Depois de milhares testes, discussões, alguns justos protestos e muitos protocolos, a bola está preparada para voltar a rolar em solo inglês. Nesta quarta-feira, Sheffield United e Aston Villa, Arsenal e Manchester City realizam os primeiros dois jogos da Premier League em três meses, desde a paralisação por causa da pandemia de coronavírus. Natural ter perdido contato com o que estava acontecendo tanto tempo atrás e, por isso, trouxemos um guia, clube a clube, com algumas informações importantes: como estavam os times, o que eles ainda precisam fazer e com quais jogadores mais precisão contar.

Liverpool

Salah e Alisson, do Liverpool (Foto: Getty Images)

Posição: 1º lugar
Pontos: 82 (em 29 jogos)
Em casa: 45 pontos (1º)
Fora: 37 pontos (1º)
Artilheiro: Mohamed Salah (16 gols)
Garçom: Trent Alexander-Arnold (12 assistências)
Mais minutos em campo: Virgil Van Dijk (2.610)
Último jogo: Liverpool 2 x 1 Bournemouth

Como vinha antes da paralisação?

Não estava bem. A temporada foi pesada para o Liverpool, com algumas partidas a mais do que o normal por causa das Supercopas e do Mundial de Clubes. Apesar da pausa de inverno, dava sinais de esgotamento, com quatro derrotas nas seis partidas anteriores à paralisação. Foi eliminado da Copa da Inglaterra pelo Chelsea e da Champions League pelo Atlético de Madrid. Perdeu a invencibilidade na Premier League na derrota por 3 a 0 para o Watford, encerrando uma sequência de 18 vitórias consecutivas. Jürgen Klopp, porém, terá os retornos de Alisson, cujo substituto Adrián foi criticado pela atuação no jogo decisivo contra os colchoneros, e Jordan Henderson, um ponto importante de equilíbrio no meio-campo. O treinador também falou que seus jogadores voltaram aos treinos empolgados, alguns deles parecendo mais renovados do que no começo da temporada.

O que ainda almeja?

Duas vitórias. Com elas, o Liverpool se tornará campeão inglês pela primeira vez desde 1990. O troféu inédito da Premier League pode ser conquistado logo no primeiro jogo do retorno, contra o Everton, caso o Manchester City perca do Arsenal, nesta quarta-feira. Era o principal objetivo desde o início da temporada, que também teve os títulos da Supercopa da Europa e do Mundial de Clubes. A campanha era tão boa que fica um gosto levemente amargo pela invencibilidade ter escapado, assim como a possibilidade de focar em outros campeonatos com a liga inglesa assegurada. De qualquer maneira, superar os 100 pontos do Manchester City de 2017/18 ainda é muito possível. Precisaria de 19 pontos dos 27 restantes. Também dá para marcar história com uma campanha perfeita em casa. São 15 vitórias em 15 partidas em Anfield, 22 consecutivas contando o fim da campanha passada. São metas importantes para manter a motivação porque o jejum não deve demorar muitas rodadas para ser quebrado.

Quem vinha brilhando?

O Liverpool não vinha tão bem, mas Mohamed Salah pegava embalo. Fez seis gols nas dez últimas rodadas da Premier League e se colocou na briga pela artilharia. Está a apenas três dos 19 de Jamie Vardy.

Um jogador para ficar de olho

Takumi Minamino foi a única contratação do Liverpool na janela de janeiro, uma barganha pelo baixo valor e alto potencial do ex-jogador do Red Bull Salzburg. Mas ele ainda não conseguiu mostrar o que pode fazer. Foi titular três vezes na Copa da Inglaterra, sem muito brilho, e juntou alguns minutos como reserva na Premier League e na Champions League. Sequer fez um gol ou deu uma assistência. Com o título próximo de ser assegurado, seria importante que Klopp lhe desse uma sequência de partidas sem muita pressão para tentar acelerar sua adaptação.

Rodadas restantes: Everton (F), Crystal Palace (C), Manchester City (F), Aston Villa (C), Brighton (F), Burney (C), Arsenal (F), Chelsea (C), Newcastle (F)

Manchester City

De Bruyne, do Manchester City 

Posição: 2º lugar
Pontos: 57 (em 28 jogos)
Em casa: 29 pontos (3º)
Fora: 28 pontos (2º)
Artilheiro: Sergio Agüero (16 gols)
Garçom: Kevin de Bruyne (16 assistências)
Mais minutos em campo: Ederson (2.172)
Último jogo: Manchester United 2 x 0 Manchester City

Como vinha antes da paralisação?

O título da Premier League há muito havia sido concedido por Pep Guardiola, mas uma sequência de cinco vitórias consecutivas antes de perder em Old Trafford foi importante para manter outros objetivos ao alcance. Com as escorregadas do Leicester, fixou-se na segunda posição. Conquistou a Copa da Liga Inglesa derrotando o Aston Villa na final e superou o Sheffield Wednesday para chegar às quartas de final da Copa da Inglaterra. Ainda encaminhou vaga nas quartas de final com uma boa vitória contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, por 2 a 1. Guardiola terá o reforço importante de Aymeric Laporte, completamente recuperado de lesão e pronto para liderar sua defesa.

O que ainda almeja?

Tem a chance de defender os títulos das duas copas domésticas – um já foi – e está em uma rara situação de poder colocar 100% de atenção na Champions League. É o principal objetivo do projeto milionário do clube e pode ser a última oportunidade por algum tempo. Foi punido com duas temporadas de exclusão de torneios europeus por ter violado regras do Fair Play Financeiro. A apelação junto à Corte Arbitral do Esporte será anunciada em julho. Independentemente do formato que a Champions League assumir em seu retorno, um Manchester City concentrado prioritariamente nela com certeza será um dos principais candidatos.

Quem vinha brilhando?

Esta temporada, como muitas outras, é de Kevin de Bruyne. O belga lidera a tabela de garçons com incríveis 16 assistências, sete delas nas últimas 11 rodadas da Premier League. Ainda teve um papel decisivo no Bernabéu e, em forma, é o jogador que mais faz diferença no Manchester City.

Um jogador para ficar de olho

Quatro vezes campeão inglês e com mais de 400 jogos pelo Manchester City, é uma pena que David Silva terá que se despedir em um estádio sem torcida. Seu contrato termina em 30 de junho e há conversas para renová-lo até o fim da temporada assim que for oficial quando ele será. A decisão de deixar o clube após dez anos, porém, já foi tomada. Pela televisão, o torcedor dos Citizens terá as últimas oportunidades de acompanhar um dos seus grandes ídolos, embora ele não viesse jogando tanto antes da paralisação.

