Por Daniel Souza e Guilherme Bianchini

Os postulantes ao título já são conhecidos desde o início. Ainda assim, nada que tire o brilho de um campeonato incrível em desenvolvimento de talentos, riqueza tática e embates culturais. Tudo pode acontecer em La Liga 2019/20, que inicia a temporada repleta de novidades em todos os níveis. Na parte mais nobre, o renovado Atlético de Madrid chega com tudo para contestar a soberania do Barcelona na década, mesmo com a troca de lado de Antoine Griezmann. Cercado de dúvidas, o Real Madrid, agora com Eden Hazard como protagonista, precisará evoluir bastante em pouco tempo para alcançar o patamar dos dois principais postulantes ao título.

Gigantes à parte, a janela de transferências, ainda aberta, foi marcada pela chegada de Nabil Fekir ao Betis. O reforço credencia o clube de Sevilla a brigar forte pela vaga na Champions com o Valencia, que busca a estabilidade em meio a uma grave crise interna. Do reformulado Sevilla ao surpreendente Getafe de Pepe Bordalás, passando pelos retornos de velhos conhecidos à primeira divisão, não faltam atrações para acompanhar de perto todos os desdobramentos da nova jornada na elite do futebol espanhol. Confira abaixo, clube a clube, o que esperar dos 20 participantes de La Liga.

Alavés

Lucas Pérez, do Alavés (Foto: Getty Images)

Cidade: Vitoria-Gasteiz (Comunidade Autônoma: País Basco)
Estádio: Mendizorrotza (19.840)
Técnico: Asier Garitano (Espanha)
Posição em 2018/19: 11º (50 pontos)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Principais chegadas: Olivier Verdon (Z, Sochaux), Tachi (Z, Atlético de Madrid B), Saúl García (LE, Deportivo La Coruña), Pere Pons (V, Girona), Jeando Fuchs (V, Sochaux), Aleix Vidal (MD/LD, emprestado pelo Sevilla), Lucas Pérez (A, West Ham), Joselu (A, Newcastle) e Luís Rioja (PE/PD, Almería)
Voltaram de empréstimo: Rafa Navarro (LD, Sochaux), Dani Torres (V, Albacete), Javi Muñoz (MC, Oviedo), Nando García (PD/PE, Extremadura) e Demirovic (A, Almería)
Principais saídas: Vigaray (LD/Z, Real Zaragoza), Brasanac (MC/V, pertence ao Betis), Jony (ME, pertence ao Málaga), Inui (ME/MD, pertence ao Betis), Rolán (A, pertence ao Deportivo La Coruña), Calleri (A, pertence ao Deportivo Maldonado), Borja Bastón (A, pertence ao Swansea) e Álex Blanco (PE, pertence ao Valencia)
Time-base (4-4-2): Pacheco; Aguirregabiria, Maripán, Laguardia (Rodrigo Ely) e Rubén Duarte; Aleix Vidal, Pere Pons (Tomás Pina), Manu García e Rioja; Lucas Pérez (Guidetti) e Joselu.

O Alavés teve uma trajetória praticamente exemplar desde seu retorno à primeira divisão, em 2016. Em três temporadas, com exceção da primeira metade de 2017/18, não flertou com rebaixamento em momento algum, mesmo não dispondo de um dos maiores orçamentos da Liga. Além disso, viveu um grande momento ao chegar à final da Copa do Rei em 2017 e, na temporada passada, teve possibilidades de chegar à Liga Europa até as rodadas finais.

O treinador Abelardo Fernández, que realizou excelente trabalho ao longo de um ano e meio no comando, pediu para deixar o clube ao final da última temporada. Seu substituto é Asier Garitano, que se destacou por muitos anos comandando o Leganés, que vivia horizontes parecidos ao do clube basco. Após um semestre frustrante comandando a Real Sociedad, Garitano chega a Vitoria com a missão de dar passos à frente em um clube hoje consolidado na primeira divisão.

O Alavés é um dos vários membros do pelotão intermediário de La Liga que costuma usar bastante os empréstimos para remontar seu elenco ano após ano. Dessa vez, no entanto, o clube foi às compras e trouxe peças interessantes em definitivo para repor as diversas saídas ao final dos empréstimos da temporada passada. Destacam-se os atacantes Lucas Pérez e Joselu, vindos de experiências na Premier League, o meio-campista Pere Pons, peça importante do Girona nos últimos anos, e o jovem volante camaronês Jeando Fuchs, que veio do Sochaux e é aposta para o futuro.

Além disso, para repor a saída de Jony Rodríguez, destaque do time em 2018/19 e que pertencia ao Málaga, o clube contratou o ponta-esquerda Luis Rioja, que se destacou na segunda divisão pelo Almería. Por empréstimo, chega o polivalente Aleix Vidal, que teve poucas oportunidades no Sevilla e tem tudo para ser peça importante para Garitano. Na defesa, as mudanças foram menores. Em que pese o interesse de clubes de outros países, o ótimo zagueiro chileno Guillermo Maripán, peça fundamental nos últimos anos, permanece no clube.

Como quase todos de seu porte, o Alavés teve que fazer diversas alterações em seu plantel, às quais se soma a chegada de um novo treinador. No entanto, o clube está acostumado com essas mudanças e, nesta nova trajetória em La Liga, se saiu muito bem até aqui. Asier Garitano foi uma escolha coerente para o comando técnico e está acostumado com esse tipo de cenário. O primeiro objetivo é, naturalmente, a permanência. Se as novas peças funcionarem como se espera, sem nenhuma perda importante até o fim da janela, é muito provável que isso seja atingido com tranquilidade.

Athletic

Aritz Aduriz terá sua temporada de despedida em San Mamés (Foto: Getty Images)

Cidade: Bilbao (País Basco)
Estádio: San Mamés (53.289)
Técnico: Gaizka Garitano (Espanha)
Posição em 2018/19: 8º (53 pontos)
Títulos: 8 (último: 1983/84)
Projeção: briga por Europa League
Principais chegadas: nenhuma
Voltaram de empréstimo:
Andoni López (LE, Almería) e Ganea (LE, Numancia)
Principais saídas: Remiro (G, Real Sociedad), Peru Nolaskoain (Z/V, emprestado ao Deportivo La Coruña), Iturraspe (MC/V, Espanyol), Mikel Rico (MC, Huesca) e Susaeta (PD/PE)
Time-base (4-2-3-1): Unai Simón (Herrerín); Capa, Yeray, Iñigo Martínez e Yuri; Unai López, Dani García, Ibai Gómez (Iñigo Córdoba), Raúl García e Muniain; Iñaki Williams.

O Athletic busca se reencontrar com dias melhores após dois anos de muita dificuldade. As escolhas para o comando técnico nos últimos dois anos não deram resultado: com José Ángel Ziganda, o time brigou contra o rebaixamento em 2017/18, e com Eduardo Berizzo, caminhava na mesma direção, mas o argentino foi demitido em dezembro e substituído por Gaizka Garitano, que treinava a equipe B. A aposta caseira deu bons resultados na segunda metade na temporada, levando a equipe a brigar até a última rodada por vaga na Liga Europa.

Entretanto, o treinador, que teve anteriormente boa passagem pelo Eibar, tem um histórico curto na primeira divisão. Em que pese a óbvia melhora da equipe sob seu comando, muito se questiona se Garitano é o nome certo para levar o clube basco adiante. Seu trabalho passou muito por uma melhora significativa no rendimento da defesa, mas o desempenho ofensivo seguiu muito aquém do nível esperado – o time foi o quinto pior ataque da última Liga.

Garitano parece ter consciência da necessidade de evolução ofensiva, e a equipe deixou boas impressões em amistosos contra West Ham, Roma e Borussia Mönchengladbach, passando invicto por esses testes e marcando dois gols em cada jogo. A permanência de Iñaki Williams, após rumores de que o Manchester United poderia pagar sua cláusula de rescisão, será fundamental para isso. O atacante de 25 anos tem demonstrado grande evolução e teve em 2018/19 sua melhor marca de gols pelo Athletic, com 15 bolas na rede.

Levando em consideração a política única de contratações do clube, para esta temporada as chegadas se resumiram a retornos de empréstimo. Ainda assim, no último ano chegaram reforços de peso, como os laterais Yuri e Capa, o meio-campista Dani García e o velho conhecido Ibai Gómez (que retornou ao Athletic em janeiro), e as expectativas são altas para que desta vez o time atinja, com maior regularidade, um desempenho à altura da qualidade do elenco.

O momento atual marca também o início de uma transição de gerações, com Markel Susaeta, Ander Iturraspe e Mikel Rico, peças fundamentais nos últimos anos, deixando o Athletic ao final de seus contratos. Além disso, Aritz Aduriz, o maior ídolo recente em San Mamés e terceiro maior artilheiro da história do clube, pendurará as chuteiras ao final do ciclo. Depois de um ano com muito menos participação, na maior parte das vezes entre os reservas, “El Zorro” decidiu que 2019/20 será seu último ato como profissional. Certamente é mais uma motivação para que esta jornada seja muito melhor que as últimas para o gigante do País Basco.

Atlético de Madrid

Cidade: Madri (Madri)
Estádio: Wanda Metropolitano (67.829)
Técnico: Diego Simeone (Argentina)
Posição em 2018/19: 2º (76 pontos)
Títulos: 10 (último: 2013/14)
Projeção: briga por título
Principais chegadas: Trippier (LD, Tottenham), Felipe (Z, Porto), Mario Hermoso (Z/LE, Espanyol), Renan Lodi (LE, Athletico-PR), Marcos Llorente (V, Real Madrid), Héctor Herrera (MC/V, Porto), João Félix (A, Benfica) e Saponjic (A, Benfica)
Voltaram de empréstimo: Vrsaljko (LD, Internazionale)
Principais saídas: Juanfran (LD, São Paulo), Godín (Z, Internazionale), Lucas Hernández (Z/LE, Bayern), Filipe Luís (LE, Flamengo), Rodri (V/MC, Manchester City) e Griezmann (A)
Time-base (4-4-2): Oblak; Trippier, Savic, Giménez e Renan Lodi; João Félix, Marcos Llorente, Saúl e Koke; Morata (Lemar) e Diego Costa.

É quase um consenso: a melhor janela de transferências do mercado europeu foi a do Atlético de Madrid. Na primeira grande reconstrução em quase uma década sob o comando de Diego Simeone, o clube parece ter buscado na medida exata as reposições necessárias. Praticamente meio time deixou a capital espanhola, com Griezmann puxando a fila em sua polêmica transferência para o Barcelona por € 120 milhões .

