A questão primordial da Bundesliga nesta temporada não foge ao que se perguntou em outros anos: o Bayern de Munique manterá a hegemonia? Entretanto, cada vez mais, há elementos para se questionar a soberania dos bávaros na competição. E, apesar da decepção na temporada passada, o Borussia Dortmund vem mais forte para o desafio. Os aurinegros, aliás, são esperança a um futebol ofensivo e intenso que marca a liga. O mesmo pode se dizer sobre RB Leipzig e Bayer Leverkusen, outros representantes do país na Champions League 2019/20. Além do mais, o equilíbrio no meio da tabela do Alemão costuma garantir boas emoções. Há histórias a se acompanhar envolvendo clubes como o Eintracht Frankfurt, o Werder Bremen, o Colônia e até mesmo o estreante Union Berlim.

Num campeonato que pulsa por seus jovens jogadores e pela atmosfera nos estádios, a nova edição da Bundesliga, que começa nesta sexta-feira, será um prato cheio. Abaixo, clube a clube, preparamos um guia completo. Vale para conhecer um pouco mais as perspectivas de cada um, os novos contratados e também os novos técnicos. Confira:

Augsburg

Cidade: Augsburg, na Baviera (292 mil habitantes)
Estádio: WWK Arena (30,6 mil espectadores)
Técnico: Martin Schmidt (desde abril de 2019)
Posição em 2018/19: 15°
Participações na Bundesliga: 9
Projeção: luta contra o rebaixamento
Principais contratações: Tomas Koubek (G, Rennes), Carlos Gruezo (M, Dallas), Iago (D, Internacional), Florian Niederlechner (A, Freiburg), Ruben Vargas (A, Luzern), Reece Oxford (D, West Ham), Noah Sarenren Bazee (A, Hannover 96), Mads Pedersen (D, Nordsjaelland), Marek Suchy (D, Basel)
Principais saídas: Martin Hinteregger (D, Eintracht Frankfurt), Kevin Danso (D, Southampton), Jonathan Schmid (D, Freiburg), Marvin Friedrich (D, Union Berlim), Ji Dong-won (A, Mainz), Konstantinos Stafylidis (D, Hoffenheim), Koo Ja-cheol (M, Al Gharafa), Takashi Usami (A, Gamba Osaka), Gregor Kobel (G, Stuttgart)
Brasileiros no elenco: Iago (lateral), Caiuby (atacante)
Time na estreia da Pokal: Koubek, Teigl, Suchy, Rieder, Pedersen; Hahn, Baier, Gruezo, Richter; Gregoritsch, Niederlechner.

“Mudar o que não deu certo”. A máxima, tantas vezes aplicada no futebol, acabou levada ao pé da letra pelo Augsburg. Os bávaros chegam a mais uma temporada da Bundesliga com um mercado de transferências bastante intenso, como não costuma ser muito comum na Alemanha. Chegaram nove jogadores, enquanto a diretoria também se desfez de nove atletas – alguns já emprestados anteriormente, é verdade. O objetivo claro é garantir a permanência da equipe na primeira divisão com menos riscos. Porém, todos já estão conscientes de que a missão será árdua, mesmo com os reforços.

O Augsburg é um raro exemplo de clube que nunca caiu na Bundesliga. Desde sua estreia na primeira divisão, o time acumulou oito participações. Viveu o seu ápice em 2014/15, quando terminou na quinta colocação e se classificou à Liga Europa. No entanto, desde então, a realidade dos bávaros se tornou bem mais dolorosa. É uma equipe que balança na parte inferior da tabela e chegou na beira do abismo durante a última temporada, quando terminou no 15° lugar. Rondou a zona dos playoffs de descenso e só mudou o seu destino com os 6 a 0 em cima do Stuttgart no confronto direto.

O que poderia ser um sopro de esperança ao futuro, contudo, começou como um enorme choque de realidade. O Augsburg protagonizou o grande papelão da primeira fase da Copa da Alemanha. Muitos dos reforços entraram em campo para encarar o Verl, da quarta divisão, e mesmo assim sucumbiram. O trabalho será árduo, não apenas de encaixe das novas peças, mas também de motivação. No comando técnico, ao menos, o Augsburg conta com um bom nome. Martin Schmidt não deu certo no Wolfsburg, mas ainda possui um bom trabalho no Mainz 05 em seu currículo e por isso chegou com moral à Baviera no último mês de abril. O comandante evitou o pior na reta final da Bundesliga passada e agora molda uma equipe que precisa se defender melhor. Sua especialidade, afinal, é montar esquemas de jogo para maltratar os adversários nos contragolpes.

Dono da defesa mais vazada da última Bundesliga, o Augsburg se preocupou com o setor. A começar pelo goleiro Tomas Koubek, ótima opção que veio do Rennes e custou caro para os padrões locais. O miolo de zaga ganhou o experiente Marek Suchy, assim como fechou em definitivo a permanência de Reece Oxford. O problema momentâneo é lidar com as lesões. Jeffrey Gouweleeuw e Iago estão contundidos. O ex-colorado, aliás, chega como uma aposta para a lateral esquerda. Já na direita, o desafio dos bávaros será ocupar a lacuna deixada por Jonathan Schmid, importante no apoio durante a última campanha.

O meio do Augsburg é mais tarimbado, em especial pelo capitão Daniel Baier, uma das grandes figuras do clube ao longo desta década na primeira divisão. Rani Khedira e o novato Carlos Gruezo são alternativas no setor. Além disso, o time possui peças interessantes às pontas, sobretudo com a presença de Philipp Max e André Hahn, além da ascensão de Marco Richter. Já na frente, Alfred Finnbogason permanece como o principal encarregado de anotar os gols. O islandês balançou as redes dez vezes na última campanha, mas as lesões minaram sua sequência. Por isso, Florian Niederlechner chega como alternativa, enquanto Michael Gregoritsch garante presença física no apoio.

No papel, o Augsburg não possui um time ruim. A eliminação vexatória na Copa da Alemanha pode ser colocada um pouco na conta dos desfalques. De qualquer forma, não é nem um pouco promissor dar o seu pontapé inicial no ano com uma derrota dessas proporções, contra uma equipe fraquíssima. Manter os pés no chão será fundamental.

Bayer Leverkusen

Cidade: Leverkusen, na Renânia do Norte-Vestfália (163 mil habitantes)
Estádio: BayArena (30,2 mil espectadores)
Técnico: Peter Bosz (desde dezembro de 2018)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 41
Projeção: briga por copas europeias
Principais contratações: Kerem Demirbay (M, Hoffenheim), Moussa Diaby (A, Paris Saint-Germain), Nadiem Amiri (M, Hoffenheim), Daley Sinkgraven (D, Ajax)
Principais saídas: Julian Brandt (A, Borussia Dortmund), Dominik Kohr (M, Eintracht Frankfurt)
Brasileiros no elenco: Paulinho (meia), Wendell (lateral)
Time na estreia da Pokal: Özcan, Tah, Sven Bender, Dragovic; Bellarabi, Demirbay, Aránguiz, Wendell; Havertz, Volland, Amiri.

O Bayer Leverkusen terminou a última edição da Bundesliga como o time a se assistir. Os Aspirinas faziam uma campanha errante, aquém de seu potencial ao longo do primeiro turno – como se tornou constante na BayArena durante os últimos anos. A troca de Heiko Herrlich por Peter Bosz no comando trouxe novos ares. E não só o antigo treinador do Borussia Dortmund recuperou seu prestígio na Bundesliga, como também permitiu que o Leverkusen exibisse o seu melhor futebol em muito tempo. Com uma verve ofensiva, a equipe emendou vitórias e conquistou a classificação à Liga dos Campeões.

A boa notícia é que o Leverkusen mantém a mesma base para seguir pensando alto. Julian Brandt representa uma grande perda à equipe titular, em especial pelo rendimento do jovem nesta guinada recente do time. Ainda assim, não é exatamente um jogador insubstituível e o seu setor está muito bem servido. Além do mais, os Aspirinas foram bem no mercado. Demirbay e Amiri já apresentaram seus predicados nos tempos de Hoffenheim, enquanto Moussa Diaby amplia a lista de promessas à disposição na BayArena, após ser mal aproveitado pelo PSG. A margem de crescimento prevalece.

O maior desafio ao Leverkusen será mesmo conciliar a Champions com a Bundesliga, missão capciosa a muitos clubes alemães. Há um elenco com boas opções para a rotação, mas a falta de experiência pode ser um empecilho para trabalhar melhor nas duas frentes. A prioridade, de qualquer maneira, é consolidar o que aconteceu durante os últimos meses no Campeonato Alemão. A impressão é a de que a curva ascendente seguirá.

Peter Bosz passou os seus primeiros meses confiando no 4-3-3, base de seus times, mas também variou para o 3-4-3 na Copa da Alemanha. O segundo turno apresentou um Leverkusen que soube muito bem surrar as equipes da metade para baixo da tabela, embora tenha sofrido contra adversários igualmente velozes no ataque. Após uma pré-temporada que teoricamente serviu para aparar as arestas, o comandante chega com uma equipe mais firme para a sua forma de jogo. Entretanto, a jornada anterior no Dortmund também apresentou um treinador que não soube se reinventar quando seu estilo ficou mais manjado. Terá que manter o gás.

Se não conta com um sistema defensivo tão seguro, até pela proposta de seu técnico, o Leverkusen está recheado de bons jogadores. Lukas Hradecky, Jonathan Tah, Sven Bender e Aleksandar Dragovic formam o alicerce dos Aspirinas. Além disso, pela vocação ofensiva dos laterais, a variação do time com três defensores realmente faz sentido. Desta maneira, Wendell ou Mitchell Weiser se soltarão no apoio. Há capacidade para se explorar e o técnico se mostra consciente disso, também para abrir as defesas adversárias.

No meio-campo, Charles Aránguiz viveu um crescimento fantástico no último ano e contribuiu decisivamente ao dinamismo do Leverkusen. Terá a companhia de jogadores que oferecerão diferentes encaixes, incluindo os rodados Lars Bender e Julian Baumgartlinger. Kerem Demirbay é mais um entrar por ali, depois de ótimos anos a serviço do Hoffenheim. Adiciona qualidade na criação, além do próprio empenho sem a bola. Até pelo investimento de €32 milhões, desembarca para ser protagonista na BayArena. Ao seu lado, Nadiem Amiri é um coringa para diferentes funções.

Já na frente, a maior oferta de talento. A começar por Kai Havertz, candidatíssimo a se firmar como craque durante os próximos anos. O prodígio é um nome indiscutível entre os titulares e, para muita gente, foi o melhor jogador da última Bundesliga. Tem habilidade nos dribles e produziu demais ao ataque, com 17 gols. As expectativas de que deixe a BayArena em breve são consideráveis. Por isso mesmo, prestes a encarar a Champions, terá a chance de viver o seu grande ano com o Leverkusen. Mostra-se cada vez mais pronto.

E não é que as responsabilidades recaiam apenas sobre Havertz. Leon Bailey caiu de rendimento durante os últimos meses, mas permanece como uma ótima figura. Moussa Diaby, Karim Bellarabi e o próprio Paulinho (que já passou a fase de adaptação, depois de um primeiro ano pouco aproveitado) também se encaixam pelos lados. Centralizados na área, Kevin Volland e Lucas Alario se alternam ou se combinam, bem aproveitados por Bosz desde a sua chegada. Volland, aliás, acumulou 14 gols e nove assistências durante a temporada passada. São faces de um Leverkusen que não foge à regra do que sempre foi ao longo dos últimos anos, sobretudo pela oferta de jovens talentos, mas que recentemente fez por merecer as apostas ao seu redor.