Rodadas restantes: Arsenal (C), Burnley (C), Chelsea (F), Liverpool (C), Southampton (F), Newcastle (C), Brighton (F), Bournemouth (C), Watford (F), Norwich (C)

Leicester

Vardy, do Leicester (Foto: Getty Images)

Posição: 3º lugar
Pontos: 53 (em 29 jogos)
Em casa: 30 pontos (2º)
Fora: 23 pontos (4º)
Artilheiro: Jamie Vardy (19 gols)
Garçom: Harvey Barnes (6 assistências)
Mais minutos em campo: Kasper Schmeichel (2.610)
Último jogo: Leicester 4 x 0 Aston Villa

Como vinha antes da paralisação?

O Leicester foi a grande surpresa da temporada. Chegou a parecer candidato ao título com oito vitórias consecutivas pela Premier League entre outubro e dezembro, incluindo o 9 x 0 sobre o Southampton, mas saiu da briga com derrotas consecutivas para. Manchester City e Liverpool. Na virada do ano, também perdeu Wilfried Ndidi e sentiu muito a falta do seu volante. A sequência de apenas três vitórias em 12 partidas dificultou a busca pelo vice-campeonato e, nesse período, ainda houve a eliminação para o Aston Villa na semifinal da Copa da Liga Inglesa. Com Ndidi de volta como titular, porém, fez 4 a 0 no próprio Villa antes da paralisação, dando sinais de que o jovem time de Brendan Rodgers estava se recuperando. Artilheiro da Premier League, Vardy voltou a marcar naquela partida após sete rodadas em branco.

O que ainda almeja?

É importante que o Leicester mantenha um nível alto porque ainda precisa garantir vaga na próxima Champions League. Os oito pontos de vantagem para o quinto colocado Manchester United são confortáveis, mas podem desaparecer rapidamente se as Raposas embarcarem em outra sequência ruim de resultados. A chance de chegar a uma final foi desperdiçada na Copa da Liga, mas outra ainda segue viva. O Chelsea será o adversário nas quartas de final da Copa da Inglaterra e, se as Raposas terminarem a temporada entre os quatro primeiros e com uma visita a Wembley, estará de ótimo tamanho.

Quem vinha brilhando? 

A ausência de Ndidi destacou sua importância ao Leicester, e a experiência de Vardy tem sido inestimável, mas vale muito uma menção ao turco Caglar Söyüncü, que assumiu a vaga deixada por Harry Maguire na defesa, enquanto muitos achavam estranho que o clube não tivesse reinvestido o dinheiro recebido do Manchester United, e tem impedido que os torcedores sintam saudade do seu antecessor.

Um jogador para ficar de olho

James Maddison foi contratado do Norwich e não demorou para provar que tem qualidade suficiente para a transição da segunda divisão à elite. Floresceu nesta temporada como um meia-atacante ainda mais letal. Tem velocidade para se encaixar nos velozes contra-ataques do Leicester e um chute de média distância dos mais perigosos do país. As boas atuações foram premiadas com sua primeira partida pela seleção, contra Montenegro, no último mês de novembro.

Rodadas restantes: Watford (F), Brighton (C), Chelsea (C), Everton (F), Crystal Palace (C), Arsenal (F), Bournemouth (F),  Sheffield United (C), Tottenham (F), Manchester United (C)

Chelsea

Frank Lampard, técnico do Chelsea (Getty Images)

Posição: 4º lugar
Pontos: 48 (em 29 jogos)
Em casa: 28 pontos (8º)
Fora: 24 pontos (3º)
Artilheiro: Tammy Abraham (13 gols)
Garçom: Willian (5 assistências)
Mais minutos em campo: César Azpilicueta (2.420)
Último jogo: Chelsea 4 x 0 Everton

Como vinha antes da paralisação?

A temporada do Chelsea pode ser dividida em dois momentos. O primeiro, surpreendente, quando apesar da perda de Hazard, nenhuma contratação e um treinador praticamente novato, emendou uma sequência de vitórias e parecia certo na próxima Champions League. O segundo – quatro vitórias em 14 jogos – foi uma espécie de correção de curso que deixou a campanha do clube mais adequada ao time que é colocado em campo. Entre eles, Frank Lampard cobrou mais reforços alegando que a vaga na Champions estaria ameaçada. Ninguém veio. Antes da paralisação, estava em um meio termo. Ganhou o confronto direto contra o Tottenham, mas apenas empatou com o Bournemouth. Eliminou o Liverpool da Copa da Inglaterra e goleou o Everton, que vinha esboçando uma aproximação ao pelotão da frente.

O que ainda almeja?

Para não ser vítima do próprio sucesso, o Chelsea precisa garantir pelo menos a quarta colocação. O balanço ainda seria positivo para Frank Lampard, em sua primeira campanha na elite inglesa como treinador, mas a derrocada entre novembro e fevereiro foi tão feia que perder a vaga na Champions League teria um gosto muito amargo. Em quarto lugar, é o time que todos desejam ultrapassar. Tem três pontos a mais que o quinto, o Manchester United. E ainda está vivo na Copa da Inglaterra. Enfrenta o Leicester, nas quartas de final, para Lampard seguir em busca de seu primeiro título com a prancheta nas mãos. Precisa muito melhorar como mandante. Tem apenas a oitava campanha da liga e dificuldade para furar defesas fechadas.

Quem vinha se destacando?

Sem os reforços que queria em janeiro, Lampard ficou com poucas opções e precisou recorrer a Olivier Giroud, o que muitos treinadores já fizeram quando tinham poucas opções. E não se decepcionou. O francês marcou contra Tottenham e Everton e ainda foi importante para eliminar o Liverpool da Copa da Inglaterra. Tanto que, com um pé fora de Stamford Bridge em janeiro, renovou contrato por mais uma temporada.

Um jogador para ficar de olho  

A paralisação serviu para o Chelsea recuperar alguns meias, como Kovacic, Pulisic e Loftus-Cheek. Com o setor reforçado, a sua inclinação a dar chances a jovens será testada porque o garoto Billy Gilmour, 19 anos, impressionou em dois jogos como titular contra Liverpool e Everton.

Rodadas restantes: Aston Villa (F), Manchester City (C), West Ham (F), Watford (C), Crystal Palace (F), Sheffield United (F), Norwich (C), Liverpool (F), Wolverhampton (C)

Manchester United

Bruno Fernandes, do United

Posição: 5º lugar
Pontos: 45 (em 29 jogos)
Em casa: 29 pontos (4º)
Fora: 16 pontos (9º)
Artilheiro: Marcus Rashford (14 gols)
Garçom: Daniel James (6 assistências)
Mais minutos em campo: David de Gea (2.610)
Último jogo: Manchester United 2 x 0 Manchester City 

Como vinha antes da paralisação?

