Justamente quando os jogos seriam disputados.

As especulações sobre o adiamento estavam mais fortes e começaram a surgir reportagens que traziam fontes importantes dizendo que a Olimpíada de Tóquio seria adiada. Dick Pound, membro do IOC, disse em entrevista que o adiamento dos jogos era o mais provável.

O Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe, fez uma reunião por ligação com o IOC nesta terça-feira e propôs que a Olimpíada fosse adiada para 2021. Abe anunciou a decisão dizendo que o presidente do IOC, Thomas Bach, “concordou 100%”. O IOC divulgou um comunicado conjunto logo depois, confirmando o adiamento.

“O Presidente Bach e o Primeiro Ministro Abe expressaram suas preocupações compartilhadas sobre a pandemia do COVID-19 e o que está causando na vida das pessoas e o impacto significativo que está tendo na preparação global dos atletas para os Jogos”, diz o comunicado. “Em uma reunião muito amistosa e construtiva, os dois líderes elogiaram o trabalho do Comitê Organizador de Tóquio 2020 e ressaltou o grande progresso feito no Japão para lutar contra a COVID-19”.

“A propagação sem precedentes e imprevisível do surto fez a situação no resto do mundo deteriorar. Ontem, o Diretor Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a pandemia de COVID-19 está acelerando. Há mais de 375 mil casos registrados em praticamente todos os países, e os números estão crescendo a cada hora”, diz ainda o comunicado.

“Nas presentes circunstâncias e baseado na informação dada pela OMS hoje, o Presidente do COI e o Primeiro Ministro do Japão concluiu que os jogos da XXXXII Olimpíada em Tóquio devem ser remarcadas para uma dará depois de 2020, mas não depois de do verão de 2021, para garantir a saúde dos atletas, todo mundo envolvido nos Jogos Olímpicos e a comunidade internacional”, diz a ainda a nota.

“Os líderes concordaram que os Jogos Olímpicos em Tóquio poderiam ser um farol de esperança para o mundo durante esses tempos difíceis e que a chama olímpica continuará no Japão. Também foi acordado que os jogos manterão o nome Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio 2020”.

A última vez que os Jogos Olímpicos não foram realizados foi durante as duas grandes guerras no começo do século 20, sendo cancelada em 1916, 1940 e 1944. As edições, porém, nunca foram adiadas. Há a possibilidade do adiamento ser por apenas alguns meses, mas é mais possível que seja no meio de 2021.

Tanto Abe quanto Bach insistiam na ideia de manter as datas iniciais da Olimpíada de Tóquio. As mudanças, semana a semana, foram mudando a opinião do Primeiro Ministro japonês. Na segunda-feira, o político japonês mudou de opinião publicamente quando disse que a Olímpiada não poderia ser feita na sua “forma completa”, como programado pela pandemia.

Vendo que a situação se deteriorou no mundo, o presidente do COI, Bach, estabeleceu um prazo de quatro semanas para que seja tomada uma decisão sobre um possível adiamento. Segundo a revista Sports Illustrated, o prazo era para se alinharem com os organizadores japoneses.

O futebol é um dos esportes menos importantes nas Olimpíadas, mas tem sido um problema para alguns clubes. O calendário mundial será completamente mexido pela pandemia do coronavírus e ainda não está claro como será possível lidar com o torneio olímpico. O Brasil está classificado, assim como a Argentina, os dois representantes da Conmebol.

Alguns Comitês Olímpicos pelo mundo se manifestaram a favor do adiamento, como o do Brasil, Austrália, Canadá e Estados Unidos. O Japão gastou US$ 12 bilhões para sediar o evento e venceu a disputa com Madri e Istambul na escolha em 2013.