E é justamente o substituto do francês quem atraiu os holofotes na pré-temporada rojiblanca. Meio ano em alto nível no Benfica foi o que a diretoria precisou ver para desembolsar 126 milhões de euros por João Félix, de apenas 19 anos. A amostragem ainda é pequena ao levar em conta os amistosos, mas o talentoso português tem tudo para encaixar como uma luva na equipe.

Apesar de ser o herdeiro da camisa 7, João deve iniciar a temporada partindo da meia direita, enquanto Morata e Diego Costa formam a dupla de ataque. Foi o esboço de Simeone nos principais amistosos, incluindo a goleada por 7 a 3 sobre o Real Madrid. E não foi esse o único tormento que o Atlético impôs ao rival. Volante com grande poder de marcação e qualidade com a bola no pé, Marcos Llorente mudou de lado por € 30 milhões – uma barganha – e chega para o lugar de Rodri, vendido ao Manchester City por € 70 milhões.

Na linha defensiva, reformulação quase completa. Pilares do Atleti durante toda a Era Simeone, Juanfran, Godín e Filipe Luís concluíram um vitorioso ciclo no clube, assim como o jovem Lucas Hernández, negociado com o Bayern pela bagatela de € 80 milhões. Na zaga, os promissores Felipe e Hermoso começam como reservas, mas podem brigar com Savic por uma vaga ao lado de Giménez. 

É dos lados, no entanto, que pode vir a principal mudança no já conhecido estilo do treinador argentino. Ofensivos por natureza, Trippier e Renan Lodi devem tornar o time mais agressivo que o de costume. O inglês acrescenta bastante nos cruzamentos e nas bolas paradas, ao passo que o brasileiro deve funcionar como a principal válvula de escape pela esquerda, já que o ponta de seu lado (Koke ou Lemar) tende a centralizar quando o time tem a bola. Não faltam razões para crer que este é um Atlético muito forte, que larga na frente do Real Madrid e próximo ao Barcelona na corrida pelo título.

Barcelona

Griezmann foi o rosto do mercado blaugrana (Foto: Getty Images)

Cidade: Barcelona (Catalunha)
Estádio: Camp Nou (99.354)
Técnico: Ernesto Valverde
Posição em 2018/19: 1º (87 pontos)
Títulos: 26 (último: 2018/19)
Projeção: briga por título
Principais chegadas: Neto (G, Valencia), Junior Firpo (LE, Betis), Frenkie de Jong (MC/V) e Griezmann (A, Atlético de Madrid)
Voltaram de empréstimo:
Principais saídas: Cillesen (G, Valencia), Palencia (LD, Saint-Étienne), Murillo (Z, pertence ao Valencia), Vermaelen (Z), Denis Suárez (MC/MEI/ME, Celta), Malcom (PD/PE, Zenit) e Boateng (A, pertence ao Sassuolo)
Time-base (4-3-3): ter Stegen; Semedo, Piqué, Lenglet e Alba; Busquets, de Jong e Rakitic (Arthur); Messi, Suárez e Griezmann.

Campeonato após campeonato, parece uma questão de protocolo que o Barcelona vença a Liga com brilhos semanais de Messi. Embora o clube ainda tenha sete títulos a menos que o Real Madrid, é dono de uma dinastia nas últimas temporadas: oito conquistas de onze. Os dois mais recentes, consecutivos e com certa tranquilidade, poderiam indicar uma situação confortável de Ernesto Valverde no comando, mas não é bem essa a condição do treinador.

Pressionado pelos vexames europeus contra Roma e Liverpool, Valverde tem o campeonato nacional como obrigação. E mesmo com uma média de 90 pontos no bicampeonato, ainda é cobrado por um desempenho melhor, já que em muitas ocasiões a equipe se safa de tropeços por conta do nível altíssimo de Ter Stegen e de Messi. Na tentativa de agradar a ala mais ortodoxa dos culés, o técnico basco ganhou duas grandes adições: Frenkie de Jong e Griezmann.

A contratação do francês, por € 120 milhões, gerou dúvidas a respeito do encaixe em um ataque protagonizado por Messi e Suárez. Segundo atacante no Atlético de Madrid e meia-atacante na seleção, o jogador agora deve se tornar um ponta esquerda. A nova posição, no entanto, não representa mudanças significativas em suas características. De acordo com os testes da pré-temporada, Griezmann terá bastante liberdade para se movimentar e entrar na área. O corredor da esquerda seguirá com o mesmo dono, Jordi Alba, cujo entrosamento com Messi beira a perfeição.

Desejo de consumo dos culés pela qualidade apresentada no Ajax, de Jong precisará se adaptar a uma nova realidade caso queira atuar ao lado de Busquets, único titular indiscutível do meio-campo. No time holandês, era o primeiro volante quando o time tinha a bola; na nova equipe, deve atuar um pouco mais avançado, longe de sua zona de conforto (saída de bola e distribuição). Outro desafio encontrado pelo jovem holandês é o excedente de jogadores no elenco para a faixa central, sobretudo porque Sergi Roberto deve voltar de vez para sua posição de origem. 

São nove opções para três vagas – ou quatro, quando Valverde recorre ao 4-4-2 –, algo que também é motivo de preocupação para Arthur. O brasileiro precisou de pouquíssimo tempo com a camisa blaugrana para conquistar o coração da torcida, mas terminou a temporada em baixa, fator que pode deixá-lo alguns passos atrás dos principais concorrentes – De Jong e Rakitic. A diretoria, porém, ainda busca o empréstimo de pelo menos dois meias, preferencialmente Rafinha e Riqui Puig.

Além das badaladas contratações já mencionadas, a diretoria buscou reforços para compor elenco na defesa. Em uma espécie de troca com o Valencia, o Barcelona enviou Cillesen e recebeu Neto, novo reserva de Ter Stegen. Na lateral esquerda, o promissor Junior Firpo, revelação do Betis, chega para ser suplente e eventual herdeiro de Alba no setor. 

Betis

Nabil Fekir, esperança do Betis (Foto: Getty Images)

Cidade: Sevilla (Andaluzia)
Estádio: Benito Villamarín (60.720)
Técnico: Rubi (Espanha)
Posição em 2018/19: 10º (50 pontos)
Títulos: 1 (1934/35)
Projeção: briga por Champions League
Principais chegadas: Dani Martín (G, Sporting Gijón), Pedraza (LE/ME, emprestado pelo Villarreal), Fekir (MEI/A, Lyon), Juanmi (PD/A/PE, Real Sociedad) e Borja Iglesias (A, Espanyol)
Voltaram de empréstimo: Camarasa (MC/MEI, Cardiff) e Narváez (ME/MEI)
Principais saídas: Pau López (G, Roma), Junior Firpo (LE, Barcelona), Lo Celso (MC/MEI, emprestado ao Tottenham), Sergio León (A, Levante) e Jesé (PE/PD/A, pertence ao PSG)
Time-base (4-3-3): Joel Robles (Dani Martín); Barragán (Emerson), Bartra, Feddal (Sidnei) e Pedraza; William Carvalho, Guardado e Canales; Fékir, Borja Iglesias e Joaquín (Tello).

Nos últimos dois anos, o Betis voltou a atrair os olhares do mundo do futebol. Eficiente ou não, o fato é que o estilo propositivo de Quique Setién despertou o interesse de muitos apaixonados pela posse de bola e pelas longas trocas de passe. Após um bom 2017/18, com direito a vaga na Liga Europa, o time perdeu os rumos e amargou a décima colocação, muito aquém da qualidade do elenco e dos investimentos realizados. A frustrante campanha teve consequências em efeito cascata: demissão de Setién, mudanças na direção esportiva e chegada de Rubi. Vindo de ótimo trabalho no Espanyol, o técnico também prima pelo jogo posicional.

Para a nova temporada, os verdiblancos já viraram destaque antes mesmo de a bola rolar. Isso porque, de forma surpreendente, o clube acertou a contratação de Nabil Fekir, outrora desejado por gigantes europeus. Embora o desempenho do francês tenha sido irregular em 2018/19, a transferência por um valor inferior a 30 milhões de euros – com todos os gatilhos inclusos – foi uma grande barganha. Trata-se de um jogador com potencial para estar entre as melhores contratações da janela, desde que cause o impacto esperado no setor ofensivo da equipe. 

Apto a atuar no meio-campo e no ataque, Fekir deve começar jogando na ponta direita do 4-3-3 de Rubi, conforme indicado na pré-temporada. O baixo poder de fogo do time nos amistosos (sete gols em oito jogos), por sinal, fez a diretoria acelerar o fim de uma novela que se arrastou por quase toda a janela de transferências. Homem de confiança de Rubi no Espanyol, o ótimo centroavante Borja Iglesias chega para solucionar um problema que atormentou os béticos durante todo o curso de 2018/19. Entre Loren Morón, Sergio León, Sanabria e Jesé, ninguém conseguiu tomar conta do setor.

Não foi só de chegadas, porém, a que se resumiu o mercado do Betis. A contratação de Fekir, inclusive, teve diretamente a ver com a saída de Lo Celso, que demorou a acontecer mas já era esperada desde que o clube adquiriu o argentino em definitivo do Paris Saint-Germain. Ao lado de Canales, o meia foi o principal jogador da equipe na última temporada, nível que o alçou a uma transferência para o Tottenham – empréstimo com opção de compra, em negócio que pode passar da casa dos € 60 milhões. Outras baixas importantes foram na defesa: titulares absolutos, o goleiro Pau López e o lateral esquerdo Junior Firpo desembarcaram em Roma e em Barcelona, respectivamente.

Disposto a voltar às competições europeias, o clube buscou reposições imediatas. A aposta para o futuro do gol é em Dani Martín, de apenas 21 anos, que se destacou com o Sporting Gijón na segunda divisão. Na esquerda, Pedraza, emprestado pelo Villarreal, é um jogador de enorme potencial ofensivo, mas ainda tem a evoluir na marcação. E a diretoria acerta os últimos detalhes com Álex Moreno, um dos poucos que se salvou no rebaixado Rayo Vallecano. Para uma equipe que se acostumou a jogar com três zagueiros, a adaptação ao novo esquema e ao novo treinador será o fator decisivo na hora de atingir as altas expectativas que cercam o Benito Villamarín.