Entre resistentes especulações de que está com o cargo em risco, ainda mais quando um nome como o de Mauricio Pochettino está disponível, Ole Gunnar Solskjaer vai se segurando porque, além de ser um ídolo em Old Trafford, ganha os jogos grandes. Bateu o Chelsea em Stamford Bridge e o Manchester City, em meio a uma sequência de 11 jogos de invencibilidade por todas as competições. O estilo de velocidade e contra-ataque dos Red Devils encaixa bem nesses duelos, e a chegada de Bruno Fernandes tem ajudado nos outros, quando a missão é furar o ferrolho do time da parte de baixo da tabela. A paralisação quebrou o embalo do United, mas também trará algumas novidades. Marcus Rashford teve tempo para se recuperar e talvez a gente até consiga mais um vislumbre de Paul Pogba.

O que ainda almeja?

Está praticamente classificado na Liga Europa, depois de fazer 5 a 0 no LASK Linz, e enfrentará o Norwich nas quartas de final da Copa da Inglaterra. Como os antecessores de Solskjaer descobriram, esses títulos secundários são legais, mas não servem para fazer as engrenagens financeiras funcionarem como disputar a Champions League. Esse é o grande objetivo. Em curva ascendente e a três pontos do Chelsea, parecia o favorito. Agora, precisamos esperar para ver onde as peças cairão pós-pausa.

Quem vinha se destacando?

Impossível não citar um nome. Ou melhor, dois. Bruno Fernandes foi uma novela longa do Manchester United. Esteve próximo, depois não esteve mais tão próximo, e finalmente chegou em janeiro. Deu outro dinamismo ao meio-campo, setor do elenco que mais parecia desfalcado. Tem três gols e quatro assistências em nove partidas e fez muita gente esquecer que Pogba é jogador do United – talvez até o próprio Pogba.

Um jogador para ficar de olho 

O retorno de Rashford pode ser a chave para o Manchester United se alçar ao top quatro. Tinha 14 gols em 22 rodadas da Premier League antes de se machucar, em janeiro, e ver sua temporada colocada em risco. O tempo extra permitiu que se recuperasse e, agora com mais apoio do meio-campo, pode voltar a ser o homem-gol dos Red Devils.

Rodadas restantes: Tottenham (F), Sheffield United (C), Brighton (F), Bournemouth (C), Aston Villa (F), Southampton (C), Crystal Palace (F), West Ham (C), Leicester (F)

Wolverhampton

Adama Traoré, do Wolverhampton (Foto: Getty Images)

Posição: 6º lugar
Pontos: 43 (em 29 jogos)
Em casa: 22 pontos (11º)
Fora: 21 pontos (5º)
Artilheiro: Raúl Jiménez (13 gols)
Garçom: Adama Traoré (6 assistências)
Mais minutos em campo: Conor Coady (2.610)
Último jogo: Wolverhampton 0 x 0 Brighton

Como vinha antes da paralisação?

Começou mal a temporada, teve um fim de ano bem complicado, quando enfrentou Liverpool e Manchester City em menos de 48 horas e chegou à paralisação oscilando. Foram três empates por 0 a 0, contra Manchester United, Leicester e Brighton, e vitórias contra Norwich e Tottenham. Nuno Espírito Santo ainda não conseguiu desvendar totalmente o que fazer quando não tem o contra-ataque rápido à disposição, o que se reflete no fato de o seu time ter apenas a 11ª campanha como mandante. O empate fora de casa contra o Olympiacos deixou os ingleses bem colocados para avançar na Liga Europa – caso consigam tomar as rédeas com sucesso no Molineux.

O que ainda almeja?

A campanha europeia cobrou um preço ao Wolverhampton, com elenco curto e um treinador que não gosta muito de rodar seus titulares – talvez justamente porque tenha um elenco curto. De qualquer maneira, segue vivo na Liga Europa e uma boa caminhada ressoaria com seu orgulhoso passado. Acontece que, com muita oscilação na briga pelo quarto lugar, continua com boas chances, a apenas cinco pontos no quarto lugar. Qual objetivo buscar? Será possível tentar os dois? E se acabar sem nenhum? Com certeza, Nuno Espírito Santo se fez essa pergunta várias vezes durante a paralisação.

Quem vinha se destacando?

Adama Traoré é um bom exemplo de paciência. Foi contratado do Middlesbrough, quando o Wolverhampton subiu, e causou pouco impacto em sua chegada à elite inglesa. Agora, há poucos jogadores que misturam força, velocidade qualidade como ele pela ponta direita.

Um jogador para ficar de olho

O Wolverhampton recuperou-se de um começo ruim de temporada com uma sequência que teve apenas três derrotas em 14 rodadas entre outubro e janeiro, e o conseguiu apesar do desfalque de Willy Bolly, presença dominante na defesa. Com ele, passou cinco jogos invictos antes da paralisação, apesar dos três empates sem gols – o que pelo menos é bom sinal para um zagueiro.

Rodadas restantes: West Ham (F), Bournemouth (C), Aston Villa (F), Arsenal (C), Sheffield United (F), Everton (C), Burnley (F), Crystal Palace (C), Chelsea (F)

Sheffield United

Billy Sharp marcou na vitória contra o Bournemouth, no fim de semana (Foto: Getty Images)

Posição: 7º lugar
Pontos: 43 (em 28 jogos)
Em casa: 24 pontos (9º)
Fora: 19 pontos (7º)
Artilheiro: John Fleck e Lys Mousset (5 gols)
Garçom: Lys Mousset (4 assistências)
Mais minutos em campo: George Baldock e Jack O’Connell (2.520)
Último jogo: Sheffield United 1 x 0 Norwich
 Como vinha antes da paralisação?

Estava em sua melhor sequência na temporada. Seis jogos de invencibilidade, com cinco vitórias. Uma delas foi na prorrogação contra o Reading, o que garante que o Sheffield United ainda tem chance de coroar uma temporada muito além das expectativas com pelo menos uma final. Outras três foram pela Premier League. Pegou equipes que um time que briga por vaga em competições europeias deveria vencer e o fez, contra Crystal Palace, Bournemouth e Norwich. Sempre apertado, embora seja um time que goste de ter a bola e surpreenda o adversário com as ultrapassagens de seus zagueiros em direção à linha de fundo para o cruzamento.

O que ainda almeja?

Se tivessem oferecido a Chris Wilder a sétima posição e quartas de final da Copa da Inglaterra antes de a temporada acabar, ele provavelmente teria perguntado quanto a pessoa havia bebido, mas, com dez jogos pela frente, o Sheffield United pode sonhar com mais do que isso. Está com um jogo a menos que a maioria da tabela e, caso o vença, pula para quinto. A possibilidade de disputar competições europeias é real, especialmente porque, antes da paralisação, ninguém daquela região inspirava muita confiança de que fosse disparar. Tem o Arsenal pela frente, contra quem venceu e empatou nas duas partidas pela Premier League, para tentar chegar à semifinal da FA Cup, outro feito que seria impressionante para um time que começou a temporada favorito para ser rebaixado.

Quem vinha se destacando?