Bayern de Munique

Cidade: Munique, na Baviera (1,4 milhão de habitantes)
Estádio: Allianz Arena (75 mil torcedores)
Técnico: Niko Kovac (desde julho de 2018)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 55
Projeção: busca o título, e o que mais?
Principais contratações: Lucas Hernández (D, Atlético de Madrid), Benjamin Pavard (D, Stuttgart), Ivan Perisic (A, Internazionale), Jann-Fiete Arp (A, Hamburgo)
Principais saídas: Mats Hummels (D, Borussia Dortmund), Marco Friedl (D, Werder Bremen), Rafinha (D, Flamengo), Arjen Robben (A, aposentado), Franck Ribéry (A, sem clube), James Rodríguez (M, Real Madrid)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Neuer, Kimmich, Süle, Pavard, Alaba; Thiago, Renato Sanches, Tolisso; Müller, Lewandowski, Coman.

Durante as últimas semanas, o presidente Karl-Heinz Rummenigge se gabou que nunca viveu uma pré-temporada tão tranquila no Bayern de Munique. O dirigente via a calmaria como algo positivo, já que permitia uma preparação mais segura do time de Niko Kovac, rumo à segunda temporada do treinador. Contudo, também há o lado ruim dentro desta perspectiva. Afinal, depois de uma temporada abaixo da média na Baviera, o clube se mexeu menos que o esperado no mercado de transferências. Também não há uma projeção tão clara assim de melhoras, até por conta daqueles que se foram.

Definitivamente, há uma nova era na Allianz Arena. O tempo se parte após as saídas de Arjen Robben e Franck Ribéry. A histórica dupla já não era imprescindível ao Bayern, diante das seguidas lesões e da queda de rendimento. Simbolicamente, porém, eles representam a reafirmação dos bávaros como uma potência continental, assim como os principais protagonistas na maior sequência de títulos vivida pelo clube na Bundesliga. Fica uma lacuna na própria liderança que os dois medalhões representavam. Deixarão saudades.

O mercado do Bayern não supriu totalmente as necessidades. A defesa é o único setor que de fato saiu ganhando. Mats Hummels saiu para o Borussia Dortmund já em declínio, enquanto o potencial aumenta com as chegadas Benjamin Pavard e Lucas Hernández – este, o negócio mais caro da história da agremiação. Porém, que o segundo ano de James Rodríguez na Baviera tenha sido apagado, é um jogador a menos para resolver as partidas na base do talento. E a promessa de trazer Leroy Sané não se cumpriu. O ponta foi o grande objetivo da diretoria ao longo do verão, em conversas com idas e vindas. Quando o negócio parecia mais próximo, uma séria lesão impedirá o jovem de estar em campo ao longo dos próximos meses. Ivan Perisic chegou como um empréstimo de ocasião, embora possa agregar ao setor ofensivo.

Assim, o Bayern de Munique não encanta neste início de temporada. Sem dúvidas, tem uma equipe capaz de ampliar a assombrosa hegemonia na Bundesliga. O que não se torna suficiente para aliviar as pertinentes críticas sobre o trabalho morno de Niko Kovac, com um futebol burocrático. A última conquista contou com a melhora no segundo turno, mas também com todos os erros acumulados pelo Borussia Dortmund. Cobra-se mais, especialmente quando os bávaros cada vez menos metem medo na Champions. Visto como obrigação, o Campeonato Alemão também precisa ser uma prova de força.

Após Manuel Neuer finalmente engatar uma sequência de jogos, o Bayern almeja melhorar a sua segurança defensiva com as novas introduções. Talvez seja o setor mais interessante do time neste momento. Jérôme Boateng se torna menos necessário, com as adições de Pavard e Hernández, além do já presente Niklas Süle. E, nas laterais, dois dos melhores do mundo. David Alaba já atravessou momentos mais brilhantes, mas é uma certeza na esquerda. Enquanto isso, Kimmich viveu um ano excepcional e pode até ser considerado o melhor da equipe na última campanha, com direito a 13 assistências.

O peso de Thiago Alcântara como referência no meio-campo aumenta, o que dependerá de sua regularidade e de seu protagonismo. Também precisará do crescimento de outros novatos que atuam ao seu lado, com menções especiais a Corentin Tolisso, Renato Sanches e Leon Goretzka. Sem emplacar totalmente como titular em seu primeiro ano, mas com bons lampejos, Goretzka tende a ser mais importante em seu segundo ano na Baviera. No entanto, a preferência na Copa da Alemanha foi por uma dupla mais física para resguardar Thiago. Renato Sanches ganhou créditos desde a chegada de Kovac.

Robert Lewandowski ainda é o principal nome no ataque, com folga, mas sem a mesma efetividade de outros tempos. Depois de sua especulada saída, a transferência já se tornou parte do passado e o centroavante precisa aparecer mais na Champions. Os gols na Bundesliga não são mais suficientes para mantê-lo como intocável. Situação parecida vive Thomas Müller, outro que deixou o seu auge para trás. A liderança do alemão, ao menos, se mostra cada vez mais preponderante dentro do elenco.

Mas as atenções recaem mesmo ao que poderá sair de outras apostas. Serge Gnabry foi uma grata surpresa pelo tanto que jogou em seu primeiro ano na Baviera e pela forma como chamou as responsabilidades. Entra na temporada com moral. Kingsley Coman é outro que, se continuar saudável, pode desequilibrar os jogos – mas não consegue emplacar grandes sequências. A ver como será, além da adaptação de Perisic, também a confiança em Alphonso Davies. O canadense pede passagem e sobe na hierarquia, diante das despedidas recentes. Tende a ser bem mais aproveitado.

Se o último ano começou incerto ao Bayern, mas terminou com o esperado título, a mesma sensação se repete rumo a 2019/20. A saída dos veteranos pode auxiliar Niko Kovac, com seu gênio forte, a manejar melhor as rotações no elenco. De qualquer maneira, os bávaros impõem menos respeito do que em outras épocas. A brecha a uma ultrapassagem permanece. Resta saber se a tranquilidade de Rummenigge, no fim das contas, não será mesmo uma acomodação.

Borussia Dortmund

Cidade: Dortmund, na Renânia do Norte-Vestfália (586 mil habitantes)
Estádio: Signal Iduna Park (81,3 mil espectadores)
Técnico: Lucien Favre (desde julho de 2018)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 53
Projeção: busca o título
Principais contratações: Mats Hummels (D, Bayern), Thorgan Hazard (A, Borussia Mönchengladbach), Nico Schulz (D, Hoffenheim), Julian Brandt (A, Bayer Leverkusen), Paco Alcácer (A, Barcelona)
Principais saídas: Abdou Diallo (D, Paris Saint-Germain), Maximilian Philipp (A, Dinamo Moscou), Alexander Isak (A, Real Sociedad), Sebastian Rode (M, Eintracht Frankfurt), Shinji Kagawa (M, Zaragoza), Jeremy Toljan (D, Sassuolo), Ömer Toprak (D, Werder Bremen), André Schürrle (A, Spartak Moscou), Christian Pulisic (A, Chelsea)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Hitz, Piszczek, Hummels, Akanji, Schülz; Weigl, Witsel; Sancho, Reus, Hazard; Alcácer.

O maior adversário do Borussia Dortmund na luta pelo título da Bundesliga se chama Borussia Dortmund, e isso ficou claro durante a última temporada. Os primeiros meses do trabalho de Lucien Favre foram melhores que o esperado, sobretudo pela maneira como os aurinegros conquistaram resultados quando estavam no limite. O mesmo não aconteceu na metade final da campanha. E, na coleção de erros que culminou na retumbante derrocada, o BVB exibiu extremas dificuldades para encarar os seus próprios fantasmas. Entregou diversos resultados que pareciam em suas mãos ou que dependiam de atuações mais contundentes.

A falta de competência de um Bayern também cambaleante reservou as chances ao Dortmund até o final. Um sadismo àquilo que não iria acontecer. O BVB precisa recomeçar a sua caminhada com plena consciência dos erros e da necessidade de botar a faca entre os dentes durante os jogos grandes. A recente Copa da Alemanha, neste sentido, ofereceu um alento à torcida aurinegra. A vitória sobre o Bayern se tornou um indício. Agora, é preciso apresentar tal capacidade na hora em que o campeonato começa para valer. O time de Lucien Favre continua como o maior desafiante a encerrar a hegemonia dos bávaros na Bundesliga.

Para tanto, o Borussia Dortmund possui um elenco mais forte para a próxima temporada. O time se desfez de um bom número de medalhões, mas a maioria dos jogadores já não tinha tanto espaço. As únicas vendas que realmente poderão fazer falta são as de Abdou Diallo e Christian Pulisic. Em contrapartida, elas renderam uma dinheirama e a diretoria soube reinvestir na janela. Trouxe boas reposições, reforçou setores necessitados e aproveitou oportunidades de mercado. Foram desembolsados €127,5 milhões. Porém, garantiram a chegada de atletas que, juntos, representam um valor estimado em €218 milhões.

A maior pechincha foi realizada com Julian Brandt. O jovem atravessou um ótimo final de temporada com o Leverkusen, mas aproveitou a proximidade do encerramento de seu contrato para assinar com o Dortmund por €25 milhões. Por seu talento e pela opção de jogar em diferentes posições, é um cara para se colocar entre as estrelas no Signal Iduna Park. De maneira um pouco mais contida, esta afirmação também serve a Thorgan Hazard, em ascensão com o Gladbach. E a compra de Nico Schulz ainda resolve, por ora, as preocupações na lateral esquerda.

São três novatos que tornam o grupo mais bem preenchido. Complementam a experiência de Mats Hummels, o xerife para resolver carências no miolo de zaga. É certo que, depois da saída conturbada ao Bayern, o velho ídolo não era exatamente o jogador mais querido pela torcida. Também não exibiu em Munique toda a sua excelência, já sofrendo com a lentidão. Mas, em termos de qualidade técnica e de liderança, representa um salto ao Dortmund. É a chance de renascimento que os aurinegros proporcionam a quem é o melhor defensor alemão de sua geração.

O peso de encarnar o Borussia Dortmund em campo, independentemente das chegadas, permanece com Marco Reus. O capitão deseja o título da Bundesliga. Faz por merecer o sucesso, depois de uma temporada brilhante na qual esteve saudável e se aproximou do troféu. Pela primeira vez em cinco anos, Reus superou os 2 mil minutos em campo ao longo do campeonato. Não esteve imune às lesões e nem às atuações ruins, mas carregou a equipe em diversas partidas. Atuando mais centralizado, é um jogador distinto ao que se viu em outros momentos da carreira. Segue decisivo e ainda mais influente na campanha.

E, cada vez mais, Jadon Sancho parece um escudeiro perfeito à empreitada de Reus com o Dortmund. Já se sabia da habilidade estrondosa do prodígio inglês, mas não se imaginava o impacto que causaria ao longo da última temporada. Entre os dribles e a excepcional aptidão às assistências, já se colocou como um nome insubstituível no time, algo sublinhado com a partidaça que fez durante a Supercopa da Alemanha. Aos 19 anos, parece pronto a se desenvolver ao topo.

Com Reus, Sancho, Hazard e Brandt, o Dortmund possui um ótimo leque de opções para montar sua linha de frente. Conta ainda com Raphael Guerreiro e o renascido Mario Götze, após superar os seus problemas de saúde. Não menos importante, Paco Alcácer experimentou a redenção na Alemanha e foi contratado em definitivo. Mesmo sem tanta fome de gols durante o segundo turno, é um bom homem de referência a um ataque móvel e veloz. O setor é o ponto forte dos aurinegros, que ganham possibilidades para resolver os jogos – o que nem sempre ocorreu da maneira devida em 2018/19, com dificuldades claras para arrematar resultados que estavam em suas mãos e que, no fim, acabavam se abrindo aos adversários.