Celta  

Iago Aspas, o líder do Celta (Foto: Getty Images)

Cidade: Vigo (Galícia)
Estádio: Balaídos (29.000)
Técnico: Fran Escribá
Posição em 2018/19: 17º (41 pontos)
Títulos: 0
Projeção: meio de tabela
Principais chegadas: Joseph Aidoo (Z, Genk), Jorge Sáenz (Z, emprestado pelo Valencia), Pape Cheikh Diop (V/MC, emprestado pelo Lyon), Denis Suárez (MC/MEI/ME, Barcelona) e Santi Mina (A/PD/PE, Valencia)
Voltaram de empréstimo: Juan Hernández (PD/A, Cádiz), Beauvue (PD/A/PE, Caen) e Gabriel Fernández (A/PD, Peñarol)
Principais saídas: Gustavo Cabral (Z, Pachuca), Hoedt (Z, pertence ao Southampton), Radoja (V/MC), Mathias Jensen (MC, Brentford), Hjulsager (MD/MEI/ME, Oostende), Boudebouz (MEI/MD/ME, pertence ao Betis), Boufal (ME/MEI/MD, pertence ao Southampton) e Emre Mor (PD/PE, emprestado ao Galatasaray)
Time-base (4-4-2): Rubén Blanco; Hugo Mallo (Kevin), David Costas (Araujo), Aidoo e Olaza; Denis Suárez, Yokuslu (Fran Beltrán), Lobotka e Brais Méndez (Sisto); Iago Aspas e Santi Mina (Fernández).

A missão em 2019/20, primeiramente, é a de retomar um pouco de paz depois de uma temporada desastrosa, em que o Celta terminou como o último time acima da zona de rebaixamento. O clube ficou bem abaixo de equipes que, no papel, tinham muito menos qualidade técnica e investimento, sofrendo até os últimos momentos com a ameaça de queda.

O Celta que encantou o país, particularmente entre 2015 e 2017, jogava um futebol atrativo mas tinha como ponto fraco uma defesa que tomava muitos gols por jogo. Nos últimos dois anos, o brilho ofensivo da equipe se esvaiu, resumindo-se ao talento de Iago Aspas, ídolo máximo da parte celeste da Galícia, que segue como a principal referência técnica do time, e ao faro de gol do uruguaio Maxi Gómez, que fez as malas para o Valencia. A defesa, por sua vez, seguiu sendo um caos e a equipe quase foi parar na segunda divisão.

Para tentar retomar o espaço perdido, o Celta agiu de duas formas na janela: primeiramente, reforçando a defesa. Chegaram os jovens zagueiros Jorge Saénz, emprestado pelo Valencia após destacar-se pelo Tenerife, e Joseph Aidoo, vindo do Genk, da Bélgica. Em segundo lugar, três jogadores formados no clube retornam para dar outros ares à equipe: o atacante Santi Mina e os meio-campistas Denis Suárez e Pape Cheikh Diop. Além disso, para o comando do ataque, o Celta foi novamente ao Uruguai em busca do substituto de Maxi Gómez, Gabriel Fernández, ex-Peñarol.

Algumas peças deixaram o clube após muitos anos de serviço, como o volante sérvio Radoja e os defensores argentinos Cabral e Roncaglia. Jogadores que chegaram mais recentemente e não tiveram o impacto esperado, como o zagueiro Hoedt e o atacante Boufal, retornaram ao Southampton. O turco Emre Mor, outro que decepcionou em Balaídos, foi emprestado ao Galatasaray.

No comando técnico, segue Fran Escribá, que teve boas passagens na primeira divisão por Villarreal e Elche, e que foi o terceiro treinador da caótica temporada 2018/19, comandando o time nos 12 jogos finais e conseguindo a permanência. Escribá terá que comandar essa importante reconstrução pela qual o clube passará na temporada, com a missão de extrair o máximo de Iago Aspas, craque e símbolo do clube, encaixar os novos-velhos reforços e recuperar o melhor nível de Pione Sisto, peça fundamental da equipe, mas que esteve aquém do esperado na última jornada. O cenário é de muitas mudanças, mas há muito talento disponível e o Celta pode sonhar com perspectivas melhores.

Eibar  

Takashi Inui, de volta ao Eibar (Foto: Getty Images)

Cidade: Eibar (País Basco)
Estádio: Ipurua (7.083)
Técnico: José Luis Mendilibar (Espanha)
Projeção: briga pela permanência
Posição em 2018/19: 12º (47 pontos)
Títulos: 0
Principais chegadas: Tejero (LD/LE, Real Madrid), Roberto Correa (LD, Cádiz), Pedro Bigas (Z, comprado em definitivo do Las Palmas), Esteban Burgos (Z, Alcorcón), Rubén Lobato (LE/ME, Real Oviedo), Olabe (MC, Atlético de Madrid), Expósito (MC, Deportivo La Coruña), Inui (ME/MD, Betis) e Quique González (A/PD, Deportivo La Coruña)
Voltaram de empréstimo: Yoel Rodríguez (G, Valladolid) e José Antonio Martínez (Z, Granada)
Principais saídas: Riesgo (G), Rubén Peña (LD/MD, Villarreal), Cucurella (LE/ME, Barcelona), Joan Jordán (MC, Sevilla), Pere Milla (ME, Elche) e Marc Cardona (A/PD/PE, pertence ao Barcelona)
Time-base (4-4-2): Dmitrović, Tejero (De Blasis), Ramis, Arbilla e Cote; Escalante, Pedro León, Diop (Sérgio Álvarez), Escalante e Orellana (Inui); Kike García e Sergi Enrich (Charles).

Entra ano, sai ano, e a história se repete: o Eibar vê alguns de seus destaques deixarem o clube e precisa se remontar com criatividade no mercado. José Luis Mendilibar, indo para a sua quinta temporada no comando do clube, e sempre passando distante dos postos de rebaixamento, conduzirá o barco mais uma vez. Os armeros são um verdadeiro fenômeno de gestão e de organização, e representam uma cidade de apenas 27 mil habitantes. As particularidades desse clube dão a cada grande resultado e a cada grande campanha um mérito especial.

Embora a colocação do ano passado (12ª) tenha sido inferior ao histórico nono lugar de 2017/18, o time nunca esteve tão perto, em termos de pontuação, do último classificado para a Liga Europa: apenas seis pontos separaram o time de Gipuzkoa do Espanyol, sétimo colocado. Trata-se de um clube que desafia os seus limites constantemente e que se acostumou a terminar as temporadas com orgulho de sobra.

Contudo, embora as reconstruções não sejam novidade, cada processo tem suas particularidades e exige muito. O sucesso dos últimos anos não traz garantias de que será sempre repetido. De todas as saídas, provavelmente a mais sentida será a de Joan Jordán, meio-campista extremamente influente e que foi a venda mais cara da história do clube – 12 milhões de euros pagos pelo Sevilla. Nas laterais do campo, Rubén Peña rumou para o Villarreal e Cucurella foi para o Getafe.

No lado das contratações, a chegada de maior destaque é a de um velho conhecido, o ponta japonês Takashi Inui, que não se firmou no Betis e no Alavés e retorna ao clube após um ano. Muitas novidades vêm da segunda divisão, como o meio-campista Edu Expósito e o atacante Quique González, que se destacaram pelo Deportivo. O Eibar também exerceu opção de compra do defensor Pedro Bigas, que estava por empréstimo no clube na temporada passada.

O segredo do sucesso para o time armero é manter o padrão de jogo dos últimos anos, que harmoniza bem um jogo físico com pressão sobre o adversário e criação de muitas chances de gol. Do pelotão intermediário da Liga, o Eibar é certamente um dos mais difíceis de se jogar contra. Além disso, o time é fortíssimo em seu estádio, o acanhado Ipurua. Porém, devido a reformas no estádio, o Eibar foi uma das equipes que solicitou que só jogasse em casa após a data Fifa de setembro, isto é, a partir da quarta rodada. Portanto, as três primeiras partidas serão como visitante, o que será um desafio a mais para Mendilibar e seus comandados na montagem da equipe.

Espanyol 

David Gallego, treinador do Espanyol (Foto: Getty Images)

Cidade: Barcelona (Catalunha)
Estádio: RCDE Stadium (40.500)
Técnico: David Gallego (Espanha)
Posição em 2018/19: 7º (53 pontos)
Títulos: 0
Projeção: meio de tabela
Principais chegadas: Andrés Prieto (G, Leganés), Bernardo Espinosa (Z, emprestado pelo Girona), Calero (Z, Valladolid), Iturraspe (V/MC, Athletic) e Matías Vargas (ME/MEI)
Voltaram de empréstimo: Pipa (LD/MD, Gimnàstic)
Principais saídas: Roberto (G, West Ham), Rosales (LD/LE, pertence ao Málaga), Óscar Duarte (Z, Levante), Mario Hermoso (Z/LE, Atlético de Madrid), Alfa Semedo (V/Z, pertence ao Benfica), Hernán Pérez (PD/PE, Al Ahli), Borja Iglesias (A, Espanyol) e Sergio García (PE/PD/A)
Time-base (4-4-2): Diego López; Javi López, Naldo, Calero e Dídac Vilà; Melendo, Víctor Sánchez (Darder), Marc Roca e Pedrosa (Matías Vargas); Wu Lei e Facundo Ferreyra.

Retorno a uma competição europeia depois de 12 anos. Melhor classificação na Liga desde 2004/05. Modelo de jogo consolidado que agradou a torcida. Desenvolvimento de atletas jovens. O sucesso do Espanyol em 2018/19, sob a batuta de Rubi, foi inquestionável. O líder do processo, no entanto, rumou para Sevilha, onde treinará o Betis. Artilheiro da equipe na temporada, Borja Iglesias seguiu o mesmo rumo. E Hermoso, pilar defensivo, foi vendido ao Atlético. São muitos os desafios que se impõem aos pericos na nova jornada, agora sob o comando de David Gallego, ex-treinador do Espanyol B.

Como a equipe disputa as fases prévias da Liga Europa, a temporada começou mais cedo que o de costume. Apesar disso, a montagem do elenco ainda está em andamento. A saída de Borja Iglesias era iminente, mas só se concretizou nesta semana, fato que obriga o clube a ir ao mercado. Mariano, encostado no Real Madrid, é o favorito para herdar a vaga do centroavante e formar dupla com Facundo Ferreyra. E se o Espanyol demorou longas semanas para concretizar a venda de seu artilheiro por € 28 milhões (a maior da história do clube), também precisou de tempo semelhante para tirar Calero do Valladolid – substituto direto de Hermoso.

Objetivos ambiciosos, investimentos altos. Na mesma janela em que concluíram a venda mais cara de sua história, os pericos acertaram a contratação mais custosa, embora o valor não chegue a assustar. A diretoria desembolsou € 10,5 milhões para poder contar com Matías Vargas, do Vélez Sarsfield. Só o tempo dirá se a assertiva é absurda, mas o estilo do jogador já lhe rendeu comparações a Eden Hazard. 

Habilidoso e criativo, “Monito” também gosta de atuar na ponta esquerda, da onde costuma pegar a bola e deixar os companheiros em ótimas condições. Apesar do potencial, Vargas ainda precisa de adaptação ao futebol europeu, e por isso vem iniciando as partidas no banco de reservas. A princípio, Gallego opta por um lado esquerdo defensivamente mais sólido, com o lateral Pedrosa improvisado na meia esquerda. Outra conquista importante do clube catalão, até o momento, é a permanência de Marc Roca, que chegou a ser sondado pelo Bayern. 