O Sheffield United se destaca pelo coletivo. O craque é a unidade. Dentro desse coletivo, Olivier Norwood puxa as cordinhas do meio-campo com qualidade. Cria das categorias de base do Manchester United, não teve chances em Old Trafford e fez a maior parte da sua carreira na segunda divisão, pela qual disputou quase 300 partidas. É o 16º jogador que mais completa passes no campeonato, à frente de meias como Gündogan, De Bruyne, João Moutinho e James Maddison.

Um jogador para ficar de olho

 O Manchester United concordou em estender o contrato de Dean Henderson até o fim desta temporada. A oficialização deve sair em breve, mas é uma boa notícia para o Sheffield United. Como todo goleiro jovem, Henderson oscila e cometeu algumas falhas cruciais nesta temporada, mas tem potencial e costuma responder quando é acionado.

Rodadas restantes: Aston Villa (F), Newcastle (F), Manchester United (F), Arsenal (C), Tottenham (C), Burnley (F), Wolverhampton (C), Chelsea (C), Leicester (F), Everton (C), Southampton (F)

Tottenham

Kane cumprimenta Mourinho
Harry Kane e José Mourinho, do Tottenham (Getty Images)

Posição: 8º lugar
Pontos: 41 (em 29 jogos)
Em casa: 26 pontos (5º)
Fora: 15 pontos (11º)
Artilheiro: Harry Kane (11 gols)
Garçom: Son Heung-min (7 assistências)
Mais minutos em campo: Toby Alderweireld (2.418)
Último jogo: Burnley 1 x 1 Tottenham

Como vinha antes da paralisação?

O Tottenham foi salvo pelo gongo. José Mourinho substituiu Mauricio Pochettino no final do ano passado e, em um primeiro momento, até conseguiu alguns resultados. A perda de Harry Kane em janeiro foi pesada, e o time poucas vezes se mostrou realmente confiável. Foi se segurando com uma boa dose de sorte e ganhando alguns jogos meio malucos. Son também se lesionou com seriedade e, à medida em que as dificuldades foram aumentando, o Mourinho que parecia mais simpático e jovial voltou a ficar carrancudo e reclamão. Antes da pausa, o Tottenham estava em uma sequência de seis jogos sem vencer, com quatro derrotas e eliminações na Copa da Inglaterra e na Champions League – levando 4 a 0 do RB Leipzig no agregado.

O que ainda almeja?

Sobrou apenas a Premier League e, para as contas do clube, as receitas da Champions League são essenciais. O Tottenham causou justa controvérsia ao passar parte dos salários de seus funcionários menos bem pagos ao governo e ao contrair um empréstimo de £ 175 milhões a juros baixos também às custas do contribuinte. E precisa pagar as contas do novo estádio. O quarto lugar está a sete pontos de distância, mas o quinto pode bastar se a Corte Arbitral do Esporte mantiver a exclusão de dois anos de competições europeias do Manchester City por violações do Fair Play Financeiro. Nesse segundo caso, precisaria tirar quatro pontos em relação ao Manchester United. É possível. Ainda mais possível com os retornos de Kane e Son que, juntos, marcaram 20 dos 47 gols dos Spurs na liga inglesa.

Quem vinha se destacando?

 Dele Alli provou que tem qualidade, ainda não que consegue mostrá-la regularmente todas as semanas. É aquele jogador vaga-lume. Mas tem tido uma boa sequência desde a chegada de Mourinho e chamou um pouco a responsabilidade em meio a tantos desfalques importantes.

Um jogador para ficar de olho 

Quem também apareceu bem com a crise de lesões foi Lucas Moura. Ela permitiu que o brasileiro finalmente ganhasse o que tanto andava precisando no futebol europeu: uma sequência como titular. Começou jogando 12 das últimas 14 rodadas da Premier League e sua velocidade na transição foi uma das poucas armas que restaram a Mourinho sem Kane e Son.

Rodadas restantes: Manchester United (C), West Ham (C), Sheffield United (F), Everton (C), Bournemouth (F), Arsenal (C), Newcastle (F), Leicester (C), Crytal Palace (F)

Arsenal

Aubameyang e Lacazette, do Arsenal (Foto: Divulgação)

Posição: 9º lugar
Pontos: 40 (em 28  jogos)
Em casa: 26 pontos (6º)
Fora: 14 pontos (12º)
Artilheiro: Pierre-Emerick Aubameyang (17 gols)
Garçom: Nicolas Pépé (6 assistências)
Mais minutos em campo: Bernd Leno (2.520)
Último jogo: Arsenal 1 x 0 West Ham

Como vinha antes da paralisação?

Com os famosos sentimentos mistos. O Arsenal perdeu apenas uma vez pela Premier League desde a chegada de Mikel Arteta, na época do Natal, mas também empatou bastante. Sem muito tempo para trabalhar, houve apenas sinais da identidade que ele pretende introduzir à equipe. Eram oito jogos de invencibilidade quando chegou a paralisação, mas foi dolorosa a eliminação para o Olympiacos na Liga Europa, na prorrogação. Era um torneio no qual os Gunners haviam chegado à final na temporada anterior e que poderia representar mais uma chance de conseguir vaga na Champions League.

O que almeja?  

Como outros clubes com muitas contas para pagar e menos receitas por causa dos portões fechados, chegar à Champions League seria essencial para a saúde financeira do Arsenal – que tem uma folha salarial particularmente alta. O que difere sua situação da do Tottenham é que tem um jogo a menos que os times à sua frente que estão na briga, exceto o Sheffield United. O dado menos animador é que é contra o Manchester City. Está a oito pontos do quarto lugar, mas olha para o quinto, a cinco de distância, torcendo para a Corte Arbitral do Esporte ratificar a punição do City. Um troféu ainda pode vir na Copa da Inglaterra, na qual enfrenta o Sheffield United nas quartas de final. Problema é que não conseguiu vencê-lo em nenhum dos dois jogos pela Premier League. E como Arsène Wenger descobriu na reta final de seu reinado, o troféu mais antigo do mundo não é o bastante.

Quem vinha se destacando?

Pierre-Emerick Aubameyang fez 17 gols nesta Premier League, em 14 rodadas diferentes, e o Arsenal perdeu apenas uma delas, contra o Chelsea, no final de dezembro. Ele costuma ser a diferença entre o fracasso e o sucesso e está prestes a colocar o clube naquela posição que lhe é inconvenientemente familiar. Com contrato apenas até 2021, o Arsenal precisa convencê-lo a renovar ou aproveitar para fazer algum dinheiro com o atacante, sob o risco de perdê-lo de graça daqui a um ano.

Um jogador para ficar de olho

 Campeão sul-americano e mundial pelo Flamengo, Pablo Marí foi recrutado pelo Arsenal para tentar dar um jeito em sua defesa. Emprestado com opção de compra ao fim da temporada 2019/20. Fez duas partidas como titular antes da paralisação, atuando 90 minutos. Ajudou seu time a manter a meta intacta em ambas.