Mais atrás, Axel Witsel se mostrou outro baita acerto, dominante na faixa central. Thomas Delaney é seu parceiro principal, ainda aguardando-se quando Mahmoud Dahoud e Julian Weigl podem render tudo o que sabem. Serão exigidos para proteger uma defesa que permanece como o calcanhar de Aquiles. Hummels e Schulz trazem esperanças, mas não resolvem todos os problemas. Dan-Axel Zagadou e Manuel Akanji precisam de mais regularidade. Também pede-se o mesmo a Roman Bürki, ainda que o goleiro tenha salvado o time diversas vezes ao longo da última temporada e dado sobrevida nas esperanças ao título. O sucesso depende de uma consistência geral do conjunto, algo que fez falta em 2018/19. No papel, o Dortmund não deve ao Bayern.

Borussia Mönchengladbach

Cidade: Mönchengladbach, na Renânia do Norte-Vestfália (262 mil habitantes)
Estádio: Borussia-Park (54,1 mil espectadores)
Técnico: Marco Rose (desde julho de 2019)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 52
Projeção: copas europeias
Principais contratações: Stefan Lainer (D, RB Salzburg), Breel Embolo (A, Schalke), Marcus Thuram (A, Guingamp), Ramy Bensebaini (D, Rennes)
Principais saídas: Thorgan Hazard (A, Borussia Dortmund), Josip Drmic (A, Norwich)
Brasileiros no elenco: Raffael (atacante)
Time na estreia da Pokal: Sommer, Lainer, Ginter, Elvedi, Wendt; Strobl, Zakaria, Neuhaus, Hofmann; Thuram, Plea.

O Borussia Mönchengladbach terminou a temporada passada pior do que começou e também perdeu o seu principal jogador na janela de transferências. Motivos mais que suficientes para temores? Não necessariamente. Afinal, promete-se uma nova era no Borussia-Park. E, entre os treinadores disponíveis no mercado, dificilmente os Potros encontrariam um nome mais interessante para almejar esta guinada. Após um notável sucesso à frente do Red Bull Salzburg, Marco Rose retorna ao seu país natal e tentará comprovar suas virtudes em um novo ambiente.

Dieter Hecking ficou à frente do Gladbach por três anos e até fez uma boa campanha na temporada passada, mas o fim de ciclo foi compreensível. Assim, a diretoria vislumbrou a possibilidade de fechar com Rose e traz um comandante com predicados atrativos à torcida: um futebol ofensivo, de muita velocidade, e a valorização das categorias de base. Foi desta forma que conseguiu transformar o Salzburg em campeão europeu sub-19, antes de conduzir a equipe principal à semifinal da Liga Europa. Os objetivos serão mais modestos com os alvinegros, o que não o torna imune às expectativas por aquilo que pode transformar.

A queda de desempenho do Gladbach na última Bundesliga foi acentuada, mas não exatamente inesperada. O time já estava acima de suas possibilidades quando ocupou a vice-liderança em parte da campanha e a queda de ritmo tornou-se natural. Além disso, não dá para reclamar completamente da saída de Thorgan Hazard, quando a mudança do atacante já era incontornável, ante o alto número de duelos que o belga resolveu. A venda trouxe dinheiro e os Potros buscaram reforços para o 4-3-1-2 normalmente proposto por Rose.

Defensivamente, o Gladbach tende a aproveitar bastante o apoio de seus laterais. Há um bom conjunto, especialmente com as contratações do argelino Ramy Bensebaini e do austríaco Stefan Lainer. Somam-se a Michael Lang e Oscar Wendt, garantindo profundidade ao setor. Além do mais, há outras referências mais atrás. Yann Sommer e Matthias Ginter são dois jogadores rodados, que capacitam uma defesa que foi importante ao desempenho do time na temporada passada. O número relativamente baixo de gols sofridos contribuiu à classificação dos Potros à Liga Europa.

O funcionamento do meio-campo dependerá da intensidade de alguns jogadores que atuam por ali. Denis Zakaria tende a ser alguém a crescer nesse novo sistema, por sua potência física. Florian Neuhaus se valoriza, com bom passe. Já Christoph Kramer precisa dar mais respostas, mas não anda nas melhores condições físicas. E o lamento recai sobre a lesão de Jonas Hofmann, que se contundiu na Copa da Alemanha e seria alguém importante na criação. Sem ele, Rose talvez precise repensar suas escolhas, pelas características dos jogadores à sua disposição.

Certo é que, na linha de ataque, o Borussia Mönchengladbach deve lidar muito bem com as competições que terá pela frente. Alassane Pléa fez um primeiro ano satisfatório e ganha a companhia de Marcus Thuram, que estreou já com gol decisivo pela Copa da Alemanha. Darão velocidade às transições ofensivas e força aos embates físicos. Da mesma maneira, por ali aparece o novo contratado Embolo, enquanto o veterano Raffael e o lesionado Lars Stindl permanecem no elenco. O ponto mesmo é como será o aproveitamento dos pontas ainda à disposição, em especial Patrick Herrmann, outrora intocável no Borussia-Park.

Marco Rose ainda não possui um elenco tão bem encaixado quanto se notava em Salzburg. Mas, por aquilo que já demonstrou no início de sua carreira, é um treinador para ser acompanhado de perto neste início de trabalho na Bundesliga. Se o Borussia Mönchengladbach já descolou uma vaga na Liga Europa durante a última campanha, a esperança é que pelo menos mantenha o patamar com as ferramentas à disposição.

Colônia

Cidade: Colônia, na Renânia do Norte-Vestfália (1,08 milhão de habitantes)
Estádio: Estádio Rhein-Energie (49,7 mil espectadores)
Técnico: Achim Beierlorzer (desde julho de 2019)
Posição em 2018/19: 1° da segundona
Participações na Bundesliga: 48
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Ellyes Skhiri (M, Montpellier), Birger Verstraete (M, Gent), Kingsley Ehizibue (D, PEC Zwolle), Sebastian Bornauw (D, Anderlecht), Kingsley Schindler (M, Holstein Kiel), Julian Krahl (G, RB Leipzig)
Principais saídas: Serhou Guirassy (A, Amiens), Tim Handwerker (D, Nuremberg), Johannes Geis (M, Nuremberg), Matthias Lehmann (M, aposentadoria)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Horn, Ehizibue, Meré, Czichos, Hector; Schindler, Drexler, Verstraete, Kainz; Modeste, Córdoba.

O Colônia conquistou o acesso e o título da segunda divisão, conforme o esperado, com ótimos números ofensivos. Porém, o retorno dos Bodes à elite não seria tão simples quanto parece. A equipe sofreu oscilações durante a campanha e, diante de uma sequência ruim na reta final, chegou mesmo a trocar de técnico. A sorte é que outros concorrentes também não vinham bem das pernas e o mínimo já se tornou suficiente para carimbar o acesso imediato. Mas ainda caberia à diretoria apostar em um novo comando para que o clube volte a se estabilizar na Bundesliga.

Achim Beierlorzer foi o técnico escolhido neste recomeço. Ele possui sua carreira respaldada principalmente por aquilo que aprontou em categorias de base, com passagem notável pelo RB Leipzig, onde também foi assistente de Ralf Rangnick. Já nos últimos dois anos, ganhou projeção ao treinar o Jahn Regensburg na segunda divisão. Depois de duas promoções consecutivas, os alvirrubros chegaram a brigar pelo acesso à elite sob as ordens de Beierlorzer. Com um sistema de jogo simples e boa produtividade ofensiva, terminou reconhecido no Estádio Rhein-Energie.

Uma das virtudes do Colônia na segunda divisão esteve em segurar os jogadores mais renomados de seu elenco. Assim, permanecem futebolistas com nível de seleção alemã, em especial o goleiro Timo Horn e o lateral Jonas Hector. São as lideranças naturais do plantel, que também preservou outros atletas importantes em relação à última passagem pela elite, como Frederik Sörensen, Marco Höger, Marcel Risse e Christian Clemens. As lesões dos dois últimos, todavia, provocarão desfalques durante o início da caminhada na primeira divisão. Louis Schaub é outro que merece menção, pela função na organização ofensiva.

Se há uma tarimba essencial na defesa e no meio-campo, o Colônia não deixou de fazer suas apostas no mercado de transferências. O clube não gastou muito dinheiro, mas trouxe jovens que podem ascender. Kingsley Ehizibue já ganhou a posição na lateral direita, enquanto Birger Verstraete também foi titular na cabeça de área pela Copa da Alemanha. O principal contratado, todavia, é o volante Ellyes Skhiri. Ele vem de uma boa temporada com o Montpellier e foi titular absoluto da Tunísia na última Copa Africana de Nações. Até por isso, precisará de um tempo maior para entrar no ritmo e acompanhar o restante do grupo. Mas, aos 24 anos, os €6 milhões pagos em sua compra são uma pechincha. Da divisão de acesso, também surge o ponta Kingsley Schindler, protagonista no sucesso notável do Holstein Kiel desde a terceirona.

Já na frente, o Colônia permanece com velhos conhecidos. Jhon Córdoba chegou na temporada do descenso e, apesar da demora para se encaixar, anotou 20 gols na segundona. Simon Terodde foi ainda mais espetacular, com 29 tentos, embora seu rendimento tenha caído na reta final. São dois atletas que precisam se provar no retorno à elite. Entretanto, a confiança da torcida recai mesmo em Anthony Modeste. A venda do centroavante à China foi um dos principais motivos para o rendimento despencar em 2017/18. Seu retorno aconteceu na temporada passada e, apesar do imbróglio até conseguir a liberação para atuar, foi vital no desfecho do acesso. Aos 31 anos, tentará buscar seu melhor futebol.

Voltar às copas europeias, como aconteceu em 2016/17, parece utopia ao Colônia. Mesmo assim, não é time para cair de imediato à segunda divisão. O descenso recente é muito mais um ponto fora da curva, considerando os acertos que os Bodes viviam. Terão a chance de provar isso com uma permanência longe do sufoco. A primeira fase da Copa da Alemanha, com a dramática disputa nos pênaltis contra o modesto Wehen Wiesbaden, ainda serve de aviso. Mas, seja pelo elenco ou mesmo pelo peso da camisa, não é clube para estender a sua penúria.

Eintracht Frankfurt

Cidade: Frankfurt am Main, em Hesse (746 mil habitantes)
Estádio: Commerzbank Arena (51,5 mil torcedores)
Técnico: Adi Hütter (desde julho de 2018)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 51
Projeção: copas europeias
Principais contratações: Martin Hinteregger (D, Augsburg), Djibril Sow (M, Young Boys), Dominik Kohr (M, Leverkusen), Kevin Trapp (G, PSG), Filip Kostic (M, Hamburgo), Dejan Joveljic (A, Estrela Vermelha), Sebastian Rode (M, Borussia Dortmund), Erik Durm (D, Huddersfield)
Principais saídas: Luka Jovic (A, Real Madrid), Sebastien Haller (A, West Ham), Jetro Willems (D, Newcastle)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Trapp, Hasebe, Abraham, Hinteregger; Da Costa, Kohr, Fernandes, Kostic, Kamada; Rebic, Joveljic.

Dá para melhorar uma temporada que entrou para a história do clube? O Eintracht Frankfurt já mostrou que sim. Depois de conquistar a Copa da Alemanha, as Águias foram além na Liga Europa e registraram uma histórica campanha até as semifinais continentais. O clube reafirma a sua grandeza e, apesar do esperado impacto pela troca de treinadores, a transição não gerou grandes problemas na Commerzbank Arena. O próximo passo é claro: retornar à Liga dos Campeões, o que ficou próximo de acontecer no último ano. Porém, também há desafios gigantes a se encarar.