Titular da Espanha sub-21, o volante já é dono do meio-campo perico, por toda a importância que carrega na saída de bola e na distribuição de jogo. Para esta temporada, entretanto, sua função pode passar por algumas alterações. Antes, a equipe atuava em um 4-3-3 no qual Roca era o primeiro volante; agora, ele deve jogar ao lado de Víctor Sánchez ou de Darder na linha de quatro meias. O nível do jovem será um termômetro do time catalão, capaz de indicar até onde o renovado Espanyol pode chegar.

Getafe 

Josá Bordalás, técnico do Getafe (Foto: Getty Images)

Cidade: Getafe (Madri)
Estádio: Coliseum Alfonso Pérez (17.393)
Técnico: José Bordalás (Espanha)
Posição em 2018/19: 5º (59 pontos)
Títulos: 0
Projeção: briga por Europa League
Principais chegadas: Nyom (LD/LE, West Bromwich), Etxeita (Z, Athletic), Raúl Carnero (LE, Girona), Cucurella (LE/ME, emprestado pelo Barcelona), Fayçal Fajr (MC/MD/ME, Caen) e Enric Gallego (A, Huesca)
Voltaram de empréstimo: Manojlovic (G, Panionios), Iván Alejo (MD/MEI/ME, Málaga), Ndockyt (ME/MD/MEI, Barcelona B) e José Carlos Lazo (PE/PD)
Principais saídas: Foulquier (LD/MD, pertence ao Watford), Flamini (V), Cristóforo (MC/V, pertence à Fiorentina), Shibasaki (MC, Deportivo La Coruña) e Samu Sáiz (MEI/ME, pertence ao Leeds)
Time-base (4-4-2): Soria; Damián Suárez, Djené, Cabrera e Raúl Carnero; Nyom (Fajr), Arambarri, Maksimovic e Cucurella; Jaime Mata e Jorge Molina.

Para clubes modestos, a volta à primeira divisão costuma ser acompanhada de uma luta inglória para permanecer na elite, e não são poucos os que acabam novamente rebaixados. Com o Getafe, aconteceu o contrário. O limitado elenco de 2017/18, na temporada do retorno, não impediu a equipe de realizar uma campanha que quase lhe rendeu vaga na Europa League. No ano seguinte, com reforços pontuais, a briga foi por Champions League até a última rodada, com direito a melhor colocação (quinto lugar) e a melhor pontuação (59) da história do clube. De degrau em degrau, os Azulones começam a sonhar alto.

Por tudo que atingiu com tão pouco em mãos, é possível cravar que Pepe Bordalás realiza o trabalho mais brilhante do futebol espanhol nas últimas temporadas. E chega a ser estranho que nenhum clube de mais recursos tenha sequer sondado o treinador até o momento. Arquiteto de uma defesa extremamente intensa e sólida – a segunda melhor da Liga em 2018/19 – e de um ataque cada vez mais eficiente, o treinador precisará lidar, pela primeira vez, com expectativas mais altas. 

Ao longo da última campanha, mesmo nas primeiras posições da tabela, Bordalás reforçava a cada partida que o objetivo era a permanência na primeira divisão. Desta vez, dificilmente repetirá o discurso. Sem perder peças fundamentais e com reforços que qualificaram o elenco, será frustrante se o Getafe cair de rendimento. A forte linha defensiva ganhou as contratações de Nyom, Etxeita e Raúl Carnero, todos experimentados na elite espanhola. O lateral francês chega para substituir Foulquier, que atuou como meia direita em boa parte de 2019. E é por ali que Nyom deve iniciar a temporada, de acordo com os amistosos de pré-temporada.

A estratégia do “doble lateral”, com um defensor fechando o corredor na linha de meias, é frequentemente utilizada por Bordalás, e reforça seu compromisso com a solidez defensiva. O mesmo deve acontecer na esquerda, só que por outras razões. Ofensivo por natureza, Cucurella é lateral de origem, mas dificilmente retornará à posição. Após bem-sucedida temporada de empréstimo no Eibar, na qual atuou na meia esquerda, o jovem do Barcelona terá a oportunidade de evoluir ainda mais em um clube que disputa a Liga Europa.

Na frente, os gols ficam a cargo de uma dupla que se firmou entre as melhores de La Liga. Juntos, Jaime Mata e Jorge Molina foram responsáveis por 28 gols e nove assistências em 2018/19. Um entrosamento que dá gosto de ver. Mesmo aos 37 anos, Molina segue em ótima forma. E o nível atingido por Mata foi tão alto que lhe rendeu convocação à seleção espanhola. O poder de fogo do ataque é completado por Ángel Rodríguez, reserva que sempre dá conta do recado. Não satisfeita, a diretoria reforçou ainda mais o setor com Enric Gallego, artilheiro do rebaixado Huesca.

O único porém do planejamento do Getafe está na faixa central. Embora os titulares Maksimovic e Arambarri tenham permanecido, os reservas do setor, Flamini, Cristóforo e Shibasaki, foram embora. Para atenuar as perdas, o clube acertou o retorno de Fajr, que também pode jogar pelos lados. Sem contar o “reforço” de Markel Bergara, que finalmente deve voltar aos gramados após longo período lesionado.

Granada 

Roberto Soldado é a esperança de gols do Granada (Foto: Getty Images)

Cidade: Granada (Andaluzia)
Estádio: Nuevo Los Cármenes (19.336)
Técnico: Diego Martínez (Espanha)
Posição em 2018/19: 2º (Segunda)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Principais chegadas: Neyder Lozano (Z, Elche), Domingos Duarte (Z, Sporting Lisboa), Yangel Herrera (V, emprestado pelo Manchester City), Yan Brice (MC/V, Sevilla), Fede Vico (MEI/ME, comprado em definitivo do Leganés), Soldado (A, Fenerbahçe) e Darwin Machís (PE/PD/A, Udinese)
Principais saídas: José Martínez (Z, pertence ao Eibar), Castellano (LE, Numancia), San Emeterio (MC/LD, pertence ao Valladolid), Alberto Martín (MC), Nicolás Aguirre (MC), José Antonio González (MC/MEI, emprestado ao Córdoba), Alejandro Pozo (MEI, pertence ao Sevilla) e Ojeda (PD/PE/A, pertence ao Leganés)
Time-base (4-3-3): Rui Silva; Víctor, Germán, Domingos Duarte e Quini; Eteki, Montoro e Azeez; Vadillo, Soldado e Machís.

Apesar de ter passado as duas últimas temporadas na Segundona, o Granada acostumou sua torcida ao ambiente de La Liga. Prova disso é que, antes do biênio na divisão de acesso, a equipe andaluz conseguiu emendar seis anos consecutivos na elite do futebol espanhol, grande feito para um clube de seu porte. E se os reforços não chegam a empolgar, os nazaríes podem se apegar à forma como subiram para acreditar na permanência.

A explicação é simples. Uma defesa sólida é meio caminho andado para os times que lutam contra o rebaixamento. Vice-campeão da segunda divisão, o Granada sofreu apenas 28 gols em 42 jogos, número que garantiu o posto de equipe menos vazada da competição. Responsável direto pela façanha, Diego Martínez segue no comando. Outro clichê que consta no manual da salvação é a presença de um jogador capaz de garantir uma quantidade considerável de gols. Com isso em mente, a diretoria buscou a contratação do veterano Roberto Soldado, de 34 anos.

Em seu auge na Espanha, o atacante acumulou temporadas em que marcava no mínimo 20 gols. Mas os tempos são outros, e a idade avançada já começa a ser um fator preponderante. Confiar em alguém com essas características é uma aposta de risco que pode custar caro, mas raras são as alternativas para um clube com orçamento limitado. Para colaborar com Soldado na ingrata missão, a diretoria foi atrás de Darwin Machís, ponta titular da Venezuela na Copa América. 

Entre 2012 e 2018, o jogador pertencia ao próprio Granada, mas conviveu com uma sequência de empréstimos que o impediam de ter uma sequência significativa com a camisa rojiblanca. Agora com 26 anos, adquirido por três milhões de euros, chega de ânimo renovado, e com a condição de titular bem encaminhada. Machís terá a companhia do compatriota Yangel Herrera, volante também titular na Vinotinto, e que pertence ao Manchester City.

Além de Soldado e de Machís, o outro reforço que chega para ser titular é o zagueiro Domingos Duarte. Embora pertencesse ao Sporting Lisboa, foi titular do Deportivo La Coruña em 2018/19, também na segunda divisão espanhola, e o desempenho do defensor fez o Granada investir três milhões de euros em sua contratação. Com expectativas baixas, os nazaríes precisarão replicar na elite a competitividade mostrada na temporada anterior para que seja possível uma reconsolidação na Primeira. 

Leganés  

Após passagem ruim pela Inglaterra, Mauricio Pellegrino está de volta à Espanha (Foto: Getty Images)

Cidade: Leganés (Madri)
Estádio: Butarque (11.454)
Técnico: Mauricio Pellegrino (Argentina)
Posição em 2018/19: 13º (45 pontos)
Títulos: 0
Projeção: meio de tabela
Principais chegadas: Juan Soriano (G, emprestado pelo Sevilla), André Grandi (G, Inter de Madrid), Rosales (LD/LE, Málaga), Omeruo (Z, comprado em definitivo do Chelsea), Álex Martín (Z, Real Madrid Castilla), Jonathan Silva (LE, comprado em definitivo do Sporting Lisboa), Roque Mesa (V/MC, emprestado pelo Sevilla), Fede Varela (MEI/ME, Porto), Ruibal (PD/PE/A, emprestado pelo Betis), Braithwaite (A, comprado em definitivo do Middlesbrough), Juan Muñoz (A, Alcorcón) e Sabin Merino (PE/PD/A, comprado em definitivo do Athletic Bilbao)
Voltaram de empréstimo: Mejías (Z, Cartagena), Facundo García (MC, AEK Larnaca), Owusu (PD/A/PE, Salamanca)
Principais saídas: Lunin (G, pertence ao Real Madrid), Andrés Prieto (G, Espanyol), Nyom (LD/LE, pertence ao West Bromwich), Juanfran (LD, pertence ao Deportivo La Coruña), Ezequiel Muñoz (Z/LD, Lanús), Diego Reyes (Z/LD/V, pertence ao Fenerbahçe), Vesga (V/MC, pertence ao Athletic), Gumbau (MC/V, Girona), El Zhar (MD/ME, Al Ahli), Carrillo (A, pertence ao Southampton) e Michael Santos (A, pertence ao Málaga)
Time-base (5-3-2): Cuéllar, Rosales (Marc Navarro), Bustinza, Omeruo (Tarín), Siovas e Silva; Rubén Pérez, Roque Mesa e Óscar Rodríguez (Eraso); Braithwaite e En-Nesyri.