Rodadas restantes: Manchester City (F), Brighton (F), Southampton (F), Norwich (C), Wolverhampton (F), Leicester (C), Tottenham (F), Liverpool (C), Aston Villa (F), Watford (C)

Burnley

Sean Dyche, do Burnley (Foto: Getty Images)

Posição: 10º lugar
Pontos: 39 (em 29  jogos)
Em casa: 23 pontos (10º)
Fora: 16 pontos (10º)
Artilheiro: Chris Wood (11 gols)
Garçom: Dwight McNeil e Ashley Westwood (5 assistências)
Mais minutos em campo: Ben Mee (2.610)
Último jogo: Burnley 1 x 1 Tottenham

Como vinha antes da paralisação?

Com a décima melhor campanha como mandante e a décima melhor campanha como visitante, não parece coincidência que o Burnley seja o décimo colocado da Premier League, colocação que em certos momentos da temporada lhe pareceu distante. Entre outubro e janeiro, coletou dez derrotas em 14 rodadas e parecia embicar para uma briga contra o rebaixamento. No entanto, recuperou-se. O empate contra o Tottenham, seu último jogo antes da pandemia, foi o sétimo seguido de invencibilidade. Praticamente livre da queda, pode voltar suas atenções a outros objetivos.

O que ainda almeja?

A preocupação de Sean Dyche era escapar do rebaixamento, depois do início difícil de campeonato. Agora, com a pausa, ele deve ter olhado para a tabela e pensado que há uma chance de conseguir vaga em competições europeias. A missão pode ficar mais ou menos difícil dependendo de quem vencer a Copa da Inglaterra e da punição ao Manchester City. Tem 39 pontos, a um do Arsenal (com um jogo a menos) e a dois do Tottenham. Por um lado, não parece ter cacife para ultrapassar quem está à sua frente. Por outro, quem está à sua frente não mostrou muita consistência até agora.

Quem vinha se destacando?  

O Burnley é um daqueles times que roda poucos jogadores e cada um tem sua função. A jovem prata da casa Dwight McNeil, 20 anos, tem cumprido bem a sua de fornecer criatividade e cruzamentos pelo lado esquerdo do campo. É o líder do time em assistências ao lado do meia Ashley Westwood, outro bom e discreto nome da equipe.

Um jogador para ficar de olho

Chris Wood lidera a tabela de artilharia do Burnley, mas Ashley Barnes estaria muito mais próximo se não tivesse passado por uma cirurgia de hérnia em janeiro. A expectativa é que consiga jogar nesta retomada da Premier League e, se o fizer, tem tudo para melhorar o poder de fogo, por mais que Jay Rodríguez tenha se mostrado um suplente competente.

Rodadas restantes: Manchester City (F), Watford (C), Crystal Palace (F), Sheffield United (C), West Ham (F), Liverpool (F), Wolverhampton (C), Norwich (F), Brighton (C)

Crystal Palace

Zaha, do Crystal Palace (Foto: Getty Images)

Posição: 11º lugar
Pontos: 39 (em 29  jogos)
Em casa: 22 pontos (12º)
Fora: 17 pontos (8º)
Artilheiro: Jordan Ayew (8 gols)
Garçom: James McArthur e Wilfried Zaha (3 assistências)
Mais minutos em campo: Wilfried Zaha (2.545)
Último jogo: Burnley 1 x 1 Tottenham

Como vinha antes da paralisação?

Os últimos resultados do Crystal Palace são uma delícia para quem gosta de padrões: quatro empates consecutivos, três derrotas consecutivas, três vitórias consecutivas. Todas por 1 a 0 porque, se Zaha não faz chover, o time treinado por Roy Hodgson tem sérias dificuldades para criar jogadas. Foram contra adversários da parte de baixo da tabela – Newcastle, Brighton e Watford – e serviram para o Palace ter praticamente todos os pontos que precisa para mais uma temporada na Premier League.

O que ainda almeja?

Difícil imaginar que vá para algum lugar. É um time sólido, bom defensivamente, tem um grande jogador e gosta de complicar a vida dos grandes fora de casa, mas não faz gol nem se implorarem. Apenas Newcastle e Norwich (25 cada) têm ataques piores que o seu (26). Está com a mesma pontuação do Burnley, logo, teoricamente, tem as mesmas chances de uma vaga em competições europeias. Mas você já viu a tabela do Crystal Palace? Liverpool, Leicester e Wolverhampton fora de casa. Chelsea, Manchester United e Tottenham no Selhurst Park. Boa sorte.

Quem vinha se destacando? 

Em um time que faz poucos gols, dois em partidas consecutivas e quatro nas últimas 11 são algo relevante. Jordan Ayew acabou se tornando o artilheiro do Palace no campeonato, com oito no total.

Um jogador para ficar de olho 

Zaha saiu do banco de reservas na metade do segundo tempo da primeira rodada da Premier League, contra o Everton, porque teve um fim de pré-temporada um pouco atribulado por ter tentado forçar uma transferência.  Não por acaso, foi 0 a 0. Depois, jogou todos os minutos de todos os jogos do Crystal Palace na competição porque, sem ele, pouca coisa acontece no ataque do time londrino. Com ele, para ser franco, também.

Rodadas restantes: Bournemouth (F), Liverpool (F), Burnley (C), Leicester (F), Chelsea (C), Aston Villa (F), Manchester United (C), Wolverhampton (F), Tottenham (C)

Everton

A estreia de Ancelotti foi no Boxing Day, contra o Burnley (Foto: Getty Images)

Posição: 12º lugar
Pontos: 37 (em 29  jogos)
Em casa: 25 pontos (7º)
Fora: 12 pontos (15º)
Artilheiro: Dominic Calvert-Lewin (13 gols)
Garçom: Lucas Digne (5 assistências)
Mais minutos em campo: Jordan Pickford (2.610)
Último jogo: Chelsea 4 x 0 Everton

Como vinha antes da paralisação?

Foi o fim da lua de mel. Carlo Ancelotti chegou no Boxing Day e revitalizou a temporada do Everton com uma sequência de cinco vitórias, dois empates e uma derrota. Como ninguém foi mais regular no período, o sonho de vaga na Champions League se tornou concreto. A chave seriam os confrontos diretos contra Arsenal, Manchester United e Chelsea, que acabaram sendo os últimos três jogos do clube antes da paralisação. Perdeu do Arsenal. Empatou com o United. Foi goleado pelo Chelsea.

O que ainda almeja?

As derrotas derrubaram-no para 12º lugar, mas está tudo muito embolado. Até o quarto ou o quinto lugar, que dependendo da punição ao Manchester City pode valer vaga na Champions League, segue acessível, embora naturalmente muito mais difícil. Pelo alto investimento, por ter um tricampeão europeu no banco de reservas, o Everton tem que tentar. Mas, se terminar na Liga Europa, já estará de bom tamanho, especialmente pelo péssimo início de temporada. 

