Os 20 clubes da Premier League se reuniram nesta sexta-feira, em Londres, e concordaram de forma unânime em rejeitar as mudanças na Champions League propostas pelo ECA, a Associação de Clubes Europeus, que transformaria a principal competição de clubes do continente em uma Superliga Europeia. A entidade, por meio de seu representante, o presidente da Juventus Andrea Agnelli, propôs em uma reunião no mês passado a implementação de um novo formato para a Champions a partir da temporada 2024/25, com a criação de um sistema de rebaixamento e promoção, a mudança dos dias dos jogos para os fins de semana e o aumento de datas, ampliando a fase de grupos, com ao menos 14 partidas para cada uma das equipes participantes.

Em um pronunciamento conjunto, os clubes ingleses apontaram “preocupações significativas”, e afirmaram ser “inapropriado para as instituições do futebol europeu criar planos que iriam alterar as estruturas, o calendário e a competitividade do futebol doméstico e irão trabalhar juntos para proteger a Premier League”. Na mesma nota, os clubes apelaram para a importância cultural que o campeonato inglês possui. “Na Inglaterra, o futebol desempenha um papel importante em nossa cultura e cotidiano. Milhões de fãs acompanham as partidas através do país, com lealdade e rivalidades locais passadas através de gerações. Temos uma fantástica combinação de futebol competitivo e fãs comprometidos que iremos defender vigorosamente”.

O texto encerra reafirmando a necessidade de manutenção das ligas domésticas. “Nós iremos trabalhar com a Football Association e com outras ligas para garantir que as instituições do futebol europeu entendam a importância disso, e de suas obrigações para manter a saúde e sustentabilidade das ligas domésticas de futebol”. O posicionamento dos clubes ingleses confirma uma tendência já existente entre a maioria dos associados da entidade que representa os clubes europeus. Além disso, o bom contrato televisivo vigente na Premier League, que ultrapassa os € 5 bilhões de euros, é outro fator decisivo.

A notícia de união dos clubes ingleses agradou outras entidades resistentes à ideia de uma Superliga. Javier Tebas, presidente de La Liga, elogiou o pronunciamento. “É bom que tenham dado o passo público. É o que faltava, é o toque diferencial. Eu falo muito com a Premier League, temos tido muitas reuniões com seus dirigentes”, disse o mandatário espanhol, seguido pelo presidente da liga portuguesa, Pedro Proença. “Neste momento, essa questão dos jogos no fim de semana nem se pode colocar. Esse é um espaço vital para o desenvolvimento do futebol nacional. Abdicar dos fins de semana em prol de uma prova internacional me parece desajustado e em nada beneficiaria o futebol português”, afirmou.

A expectativa é que o ECA se reúna junto à UEFA no mês de maio para discutir essas propostas. Mas sem o aval dos principais clubes e ligas europeias, a tendência é de que a criação de uma Superliga seja adiada por mais algum tempo no futebol europeu.