O Leganés, assim como o Eibar, é um clube que jamais havia passado pela primeira divisão na sua história até subir em 2016. Os dois primeiros anos foram com muita dificuldade, sempre terminando na 17ª colocação, a última antes da zona de rebaixamento. Após a chegada de Mauricio Pellegrino e uma política um pouco mais ambiciosa no mercado de transferências, o time teve uma temporada melhor na última edição, permanecendo na primeira divisão sem grandes sustos. 

O clube foi bem mais uma vez na montagem do elenco, tornando definitivas as aquisições de alguns atletas emprestados que se destacaram em 2018/19, casos do lateral esquerdo Jonathan Silva, ex-Sporting, do zagueiro Omeruo, ex-Chelsea, e do atacante Braithwaite, ex-Middlesbrough, destaque da equipe no segundo turno. Nos últimos dias, o Lega conseguiu, por empréstimo, a contratação de Roque Mesa, do Sevilla. O meio-campista que se destacou pelo Las Palmas e não se firmou em Sevilla e Swansea é uma das esperanças da equipe para a temporada.

Também vale destacar a permanência do ótimo meia Óscar Rodríguez, que pertence ao Real Madrid e tem contrato de empréstimo por mais um ano. Para repor a saída de Lunin, que foi o goleiro reserva na última temporada e também pertence ao Madrid, chega por empréstimo Juan Soriano, jovem goleiro do Sevilla. Será o competidor direto do confiável Pichu Cuéllar. Outra chegada interessante é a do experiente lateral direito Rosales, após anos atuando por Málaga e Espanyol. O venezuelano é o substituto de Nyom, que acabou assinando com o rival Getafe.

Após não ser bem sucedido no Southampton, Mauricio Pellegrino retornou à Espanha e conseguiu dar uma cara nova ao Leganés, que hoje é uma equipe consolidada na primeira divisão. O 5-3-2 do treinador argentino foi um sucesso, tirando o máximo de Omeruo, Siovas e Bustinza, além de ter um ataque extremamente perigoso com Braithwaite e o marroquino En-Nesyri, artilheiro do time na temporada passada. No meio-campo, Rubén Pérez é a figura mais importante do time desde o acesso.

Para clubes como o Leganés, todo cuidado é sempre pouco. Entretanto, há motivos para crer que essa temporada será de afirmação e consolidação dos pepineros na primeira divisão, com a boa base do ano passado mantida, em sua maioria, e algumas adesões pontuais para qualificar o elenco. No papel, o Lega sai na frente de muitos de seus adversários diretos. Mas nunca é fácil repetir um grande ano, e Pellegrino sabe disso. Após o sucesso no Alavés, que o levou à Premier League, pela primeira vez na Liga o treinador terá um segundo ano comandando uma equipe, e espera-se mais uma temporada de alegria e de orgulho para a cidade.

Levante 

Borja Mayoral, campeão europeu sub-19 pela Espanha (Foto: Getty Images)

Cidade: Valencia (Valencia)
Estádio: Ciutat de València (26.354)
Técnico: Paco López (Espanha)
Posição em 2018/19: 15º (44 pontos)
Títulos: 0
Projeção: meio de tabela
Principais chegadas: Miramón (LD, Huesca), Rubén Vezo (Z/LD, comprado em definitivo do Valencia), Óscar Duarte (Z, Espanyol), Carlos Clerc (LE, Osasuna), Melero (MC/MEI, Huesca), Hernâni (PD/PE, Porto) e Sergio León (A, Betis)
Voltaram de empréstimo: Iván López (LD, Gimnàstic), Prcic (MC/V, Strasbourg), Ivi (MD/ME, Sporting Gijón) e Sadiku (A, FC Lugano)
Principais saídas: Koke (G, emprestado ao Deportivo La Coruña), Pedro López (LD, Huesca), Chema Rodríguez (Z, Nottingham Forest), Rober Pier (Z/V, pertence ao Deportivo La Coruña), Jason (MD, Valencia) e Dwamena (A/PD/PE, emprestado ao Zaragoza)
Time-base (4-3-3): Aitor Fernández; Coke, Rubén Vezo, Óscar Duarte e Clerc (Toño); Vukcevic (Melero), Campaña e Bardhi; Hernâni, Borja Mayoral (Sergio León) e Morales.

Para quem procura entretenimento em La Liga, jogos do Levante são sempre uma boa opção. Poderoso no ataque (quarto melhor em 2018/19) e frágil na defesa (segundo pior) em proporção quase idêntica, o time valenciano foi uma montanha russa de emoções ao longo das duas últimas temporadas. Diante desse cenário, a receita para o mercado de transferências era óbvia: reforçar a primeira linha, em especial a zaga. 

Antes de tudo, o clube adquiriu em definitivo Rubén Vezo, zagueiro que estava emprestado pelo rival Valencia. Ao seu lado atuará o experiente Óscar Duarte, contratado do Espanyol, que já defendeu a Costa Rica em duas Copas do Mundo. Miramón e Carlos Clerc, ambos com pouca experiência na primeira divisão, chegam para brigar por posição nas laterais. Mas não é só à base de reforços que Paco López deseja estancar a sangria. Adepto do esquema com três zagueiros em boa parte da última temporada, o treinador prepara a equipe no 4-3-3 para a nova jornada.

O sucesso ofensivo do Levante tem nome e sobrenome: José Luis Morales. Dos pés do craque do time saíram 12 gols e cinco assistências em 2018/19. Mesmo com 32 anos, ainda tem muita lenha para queimar, e os novos companheiros podem ajudá-lo na missão. A começar por Sergio León, que buscou novos ares para reencontrar o nível dos tempos de Osasuna. No Betis, decepcionou. Caso reencontre o caminho das redes,  o atacante tem tudo para conquistar a vaga de Borja Mayoral, de empréstimo renovado pelo Real Madrid. Quem completa o trio ofensivo é Hernâni, ponta português que ficou na reserva do Porto por duas temporadas.

Às vésperas da estreia na Liga, a diretoria granota ainda busca os últimos reforços para fechar o elenco. A principal carência é a de um volante, pois Vukcevic é o único meia à disposição com características mais defensivas. O escolhido para a vaga é Radoja, que está sem clube após término de contrato com o Celta e já negocia há semanas com o clube valenciano. Ainda mais próximo do anúncio está um velho conhecido. Depois de três temporadas no clube como emprestado do Deportivo La Coruña, o zagueiro Róber Pier será jogador do Levante em definitivo. O retorno do defensor, porém, só deve acontecer em janeiro, por conta de lesão no ligamento cruzado do joelho.

Como se trata de um trabalho que já dura um ano e meio, desde a inesquecível arrancada em 2017/18, o Levante de Paco López larga alguns passos à frente de outras equipes modestas. A inconstância defensiva da equipe, no entanto, pode acabar custando caro se não for resolvida. O encaixe dos reforços para o setor será o fiel da balança para garantir uma temporada sem sustos.

Mallorca  

Vicente Moreno, técnico do Mallorca (Foto: Getty Images)

Cidade: Palma de Mallorca (Ilhas Baleares)
Estádio: Iberostar (23.142)
Técnico: Vicente Moreno (Espanha)
Posição em 2018/19: 5º (Segunda)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Principais chegadas: Valjent (Z, comprado em definitivo do Chievo Verona), Sedlar (Z, Piast Gliwice), Lumor (LE, emprestado pelo Sporting Lisboa), Aleix Febas (MC, Real Madrid Castilla), Señé (MEI/MD/ME, Cultural Leonesa), Trajkovski (MEI/A, Palermo), Budimir (A, comprado em definitivo do Crotone), Chavarría (A, Stade de Reims), Alegría (A, Betis) e Zlatanovic (A/PE, Radnik)
Voltaram de empréstimo: Cornud (LE, Linense) e Moyita (PD, Cartagena)
Principais saídas: Montagud (G, Cultural Leonesa), Franco Russo (Z, emprestado ao Ponferradina), Estupiñán (LE, pertence ao Watford), Salva Ruiz (LE, Valencia), Pablo Valcarce (MD, emprestado ao Ponferradina), Stoichkov (MEI/A, emprestado ao Alcorcón), Leo Suárez (PD/PE, pertence ao Villarreal), Stojiljkovic (A, pertence ao Braga) e Buenacasa (A, emprestado ao Ponferradina)
Time-base (4-3-3): Manolo Reina; Sastre, Valjent, Raillo (Sedlar) e Lumor; Baba, Salva Sevilla e Aleix Febas; Dani Rodríguez, Budimir (Chavarría) e Lago Junior.

Figurinha carimbada no campeonato entre o final dos anos 90 e os anos 2000, clube em que atuaram diversos jogadores marcantes, como Samuel Eto’o, Pierre Webó, Juan Arango e Dani Güiza, o Mallorca está de volta após seis anos longe da elite e uma imensa crise financeira que o levou até a terceira divisão. Porém, sob o comando de Vicente Moreno, o time obteve dois acessos seguidos e está de volta à La Liga. 

O acesso não se deu de forma fácil. Nos play-offs, após eliminar o Albacete, o time das Ilhas Baleares enfrentou o tradicional (e favorito) Deportivo La Coruña. Após perder na Galícia por 2 a 0, o retorno parecia muito difícil, mas com uma incrível e dramática vitória por 3 a 0, a equipe conquistou o sonhado acesso. Devido ao fato de o calendário da segunda divisão estender os playoffs até quase o final do mês de junho, o clube foi um dos últimos a começar sua pré-temporada. 

Naturalmente, o objetivo dos bermellones é a permanência, como ocorre com toda equipe recém-promovida. Para acelerar a preparação, o time fez uma série de amistosos contra equipes de primeira divisão, e embora não tenha vencido nenhum, mostrou bom nível competitivo. Os adversários foram Valladolid (2 a 2), Getafe (0 a 0) e Levante (1 a 2). A equipe teve ótimos momentos nesses jogos, principalmente o primeiro tempo contra o Levante, mas a diferença para os outros era nítida quando as substituições eram feitas e as peças de reposição entravam em campo. Sem dúvida, é a maior preocupação do Mallorca.

O elenco tem poucos jogadores rodados na primeira divisão. Dois dos mais experientes são o veterano meio-campista Salva Sevilla, ex-Betis e Espanyol, peça-chave da equipe, e o recém-chegado atacante Álex Alegría, com passagens por Betis, Levante e Rayo. O clube conseguiu adquirir em definitivo duas peças importantes que estavam no clube por empréstimo na campanha do acesso: o atacante croata Budimir e o zagueiro eslovaco Valjent. Ambos vieram do futebol italiano. Outra esperança é o meio-campista Aleix Febas, formado no Real Madrid, depois de boas temporadas por Zaragoza e por Albacete na segunda divisão. 