Quem vinha se destacando?

Ganha um doce quem lembrar o último centroavante que fez pelo menos 13 gols pela Premier League com a camisa do Everton. Ok, não faz tanto tempo assim: foi Romelu Lukaku, em 2016/17. Ainda assim, a falta de um homem gol é alarmante. Wayne Rooney chegou a dez antes de Richarlison e Sigurdsson homenagearem Zagallo na temporada passada. Dominic Calvert-Lewin já marcou os mesmos 13, a nove rodadas do fim. Revigorado por Ancelotti, oito desde a mudança de administração.

Um jogador para ficar de olho  

Jean-Philippe Gbamin foi contratado para o lugar de Idrissa Gueyé, negociado com o Paris Saint-Germain. Fez dois jogos e machucou o quadríceps. Precisou operar. Foi desfalque por meses. Estava próximo de voltar quando a pandemia suspendeu o futebol. Durante os treinos, outra lesão, agora no Aquiles, o que significa que ficará no estaleiro pelo restante de 2020. Azar imensurável. Sua ausência abriu espaço para o garoto Tom Davies, que se tornou uma forte presença no meio-campo do Everton.

Rodadas restantes: Liverpool (C), Norwich (F), Leicester (C), Tottenham (F), Southampton (C), Wolverhampton (F), Aston Villa (C),  Sheffield United (F), Bournemouth (C)

Newcastle

Joelinton, do Newcastle (Foto: Getty Images)

Posição: 13º lugar
Pontos: 35 (em 29  jogos)
Em casa: 21 pontos (13º)
Fora: 14 pontos (13º)
Artilheiro: Jonjo Shelvey (5 gols)
Garçom: Christian Atsu e Andy Carroll (3 assistências)
Mais minutos em campo: Martin Dubravka (2.610)
Último jogo: Southampton 0 x 1 Newcastle

Como vinha antes da paralisação?

Como esteve durante toda a temporada. Ganhando um jogo aqui e outro ali, reforçando a contagem com alguns empates, e tentando se afastar da zona de rebaixamento, o que o treinador Steve Bruce conseguiu com mais facilidade do que se imaginava. Ganhou do Southampton antes da paralisação, encerrando uma sequência de cinco partidas sem vitória.

O que ainda almeja? 

Um novo dono? A venda que os torcedores tanto esperavam para se livrarem de Mike Ashley, por mais controversa que seja, parecia iminente, mas ainda está empacada na aprovação da Premier League, que está sendo pressionada pela BeIN Sports por causa de uma rede de transmissões piratas que seria comandada pelo governo Arábia Saudita, sócio majoritário do fundo que deseja ser dono do Newcastle. Esse tende a ser o principal suspense do restante da temporada. Os 35 pontos são quase tudo que o clube precisa para escapar do rebaixamento, mesmo que ainda se recuse a fazer gols (25 em 29 jogos, o pior ataque da Premier League ao lado do Norwich). É verdade que ainda está na Copa da Inglaterra. Também é verdade que enfrenta o Manchester City nas quartas de final.

Quem vinha se destacando?  

O Newcastle lamentou a saída de Rafa Benítez, mas Bruce manteve a estrutura do time e a solidez defensiva – e a falta de gols -, talvez com um pouco menos de classe, mas funcionou. E funcionou em grande parte porque o goleiro Martín Dubravka salvou uma atrás da outra lá na defesa.

Um jogador para ficar de olho

Antes de ir embora, Benítez queria contratar Salomón Rondón em definitivo, alguém que acreditava que conseguiria ser um ataque de um homem só. Quando foi para a China, levou o venezuelano consigo. O Newcastle também perdeu Ayoze Pérez. Quebrou a banca para contratar Joelinton do Hoffenheim, e o homem-gol do time é Jonjo Shelvey, com cinco. O brasileiro tem nove rodadas para mostrar a que veio.

Rodadas restantes: Sheffield United (C), Aston Villa (C), Bournemouth (F), West Ham (C), Manchester City (F), Watford (F), Tottenham (C), Brighton (F), Liverpool (C)

Southampton

Danny Ings

Posição: 14º lugar
Pontos: 34 (em 29  jogos)
Em casa: 14 pontos (20º)
Fora: 20 pontos (6º)
Artilheiro: Danny Ings (15 gols)
Garçom: Jack Stephens e James Ward-Prowse (3 assistências)
Mais minutos em campo: James Ward-Prowse (2.610)
Último jogo: Southampton 0 x 1 Newcastle

Como vinha antes da paralisação?

Não estava muito bem. Depois de sair do buraco com uma boa sequência entre dezembro e janeiro, perdeu cinco dos último seis jogos antes da paralisação. A derrota para o Tottenham na Copa da Inglaterra foi particularmente dolorida porque o Southampton merecia mais. Pela Premier League, ganhou do Aston Villa e levou petelecos de Liverpool, Burnley, West Ham e Newcastle.

O que ainda almeja?

A pausa chegou antes que a diretoria do Southampton ficasse muito preocupada com a queda de rendimento. O treinador Ralph Hasenhüttl, o mesmo que levou 9 x 0 do Leiceter, foi premiado com um novo contrato por ter revertido a sorte da temporada e praticamente evitado o risco de rebaixamento. Mais umas duas vitórias devem garantir mais uma participação na Premier League. Além delas, o que os Saints almejam mesmo são melhores jogadores, mas, para isso, terão que esperar a janela de transferências – que nem se sabe ainda quando será.

Quem vinha se destacando?

Danny Ings fez muitos gols pelo Burnley. Não conseguiu fazê-los pelo Liverpool por causa de sérias lesões e ganhou uma nova chance no Southampton. Chegoy emprestado, foi bem e acabou contratado em definitivo. Decisão certeira. Ings é um dos cinco artilheiros da Premier League, com 15 gols.

Um jogador para ficar de olho

Talvez ser considerado o novo Beckham, sem ter o mesmo brilho no olhar, não tenha ajudado. Aos 25 anos, maduro, James Ward-Prowse está em seu melhor momento. Confiável, jogou todos os minutos do Southampton no Campeonato Inglês e, justificando (um pouco) a comparação, é um perigo na bola parada.

Rodadas restantes: Norwich (F), Arsenal (C), Watford (F), Manchester City (C), Everton (F), Manchester United (F), Brighton (C),  Bournemouth (F), Sheffield United (C)

Brighton

Brighton

Posição: 15º lugar
Pontos: 29 (em 29  jogos)
Em casa: 18 pontos (14º)
Fora: 11 pontos (16º)
Artilheiro: Neal Maupay (8 gols)
Garçom: Pascal Gross (4 assistências)
Mais minutos em campo: Matt Ryan (2.610)
Último jogo: Wolverhampton 0 x 0 Brighton

Como vinha antes da paralisação?