O principal entrave do Eintracht Frankfurt será lidar com a venda de seus dois principais atacantes. Não dá para reclamar dos €100 milhões que entraram na conta após as saídas de Luka Jovic e Sébastien Haller, um dinheiro muito acima do investimento inicial realizado pela diretoria. Mas ambos anotaram 32 dos 60 gols do time na última Bundesliga, fora o estilo que se casava ao jogo coletivo. Sem muitos questionamentos, foram peças essenciais ao sucesso das Águias ao longo dos últimos meses. E não ganham substitutos badalados. Gonçalo Paciência e Ante Rebic, que já estavam no elenco, tendem a ser mais aproveitados. Além deles, a fórmula se repete, ao se voltar para as promessas do Leste Europeu: destaque do Estrela Vermelha na temporada passada, Dejan Joveljic custou €4 milhões e já começou a ser utilizado.

Mais importante é que, nos demais setores, o Frankfurt se manteve praticamente intocável. Melhor do que isso, ainda conseguiu assegurar a contratação em definitivo de vários atletas que ajudaram o clube por empréstimo no último ano, a exemplo de Martin Hinteregger, Kevin Trapp, Sebastian Rode e Filip Kostic. A manutenção foi a prioridade das Águias, com mais alguns negócios pouco badalados, como a compra de Dominik Kohr e Djibril Sow ao meio-campo ou a chegada sem custos de Erik Durm. O sucesso não provocou deslumbramentos e nem mudanças drásticas na política da agremiação.

A base do projeto continua sendo o técnico Adi Hütter. O austríaco tirou de letra a tarefa de substituir Niko Kovac. Apesar da derrota para o inexpressivo Ulm na Copa da Alemanha e do começo ruim na Bundesliga passada, o comandante conseguiu elevar o desempenho do Eintracht Frankfurt, com seus poréns. O ataque melhorou substancialmente, com sua intensidade, mas a defesa sofreu lapsos. E o fim da temporada também deixou um gosto de cabo de guarda-chuva na boca. Concomitante à queda para o Chelsea na Liga Europa, o time despencou na reta final do campeonato nacional. Foram seis rodadas sem vencer, que dizimaram o sonho de conquistar a vaga na Champions.

As primeiras partidas do Eintracht Frankfurt em 2019/20 permitem suas reticências. O time fez sua parte nas preliminares da Liga Europa e passou na primeira fase da Copa da Alemanha, mas com certa dose de aperto. A defesa ainda precisa transmitir um pouco mais de confiança, apesar de sua experiência. Kevin Trapp e David Abraham são as principais referências, com destaque à recuperação do goleiro após a malfadada passagem pelo PSG. Enquanto isso, Evan N’Dicka se valorizou após chegar como uma aposta do Auxerre.

O jogo pelas alas é fundamental no 3-5-2 costumeiramente usado por Adi Hütter. Danny da Costa voou baixo pelo lado direito, enquanto Filip Kostic contribuiu bastante para o jogo ofensivo, especialmente pelas assistências. Na faixa central, as contratações de Kohr e Sow são importantes para aumentar a variação, com Gelson Fernandes, Jonathan de Guzmán e Rode auxiliando na rotação – este último, outro ressurgido das cinzas. Já na armação, Daichi Kamada surge como alternativa de Hütter. O japonês volta de empréstimo, após boa temporada na Bélgica, e ganha minutos neste início de temporada.

As referências ofensivas são conhecidas. Mijat Gacinovic arrebentou durante a Liga Europa, mas ficou devendo na última edição da Bundesliga. Tende a se tornar mais central na próxima campanha. Enquanto isso, Ante Rebic será exigido no ataque, firmado no apoio a Gonçalo Paciência. Como na temporada passada, é um time interessante no papel, mas que acabou extrapolando suas possibilidades ao chegar tão longe na Liga Europa. Mas não será simples a Adi Hütter a manter a mesma fome do grupo, principalmente sem a garantia de gols que havia à frente.

Fortuna Düsseldorf

Cidade: Düsseldorf, na Renânia do Norte-Vestfália (617 mil habitantes)
Estádio: Merkur Spiel Arena (54,6 mil espectadores)
Técnico: Friedhelm Funkel (desde março de 2016)
Posição em 2018/19: 10°
Participações na Bundesliga: 25
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Nana Ampomah (A, Beveren), Thomas Pledl (M, Ingolstadt), Markus Suttner (D, Brighton), Zack Steffen (G, Manchester City), Lewis Baker (M, Chelsea), Kasim Adams (D, Hoffenheim), Bernard Tekpetey (A, Schalke), Erik Thommy (M, Stuttgart)
Principais saídas: Benito Raman (A, Schalke), Marvin Ducksch (A, Hannover), Jaroslav Drobny (G, sem clube), Kianz Forese (M, Saarbrücken), Dodi Lukebakio (A, Watford), Marcin Kaminski (D, Stuttgart)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Steffen, Zimmermann, Hoffmann, Ayhan, Giesselmann; Baker, Morales; Tekpetey, Fink, Ampomah; Hennings.

O Fortuna Düsseldorf terminou a última edição da Bundesliga como uma grata surpresa do campeonato. Recém-promovidos da segunda divisão, os alvirrubros mantinham um elenco modesto e sem grandes perspectivas além de se salvar do rebaixamento. No entanto, a equipe cumpriu sua missão com extremo êxito. Depois de um início de campanha fraco, no qual os novatos passaram pela lanterna, o time se alavancou ao final do primeiro turno e terminou com 13 vitórias. Valeu uma digníssima décima colocação, com o aproveitamento dentro de casa fazendo a diferença.

Não será um recomeço simples. O Fortuna precisará lidar com a perda de seus dois principais jogadores de ataque. Dodi Lukebakio aproveitou bem o empréstimo e deu um salto rumo ao Hertha Berlim. Benito Raman, por sua vez, rendeu bastante na ponta e arrumou um contrato com o Schalke 04, o que garantiu €13 milhões aos cofres do clube. Nana Ampomah chega como reposição ao setor, após duas boas temporadas no Campeonato Belga. O reforço de €4 milhões já guardou seu primeiro gol na Copa da Alemanha.

De resto, o Fortuna Düsseldorf aproveitou os atalhos do mercado. Foram dois jogadores a custo zero. Além disso, o time conversou bem com grandes da Alemanha e da Inglaterra, ao assegurar cinco atletas por empréstimo. O goleiro Zack Steffen, o volante Lewis Baker e o atacante Bernard Tekpetey já tomaram as posições entre os titulares. Vale prestar um pouco mais de atenção em Steffen. O americano de 24 anos ganhou destaque no Columbus Crew e custou €8 milhões ao Manchester City, mas os celestes preferiram que acumulasse experiência na Bundesliga. Com a lesão do titular Michael Rensing, logo recebeu sua oportunidade na meta.

A espinha dorsal do Fortuna Düsseldorf não foge dessa ideia. São jogadores de perfil baixo, que aproveitam o espaço dado pelos alvirrubros para fazer o seu nome. Na defesa, o zagueiro Kaan Ayhan e o lateral Matthias Zimmermann foram imprescindíveis na campanha passada. Já no meio, vale bastante a experiência do volante Adam Bodzek e do meia Oliver Fink, que revezam entre si a braçadeira. Ambos compõem o elenco desde o início da década e conhecem muito bem o ambiente, assumindo o fardo na primeira divisão. Uma pena que não poderão contar com o auxílio de Kevin Stöger no início da campanha, principal fonte criativa do time, que sofreu uma lesão ligamentar.

Mais à frente, dois jogadores merecem destaque. Rouwen Hennings é um medalhão das divisões de acesso, que seguiu anotando gols importantes na Bundesliga. Mesmo saindo por vezes do banco, produziu sete gols e quatro assistências. Ao seu lado, outro jogador que pode aproveitar o ambiente é Dawid Kownacki. O polonês veio emprestado da Sampdoria em janeiro e balançou as redes quatro vezes em dez partidas. Tem força física e capacidade na finalização, podendo se beneficiar da sequência em Düsseldorf.

A grande figura, ainda assim, não estará em campo. Friedhelm Funkel assumiu o Fortuna quando o clube corria riscos de rebaixamento à segunda divisão, em 2016. Garantiu não apenas a permanência, como também possibilitou a ascensão rumo à primeira divisão. Até ensaiou sua saída, mas acabou ficando e sabe muito bem como controlar sua equipe. Além da maneira aberta como atua dentro de casa, dependerá dos importantes pontos que conseguiu roubar fora. Os alvirrubros não serão mais uma novidade e suas armas acabarão mais manjadas pelos oponentes. A folga desfrutada na campanha passada, mesmo se vier, tende a não ser tão grande.

Freiburg

Cidade: Freiburg im Breisgau, em Baden-Württemberg (229 mil habitantes)
Estádio: Schwarzwald (24 mil espectadores)
Técnico: Christian Streich (desde dezembro de 2011)
Posição em 2018/19: 13°
Participações na Bundesliga: 20
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Jeong Woo-yeong (A, Bayern II), Jonathan Schmid (D, Augsburg), Kwon Chang-hun (A, Dijon), Luca Itter (D, Wolfsburg)
Principais saídas: Florian Niederlechner (A, Augsburg), Vincent Sierro (M, Young Boys), Jonas Föhrenbach (D, Heidenheim), Fabian Schleusener (A, Nuremberg), Vincenzo Grifo (A, Hoffenheim)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Schwolow, Schmid, Lienhart, Heintz, Günter; Borrello, Frantz, Höfler, Sallai; Waldschmidt e Petersen.

Desde que retornou à primeira divisão, há três temporadas, o Freiburg cumpre bem o seu papel. Chegou a aparecer na Liga Europa, mas a mera manutenção na Bundesliga vale bastante a um clube de pouca projeção e sem grandes investimentos no elenco. Neste intervalo, o time da Floresta Negra também revelou bons valores e fez o seu caixa girar. As pretensões não fogem muito disso, entre a esperança de uma estadia sem sobressaltos na competição e a chance de apresentar outros bons nomes.

Neste sentido, os holofotes se direcionam sobre Gian-Luca Waldschmidt. O atacante já teve um desempenho interessante na campanha passada, ao anotar nove gols, embora muitas vezes saísse do banco de reservas. Entretanto, o verão serviu para colocá-lo em evidência, após o sucesso na seleção sub-21 que chegou à decisão do campeonato europeu da categoria. O jovem de 23 anos escancarou sua liderança e sua enorme capacidade de finalização, algo que tentará repetir ao lado de Nils Petersen, figurinha carimbada na linha de frente do Freiburg.

Ambos se tornam ainda mais importantes no esquema da equipe, após as saídas de Florian Niederlechner e Vincenzo Grifo. Todavia, o técnico Christian Streich também ganhou seus reforços ofensivos. A diretoria não cometeu grandes loucuras, mas empregou seu dinheiro especialmente nos sul-coreanos Kwon Chang-hun e Jeong Woo-yeong, que podem atuar pelas pontas. Outro setor que ganha são as laterais, com Luca Itter e Jonathan Schmid. O segundo, inclusive, prima pelas muitas assistências.

No mais, dá para aguardar um time bem centrado do Freiburg. Christian Streich está na Floresta Negra há quase oito anos e sabe muito bem fazer o feijão com arroz à alemã. Monta uma equipe sem grandes arrojos, mas que se defende de maneira compacta e garante os gols com a presença de área do ataque. É suficiente para prolongar a estadia na elite, sobretudo pelo aproveitamento razoável que há dentro de seu estádio. Durante a campanha passada, o Bayern não conseguiu a vitória no Schwarzwald e o RB Leipzig saiu com uma dura derrota.

Além dos supramencionados Petersen e Waldschmidt, há outras peças que garantem o equilíbrio do Freiburg. A defesa se vale do goleiro Alexander Schwolow, ídolo da torcida. Dominique Heintz e Robin Koch também formam uma dupla de zaga de muita firmeza. Já no meio, Janik Haberer é outro que pode alçar voos altos em breve. Jogadores que passam despercebidos ao público que não acompanha a Bundesliga mais de perto. Entretanto, que garantem a dignidade do Freiburg em suas últimas participações no campeonato.