Trata-se de um elenco com pouca experiência e repleto de jogadores pouco conhecidos do grande público. Além disso, por conta da duração dos playoffs, o Mallorca teve uma pré-temporada mais corrida que a de seus adversários, com menos tempo para se planejar. Também não custa lembrar que essa equipe estava na terceira divisão há dois anos. Chegar à elite tão rápido foi praticamente um milagre. A equação chega a uma conclusão cruel: é o maior candidato ao descenso dentre todos os clubes participantes. Apesar disso, La Liga tem sido pródiga em histórias de sobrevivência improváveis de clubes humildes, e o Mallorca, com a tradição que possui, tem todo o direito de sonhar.

Osasuna  

O experiente Raúl Navas defenderá o Osasuna (Foto: Getty Images)

Cidade: Pamplona (Navarra)
Estádio: El Sadar (18.375)
Técnico: Jagoba Arrasate (Espanha)
Posição em 2018/19: 1º (Segunda)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Principais chegadas: Roncaglia (Z/LD, Valencia), Raúl Navas (Z, emprestado pela Real Sociedad), Estupiñán (LE, emprestado pelo Watford), Brasanac (MC/V, Betis), Rubén García (MEI/MD/ME, comprado em definitivo do Levante), Robert Ibañez (PD/PE, comprado em definitivo do Getafe), Marc Cardona (A/PD/PE, Barcelona), Brandon (A, comprado em definitivo do Rennes), Adrián López (A/PD/PE, Porto) e Chimy Ávila (PE/PD/A, San Lorenzo)
Voltou de empréstimo: Otegui (MC/MEI, Melilla)
Principais saídas: Carlos Clerc (LE, Levante) e Olavide (MD/ME)
Time-base (4-2-3-1): Rubén Martínez; Nacho Vidal, Raúl Navas, Roncaglia (David García) e Estupiñán; Oier, Fran Mérida (Brašanac), Roberto Torres, Rubén García e Ávila; Cardona (Juan Villar).

Clube que chegou a ficar 14 anos seguidos na primeira divisão entre 2000 e 2014, o Osasuna busca se reencontrar na elite do futebol espanhol. Após uma passagem de um ano por La Liga em 2016/17, quando foi rebaixado sem oferecer resistência, a equipe navarra foi campeã com folga da última edição da segunda divisão, e chega com boas credenciais para tentar evitar uma nova queda imediata. Mais do que isso: em 2020, o clube faz 100 anos, então espera poder celebrar na primeira divisão.  

A equipe conseguiu manter praticamente todo o plantel da última temporada. A perda mais significativa foi a do lateral-esquerdo Clerc, que foi para o Levante. Os meio-campistas Rubén García (ex-Levante) e Róber Ibañez (ex-Getafe), que estavam emprestados e foram titulares na campanha de 2018/19, foram comprados em definitivo. O atacante Brandon Thomas, ex-Rennes, é outro que estava emprestado e agora pertence ao clube. Roberto Torres e Juan Villar, artilheiros do Osasuna na campanha vitoriosa, também seguem.

Além disso, o Osasuna se reforçou com diversos atletas com muitos anos na elite espanhola. Roncaglia, ex-Celta, e Raúl Navas, emprestado pela Real Sociedad, chegam para reforçar a defesa. O experiente atacante Adrián López, que vem do Porto, é outro reforço importante. Para o meio, chega o sérvio Brašanac, peça sólida atuando por Leganés e Alavés nos últimos anos.

Também chegaram peças jovens, sobretudo para o ataque, como o argentino Chimmy Ávila, destaque do Huesca na temporada passada, e o canterano do Barcelona Marc Cardona, que esteve no Eibar em 2018/19. Outra adesão interessante, para a reposição de Clerc, foi a do lateral-esquerdo Estupiñán, emprestado pelo Watford e que se destacou pelo Mallorca na temporada passada (em teoria, enfraquecendo um adversário direto na luta contra o descenso).

Dos três novatos, o Osasuna é o que chega mais pronto, ao menos no papel, para fazer um bom papel em La Liga. Contratações coerentes, sem loucuras, e a manutenção das peças que se destacaram no acesso é uma fórmula que costuma dar certo para equipes que sobem para a primeira divisão. A manutenção do bom Jagoba Arrasate no comando técnico é outro fator positivo. Além desses fatores, El Sadar costuma ser um campo difícil para os times mais fortes visitarem. Se o Osasuna souber aproveitar bem o fator casa como já fez por tantos anos na elite, já terá vários passos encaminhados para conseguir a sonhada permanência.

Real Madrid 

E agora, Zizou? (Foto: Getty Images)

Cidade: Madri (Madri)
Estádio: Santiago Bernabéu (81.044)
Técnico: Zinédine Zidane (França)
Posição em 2018/19: 3º (68 pontos)
Títulos: 33 (último: 2016/17)
Projeção: Champions League
Principais chegadas: Éder Militão (Z/LD, Porto), Ferland Mendy (LE, Lyon), Takefusa Kubo (MEI/MD/A, FC Tokyo), Rodrygo (PD/A/PE, Santos), Jovic (A, Eintracht Frankfurt) e Hazard (PE, Chelsea)
Voltaram de empréstimo: James Rodríguez (MEI/MD, Bayern)
Principais saídas: Luca Zidane (G, emprestado ao Racing Santander), Jesús Vallejo (Z, emprestado ao Wolverhampton), Reguilón (LE, emprestado ao Sevilla), Marcos Llorente (V, Atlético de Madrid) e Ceballos (MC/MEI, emprestado ao Arsenal)
Time-base (4-3-3): Courtois; Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Marcelo; Casemiro, Kroos e Modric; Vinícius Júnior (Isco), Benzema e Hazard.

Duas temporadas sem sequer esboçar uma briga por título em La Liga deveriam ser o bastante para o Real Madrid realizar uma revolução interna. Com muitos atletas desgastados após um ciclo vitorioso e jovens como Vinícius Júnior pedindo passagem para adquirir maior protagonismo, este era o momento exato para apostar em uma transição que poderia ser dolorosa no início, mas necessária para o clube reencontrar os rumos. Ao invés disso, o presidente Florentino Pérez preferiu jogar para a torcida e agradar os veteranos do elenco com a volta de Zidane ao comando. 

A escolha do francês é simbólica, e mostra por que as expectativas de mudanças significativas são bastante pequenas, mesmo com um mercado de transferências em que o clube fez boas contratações. A principal novidade, é claro, atende pelo nome de Eden Hazard, após novela que se estendeu por mais de um ano. O belga é o substituto que faltou para Cristiano Ronaldo em 2018/19, fator que também ajuda a explicar o fracasso da temporada anterior.

Os outros reforços – em especial Militão, Mendy e Jovic – foram boas apostas para agregar valor ao elenco e, a depender do desenvolvimento, garantir o futuro em suas posições, assim como as chegadas de Kubo e de Rodrygo. Apesar das novidades positivas, o planejamento do Madrid foi absolutamente desastroso em todos os aspectos restantes. Em clara demonstração de que pretende dar pouco espaço aos atletas mais novos, Zidane abriu mão de Reguilón, Marcos Llorente e Ceballos, trio de muito talento que se salvou na caótica temporada anterior – sobretudo os dois primeiros.

A saída de Llorente beira a insanidade. Reserva de Casemiro, o volante chegou a conquistar a posição, com méritos, em 2018/19, mas acabou vendido por € 30 milhões  ao Atlético de Madrid. Para seu lugar, ninguém foi contratado, e tudo indica que Valverde precisará ser improvisado como primeiro homem de meio-campo quando o brasileiro não estiver disponível. No primeiro reencontro de Llorente com o ex-clube, aconteceu o grande vexame da pré-temporada madridista: goleada de 7 a 3 para o rival da capital, que serviu para ligar o alerta vermelho no Santiago Bernabéu.

Em reação à ferida aberta, que se agravou em outra derrota, para o Tottenham, Zidane resolveu testar uma formação com três zagueiros, de modo a dar liberdade para os laterais e a permitir que Hazard flutuasse pelo setor ofensivo, sem estar preso à ponta esquerda. Sem qualquer sinal de melhora defensiva, depois de vitória apertada sobre o Red Bull Salzburg e de empate com a Roma, o esquema escolhido pelo treinador para o início da Liga é uma incógnita. Insistirá na alternativa tática que não parece ter futuro ou retornará ao bom e velho 4-3-3?

Ao mesmo tempo em que permitiu saídas bastante questionáveis, a diretoria madridista não conseguiu se livrar de James Rodríguez e de Gareth Bale, dupla que tinha permanência no clube praticamente descartada. Se nada mudar até o fechamento da janela, em 31 de agosto, Zidane será obrigado a encontrar uma solução. Com James, o francês já parece disposto a ceder, e é provável que o colombiano faça parte do grupo e receba eventuais chances, já que Hazard perderá as três primeiras rodadas por lesão; com Bale, o buraco é mais embaixo, e o galês busca desesperadamente um novo destino.

Real Sociedad  

Martin Odegaard terá uma chance na Espanha pela Real Sociedad (Foto: Getty Images)

Cidade: San Sebastian (País Basco)
Estádio: Anoeta (32.076)
Técnico: Imanol Alguacil (Espanha)
Posição em 2018/19: 9º (50 pontos)
Títulos: 2 (último: 1981/82)
Projeção: briga por Europa League
Principais chegadas: Remiro (G, Athletic), Modibo Sagnan (Z/LE, Lens), Ødegaard (MD/MEI, emprestado pelo Real Madrid), Portu (MEI/MD, Girona) e Alexander Isak (A, Borussia Dortmund)
Principais saídas: Rulli (G, emprestado ao Montpellier), Raúl Navas (Z, emprestado ao Osasuna), Héctor Moreno (Z/LE, Al Gharafa), Theo Hernández (LE, pertence ao Real Madrid), Merquelanz (PE, emprestado ao Mirandés), Juanmi (PD/A/PE, Betis), Bautista (A, emprestado ao KAS Euepen), Sandro Ramírez (A/PD/PE, pertence ao Everton)
Time-base (4-3-3): Remiro, Zaldúa, Aritz Elustondo, Diego Llorente e Aihen (Kévin); Illarramendi, Ødegaard (Zurutuza) e Mikel Merino (Zubeldia); Januzaj (Portu), Willian José (Isak) e Oyarzabal.

Um plantel com jogadores interessantes, um meio-campo de refinada técnica, um ataque com jogadores perigosos e uma camisa tradicional. Apesar de todos esses fatores, a Real Sociedad atravessou um período de enorme frustração nos últimos dois anos, após um respeitável sexto lugar em 2016/17. Mesmo com bons investimentos e jogadores de qualidade, a equipe tem estado muito aquém de seu potencial. 