Bem mal. Há nove rodadas sem vencer, com apenas duas vitórias nas últimas 18. O único alento é que foram oito empates nesse período e, de ponto em ponto, o Brighton é o que está em melhor situação entre os seis que correm sério risco de rebaixamento. Também é o que costuma ter um rendimento melhor, embora falte muito material humano para concretizar a tentativa de Graham Potter de adotar um estilo de jogo mais fluído.

O que ainda almeja?  

Ganhar um jogo este ano eu suspeito que seja o primeiro objetivo, o que talvez demore um pouco – cinco dos próximos seis jogos do Brighton são Arsenal, Leicester, Manchester United, Liverpool e Manchester City. A última vitória foi em 28 de dezembro, contra o Bournemouth. Depois disso, somar os pontos necessários para escapar do rebaixamento e ir ao mercado para tentar contratar peças mais apropriadas para o que Potter quer fazer.

Quem vinha se destacando?

Em um time que não ganha um jogo há seis meses? Bom, o Brighton não leva tanto gol. Foi vazado três vezes em uma mesma partida em apenas duas ocasiões nessa sequência, e a defesa é liderada por Lewis Dunk, especulado no Leicester como substituto de Harry Maguire no começo da temporada. Com bom passe, também é o autor de três assistências.

Um jogador para ficar de olho

Alexis MacAllister – lembra dele? Estava emprestado ao Boca Juniors, mas retornou ao Brighton e fez dez minutos contra o Wolverhampton. Se bem usado, pode dar um pouquinho mais de poder de fogo ao sétimo pior ataque do Campeonato Inglês.

Rodadas restantes: Arsenal (C), Leicester (F), Manchester United (C), Norwich (F), Liverpool (C), Manchester City (C), Southampton (F), Newcastle (C), Burnley (F) 

West Ham

David Moyes apresentado no West Ham (Foto: divulgação/West Ham)

Posição: 16º lugar
Pontos: 27 (em 29  jogos)
Em casa: 15 pontos (18º)
Fora: 12 pontos (14º)
Artilheiro: Sébastian Haller (7 gols)
Garçom: Pablo Fornals e Robert Snodgrass (5 assistências)
Mais minutos em campo: Declan Rice (2.610)
Último jogo: Arsenal 1 x 0 West Ham

Como vinha antes da paralisação?

“Eu venço. É isso que eu faço”, anunciou David Moyes quando chegou ao West Ham, mas, na prática, o fez apenas uma vez desde 10 de janeiro. O 3 x 1 contra o Southampton é a solitária ocasião em que o time londrino coletou os três pontos desde a estreia de moyes, goleando o Bournemouth. Desde então, com uma tabela muito difícil, foram seis derrotas e dois empates, embora tenha havido uma leve melhora de rendimento. Quase foi o time que acabou com a invencibilidade do Liverpool e também causou problemas ao Arsenal.

O que ainda almeja?  

Desesperadamente escapar do rebaixamento. Pelo nível de investimento do West Ham, a queda à segunda divisão seria catastrófica, o que ajuda a explicar por que a vice-presidente dos Hammers, Karren Brady, foi a primeira a defender que a temporada da Premier League fosse anulada. A folha salarial é bem altinha e não faz muito tempo que se mudou para um novo estádio. Sem dúvidas é quem tem mais material humano naquela região da tabela, mas está empatado em pontos com Watford e Bournemouth. E seus próximos adversários são Wolverhampton, Tottenham e Chelsea.

Quem vinha se destacando?  

Pablo Fornals foi uma contratação interessante do West Ham e, como a maioria das contratações interessantes do West Ham, não correspondeu às expectativas, mas pareceu em boa forma naqueles três jogos em que o seu time jogou um pouco melhor, com um gol contra o Liverpool e duas assistências na vitória sobre o Southampton.

Um jogador para ficar de olho

O meia Tomas Soucek foi uma revelação do Slavia Praga na fase de grupos da Champions League. O West Ham o arrebatou em janeiro, mas o tcheco ainda não teve muitas chances. Foi titular em três jogos da Premier League e jogou alguns minutos contra o Arsenal. Se bem inserido ao time, tem potencial para dar muita qualidade ao meio-campo.

Rodadas restantes: Wolverhampton (C), Tottenham (F), Chelsea (C), Newcastle (F), Burnley (C), Norwich (F), Watford (C), Manchester United (F), Aston Villa (C)

Watford

Troy Deeney, do Watford, comemora (Getty Images)

Posição: 17º lugar
Pontos: 27 (em 29  jogos)
Em casa: 17 pontos (15º)
Fora: 10 pontos (18º)
Artilheiro: Troy Deeney (6 gols)
Garçom: Gerard Deulofeu (5 assistências)
Mais minutos em campo: Ben Foster (2.610)
Último jogo: Crystal Palace 1 x 0 Watford

Como vinha antes da paralisação?

O Watford teve uma vitória nas primeiras 17 rodadas. Quase tirou ponto do Liverpool antes de emendar quatro triunfos em seis partidas e chegou à paralisação em meio a uma outra sequência ruim, em que foi apenas responsável por quebrar a invencibilidade do time de Jürgen Klopp. Mas foi uma exceção. Logo depois, perdeu do Crystal Palace.

O que ainda almeja?

Começou tão mal o campeonato que as cinco vitórias desde o fim de dezembro serviram apenas para lhe dar esperanças de se manter na primeira divisão. A situação ainda é complicada. É um dos três times com 27 pontos, à frente do Bournemouth no saldo de gols (-17 x -18). A contratação de Nigel Pearson, porém, parece ter sido um acerto e, caso permaneça, tem perspectivas razoáveis de uma próxima temporada mais tranquila.

Quem vinha se destacando?

Ex-Rennes, Ismaila Sarr foi o grande nome do mercado do Watford. Demorou para pegar embalo, mas, nos últimos nove jogos pela liga dos quais participou, fez quatro gols e deu três assistências. Com Deulofeu fora da temporada, tem ainda mais responsabilidades na criação.

Um jogador para ficar de olho

Troy Deeney tem a chave dos gols do Watford. Marcou seu primeiro apenas na 18ª rodada, na vitória contra o Manchester United que deu início à sequência positiva, e emendou mais cinco desde então. Jogou muito bem na marcante vitória contra o Liverpool.

Rodadas restantes: Leicester (C), Burnley (F), Southampton (C), Chelsea (F), Norwich (C), Newcastle (C), West Ham (F), Manchester City (C), Arsenal (F) 

Bournemouth

Fraser (e) cruza, Wilson marca, e o Bournemouth ganha (ou leva três gols e perde) (Foto: Getty Images)

Posição: 18º lugar
Pontos: 27 (em 29  jogos)
Em casa: 17 pontos (16º)
Fora: 10 pontos (17º)
Artilheiro: Callum Wilson (8 gols)
Garçom: Ryan Fraser (4 assistências)
Mais minutos em campo: Aaron Ramsdale (2.520)
Último jogo: Liverpool 2 x 1 Bournemouth

Como vinha antes da paralisação?

