Os clubes argentinos definiram nesta terça-feira que a temporada do país terá mesmo três clubes rebaixados da Superliga, e não dois, como vinha sendo falado – ou mesmo dois diretos e mais um playoff, outra possibilidade especulada. A definição aconteceu em reunião entre os clubes do Campeonato Argentino e foi anunciada à imprensa por Nicolás Russo, presidente do Lanús. Mais do que isso, a reunião ainda definiu o fim da Superliga, que deixará de organizar o liga. A organização voltará às mãos da Asociación del Fútbol Argentino (AFA), em uma nova organização que não será dirigida pelos clubes, como acontece com o modelo atual.

“Está ratificado que há três rebaixamentos, não há nenhuma modificação. Entre todos os presidentes, falamos e ratificamos o que já se havia aprovado. Este é um torneio com três descensos”, afirmou Russo, ao final da reunião, que contou com representantes de 23 dos 24 clubes. O único ausente foi o River Plate. Segundo o diário Olé, o clube sequer foi convidado para o encontro.

Incrivelmente, a Superliga acabou nesta semana, mas a temporada argentina ainda não, no que diz respeito a rebaixamento e classificação a competições sul-americanas. Isso porque a Copa da Superliga continuará contando tanto para o Promedio, que define os rebaixados, quanto para as competições sul-americanas, Libertadores e Sul-Americana. Pois é.

Em 2020, a Copa da Superliga Argentina teve o regulamento modificado e terá dois grupos de 12, com jogos dentro dos grupos em turno único e classificação dos dois primeiros à semifinal, disputada em dois jogos. A final é em jogo único. E com os resultados da fase de grupos valendo como se fosse uma extensão da Superliga que acabou nesta semana. Mas como se chegou a isso?

A Argentina vive atualmente um pouco do que o Brasil se acostumou durante décadas: uma desorganização tamanha que são feitos muitos remendos para tentar consertar bobagens que os dirigentes fazem. O problema é que a emenda saiu pior que o soneto, como diz o ditado. Depois do Fútbol Para Todos ter aumentado o número de clubes na Primeira Divisão Argentina para 30, a saída do governo de Cristina Kirchner acabou com o programa e foi criada a Superliga.

O plano era diminuir o número de clubes, sem definir se este número seria de 22 ou 20 clubes. E, por isso, antes da temporada 2019/20, a ideia era ter quatro rebaixamentos e apenas dois acessos, de forma a diminuir o número de clubes para 22. Já não acontecerá mais. Os 24 clubes da atual temporada virarão 23 na próxima temporada, porque além dos três rebaixados, serão dois acessos. E isso significa que o campeonato passará a ter um número ímpar de times e, portanto, sempre um clube folgando por rodada. Calma, que tudo será resolvido no ano seguinte: a ideia é ter só um rebaixado para dois times subindo, o que retornaria o total de clubes a 24.

A primeira rodada da Copa da Superliga, que começa nesta sexta-feira, 13:

O fim da Superliga e retorno à AFA

Algo que também já estava definido e foi confirmado foi o fim da Superliga. A organização do Campeonato Argentino deixará de ser da instituição e voltará para as mãos da AFA. O torneio deixará de ser chamado de Superliga e passará a ter o nome de Liga Profesional de Fútbol.

“A ideia de voltar à AFA é muito importante. É a nossa casa. Assinamos uma nota e agora iremos à sede da Superliga para transmitir que voltamos à AFA. Vai ser um processo um pouco complicado, mas já está determinado. Seguramente, o próximo torneio se organizará pela AFA”, informou o presidente do Lanús, Nicolás Russo.

“A próxima Liga Profesional será com 23 [clubes], depois haverá um rebaixamento e dois acessos”, continuou o dirigente. Ele admitiu que houve conversas sobre diminuir para dois rebaixados e também sobre criar um playoff sobre o antepenúltimo do Promedio com o terceiro da segunda divisão, mas ambas ideias foram descartadas.

Os clubes também pretendem renegociar os direitos de TV do Campeonato Argentino e, claro, querem aumentar suas receitas. A ideia é que as mesmas redes de transmissão continuem na próxima temporada – Fox Sports e ESPN transmitem no país -, mas que sejam cedidos três jogos por rodada à TV Pública: um na sexta, um no sábado e um no domingo.

Além disso, haverá eleições antecipadas na AFA no próximo dia 19 de maio. Os eleitos assumirão em março de 2021. “Vamos deixar o novo Comitê Executivo, que terá uma ampliação: de três vice-presidentes, passaremos a seis, quatro da Primeira Divisão, um da divisão de acesso e um do interior. Também vamos aumentar as vozes dos clubes”, explicou o presidente do Lanús.

O desmanche da Superliga é tão certo que o presidente e o primeiro vice-presidente da SAF, Mariano Elizondo e Jorge Brito, apresentaram suas renúncias aos seus cargos. O documento foi recebido e aceito pela mesa diretiva da entidade. A Superliga funcionará até o fim da temporada, no dia 31 de maio. O novo órgão que organizará o Campeonato Argentino será mesmo a Liga Profesional de Fútbol, que estará sob o comando da AFA, diferente da Superliga.

Se especula na Argentina que o comandante desta nova instituição, a Liga Profesional de Fútbol, poderá ser Marcelo Tinelli, presidente do San Lorenzo, que tem ambições políticas na própria AFA – embora ele mesmo negue. A informação que Tinelli pode assumir um posto na liderança do futebol argentino é do diário argentino Olé. Na Argentina, tudo parece ser escrito na areia, tal a velocidade das mudanças.