A Fifa ainda vive o impasse de decidir em que período do ano será a Copa do Mundo de 2022, no Catar. E nesta terça ganhou fortes opositores na ideia de alterar a data do Mundial, do verão para o inverno. A Associação Europeia de Clubes apontou que quer “fortes e decisivas razões” para analisar a possibilidade. Uma visão que vai na contramão da abertura indicada por Joseph Blatter nos últimos tempos.

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“Será muito, muito importante contar com argumentos fortes para convencer os clubes europeus a mudar sua temporada em favor de uma Copa do Mundo no inverno. Será preciso ter razões muito boas, porque isso bagunçará a organização do esporte no mundo todo. Precisamos de mais informações antes de aceitar o fato de que nossa temporada será rompida”, declarou o vice-presidente da associação, Umberto Gandini.

Durante os últimos meses, Joseph Blatter acenou para a possibilidade de mudar a Copa de 2022 para o início do ano, no verão do Hemisfério Norte. Segundo o dirigente, seria difícil para o Catar providenciar a tecnologia de resfriamento dos estádios, um dos pilares na candidatura que fez a Fifa escolher o país como sede do torneio. De qualquer forma, o Mundial dos catarianos segue em xeque, diante das denúncias de corrupção no processo eleitoral e de trabalho escravo no país.

Nesta semana, Gandini se encontrou com a força tarefa organizada pela Fifa para decidir em que época do ano a Copa de 2022 será disputada. Além do período tradicional, entre junho e julho, estão sendo discutidos encaixes em novembro e dezembro ou janeiro e fevereiro – bem no meio da temporada europeia.

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“Nós não necessariamente estamos dando atenção àqueles que não irão ao Catar. A maioria dos jogadores não disputará a Copa do Mundo, a maioria das ligas não estará representada. É preciso olhar mais para aqueles que podem ter suas ligas prejudicadas pela mudança no calendário”, complementou Gandini.

Se a pressão sobre o Catar já é enorme, o peso dos clubes europeus pode ser mais um indício contra a Copa do Mundo no país. Caso não haja mesmo tecnologia para manter o torneio entre junho e julho, não há muitas dúvidas de que a contraposição à mudança se tornará ainda maior – até porque essa era a garantia que foi dada à Fifa em sua polêmica escolha. Estados Unidos, Inglaterra e outros países tidos como “plano B” podem se preparar.