Com passagens por Aston Villa, Manchester City, Everton e West Bromwich, Gareth Barry, aos 39 anos, anunciou nesta quinta-feira (27) a sua aposentadoria do futebol. Em seu currículo, guardará para sempre não só os títulos conquistados no Manchester City, como também sua presença em 53 partidas pela seleção inglesa, além do recorde de jogador com mais jogos na elite do futebol inglês.

Ao longo dos mais de 20 anos de carreira, a constância de Barry foi um de seus pontos principais, e o recorde de jogador com mais atuações na Premier League, com 653 aparições, superando Ryan Giggs (632), Frank Lampard (609) e David James (572), é a melhor maneira de representar isso.

A última versão que ficou em nossa memória de Barry foi a de um jogador de elenco, aguerrido, colocado para fortalecer o meio de campo sobretudo defensivamente e dar força nas disputas por bola. Mas ninguém chega aos números alcançados pelo inglês, ao longo de tantos anos, se resumindo a isso.

Desde seus primeiros anos no Aston Villa, pelo qual estreou na Premier League em maio de 1998, Barry mostrava técnica e inteligência tática para ocupar espaços e distribuir passes precisos. Seu desenvolvimento foi acompanhado de perto pela seleção inglesa, e o jogador, à época um defensor que alternava entre a zaga e a lateral esquerda, teve sua primeira convocação em 2000, com Kevin Keegan. Naquele ano, fez parte do grupo que disputou a Eurocopa.

Gareth Barry, em abril de 1999, pelo Aston Villa (Phil Cole/Allsport via Getty Images/OneFootball)

Com Sven-Goran Eriksson e a emergência de talentos como Ashley Cole e Wayne Bridge na lateral esquerda, Barry perdeu seu espaço na seleção, voltando a figurar com os Three Lions já na reta final de sua passagem pelo Aston Villa. Já estabelecido como meio-campista, lentamente construiu sua reputação na nova posição e passou a ser desejado por clubes maiores. Em 2008, esteve perto de ir para o Liverpool, mas a transação não se concretizou. No ano seguinte, por fim deixaria o Villa Park, assinando por cinco anos com o Manchester City.

Lá, cercado de estrelas, formou-se a última grande imagem que temos de Barry: um coadjuvante combativo, um jogador de bastante entrega e fisicalidade, alguém em quem se pode confiar para qualquer tipo de batalha. Essas características resumem bem o inglês, mas acabam também ofuscando a qualidade técnica de alguém que viria a ser peça inconfundível do início da fase vencedora dos Cityzens, com os títulos da Copa da Inglaterra em 2011 e da Premier League em 2012, acabando com jejum de 44 anos.

Gareth Barry no Manchester City (Paul Ellis/AFP via Getty Images/OneFootball)

Em 2013, aos 32 anos e em sua última temporada sob contrato com o City, Barry foi emprestado ao Everton, e o sucesso de seu ano nos Toffees lhe garantiu seu último grande contrato na elite do futebol inglês: três anos em Merseyside. Nesta passagem pelo lado azul de Liverpool, o inglês foi destaque sobretudo em 2015/16, já aos 35 anos, eleito o melhor do clube tanto por torcedores quanto por seus companheiros de vestiário.

Sua última equipe foi o West Bromwich. Em 2017/18, fazendo sua primeira temporada pelos Baggies, acabou rebaixado com o clube à Championship, em uma situação em que pouco podia efetivamente fazer. O West Brom havia conseguido sobreviver oito anos na elite do futebol inglês, mas já em 2016, desde a venda do clube a um grupo de investidores chineses, iniciava um momento difícil internamente, que culminaria no rebaixamento.

Ao longo daquela última campanha na elite, Barry fez 25 partidas, quebrando o recorde que pertencia a Ryan Giggs de mais jogos na Premier League e alargando sua liderança.

No último capítulo de sua carreira, Barry deu a mostra final de sua combatividade como jogador. Seu contrato com o West Brom se encerrava ao fim da temporada 2018/19 e, a menos de dois meses de sua conclusão, teve que passar por uma cirurgia no joelho que colocava em risco o seu retorno ao futebol. Seu vínculo acabou se encerrando, mas neste meio tempo o meia batalhou duramente para se recuperar, conseguindo por fim um novo contrato de mais um ano.

“Eu não queria encerrar minha carreira com uma lesão. Tive alguns companheiros ao longo dos anos que tiveram que fazer isso, e qualquer jogador quer terminar em seus próprios termos”, comentou Barry em entrevista ao Daily Mail no fim do ano passado.

Gareth Barry, pelo West Brom, marca Allan Saint-Maximin, do Newcastle, em jogo da FA Cup em março de 2020 (Stu Forster/Getty Images/OneFootball)

Ao se recusar a se deixar vencer por uma contusão, Barry garantiu mais uma conquista a seu currículo, ainda que sem tanta participação dentro de campo, limitado à sua influência nos bastidores da equipe: junto do West Brom, alcançou o retorno à Premier League ao fim da temporada 2019/20.

Destacar-se como um meio-campista inglês em uma era de Paul Scholes, Frank Lampard e Steven Gerrard era tarefa dificílima, e talvez por isso Gareth Barry encerre sua carreira agora com menor reconhecimento internacional do que sua trajetória lhe credencia. Porém, à sua própria maneira – e com a chancela de seu recorde difícil de ser batido –, o jogador deixa a sua marca indelével no futebol inglês.