Hertha Berlim

Cidade: Berlim, em Brandenburgo (3,7 milhões de habitantes)
Estádio: Estádio Olímpico (74,6 mil espectadores)
Técnico: Ante Covic (desde julho de 2019)
Posição em 2018/19: 11°
Participações na Bundesliga: 37
Projeção: meio de tabela
Principais contratações: Dodi Lukebakio (A, Watford), Eduard Löwen (M, Nuremberg), Daishawn Redan (A, Chelsea), Marko Grujic (M, Liverpool), Dedryck Boyata (D, Chelsea)
Principais saídas: Valentino Lazaro (M, Internazionale), Fabian Lustenberger (D, Young Boys), Jonathan Klinsmann (G, St. Gallen), Julius Kade (M, Union Berlim)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Jarstein, Leckie, Stark, Rekik, Torunarigha; Grujic, Darida, Duda; Kalou, Ibisevic, Mittelstädt

É raro notar uma mudança no comando técnico tão serena quanto a ocorrida no Hertha Berlim. Pál Dárdai permaneceu à frente da equipe principal por quatro temporadas. Recolocou os berlinenses nas competições continentais e fez boas campanhas na Bundesliga, mas perdeu forças recentemente. O húngaro, entretanto, preferiu dar um passo para trás. Em consenso com a diretoria, reassumiu as equipes de base, algo que já havia feito no início de sua carreira como treinador. E o substituto é justamente o antigo comandante do time B, Ante Covic, que acumula diferentes cargos dentro da agremiação desde o início da década.

A escolha de Covic soa como natural, dentro dos processos internos que o Hertha costuma viver. É um treinador que conhece o clube muito bem e que poderá renovar a relação com o elenco principal. Quem sabe, para que o time da capital volte a dar uma guinada na tabela da Bundesliga. Ainda há boas peças e os investimentos recentes, mesmo que pontuais, ajudam a tornar a equipe mais competitiva. Dá para retomar seu posto na metade de cima da classificação, dentro do plantel equilibrado que o novato terá em suas mãos.

O Hertha Berlim começa com uma defesa de jogadores qualificados. O goleiro Rune Jarstein e o lateral Marvin Plattenhardt são os mais conhecidos por ali, mas vale dar moral a jovens bem conceituados, como Niklas Stark e Jordan Torunarigha. No meio, mesmo com a perda de Valentino Lazaro para a Internazionale, a renovação do empréstimo de Marko Grujic e a compra de Eduard Löwen são importantes. Grujic formou uma dupla valiosa ao lado do prodígio Arne Maier e se sobressaiu pelo número de gols anotados.

Na armação, Ondrej Duda é um que talvez já faça hora extra no Estádio Olímpico. O camisa 10 vem de uma campanha boa, mesmo que o clube não tenha se saído tão bem na Bundesliga. Foram 11 gols anotados, além de cinco assistências, que o tornaram o atleta mais preponderante aos números ofensivos. Superou até mesmo Vedad Ibisevic, que permanece com a braçadeira de capitão e a missão de encabeçar o ataque. Além da companhia costumeira de Salomon Kalou, ídolo dos berlinenses, desta vez terá a ajuda de Dodi Lukebakio. Depois da boa passagem pelo Fortuna Düsseldorf, o jovem levou o Hertha a desembolsar €20 milhões em sua contratação. É um negócio caro para a realidade do clube e que, por isso mesmo, gera boas expectativas.

É preciso se ressaltar que, até por algumas perdas recentes, o Hertha Berlim reduziu o seu sarrafo na Bundesliga. Durante a última temporada, começou se intrometendo entre os postulantes à Liga Europa, mas não manteve a boa arrancada e a sequência ruim vivida em março fez o time a despencar. Diante do clima “frio” no Estádio Olímpico, com arquibancadas afastadas do gramado e ocupação bem menor que a média do campeonato, os berlinenses não têm aproveitado tanto o fator casa. É um ponto a se melhorar.

De qualquer forma, Ante Covic viverá um ano de estreia em que as cobranças serão mais baixas. Será importante a maneira como construirá seus laços com os jogadores, ainda com a sombra de Pál Dárdai dentro do clube. A tendência é que tente aproveitar um pouco mais os jovens à disposição no elenco profissional, assim como se valha do conhecimento sobre os talentos disponíveis na base.

Hoffenheim

Cidade: Sinsheim, em Baden-Württemberg (35 mil habitantes)
Estádio: PreZero Arena (30,1 mil espectadores)
Técnico: Alfred Schreuder (desde julho de 2019)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 12
Projeção: meio de tabela
Principais contratações: Robert Skov (A, Copenhague), Ihlas Bebou (A, Hannover), Sargis Adamyan (A, Jahn Regensburg), Sebastian Rudy (M, Schalke), Konstantinos Stafylidis (D, Augsburg), Diadie Samassékou (M, Red Bull Salzburg)
Principais saídas: Joelinton (A, Newcastle), Kerem Demirbay (M, Leverkusen), Nico Schulz (D, Dortmund), Nadiem Amiri (M, Leverkusen), Antonio Colak (A, Rijeka), Robin Hack (A, Nuremberg), Reiss Nelson (A, Arsenal)
Brasileiros no elenco: Lucas Ribeiro (zagueiro)
Time na estreia da Pokal: Baumann, Vogt, Hübner, Posch; Kaderabek, Grillitsch, Rudy, Zuber, Geiger; Bebou, Grifo.

Há um ponto de interrogação gigantesco que paira sobre o Hoffenheim. Afinal, por mais que a diretoria soubesse há mais de um ano que Julian Nagelsmann deixaria o clube, seria uma missão ingrata encontrar o substituto ao treinador que provocou uma revolução em Sinsheim. A solução veio apenas em março desse ano, mirando um nome que até pareceu óbvio. Alfred Schreuder trabalhou como assistente de Nagelsmann durante boa parte de sua passagem pelos profissionais dos alviazuis. O holandês só deixou a Alemanha na temporada passada, quando foi adjunto de Erik ten Hag no Ajax. Valeu a aposta.

A falta de experiência no cargo é um entrave claro a Schreuder. Por mais que acumule uma década auxiliando boas campanhas, incluindo também Steve McClaren no Twente campeão holandês em 2009/10, o novo contratado não foi bem em sua aventura anterior como técnico principal. No próprio Twente, encerrou a Eredivisie 2014/15 na modesta décima colocação e já foi demitido no início da temporada seguinte por maus resultados. Recebe uma nova chance, mas em cenário que é movediço.

Além de Nagelsmann, o Hoffenheim perdeu outros protagonistas. Joelinton não será mais um ponto de apoio no ataque, vendido ao Newcastle. Nico Schulz também arrumou as malas para o Borussia Dortmund. E pior foi a maneira como o Bayer Leverkusen rapelou o meio-campo, levando de uma só vez Kerim Demirbay e Nadiem Amiri. Com isso, era necessário dar uma resposta no mercado. No entanto, os alviazuis estiveram distantes de investir o montante que receberam. Gastaram apenas €32 milhões dos €112 milhões faturados.

Robert Skov já corresponde a quase um terço dessa grana. E mesmo que tenha feito apenas uma temporada em alto nível, o ponta dinamarquês de 23 anos vale o risco. Tornou-se o maior artilheiro da história de sua liga nacional, ao assinalar 30 gols pelo Copenhague, com uma aptidão excepcional para os tiros de fora da área. Outra fatia considerável do dinheiro vai para Ihlas Bebou, um dos raros a se salvarem no rebaixamento do Hannover, e também a Sargis Adamyan, atacante que se projetou nas divisões de acesso recentemente. Pouco antes do início do campeonato, veio o último acerto e Diadie Samassékou encorpará a cabeça de área, após fazer uma boa temporada no Red Bull Salzburg. No mais, o Hoffe alinhou outras transferências sem custos, mas não descartáveis, com o exemplo maior do retorno de Sebastian Rudy após sua frustração no Bayern e no Schalke.

Entre os que ficam, o Hoffenheim ainda possui um elenco para o meio de tabela. Oliver Baumann é um goleiro que já rendeu bastante pelo clube, protegido na defesa pelo capitão Kevin Vogt. O meio carece de certezas, não apenas por aqueles que se foram, mas também pela lesão de Leonardo Bittencourt. Por ora, Florian Grillitsch carrega o fardo ao lado de Rudy. Mais à frente é que as opções seguem abundantes, mesmo com o artilheiro Andrej Kramaric ainda no estaleiro. Ishak Belfodil também empilhou gols durante a última temporada e pode contar com Ádám Szalai ao seu lado. Já Vincenzo Grifo, atacante versátil que estava emprestado ao Freiburg, deve ser melhor aproveitado neste novo ciclo.

Schreuder começou na Copa da Alemanha repetindo o 3-5-2 de Nagelsmann, em busca da mesma aproximação ofensiva. Não se saiu bem, com a classificação sobre o Würzburger Kickers saindo apenas nos pênaltis. É esse o tamanho do quebra-cabeças que encontra. Por mais que siga com um bom grupo a seu serviço e que conheça as ideias a fundo, não parece ser simples extrair tudo o que seu antecessor conseguia. Nagelsmann tinha um talento acima da média, algo que ficou claríssimo em sua ascensão. Agora, o Hoffenheim precisará aprender a viver (e a sobreviver) sem esse toque de Midas.

Mainz 05

Cidade: Mainz, na Renânia-Palatinado (217 mil habitantes)
Estádio: Opel Arena (34 mil torcedores)
Técnico: Sandro Schwarz (desde de julho de 2017)
Posição em 2018/19: 12°
Participações na Bundesliga: 13
Projeção: meio de tabela
Principais contratações: Jeremiah St. Juste (D, Feyenoord), Edimilson Fernandes (M, West Ham), Aaron Martin (D, Espanyol), Ronaël Pierre-Gabriel (D, Monaco), Jonathan Meier (D, Bayern II), Taiwo Awoniyi (A, Liverpool), Cyrill Akono (A, Preussen Münster), Ji Dong-won (A, Augsburg)
Principais saídas: Jean Philippe Gbamin (M, Everton), Anthony Ujah (A, Union Berlim), René Adler (G, aposentadoria)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Müller, Brosinski, Bell, Niakhaté, Martin; Latza, Fernandes, Baku; Boëtius; Qualson, Onisiwo.

O Mainz 05 completa 13 temporadas na primeira divisão alemã, dez delas consecutivas, e talvez o grande segredo de sua diretoria esteja na boa escolha que faz ao comando técnico. A lista de treinadores que dirigiram os alvirrubros neste período é respeitável, incluindo Jürgen Klopp, Thomas Tuchel e Martin Schmidt. O último nome apontado foi o de Sandro Schwarz, que também não foge à regra. Com variações de jogo e um coletivo bastante funcional, o técnico cumpre com êxito sua tarefa no time principal, após ascender das divisões de base. Já vai para a sua terceira temporada no cargo.

Não se nega que o Mainz já atravessou momentos melhores na Bundesliga, especialmente por almejar as competições europeias em outras ocasiões. Contudo, diante dos limites do orçamento, a preservação do time na primeira divisão já embasa a confiança no que Schwarz desenvolve na Opel Arena. Ao longo da última temporada, os alvirrubros mantiveram uma distância considerável da zona de rebaixamento e se safaram. Ainda falta melhorar o desempenho como visitante, mas em seus domínios costuma ser um adversário duro de se encarar.

O mercado de transferências renova as condições de Schwarz. O time vai sentir falta de Jean-Philippe Gbamin, ponto de referência no meio-campo, que descolou uma venda ao Everton. Mas os €25 milhões gerados pela transação permitiram ao Mainz reforçar diferentes setores. Ji Dong-won é o nome mais badalado, embora sem custos. No mais, a diretoria gastou apenas com atletas abaixo dos 23 anos. A defesa terá profundidade, com o zagueiro Jeremiah St. Juste liderando a leva de prodígios. Já na faixa central, o suíço Edimilson Fernandes é quem ganha a brecha para se provar na Alemanha.