Em 2018/19, La Real ainda teve uma reação na reta final, vencendo quatro jogos seguidos e chegando com chances de Liga Europa à última partida, mas a derrota para o Espanyol no confronto direto acabou com qualquer possibilidade europeia. Na maior parte da temporada, o time vagou pelo meio da tabela sem grandes ambições. Muitos dos problemas se explicam pela defesa: um caos sob o comando de Eusebio Sacristán em 2017/18 e mesmo com Asier Garitano, um treinador que costuma armar bem seus times no aspecto defensivo, a equipe jamais foi confiável defendendo sua própria área. Outro problema nítido é a falta de força dentro de casa, elemento que sempre foi vital nos grandes momentos da Real. O Anoeta já não é mais tão temido quanto antes.

Imanol Alguacil, profissional com muitos anos de clube e que já atuou como interino diversas vezes, foi efetivado no meio da temporada passada, e há muita curiosidade sobre como o seu trabalho, agora começando a jornada, pode dar o algo a mais que tem faltado à equipe. O fator que mais anima os torcedores é o bom mercado feito. Em um ataque que já conta com a qualidade de Oyarzabal, Willian José e Januzaj, a chegada de Isak (ex-Borussia Dortmund), de 19 anos, tem tudo para agregar ainda mais poder ofensivo ao time. O sueco tem feito uma pré-temporada ótima e é uma esperança dos txuri-urdin. 

Ainda falando de jovens, também chega o extremamente promissor meio-campista do Real Madrid, Martin Ødegaard, de apenas 20 anos e que terá sua primeira experiência em La Liga, após empréstimos na Eredivisie. Ander Barrenetxea, cria da casa, de apenas 17 anos, é outro nome para o futuro que pode ganhar espaço ao longo da temporada. Além disso, o ótimo Portu, destaque do Girona, chega com muita expectativa. O jogador pode ajudar em diversas funções, o que é ótimo para qualquer treinador.

Para o gol, o muito criticado Gerónimo Rulli sai de cena e abre espaço para o jovem Álex Remiro, revelado pelo rival Athletic Bilbao. Após ter problemas com a renovação de contrato em San Mamés, Remiro não renovou e foi contratado sem custos pelo clube de San Sebastián. São aquisições interessantes, que aliadas à manutenção das peças essenciais, podem levar a Real de volta ao patamar das brigas europeias. Cabe a Imanol preparar bem essa equipe, pois as cobranças serão muitas.

Sevilla  

Monchi voltou ao Sevilla (Foto: Getty Images)

Cidade: Sevilla (Andaluzia)
Estádio: Ramón Sánchez-Pizjuán (43.500)
Técnico: Julen Lopetegui (Espanha)
Posição em 2018/19: 6º (59 pontos)
Títulos: 1 (1945/46)
Projeção: briga por Europa League
Chegaram: Koundé (Z, Bordeaux), Diego Carlos (Z, Nantes), Wöber (Z/LE, comprado em definitivo do Ajax), Reguilón (LE, emprestado pelo Real Madrid), Fernando Reges (V, Galatasaray), Gudelj (V/MC, Guangzhou Evergrande), Joan Jordán (MC, Eibar), Óliver Torres (MC, Porto), Rony Lopes (MD/MEI/ME, Monaco), Lucas Ocampos (ME, Olympique de Marseille), Luuk de Jong (A, PSV) e Munas Dabbur (A, Red Bull Salzburg)
Voltaram de empréstimo: Sergio Rico (G, Fulham), Corchia (LD, Benfica), Alejandro Pozo (MEI/MD/ME, Granada) e Carlos Fernández (A, Deportivo La Coruña)
Saíram: Juan Soriano (G, emprestado ao Leganés), Mercado (Z/LD, Al Rayyan), Amadou (V/Z, emprestado ao Norwich City), Gonalons (V, pertence à Roma), Roque Mesa (V/MC, emprestado ao Leganés), Marko Rog (MC, pertence ao Napoli), Sarabia (MEI/MD/ME, PSG), André Silva (A, pertence ao Milan), Ben Yedder (A, Monaco) e Promes (PE/PD, Ajax)
Time-base: Vaclík, Jesús Navas, Diego Carlos, Koundé (Kjaer) e Reguilón; Fernando (Gudelj), Joan Jordán e Banega; Rony Lopes (Munir), De Jong (Dabbur) e Ocampos.

A palavra que define o Sevilla para 2019/20 é incógnita. O clube pentacampeão da Liga Europa decepcionou muito seus torcedores desde o quarto lugar de 2016/17, obtido com Jorge Sampaoli no comando. Se por muito tempo dificilmente se discutia que o Sevilla era o clube com mais destaque fora do top 3 do futebol espanhol, hoje os andaluzes veem o Valencia tomar esse posto com duas classificações seguidas para a Champions e um título de Copa do Rei.

Tanta frustração acumulada levou a medidas drásticas. A primeira foi a volta de um velho conhecido, o diretor de futebol Monchi, após passagem mal-sucedida pela Roma. E o diretor já impôs seu estilo no retorno, com a contratações a custo médio, muitas delas apostas provenientes de ligas menores. E janela do Sevilla tem chamado a atenção pela quantidade – o time já contabiliza mais de uma dúzia de contratações. 

Para o comando técnico, mais uma aposta: Julen Lopetegui foi escolhido após um período traumático com as demissões da seleção espanhola e do Real Madrid em menos de seis meses. O treinador já foi capaz de produzir um ótimo futebol em algumas das equipes que comandou (principalmente nas seleções espanholas de base), mas fica a expectativa para um trabalho extremamente complexo como é o caso deste Sevilla. Lopetegui busca reconstruir sua imagem depois de um ano profissionalmente muito difícil.

O principal problema é a perda de Sarabia, vendido ao PSG. O meia ofensivo atingiu seu auge na temporada passada, sendo de longe o maior destaque sevillista, por vezes carregando a equipe em meio aos momentos de maior turbulência. Mas diante de tantos reforços, há a esperança de que o Sevilla consiga lidar com essa dura perda.

No comando do ataque, deixam o clube André Silva e Ben Yedder e chegam Luuk de Jong,  artilheiro da última Eredivisie pelo PSV, e o israelense Dabbur, que se destacou pelo Red Bull Salzburg. Além de Sarabia, outra saída importante foi a de Quincy Promes, que retornou ao seu país para jogar pelo Ajax. As reposições, vindas do futebol francês, são o luso-brasileiro Rony Lopes (ex-Monaco) e o argentino Lucas Ocampos, que pertencia ao Marseille. De La Liga, chegam o ótimo meio-campista Joan Jordán, vindo do Eibar, e o promissor lateral Reguilón, emprestado pelo Real Madrid, um dos únicos pontos positivos na caótica temporada do time da capital.

O Sevilla chegou para a atual temporada disposto a mudar tudo, o que pode dar certo, mas é previsto que tenha um custo inicial grande de adaptação. Trata-se de um clube acostumado a vencer, com um fator casa que costuma fazer diferença, um técnico promissor em busca de afirmação e um elenco talentoso. Mas será preciso muita organização e boa adaptação das caras novas para atender às expectativas dos sevillistas, que se acostumaram com coisas grandes. Devido a tantas incertezas, será duro competir com um projeto sólido como o do Valencia, sem contar a força do arquirrival Betis, que tem se recuperado de anos de ostracismo. Duro, mas não impossível, e a missão do Sevilla para 2019/20 é recuperar seu prestígio, retomando também a mentalidade competitiva que por muito tempo foi tão invejada por seus adversários.

Valencia 

Gonçalo Guedes, do Valencia (Foto: Getty Images)

Cidade: Valencia (Valencia)
Estádio: Mestalla (55.000)
Técnico: Marcelino García Toral (Espanha)
Posição em 2018/19: 4º (61 pontos)
Títulos: 6 (último: 2003/04)
Projeção: briga por Champions League
Principais chegadas: Cillesen (G, Barcelona), Mangala (Z, Manchester City), Salva Ruiz (LE, Mallorca), Jaume Costa (LE, emprestado pelo Villarreal), Jason (MD, Levante), Cheryshev (ME, comprado em definitivo do Villarreal), Manu Vallejo (ME//MEI/A, Cádiz) e Maxi Gómez (A, Celta)
Voltaram de empréstimo: Medrán (MC, Rayo Vallecano), Racic (MC, Tenerife) e Fran Villalba (MEI/MC/ME, Numancia)
Principais saídas: Neto (G, Barcelona), Roncaglia (Z/LD, pertence ao Celta), Toni Lato (LE, emprestado ao PSV) e Santi Mina (A/PD/PE, Celta)
Time-base (4-4-2): Neto; Piccini, Garay, Gabrie Paulista e Gayà; Carlos Soler, Parejo, Kondogbia e Gonçalo Guedes; Gameiro e Maxi Gómez.

Já são duas temporadas consecutivas com vaga na Champions League. O treinador, com trabalho de longo prazo, é um dos melhores do país, e o elenco não deixa por menos. Após longo período de sofrimento, chegando a flertar com o rebaixamento, o Valencia tinha tudo para reencontrar a estabilidade e se firmar de vez como a quarta força do futebol espanhol. Mas obstáculos inesperados podem tornar tortuoso um caminho que parecia natural. Por conta de uma grave crise interna, os assuntos relacionados a campo e bola acabaram ofuscados durante a pré-temporada.

A confusão nos bastidores é marcada pelo conflito entre Peter Lim, acionista majoritário do clube, e Mateu Alemany, diretor geral, que tem o treinador Marcelino García e o elenco a seu lado. As grandes divergências entre ambos no planejamento da temporada foram o ponto de partida da batalha que quase culminou na saída de Alemany e de Marcelino. Uma longa reunião do dirigente com o magnata de Cingapura, no início de agosto, parecia ter selado a trégua, mas os ânimos voltaram a ficar acalorados diante da iminente saída de Rodrigo, principal jogador do ataque ché.

A insatisfação do diretor geral se explica pela forma autocrática com a qual Lim comanda o clube. Em muitas ocasiões, falta o respaldo do proprietário para que Alemany tome decisões inerentes a seu cargo. Por conta própria, o cingapurense encaminhou a venda de Rodrigo ao Atlético de Madrid, que pode se concretizar a qualquer momento. A queda de braço se estende à escolha do substituto. Enquanto Lim deseja a contratação de André Silva, em nome da amizade com o empresário Jorge Mendes, Alemany e Marcelino elegeram Thauvin como alvo principal.

