Aconteça o que acontecer com o Bayern de Munique nesse final de temporada, é quase consenso na Alemanha – e no resto do mundo – que Arjen Robben foi a melhor contratação do clube em 2009. Afinal de contas, ele é o melhor jogador da Bundesliga e o mais decisivo da Liga dos Campeões até aqui, e faz por merecer todos os elogios recebidos, como já foi dito na coluna da semana passada.

Mas o brilhantismo do extremo holandês às vezes pode ofuscar a importância de outros reforços, e a vitória por 3 a 0 no jogo desta terça-feira, em Lyon, mostrou, mais uma vez, que pelo menos um deles também é capaz de brilhar em momentos capitais: Ivica Olic. O hat trick do croata serve para selar de vez um “cala-boca” aos críticos que já vinha sendo ensaiado nas fases anteriores.

O atacante, de 30 anos, chegou para compor o elenco. Em princípio, seria reserva e viveria à sombra dos badalados e selecionáveis Mario Gómez e Miroslav Klose. Como extremo, posição em que também atua, a concorrência era ainda mais indigesta: Robben e Ribéry. A promoção do garoto Thomas Müller, um dos queridinhos de van Gaal, indicava que as coisas seriam mais difíceis ainda e que o ex-ídolo do Hamburgo teria pouquíssimos minutos de jogo.

Olic mudou essa situação dentro de campo, aproveitando as oportunidades recebidas. Mesmo quando não atuava bem, mostrava muita garra em campo, trombando com os zagueiros o tempo inteiro, recuperando bolas perdidas ou desarmando adversários no campo de ataque. O esforço foi recompensado com uma vaga na equipe titular, e a tomada da posição, junto com os dez gols marcados no Campeonato Alemão indicava que ele já havia superado as expectativas na temporada.

Mas o melhor ainda estava por vir. Nas duas últimas fases da Liga dos Campeões, Olic deslanchou e desandou a marcar gols. Fez cinco de seus sete tentos nos últimos quatro jogos, sendo dois contra o Manchester United – ambos decisivos: um para virar o placar em Munique e o outro para iniciar a reação em Old Trafford – e três contra o Lyon. Após a partida, ele disse: “Foi o melhor jogo da minha vida. Antes, havia sido contra o Manchester United, mas hoje foi fantástico. Estou muito feliz”.

O triunfo de Olic marca também uma vitória pessoal de Louis van Gaal, e os motivos são óbvios. Afinal de contas, a atitude de barrar dois atacantes da seleção nacional em troca de um jogador de 30 anos que nunca havia tido sucesso ou conquistado grandes títulos certamente cobraria o seu preço em caso de derrota. O holandês provou, mais uma vez, que pode ter vários defeitos, mas tem coragem para seguir suas próprias convicções em qualquer circunstância.

Sobre o jogo, pode-se dizer que a disputa acabou quando Olic fez o primeiro gol dos bávaros, aos 26 minutos do primeiro tempo. Antes disso, o croata havia roubado uma bola de Cris e servido Thomas Müller, que perdeu, cara a cara com Lloris, a primeira oportunidade da partida. Logo depois, Michel Bastos desperdiçou a única chance clara de gol dos franceses na etapa inicial, e os comandados de Louis van Gaal assumiram de vez o controle da situação, tocando a bola com muita qualidade.

Robben, mais uma vez, foi importante, começando a jogada do primeiro gol, assim como Thomas Müller e Hamit Altintop e Phillip Lahm, que deram os passes para os gols. No meio-campo, Schweisnteiger e Van Bommel foram impecáveis, comandando a saída de bola e organizando o jogo com a técnica habitual. O jovem Diego Contento parece ser o melhor dos laterais esquerdos promovidos nesse ano e mostrou personalidade na marcação.

O tiro de misericórdia foi dado com a expulsão de Cris, e a partir daí, o Bayern passeou. Fez dois gols, e poderia ter goleado, se não tivesse pisado no freio e poupado seus principais jogadores para as duas últimas rodadas da Bundesliga e, é claro, para a final da Liga dos Campeões, torneio que não conquistam desde a temporada 2000/01, e que van Gaal não vence desde 1994/95.

Bundesliga: 64 a 64

Depois de reagir e tomar a liderança do Schalke 04 no confronto direto, o Bayern de Munique perdeu a vantagem que tinha sobre o rival ao empatar por 1 a 1 contra o Borussia Mönchengladbach. Com a vitória dos azuis reais sobre o Hertha Berlim por 1 a 0, os dois times agora estão empatados com 64 pontos e já asseguraram lugar na Liga dos Campeões 2010/11. Os bávaros, porém, levam grande vantagem no saldo de gols – 37 a 24 – e, na prática dependem de si para levantar o caneco.

Na disputa pela última vaga para a LC, o Werder Bremen venceu o Colônia por 1 a 0 e segue na terceira posição, com 57 pontos, empatado com o Bayer Leverkusen, que fez 3 a 0 no Hannover 96 e tenta salvar uma temporada que prometia ser grandiosa. O Borussia Dortmund, que derrotou o Nürnberg por 3 a 2, é o quinto colocado, com 56, e ainda tem chances.

A tabela parece ser mais favorável ao Bayer Leverkusen, que, na próxima rodada, encaram o já rebaixado Hertha Berlim em casa, e depois enfrentam o Borussia Mönchengladbach no Borusa-Park. O Werder, por sua vez, joga m Gelsenkirschen contra o Schalke 04 e encerra sua participação contra o Hamburgo. O aurinegros jogam, respectivamente, contra Wolfsburg e Freiburg.

Kaiserslautern de volta à elite

O Kaiserslautern tem tudo para comemorar, nesta sexta-feira, o título da 2. Bundesliga 2009/10. Para isso, basta derrotar o já rebaixado TuS Koblenz e chegar a 68 pontos, contra 61 do St. Pauli, que tem apenas duas partidas por fazer e também só precisa de um triunfo para se garantir na elite alemã na próxima temporada. O Augsburg, que ocupa a terceira posição, está praticamente assegurado nos play-offs contra o 16º colocado da Bundesliga.

Além do TuS Koblenz, o Rot Weiss Ahlen já está rebaixado para a terceira divisão, enquanto o tradicional Hansa Rostock luta para não ir aos play-offs contra o FSV Frankfurt. A diferença de pontos é mínima – 36 a 35 – em favor dos frankfurtianos, que podem assegurar permanência caso vençam o Rot Wiss Ahlen e o Hansa perca para o Energie Cottbus.