Por tudo isso, dá para acreditar que o Mainz 05 vá fazer o seu papel de coadjuvante e passar ileso ao rebaixamento. Há uma linha tênue que os alvirrubros temem cruzar, mas Schwarz segue com créditos. E o restante dos protagonistas, no fim das contas, segue em frente na Opel Arena. Jean-Philippe Mateta é quem mais pode render aos cofres num futuro próximo. O atacante de enorme presença de área marcou 14 gols em sua primeira temporada na Bundesliga, após chegar da França. Uma ruptura do menisco deve afastá-lo dos gramados até novembro, o que não diminui sua preponderância à equipe.

Jean-Paul Boëtius e Robin Quaison apoiam o centroavante. Pierre Kunde Malong tratará de carregar o piano no lugar de Gbamin e, no coração da defesa, Stefan Bell serve de exemplo num sistema com potencial, com Moussa Niakhaté ganhando sequência, além dos bons serviços prestados por Aaron Martín na lateral. Mesmo no gol, o Mainz não deixa nada a desejar. Aos 21 anos, Florian Müller tem bagagem nas seleções de base e ganhou experiência na reserva do último Campeonato Europeu Sub-21.

Durante as últimas temporadas, o Mainz 05 se acostumou a renovar seu visto na Bundesliga sem chamar tanta atenção. É mais uma vez o que tentará. Os alvirrubros constroem uma tradição que já vale o respeito. E que também garante memórias inexoráveis aos torcedores, a exemplo de seu bom costume de aprontar contra os grandes na liga.

Paderborn

Cidade: Paderborn, na Renânia do Norte-Vestfália (149 mil habitantes)
Estádio: Benteler-Arena (15 mil espectadores)
Técnico: Steffen Baumgart (desde abril de 2017)
Posição em 2018/19: 2° da segundona
Participações na Bundesliga: 2
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Rifet Kapic (M, Grasshoppers), Luca Kilian (D, Borussia Dortmund II), Streli Mamba (A, Energie Cottbus), Johannes Dörfler (A, Uerdingen), Marcel Hilssner (A, Hansa Rostock), Cauly (M, Duisburg), Laurent Jans (D, Metz), Gerrit Holtmann (A, Mainz), Jannik Huth (G, Mainz)
Principais saídas: Philipp Klement (M, Stuttgart), Bernard Tekpetey (A, Schalke)
Brasileiros no elenco: Cauly (meia)
Time na estreia da Pokal: Huth, Jans, Strohdiek, Hünemeier, Holtmann; Pröger, Gjasula, Vasiladis, Antwi-Adjei; Zolinski, Mamba.

Não há um clube na Europa (possivelmente, no mundo) que mereça mais o apelido de fênix do que o Paderborn. A trajetória dos alemães, indo e vindo pelas divisões da liga nacional, é única. A estreia dos nanicos na primeira divisão, após algum tempo figurando na segundona, foi meteórica. Os novatos chegaram a assumir a liderança da Bundesliga 2014/15 por uma rodada, em setembro, o que já representava um feito e tanto. Obviamente, não duraram no posto e, depois de uma queda vertiginosa durante o segundo turno, terminaram a campanha na lanterna. Só que a derrocada não terminaria por aí. A equipe também caiu na segunda divisão. E na terceira. Em tese, a equipe deveria iniciar a temporada 2017/18 na Regionalliga, a quarta divisão, entre outros tantos clubes semi-profissionais da Alemanha. O que só não aconteceu porque o Munique 1860 estava de birrinha com a liga e se recusou a pagar a licença para disputar a terceira divisão, o que salvou o Paderborn.

A segunda chance ao Paderborn também permitiu que a agremiação renascesse das cinzas. De candidato a um novo rebaixamento, o time se reinventou e conquistou o acesso imediato à segundona em 2017/18. Pois foi além, emendando o segundo acesso consecutivo em 2018/19. A trajetória na 2. Bundesliga, aliás, possui aqueles detalhes épicos que parecem restritos apenas à ficção. Sétimo colocado a dois meses do fim da competição, a fênix emendou seis vitórias em seus últimos nove compromissos. Fez os demais concorrentes comerem poeira, inclusive o amargurado Hamburgo. E eis que, de antigo líder há cinco anos, mas também de virtual rebaixado aos níveis amadores há dois, o Paderborn se coloca outra vez na principal prateleira do Campeonato Alemão.

O treinador é o mesmo que possibilitou a parte final da epopeia. Steffen Baumgart chegou para tentar evitar o rebaixamento à quarta divisão, algo que não conseguiu. Agora, o técnico terá a chance de competir com outros colegas bem mais badalados. Com um estilo definido no 4-1-3-2 e ótima média de gols na campanha do acesso, sabe que o buraco será bem mais profundo durante os próximos meses. Tentará montar uma equipe mais competitiva contra rivais que virão babando e buscará aproveitar os bons resultados somados na Benteler-Arena, o seu acanhado estádio.

O Paderborn demonstra ter consciência que seu lugar não é a primeira divisão. Por isso mesmo, nada de desespero no mercado de transferências. O time havia passado por um projeto amplo para disputar a segundona, mas não fez o mesmo rumo à elite. Trouxe, sim, reforços para diferentes setores. No entanto, a maioria absoluta dos atletas vem sem custos ou por empréstimo, quase todos das divisões de acesso. Uma das raras exceções com experiência na primeira divisão é o goleiro Jannik Huth, ex-Mainz 05.

O maior problema do Paderborn no mercado foi perder justamente dois de seus principais jogadores. Philipp Klement tomou conta do meio-campo e, mais do que isso, garantiu gols nas bolas paradas. Foram 16 bolas nas redes, além de sete assistências. Atraiu o interesse do Stuttgart, que o comprou para encabeçar o projeto na segundona. Da mesma maneira, o ponta Bernard Tekpetey era uma peça essencial na linha de frente e foi comprado pelo Schalke, que o repassou por empréstimo ao Fortuna Düsseldorf. Tamanho foi o sucesso que até seu chefe-executivo arranjou um novo emprego no RB Leipzig.

Não que todos os protagonistas do acesso tenham saído. Em uma linha de frente que dividiu bastante seus gols, há outros nomes centrais à força ofensiva do Paderborn. O meia Sebastian Vasiliadis foi a principal fonte de assistências, enquanto Sven Michel e Christopher Antwi-Adjei chegaram aos dois dígitos de gols. Já na defesa, o principal nome é o do capitão Christian Strohdiek. Cria da base, fazia parte da equipe que chegou ao topo da Bundesliga e, apesar de uma rápida passagem pelo Fortuna Düsseldorf, também amargou as penúrias na terceirona. Reafirmaria-se como um dos esteios na arrancada recente e jogou em alto nível na segunda divisão. Agora, buscará manter a honra do Paderborn. É muito difícil não imaginar o descenso. Mas, depois de toda a aventura recente, por que não sonhar?

RB Leipzig

Cidade: Leipzig, na Saxônia (582 mil habitantes)
Estádio: Red Bull Arena (43 mil espectadores)
Técnico: Julian Nagelsmann (desde julho de 2019)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 4
Projeção: briga por título
Principais contratações: Ademola Lookman (A, Everton), Christopher Nkunku (M, Paris Saint-Germain), Hannes Wolf (M, Red Bull Salzburg), Luan Cândido (D, Palmeiras), Ethan Ampadu (D, Chelsea), Philipp Tschauner (G, Hannover)
Principais saídas: Bruma (A, PSV), Julian Krahl (G, Colônia)
Brasileiros no elenco: Luan Cândido (lateral), Matheus Cunha (atacante)
Time na estreia da Pokal: Mvogo, Orban, Konaté, Mukiele; Klostermann, Nkunku, Demme, Sabitzer, Laimer; Werner, Poulsen.

Em três temporadas na primeira divisão do Campeonato Alemão, o RB Leipzig se confirmou como uma realidade. Conquistou por duas vezes a classificação à Liga dos Campeões, peitou os grandes algumas vezes, viu seus talentos se afirmarem entre os destaques da liga. Após a estabilidade, é a hora do salto. E os Touros Vermelhos sabem muito bem que os ventos são favoráveis para, de fato, disputar o título ao longo desta campanha. Ainda há uma distância em relação ao que se percebe ao redor de Bayern de Munique e Borussia Dortmund. No entanto, o clube da Red Bull vê suas condições melhorarem para, ao menos, ambicionar esta nova posição.

O primeiro motivo para esta confiança vem na própria temporada passada. O Leipzig viveria uma campanha de transição e contaria com o retorno de Ralf Rangnick à casamata, após trabalhar na direção. Não poderia atravessar este processo de maneira mais satisfatória. O veterano mostrou outra vez como entende da função e soube fortalecer o conjunto dos Touros Vermelhos. A equipe desta vez contou com uma solidez defensiva notável e terminou com a zaga menos vazada da Bundesliga. Prêmio a isso foi a curva ascendente do clube na tabela. Consolidou-se com uma sequência de 15 partidas de invencibilidade durante o segundo turno e a impressão era de que, se o campeonato fosse um pouco mais longo, dava para alcançar os irregulares líderes na ponta.

Rangnick, mais do que isso, usou sua ótima relação com os jogadores para preservar o elenco. A janela de transferências antes da temporada passada foi bem mais agitada, diante dos rumores sobre astros que poderiam deixar a Red Bull Arena. Pesou, então, a confiança que o veterano tinha entre promessas que ascenderam graças ao seu trabalho na época do acesso à primeira divisão. Por isso, o Leipzig praticamente não sofreu baixas. O único jogador a ser vendido neste mercado foi o ponta Bruma, que teve os seus instantes pela agremiação, mas não era um titular absoluto. A força se mantém.

E a força também se amplia. O Leipzig trouxe suas apostas nesta janela. Amadou Haidara já estava no elenco desde janeiro e, após retornar de lesão, efetivamente será um acréscimo ao meio-campo. Hannes Wolf precisa se recuperar de uma fratura, mas é outro ex-Salzburg que chega com espaço ao clube-irmão. Além deles, Luan Cândido e o emprestado Ethan Ampadu são ótimos prospectos na defesa. Christopher Nkunku saiu na debandada do PSG e parece pronto a se encaixar à filosofia da Red Bull, mais um para dar consistência ao meio-campo. Já na frente, Ademola Lookman está de volta, sem emplacar no Everton, mas com bons serviços prestados anteriormente na Bundesliga. Nenhum deles tão essencial quanto o reforço ao banco de reservas.

Porque, em uma briga com peixes bem mais graúdos, o RB Leipzig também deu uma prova de sua projeção ao fechar a contratação de Julian Nagelsmann. É um treinador que parece se casar totalmente com a filosofia de sua nova equipe, não apenas pela pouca idade e pelo futebol agressivo, mas também por ver um potencial de crescimento ao seu futuro. Talvez a segurança defensiva conquistada ao longo do último ano se perca com o novo comandante. Em contrapartida, alguns de seus preceitos se combinam ao próprio futebol praticado pelo RasenBallsport nesta estadia na elite, seja pela velocidade ou pela maneira direta de realizar suas transições. Haverá uma adaptação ao 3-5-2, mas não se sugere o maior dos percalços.

Por isso mesmo, vai ser interessante observar o que Nagelsmann poderá tirar de alguns jogadores que já deram tão certo na Saxônia. Timo Werner é o máximo exemplo, depois de uma temporada em que recuperou seus bons números ofensivos. Este parece ser o momento perfeito para chegar ao seu ápice, assim como outros “veteranos” do elenco, a exemplo de Emil Forsberg e Yussuf Poulsen. Se o Leipzig preparava o caminho para seus prodígios, bem, cada vez mais parece que esta é a hora deles.