Em meio ao caos, pouco se falou da grande aquisição do Valencia para 2019/20. Depois de duas boas temporadas no Celta, o atacante Maxi Gómez resolveu alçar voos mais altos. Em operação que envolveu o retorno de Santi Mina e o empréstimo do zagueiro Jorge Sáenz ao clube galego, além do pagamento de € 16 milhões, o uruguaio de 23 anos terá a chance de se provar com um grau de exigência mais alto. A hipotética dupla com Rodrigo teria enorme potencial, mas deve ficar apenas na imaginação.

Outro movimento de destaque na janela foi a troca de goleiros. Dono da meta ché desde a saída de Diego Alves, Neto foi para o Barcelona. Cillesen, ex-reserva de ter Stegen no clube catalão, fez o caminho inverso. Por mais que a negociação pareça esquisita, o Valencia pode ter uma subida de patamar na posição. Outros reforços interessantes também são dignos de nota. Dois anos depois, Mangala está de volta ao clube; na lateral esquerda, Gayà terá Jaume Costa, emprestado pelo Villarreal, como sua sombra; e Jason, comprado de graça após fim de contrato com o Levante, é uma opção a mais para as pontas.

Sem perdas significativas além da provável saída de Rodrigo, e com as novas caras do elenco, o Valencia é favorito à última vaga na Champions League, mesmo com o clima de tensão nos bastidores. Mas a situação é de risco, e a bomba-relógio instalada em Mestalla pode trazer graves prejuízos ao desempenho esportivo, sobretudo pela forte ligação de Marcelino e dos jogadores com Mateu Alemany. Caso tenham paz para trabalhar, os resultados aparecerão.

Valladolid 

A influência de Ronaldo audou o Valladolid a conseguir bons reforços (Foto: Getty Images)

Cidade: Valladolid (Castilla y León)
Estádio: José Zorrilla (26.512)
Técnico: Sergio González (Espanha)
Posição em 2018/19: 16º (41 pontos)
Títulos: 0
Projeção: briga pela permanência
Principais chegadas: Lunin (G, emprestado pelo Real Madrid), Pedro Porro (LD, emprestado pelo Manchester City), Javi Sánchez (Z, emprestado pelo Real Madrid), Federico Barba (Z/LE, emprestado pelo Chievo Verona), Hervías (MD/ME, comprado em definitivo do Eibar), Sandro Ramírez (A/PD/PE, pertence ao Everton), Jorge de Frutos (PD/A/PE, emprestado pelo Real Madrid) e Maranhão (A, Guaratinguetá)
Voltaram de empréstimo: José Antonio Caro (G, Albacete), San Emeterio (MC, Granada), Aguado (MEI/MC, Córdoba), David Mayoral (PD/PE, Alcorcón) e Chris Ramos (A, Sevilla Atlético)
Principais saídas: Yoel (G, pertence ao Eibar), Calero (Z, Espanyol), Moisés Delgado (LE, emprestado ao Racing Santander), Borja Fernández (V, aposentado), Keko (MD/ME, pertence ao Málaga), Daniele Verde (MD/ME/A, pertence à Roma) e Duje Cop (A, pertence ao Standard de Liège)
Time-base (4-4-2): Masip; Antoñito (Pedro Porro), Olivas, Barba e Nacho; De Frutos (Plano), Alcaraz, Míchel e Toni Villa; Sandro e Sergi Guardiola.

Quem tem amigo tem tudo. Para clubes modestos, nada melhor do que manter boas relações com gigantes em troca de benefícios. E esse passa a ser um dos grandes trunfos de quem tem Ronaldo Fenômeno como dono. Após escapar do rebaixamento em sua primeira temporada como acionista majoritário do Valladolid, o brasileiro agora tem a missão de fincar o pé na primeira divisão. A proximidade com o Real Madrid facilitou a chegada de três jovens jogadores por empréstimo. São eles o promissor goleiro Lunin, campeão mundial sub-20 com a Ucrânia, o zagueiro Javi Sánchez e o ponta Jorge de Frutos. 

E a parceria informal não deve parar por aí. Takefusa Kubo, que roubou a cena na pré-temporada madridista, tem tudo para ser o quarto. Ainda sem espaço no time de Zidane, mas com muito talento a ser explorado, o japonês está por detalhes de ser anunciado como reforço do Pucela, para que ganhe rodagem na primeira divisão. Mas o Valladolid não se limitou a jogadores do Real Madrid na hora de reforçar o elenco. O principal destaque é a chegada de Sandro Ramírez.

O atacante busca uma redenção particular. Após fazer a melhor temporada de sua carreira pelo Málaga, em 2016/17, acumulou frustrações por Everton (clube que ainda detém seus direitos), Sevilla e Real Sociedad. A volta a um clube mais modesto pode ser o que o jogador revelado pelo Barcelona precisa para retomar a confiança e reencontrar o caminho das redes. O técnico Sergio González acredita em seu potencial, e prepara uma equipe que pode jogar em função da dupla de ataque formada por Sandro e Sergi Guardiola.

O treinador, por sinal, talvez não tenha recebido a valorização adequada pela permanência do Pucela na primeira divisão. Ao começo de 2018/19, a missão era tida como um autêntico milagre, por conta de todos os problemas de um planejamento feito em cima da hora. Ainda assim, o Valladolid foi o único dos promovidos a evitar o retorno à Segunda. Um dos principais responsáveis em campo pelo feito, o zagueiro Calero se transferiu para o Espanyol, em venda sacramentada por oito milhões de euros. O provável substituto no time titular é o italiano Federico Barba, emprestado pelo Chievo Verona.

Desconhecido do torcedor brasileiro, o atacante Maranhão, de 22 anos, foi a contratação mais alternativa da janela pucelana. O jogador nascido no município de Coroatá atraiu o interesse dos blanquivioletas após marcar 12 gols em 38 partidas pelo Logroñés, na terceira divisão espanhola. O começo de caminhada no clube do Ronaldo deve ser pelo time B, mas eventuais chances podem aparecer na equipe principal. E a aposta em jovens promissores parece mesmo ter sido o norte do Valladolid no mercado de transferências. 

Revelação do rebaixado Girona, o lateral direito Pedro Porro, que agora pertence ao Manchester City, chega por empréstimo para dar uma opção de maior verticalidade ao setor. Nenhuma das novas caras chega cercada de muita badalação, mas, com a base mantida e a adição de peças interessantes ao elenco, o Pucela se movimentou bem para garantir a permanência com um pouco mais de tranquilidade.

Villarreal

Cazorla e Iborra (Foto: Getty Images)

Cidade: Villarreal (Valencia)
Estádio: Estadio de la Cerámica (23.500)
Técnico: Javi Calleja (Espanha)
Posição em 2018/19: 14º (44 pontos)
Títulos: 0
Projeção: meio de tabela
Principais chegadas: Rubén Peña (LD/MD, Eibar), Raúl Albiol (Z, Napoli), Alberto Moreno (LE, Liverpool), Zambo Anguissa (V/MC, emprestado pelo Fulham) e Moi Gómez (MEI/ME, Sporting Gijón)
Voltaram de empréstimo: Pau Torres (Z, Málaga), Ramiro Guerra (MC, Gimnàstic) e Leo Suárez (PD/PE, Mallorca)
Principais saídas: Miguelón (LD, emprestado ao Huesca), Bonera (Z, aposentado), Álvaro González (Z, emprestado ao Olympique de Marselha), Víctor Ruiz (Z, Besiktas), Jaume Costa (LE, emprestado ao Valencia), Pedraza (LE/ME, emprestado ao Betis), Javi Fuego (V, Sporting Gijón) e Fornals (MEI/MC/MD/ME, West Ham)
Time-base (4-2-3-1): Asenjo; Rubén Peña, Raúl Albiol, Pau Torres e Alberto Moreno; Zambo Anguissa, Cazorla, Toko Ekambi, Iborra e Moi Gómez (Chukwueze); Gerard Moreno.

Ao longo de seis temporadas, o Villarreal foi sinônimo de estabilidade, com classificações consecutivas para competições europeias. Em um ano no qual o time parecia pronto para dar o passo adiante, com um elenco que o qualificava a brigar seriamente por Champions League, o resultado foi desastroso, e o fracasso do projeto quase acabou em retorno à segunda divisão. Demitido em dezembro pelo péssimo desempenho no primeiro turno, o treinador Javi Calleja voltou no fim de janeiro para salvar o Submarino Amarelo do naufrágio, uma prova cabal da bagunça que tomou conta do clube em 2018/19.

Passado o risco maior, muitas dúvidas pairam sobre o Estadio de la Cerámica. Embora o elenco siga com qualidade para disputar posições mais altas na tabela, muitas trocas foram feitas no time titular, e a desconfiança pelo histórico recente é inevitável. Na linha de quatro defensores, por exemplo, a mudança foi geral. Quem se acostumou a ver o quarteto Mario Gaspar, Álvaro González, Víctor Ruiz e Jaume Costa agora se deparará com Rubén Peña, Raúl Albiol, Pau Torres e Alberto Moreno no setor. 

Da linha original, apenas Mario Gaspar permaneceu, mas o reforço vindo do Eibar larga na frente pela titularidade na lateral direita. Do outro lado, uma escolha bastante questionável. Cinco anos depois de se destacar pelo Sevilla, Moreno retorna ao futebol espanhol, passado o flop no Liverpool. Para dar lugar à nova contratação, o clube abriu mão do bom Pedraza, de 23 anos, emprestado ao Betis com opção de compra. Na zaga, as alterações parecem positivas, e a nova dupla combina a experiência de Raúl Albiol, que também retorna à Espanha, com a juventude de Pau Torres, depois de se desenvolver em empréstimo ao Málaga.

Para proteger os defensores, a diretoria fez ótima aquisição ao buscar Zambo Anguissa, de 23 anos, por empréstimo. O volante camaronês afundou na canoa furada que foi o Fulham de 2018/19, mas tem tudo para mostrar seu valor em uma nova liga e formar boa parceria com Santi Cazorla, nos mesmos moldes da dupla de zaga. E se o meio-campo foi o setor que recebeu o reforço mais promissor, também foi nele a maior perda. Pablo Fornals, capaz de atuar com desenvoltura em diversas posições, é mais uma joia a deixar La Liga com destino à Premier League.

Contratação mais badalada do Villarreal na janela de verão anterior, Gerard Moreno oscilou na temporada de retorno ao Submarino Amarelo, e marcou apenas oito gols na Liga. A eficiência do atacante dentro da área será um bom termômetro do desempenho da equipe em 2019/20. Caso recupere o instinto goleador que o colocou entre os melhores atacantes da Espanha, a equipe terá boas condições de habitar a parte de cima da tabela.

* Daniel Souza (@DanielFFC07) é economista e escreve sobre futebol quando a vida permite. Guilherme Bianchini (@guisbianchini) é jornalista e apaixonado por La Liga