A Primeira Guerra Mundial afetou o futebol não apenas pela paralisação de competições. Custou também a vida de alguns atletas que serviram as forças armadas britânicas. O Leyton Orient, da terceira divisão, foi pioneiro entre as agremiações no alistamento em massa e, de agora em diante, até o fim desta temporada, homenageará seus heróis que arriscaram suas vidas durante o conflito, com a incorporação de um emblema que recorda os três jogadores do clube que morreram na Batalha do Somme, em 1916.

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O Leyton Orient, à época ainda com seu antigo nome, Clapton Orient, foi pioneiro no que se tornaria uma prática um tanto quanto comum durante o conflito. O alistamento em massa era apoiado pela FA, como uma maneira de diminuir as críticas pelo fato de partidas serem disputadas enquanto a guerra ocorria. Em resposta a isso, foi criado o Batalhão dos Futebolistas, ao qual aderiram jogadores e torcedores de clubes, normalmente em grupos. Além disso, esperava-se que, por serem atletas e contarem com condições físicas superiores à maioria, estivessem no combate.

O clube cedeu, entre jogadores e funcionários, 41 homens ao batalhão. Três deles morreram em combate e terão seus nomes no distintivo que o clube estampará em sua camisa: Richard McFadden, William Jonas e George Scott. Steve Jenkins, presidente do O’s Somme Memorial Fund, revelou que já havia uma pequena demanda por parte da torcida do Leyton Orient pela homenagem aos soldados. “Conforme o país segue comemorando o centenário da Primeira Guerrra Mundial, muitos torcedores vinham me perguntando nos últimos doze meses se o emblema seria incluso na camisa”, contou.

Chefe comercial do clube, Tom Jeffes exaltou a necessidade de se levar a ideia adiante, pela representação que esse capítulo teve na história da agremiação: “O Leyton Orient está mergulhado na história, e estou completamente encantado por poder incorporar o emblema de Somme à camisa do time principal pelo resto da temporada. Como o primeiro clube de futebol a se alistar em massa para o Batalhão dos Futebolistas, é muito importante que lembremos de nosso passado e daqueles que perderam suas vidas”.

Com o novo ornamento na camisa, o Leyton Orient buscará escapar do rebaixamento para a quarta divisão. No momento, ocupa a antepenúltima colocação da competição. Pelo menos a união entre torcedores e jogadores deverá ser maior que em qualquer outro momento da temporada. Jogarão pelo presente, mas carregando o passado na camisa, e essa ligação pode ser significativa.

Uniforme titular com o emblema que o time carregará na camisa até o fim da temporada (Divulgação)
Uniforme titular com o emblema que o time carregará na camisa até o fim da temporada (Divulgação)