Além de quem chegou e de quem já construíra sua fama, a temporada passada também foi essencial para que outros jogadores ganhassem prestígio. Marcel Halstenberg jogou o fino pelo lado esquerdo do campo, seja como lateral ou como meia. O miolo da defesa se beneficiou da boa fase de seus zagueiros, com menção ao capitão Willi Orban e ao garoto Ibrahima Konaté. O próprio goleiro Péter Gulácsi alcançou seu máximo, votado como o melhor da posição na última liga. Além disso, há mesmo aqueles que deram mostras sobre como serão mais úteis na rotação, a exemplo do meia Tyler Adams, de boas participações ao longo do segundo turno.

A Salva de Prata, entretanto, não será o único objetivo do Leipzig durante os próximos meses. Há uma Liga dos Campeões pelo caminho e, em sua primeira participação, mesmo em um grupo equilibrado, o time fez uma campanha ruim na fase de classificação. Será essencial deixar uma impressão melhor ao restante da Europa. Mas, com um técnico que já conhece o próprio torneio e um elenco mais consistente, a mensagem da Red Bull é clara. Caberá ao time comprovar em campo durante os próximos meses.

Schalke 04

Cidade: Gelsenkirchen, na Renânia do Norte-Vestfália (260 mil habitantes)
Estádio: Veltins Arena (62,2 mil espectadores)
Técnico: David Wagner (desde julho de 2019)
Posição em 2018/19: 14°
Participações na Bundesliga: 52
Projeção: meio de tabela
Principais contratações: Ozan Kabak (D, Stuttgart), Benito Raman (A, Düsseldorf), Markus Schubert (G, Dresden), Jonjo Kenny (D, Everton)
Principais saídas: Breel Embolo (A, Borussia Mönchengladbach), Ralf Fährmann (G, Norwich), Sebastian Rudy (A, Hoffenheim), Bernard Tekpetey (A, Düsseldorf), Cedric Teuchert (A, Hannover), Sascha Riether (D, aposentadoria)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Nübel, Kenny, Stambouli, Nastasic, Oczipka; Serdar, Mascarell; Caligiuri, Harit, Srzybski; Burgstaller.

O vice-campeonato na Bundesliga 2017/18 soava como um inesperado céu ao Schalke 04, pela forma como o time se encaixou no primeiro ano sob as ordens de Domenico Tedesco e também por aproveitar tão bem a conjuntura da competição. Estava claro que manter o desempenho não seria simples, especialmente após a saída de três grandes prodígios da Veltins Arena – Leon Goretzka, Max Meyer e Thilo Kehrer. Ainda assim, buscando pechinchas e outros bons negócios, os Azuis Reais tinham um elenco muito mais recheado para encarar a dupla tarefa, também com a Champions League em seu horizonte. Deram com os burros n’água. Fizeram uma Bundesliga fraquíssima, na qual só não flertaram mais sério com o rebaixamento porque tinha gente pior, e se deram por satisfeitos ao alcançar as oitavas de final do torneio continental, apesar dos impiedosos 7 a 0 aplicados pelo Manchester City na ocasião.

As necessárias mudanças do Schalke começaram já com a temporada em curso. Tedesco perdeu o seu emprego e o veterano Huub Stevens, de volta a Gelsenkirchen, manobrou a salvação. Da mesma maneira, até aqueles jogadores que pareciam certezas absolutas no elenco acabaram desbancados. Naldo arrumou as malas para o Monaco, enquanto o goleiro Ralf Fährmann passou a esquentar o banco do promissor Alexander Nübel. Não só terminou repassado ao Norwich, como também viu o arqueiro da seleção sub-21 herdar a braçadeira de capitão. E a renovação dos ares continua, mesmo que mantenha muita gente que já estava no grupo.

Já era certo que Huub Stevens ficaria de maneira interina e a temporada do Schalke começa com um treinador que realmente renova as expectativas. David Wagner pode fazer alguns torcedores desconfiarem, por seu passado recente no segundo quadro do Borussia Dortmund, mas também conhece o valor dos Azuis Reais por seus tempos de jogador. E, entre as opções no mercado, é muito apto a elevar o moral combalido. O fim de seu trabalho no Huddersfield não foi bom, em um clube de baixos investimentos, que terminou engolido na Premier League. O orçamento não permitiu que assegurasse a mesma intensidade vista na Championship entre os tubarões da elite. Ainda assim, possui seus méritos ao ter recolocado a equipe no mapa. Aguarda-se um futebol eficiente e ofensivo na Veltins Arena.

Para realizar sua tarefa, David Wagner também precisará colocar em prática suas virtudes motivacionais e trabalhar com o mental dos atletas contra seus fantasmas. Não é possível que um clube com o tamanho e com a torcida do Schalke termine uma temporada com apenas quatro vitórias como mandante. O aproveitamento dentro da Veltins Arena na última Bundesliga foi horrível, pior do que como visitante, e a recuperação da equipe passa também pela imposição dentro de sua casa. A única ponta de orgulho da campanha passada ficou no triunfo sobre o Borussia Dortmund que estragou os planos dos rivais, mas este aconteceu fora.

Além do mais, Wagner também precisará tirar o melhor de alguns jogadores que caíram de produção em Gelsenkirchen. Gente como Salif Sané, Matija Nastasic, Yevhen Konoplyanka e Mark Uth não podem se contentar com a mediocridade dos serviços prestados. Entre os poucos que se safaram, Daniel Caligiuri terminou como o único jogador com números realmente expressivos no ataque. Indica como o desempenho foi insuficiente. Se não é time para ser novamente vice-campeão tão cedo, o Schalke também não deveria se candidatar outra vez ao rebaixamento.

Ainda não foi o mercado mais retumbante do Schalke. A diretoria preferiu não cometer grandes insanidades e gastou pouco em contratações, buscando seus reforços em equipes mais modestas. O zagueiro Ozan Kabak chega do Stuttgart após um excelente ano, apesar do descenso, e o ponta Benito Raman foi um dos que sustentaram a surpreendente caminhada do Fortuna Düsseldorf. Além deles, o lateral Jonjoe Kenny vem por empréstimo do Everton, podendo já se encaixar entre os titulares. E se não trouxe tanta gente, os Azuis Reais também pouco perderam, com Breel Embolo sendo aquele que mais salta aos olhos. Foi uma aposta do clube que não se pagou e saiu já sem clima ao Borussia Mönchengladbach. De resto, nenhuma grande surpresa, também com as partidas de Sebastian Rudy e Fährmann.

Os reforços do Schalke, no fim das contas, são aqueles jogadores que realmente podem crescer e jogar muito mais do que se viu na última temporada. Nübel tem tudo para se estabelecer como um goleiro de primeira linha, e é nisso que a diretoria aposta. Também sobra juventude a Weston McKennie, Suat Serdar, Hamza Mendyl e outros que deixaram uma pulga atrás da orelha sobre a verdadeira capacidade. Já na frente, quem precisa se recuperar é Amine Harit. Por tudo o que já apresentou em Gelsenkirchen, está claro que o armador possui uma qualidade acima da média. Será cobrado por isso, após um ano ruim, no qual também conviveu com as lesões. A falta de gols, aliás, é a principais preocupação na Veltins Arena. Foram apenas 37 tentos na Bundesliga passada. Com o adeus de Embolo, as responsabilidades recaem sobre Guido Burgstaller.

Diante de tanta coisa a resolver, inclusive os rumos da própria carreira, David Wagner não deve ser cobrado para colocar o Schalke de imediato nas copas europeias. O equilíbrio da Bundesliga permite sonhar, claro, mas não é seu primeiro objetivo nos próximos meses. O comandante precisa botar ordem na casa e lembrar que os Azuis Reais não são o Hamburgo, que não precisam temer o descenso todos os anos. Pode realizar isso sem grandes esforços, ainda que a margem de erro não seja tão grande assim.

Union Berlim

Cidade: Berlim, em Brandemburgo (3,7 milhões de habitantes)
Estádio: An der Alten Försterei (22 mil espectadores)
Técnico: Urs Fischer (desde julho de 2018)
Posição em 2018/19: 3° na segundona
Participações na Bundesliga: estreante
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Marvin Friedrich (D, Augsburg), Anthony Ujah (A, Mainz), Marcus Ingvartsen (A, Genk), Robert Andrich (M, Heidenheim), Suleiman Abdullahi (A, Eintracht Braunschweig), Sheraldo Becker (A, ADO Den Haag), Neven Subotic (D, Saint-Étienne), Julius Kade (M, Hertha Berlim), Christian Gentner (M, Stuttgart), Manuel Schlotterbeck (D, Freiburg), Manuel Schmiedebach (M, Hannover)
Principais saídas: Marc Torrejón (D, sem clube), Carlos Mané (A, Sporting), Robert Zulj (M, Hoffenheim)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Gikiewicz, Trimmel, Schlotterbeck, Parensen, Lenz; Becker, Prömel, Gentner, Bütter; Ingvartsen, Andersson

O Union Berlim chega à Bundesliga para nos lembrar de um outro futebol. Dentro de campo, o objetivo lógico será fugir do rebaixamento. E não existiria outra meta possível, diante das dificuldades que os times da segundona vinham enfrentando para prevalecer nos playoffs de acesso. Após rebaixarem o Stuttgart, os berlinenses sabem que a mera permanência na elite será uma vitória e tanto. Porém, é um clube que possui muito a ensinar. Sobretudo, por suas diferentes histórias além das quatro linhas.

O principal traço da identidade do Union Berlim está em sua relação com a torcida. Conquistar resultados esportivos é importante, claro, mas dentro de um contexto no qual o bem-estar dos torcedores aparece como prioridade. O futebol não é exatamente o ponto focal do clube, mas sim o fio condutor daquilo que se vivencia a cada jornada no Estádio An der Alten Försterei. Assim, os berlinenses sustentam sua atmosfera calorosa e receptiva à massa ao seu redor. A experiência nas arquibancadas é levada a sério, a uma agremiação que sabe a sua representatividade dentro da sociedade e que, por isso mesmo, também se abre a múltiplos debates.

“Ser diferente não é nosso objetivo. Não sentamos para pensar como podemos nos diferenciar dos outros clubes ou como podemos aprimorar nossa marca. Nós simplesmente temos nosso perfil. Não fazemos nada por isso. O que fazemos é por nossa comunidade. O que importa para nós é: como o que fazemos afetará os torcedores, que são nossa prioridade?”, disse o presidente Dirk Zingler, em uma entrevista à revista 11 Freunde. Isso, por si, já torna o Union Berlim diferente. As ações comunitárias estão no dia a dia do clube, ao mesmo passo em que os torcedores em vários momentos sustentaram a agremiação dentro de suas crises.

A estreia na Bundesliga, dentro desse contexto, representa uma antítese ao Union Berlim. Sem dúvidas, o clube vive o seu auge desde a queda do Muro de Berlim. O empenho da direção e o apoio da massa deu seu resultado. Ao mesmo tempo, há certo temor que as exigências financeiras da elite afetem o que é a base do clube, entre ingressos baratos e uma gestão mais focada no seu entorno. E não é porque se abrem a novas possibilidades comerciais que os berlinenses deixarão de lutar contra a lógica de comercialização do esporte. A estreia já marcará protestos contra o RB Leipzig, gerido de maneira oposta àquilo que se acredita no Estádio An der Alten Försterei.

O Union, além do mais, mostra um caminho aos demais clubes da antiga Alemanha Oriental. Suas raízes na comunidade, afinal, permitiram repetir o feito antes restrito a Dynamo Dresden, Lokomotive Leipzig, Hansa Rostock e Energie Cottbus – os antigos participantes da Oberliga que chegaram à elite desde a reunificação dos campeonatos. Não é necessário ter o apoio de um gigante empresarial, como a Red Bull, para conseguir. E o próprio futebol de Berlim sai fortalecido nesta história. Em uma cidade cujo esporte foi diretamente afetado pela divisão territorial, faz bem reavivar o clássico com o Hertha, mesmo sendo clubes-irmãos. Desde 1977, com o Tennis Borussia Berlim, não acontecia um dérbi da capital na primeira divisão.