Com o sinal de alerta ligado e disparando. Tem um dos projetos mais interessantes da Premier League. Um técnico jovem que gosta de colocar o time para frente, protagonista de jogos divertidos, tentando melhorar de maneira sustentável, mas perdeu dez vezes em 12 rodadas e parecia estar se recuperando ao bater Brighton e Aston Villa em sequência. Logo em seguida, porém, perdeu do Sheffield United, do Burnley, do Liverpool e apenas empatou com o Chelsea. Segue em situação complicada.

O que ainda almeja?

Garantir a quinta temporada seguida na Premier League. A seu favor, tem a experiência de já ter brigado contra o rebaixamento e o trabalho mais longevo entre os desesperados – e de toda a liga, ao lado de Sean Dyche, do Burnley. Os portões fechados podem ser um problema. Vinha em uma boa sequência de duas vitórias e um empate como mandante antes da pausa.

Quem vinha se destacando?

O Bournemouth é um time que gosta de levar gol quase tanto quanto gosta de fazer e, por isso, a presença de Jefferson Lerma no meio-campo é tão importante. Além de ponto de equilíbrio, também contribuiu com um gol contra o Chelsea e uma assistência contra o Liverpool.

Um jogador para ficar de olho

Ryan Fraser caminha para os últimos de seus mais de 200 jogos pelo Bournemouth. Tem contrato apenas até o fim da temporada e não deve renová-lo. Admitiu em janeiro que não teve um bom começo porque estava distraído com rumores de transferência que o relacionaram com força a uma saída para o Arsenal. No clube desde 2016, um dos soldados mais leais de Eddie Howe, não pode se despedir com um rebaixamento.

Rodadas restantes: Crystal Palace (C), Wolverhampton (F), Newcastle (C), Manchester United (F), Tottenham (C), Leicester (C), Manchester City (F), Southampton (C), Everton (F)

Aston Villa

Jack Grealish, do Aston Villa

Posição: 19º lugar
Pontos: 25 (em 28  jogos)
Em casa: 17 pontos (17º)
Fora: 8 pontos (19º)
Artilheiro: Jack Grealish (7 gols)
Garçom: Jack Grealish (6 assistências)
Mais minutos em campo: Jack Grealish (2.334)
Último jogo: Leicester 4 x 0 Aston Villa

Como vinha antes da paralisação?

Em resultados, péssimo. Cinco derrotas consecutivas, mas duas delas foram indicativos de que, diminuindo os erros, é possível melhorar. O Tottenham precisou de um gol de Son aos 49 minutos do segundo tempo para arrancar os três pontos e o Manchester City conquistou a Copa da Liga Inglesa ganhando por apenas 2 a 1. O fato de ter chegado a Wembley, passando pelo Leicester no meio do caminho, é a maior prova de que o Aston Villa ainda tem algumas garrafas vazias para vender.

O que ainda almeja?

Acontece que precisa encontrá-las. O jogo a mais que tem para disputar pode tirá-lo da zona de rebaixamento, mas a ausência de torcida no Villa Park, onde produziu mais que o dobro dos pontos do que como visitante, é um problema extra. Pelo menos, terá o retorno de John McGinn, que fez falta desde que se machucou na época do Natal.

Quem vinha se destacando?

Talentoso, Jack Grealish sempre foi. Depois de liderar o Aston Villa de volta à Premier League, a questão é se conseguiria manter o nível na elite. Líder de gols e assistências, jogador que mais minutos ficou em campo pelo time, parece que conseguiu e é com ele que o clube de Birmingham conta para se manter na primeira divisão.

Um jogador para ficar de olho

Mbwana Samatta, jogador de 27 anos da Tanzânia, fez uma boa fase de grupos pelo Genk e foi contratado pelo Aston Villa, em janeiro, para substituir Wesley, afastado por um longo período por lesão. Embora tenha feito apenas dois gols até agora, deu bons sinais.

Rodadas restantes: Sheffield United (C), Chelsea (C), Newcastle (F), Wolverhampton (C), Liverpool (F), Manchester United (C), Crystal Palace (C), Everton (F), Arsenal (C), West Ham (F)

Norwich

Pukki, do Norwich (Foto: Getty Images)

Posição: 20º lugar
Pontos: 21 (em 29  jogos)
Em casa: 15 pontos (19º)
Fora: 6 pontos (20º)
Artilheiro: Teemu Pukki (11 gols)
Garçom: Emiliano Buendía (7 assistências)
Mais minutos em campo: Teemu Pukki (2.485)
Último jogo: Sheffield 1 x 0 Norwich

Como vinha antes da paralisação?

Bom, tudo é relativo. Ganhou duas vezes em sete rodadas, o que é satisfatório considerando que é quase o mesmo número de vezes em que ganhou em todas as outras 22 – três. E bateu o Leicester e tirou o Tottenham da Copa da Inglaterra jogando bem, como geralmente faz, embora não se traduza em resultados. Ganhou de presente uma visita para Old Trafford nas quartas.

O que ainda almeja?  

O único motivo para o Norwich ainda não estar reservando hotéis para a Championship é porque os times à sua frente seguem sem conseguir embalar. Apesar da campanha ruim, está a dois jogos de encostar nos três com 27 pontos, a nove rodadas do fim. Mas precisa desvendar como ganhar partidas regularmente com o seu estilo de jogo até vistoso, mas pouco efetivo, em parte porque é executado majoritariamente pelos mesmos jogadores que disputaram a segunda divisão na temporada passada. Quando encaixa, pode ganhar de qualquer um, como Leicester, Manchester City e Everton sabem muito bem. A nota positiva é que depois de uma temporada prejudicada por lesões, quase todo mundo estará disponível.

Quem vinha se destacando?  

Max Aarons é talvez o jogador mais interessante do elenco do Norwich. Lateral direito, apenas 20 anos, tem mostrado bom futebol e maturidade em meio a uma temporada tão atribulada. Foi dele o cruzamento para o gol de Jamal Lewis que valeu a vitória contra o Leicester.

Um jogador para ficar de olho

Teemu Pukki chamou muito a atenção no começo da temporada, quando marcou seis vezes nas cinco primeiras rodadas. Depois, diriam os mais maldosos, voltou ao normal. Chegou à paralisação com apenas dois tentos em 11 partidas disputadas pela liga inglesa, mas, para o Norwich ter qualquer chance de se salvar, o finlandês precisa reencontrar o caminho dos gols.

Rodadas restantes: Southampton (C), Everton (C), Arsenal (F), Brighton (C), Watford (F), West Ham (C),  Chelsea (F), Burnley (C), Manchester City (F)