Apesar de seus idealismos, não espere que o Union Berlim vá praticar um futebol atrativo na Bundesliga. Pelo contrário, o acesso só aconteceu graças ao pragmatismo, como ficou expresso nos embates com o Stuttgart. Campeão suíço com o Basel, o técnico Urs Fischer até pode jogar no 4-3-3 muitas vezes, mas privilegia um forte sistema defensivo e o trabalho dos homens de área na linha de frente. Vai ser a fórmula para tentar sobreviver, juntamente com a pressão dentro do Estádio an der Alten Försterei.

Um mérito do Union Berlim no mercado de transferências foi assegurar a base de seu time para a estreia na Bundesliga. O clube só não conseguiu renovar o empréstimo de algumas peças, com menção principal ao meio-campista Robert Zulj. No mais, a diretoria evitou investidas e trouxe em definitivo outros atletas fundamentais, como o zagueiro Arne Friedrich. Ponto de referência da zaga, o beque ajuda a formar a espinha dorsal dos Eisernen, que também inclui o goleiro Rafal Gikiewicz, o lateral Christopher Trimmel, o volante Grischa Prömel e o centroavante Sebastian Andersson. É ao redor destes jogadores, basicamente, que girou o acesso.

No entanto, a diretoria do Union também realizou investimentos para melhorar seu plantel e tentar se estabelecer na primeira divisão. Para tanto, recorreu à experiência. E cada um dos setores recebe um medalhão com história na Bundesliga. Neven Subotic retorna à Alemanha e já começou a construir sua proximidade com a torcida, algo que o marcou no Borussia Dortmund. Christian Gentner traz na bagagem dois títulos nacionais, após uma longa passagem pelo Stuttgart. Já na frente, Anthony Ujah pode auxiliar no estilo da equipe. Mais jovem, o dinamarquês Marcus Ingvartsen é outro que se soma à linha de frente.

A estreia na Copa da Alemanha serviu para animar o Union. O time goleou por 6 a 0 o Germania Halberstadt, da quarta divisão. Entretanto, a torcida tem consciência que a passagem pela elite guardará os seus momentos de provação. A intenção é desfrutar a viagem e deixar expressa a paixão pelo time, sem renegar suas crenças. As marcas ficarão, no clube e na própria Bundesliga.

Wolfsburg

Cidade: Wolfsburg, na Baixa Saxônia (123 mil habitantes)
Estádio: Volkswagen Arena (30 mil espectadores)
Técnico: Oliver Glasner (desde julho de 2019)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 22
Projeção: copas europeias
Principais contratações: Xaver Schlager (M, Red Bull Salzburg), Kevin Mbabu (D, Young Boys), João Victor (A, LASK), Paulo Otávio (D, Ingolstadt), Lukas Nmecha (A, Manchester City)
Principais saídas: Landry Dimata (A, Anderlecht), Victor Osimhen (A, Charleroi), Luca Itter (D, Freiburg), Paul Seguin (M, Greuther Fürth)
Brasileiros no elenco: William (lateral), Paulo Otávio (lateral), João Victor (meia)
Time na estreia da Pokal: Casteels, Guilavogui, Brooks, Knoche; William, Arnold, Gerhardt, Roussillon; Klaus, Weghorst, João Victor.

Uma temporada foi suficiente para o Wolfsburg mudar por completo os seus rumos na Bundesliga. Após disputar os playoffs contra o rebaixamento e se safar contra o Holstein Kiel em 2017/18, os Lobos esperavam ao menos um ano sem dores de cabeça, com mares tranquilos no meio da tabela. Fizeram muito mais do que isso, ao descolarem uma vaga na Liga Europa e até mesmo se aproximarem da zona de classificação à Liga dos Campeões. Mantiveram o elenco e trouxeram reforços pontuais. Em contrapartida, perderam o comandante da nau.

Bruno Labbadia foi o principal responsável pela arrancada do Wolfsburg, mas não possuía uma boa relação internamente e acabou deixando a equipe. Para o seu lugar, a diretoria confia no austríaco Oliver Glasner, mais um a passar pelas comissões técnicas do Red Bull Salzburg, antes de alçar voos mais altos com o LASK Linz e classificar o time à Champions League. Na Volkswagen Arena, o novo técnico encontrará uma equipe sem muito cartaz, mas praticamente intacta após a sexta colocação na Bundesliga passada. Resta saber se será o suficiente para que os Lobos continuem atuando num patamar alto.

O Wolfsburg conta com uma média de idade relativamente baixa e muitos jogadores próximos de seu ápice físico. O goleiro Koen Casteels vem de ótimas temporadas sob as traves e garante a segurança atrás. Possui uma defesa com muita força, em especial pela parceria entre John Anthony Brooks e Robin Knoche no miolo de zaga. Já nas laterais, o time ganha opção. O brasileiro William, ex-Internacional, veio de uma temporada positiva na direita. Terá a concorrência de Kevin Mbabu, uma máquina em seus tempos de Young Boys. E, pela esquerda, outro novato é o paulista Paulo Otávio, que estava no Ingolstadt.

O principal reforço do Wolfsburg na janela é o meio-campista Xaver Schlager, peça importante na engrenagem do Red Bull Salzburg nas últimas temporadas. E não falta qualidade por ali. Josuha Guilavogui é o capitão e faz por merecer a reputação, podendo também entrar na zaga. Yannick Gerhardt é um jogador completo para o setor, enquanto Maximilian Arnold segue como um atleta de enorme identificação com os Lobos, mesmo que sua carreira não atinja as expectativas de outros tempos. É a cabeça pensante na faixa central.

Por fim, o protagonista é o centroavante Wout Weghorst, um achado do Wolfsburg. Após ascender com o AZ, o homem de referência anotou 17 gols na última Bundesliga. O holandês se vale bastante de sua enorme estatura, mas também sabe preparar as jogadas para os companheiros. Foi peça central ao funcionamento do coletivo e a repetição do sucesso depende do matador. Entre as novas peças, terá a companhia do brasileiro João Victor, trazido por Glasner após se dar muito bem como ponta do LASK Linz. Outra aposta é Lukas Nmecha, promessa do Manchester City que não deslanchou na Championship e chega como alternativa na rotação. Os rodados Daniel Ginczek e Admir Mehmedi também contribuem.

Para se saber o verdadeiro patamar do Wolfsburg, porém, há duas questões inescapáveis. A primeira será a adaptação do time às novas táticas de Glasner. O treinador gosta de atuar no 3-4-3, o que altera a configuração que deu certo no último ano com Labbadia, partidário do 4-3-3. Será outra exigência às virtudes de atletas importantes. Além do mais, o calendário será bem mais corrido com a participação na Liga Europa. E a profundidade do elenco talvez se torne um entrave, diante da falta de opções tão abundantes em alguns setores. A estreia na Copa da Alemanha, com uma chuva de gols e certo sufoco, indica que não há certeza imune na Volkswagen Arena.

Werder Bremen

Cidade: Bremen, em Bremen (586 mil habitantes)
Estádio: Weserstadion (42,1 mil espectadores)
Técnico: Florian Kohfeldt (desde novembro de 2017)
Posição em 2018/19:
Participações na Bundesliga: 56
Projeção: meio de tabela
Principais contratações: Niclas Füllkrug (A, Hannover), Marco Friedl (D, Bayern), Ömer Toprak (D, Borussia Dortmund), Benjamin Goller (A, Schalke 04)
Principais saídas: Max Kruse (A, Fenerbahçe), Aron Jóhannsson (A, Hammarby)
Brasileiros no elenco: nenhum
Time na estreia da Pokal: Pavlenka, Gebre Selassie, Gross, Moisander, Friedl; Sahin, Klassen Eggestein; Sargent, Osako, Rashica.

A Bundesliga se despedirá de uma lenda ao final da temporada. O interminável Claudio Pizarro, às vésperas de completar 41 anos, experimentará o último ano de sua carreira. Maior artilheiro estrangeiro da história da Bundesliga e a três gols de chegar aos 200 tentos pela competição nacional, o peruano será uma história à parte a ser aplaudida dentro do Weserstadion. E ainda poderá auxiliar o Werder Bremen a cumprir os seus objetivos. Novamente, os alviverdes voltam a mirar as competições europeias. Os tempos de temer o rebaixamento, ao que parece, ficaram para trás.

Pizarro ainda é uma peça útil dentro da rotação do Bremen. Durante a temporada passada, mesmo saindo do banco na maioria dos jogos, contribuiu com cinco gols na Bundesliga. E a tendência é a de que colabore ainda mais na atual campanha, não só pelos dois tentos que já anotou na Copa da Alemanha. A venda de Max Kruse ao Fenerbahçe deixa um vazio no comando do ataque, seja pela liderança do antigo capitão, seja pela maneira como ele produzia gols e assistências. Dos 58 gols anotados no último ano, 20 tiveram participação direta de Kruse. Ocupar essa lacuna não é algo óbvio.

Dentro das peças disponíveis, Pizarro é uma alternativa. Yuya Osako tende a ser o mais utilizado como homem de referência, ótimo por sua movimentação, embora careça de precisão na conclusão das jogadas. Além disso, o Werder Bremen foi buscar no Hannover a contratação de Niclas Füllkrug para servir de estepe por ali. Nenhum deles totalmente apto para suportar o fardo carregado por Kruse, mas que indicam como o conjunto dos alviverdes será essencial nos próximos meses.

O Werder Bremen teve seu golpe de sorte ao promover Florian Kohfeldt ao comando da equipe principal. O treinador de 36 anos possui uma trajetória parecida com a de Julian Nagelsmann, ao ganhar moral a partir das equipes de base e salvar o clube do rebaixamento, oferecendo novas perspectivas a partir de seu trabalho. Conseguiu imprimir um jogo mais técnico, especialmente pela qualidade dos alviverdes no trato com a bola. Ainda assim, seu sucesso recente passou bastante pelo crivo de Kruse. Sem um mercado de transferências muito produtivo, tentará lutar novamente por uma vaga nas copas europeias através da liderança  difusa.

Há qualidade em diferentes partes do campo, afinal. O Bremen confia em uma mescla de experiência e juventude. A defesa começa pelo bom goleiro Jiri Pavlenka, resguardando uma zaga que agora terá Ömer Toprak, emprestado pelo Borussia Dortmund. Tarimba não falta por ali, seja por Niklas Moisander, Sebastian Langkamp ou Theodor Gebre Selassie. Ludwig Augustinsson também é um ótimo valor por ali, embora o lateral sueco enfrente uma lesão no joelho durante o início da campanha.

No meio-campo, Davy Klaassen é um jogador de alto nível para fazer a roda girar e voltou a se valorizar na Bundesliga. Nuri Sahin é outro que tenta se reencontrar e ambos podem auxiliar a afirmação de Maximilian Eggestein, prata da casa cada vez mais absoluto no 11 inicial. Já na frente, além da questão sobre o centroavante, há muita esperança nos outros atletas da faixa. Milot Rashica veio de uma temporada excelente e é um atacante incisivo. Enquanto isso, o americano Josh Sargent tende a ganhar cancha. E há ainda Johannes Eggestein, irmão mais novo de Maximilian, que participou bastante da última campanha.

Manter a toada de crescimento não é simples ao Werder Bremen, quando outros clubes da Bundesliga demonstram uma capacidade de investimento maior para almejar a classificação às copas europeias. Mas, dentro do equilíbrio que se nota no Weserstadion, tentar mais uma campanha na metade superior da tabela é o natural. Pizarro merece este reconhecimento, num momento em que os alviverdes voltaram a peitar os principais concorrentes.