A seleção da Itália assistirá a Copa do Mundo de 2018 pela televisão e o fracasso na classificação custou o cargo de Giampiero Ventura, um dos mais criticados pelo desempenho ruim do time. A Federação Italiana (FIGC) ainda não escolheu um novo técnico, embora muitos nomes tenham sido especulados, como Carlo Ancelotti e Roberto Mancini. Quem se candidatou abertamente foi Claudio Ranieri, 66 anos, atual treinador do Nantes e que teve recentemente a maior conquista da carreira com o Leicester.

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“Qualquer técnico italiano adoraria estar no comando da Nazionale”, disse Ranieri, em entrevista à Sky Sport Italia. “Eu tenho contrato com o Nantes por dois anos e não recebi nenhuma mensagem, então eu não posso falar nada sobre isso. Mas se recebesse o contato pelo cargo de técnico da Itália, eu iria ao presidente do Nantes e pediria para ser liberado”.

Desde a demissão em novembro, a FIGC passa por uma reformulação. O presidente pediu demissão sete dias depois do jogo que decretou que a Itália não iria para a Copa 2018. A saída de Carlos Tavecchio fez com que o Comitê Olímpico Italiano nomeasse um comissionário, Roberto Fabbricini. É ele que está no comando da escolha de um novo técnico e já descartou técnicos caros. As especulações sobre Antonio Conte crescem com a sua cada vez mais provável saída do Chelsea.

Só que Ranieri parece um candidato viável. Não é um técnico caro, como seria um problema para levar Carlo Ancelotti, por exemplo, ou mesmo Mancini e Conte, todos com mercado em grandes clubes que pagam caro pelos seus serviços. A escolha de Ventura já tinha esse cenário: era um técnico barato, que vinha de um bom trabalho em um time de tradição, mas apenas médio no cenário nacional. O fracasso indica que outro técnico com currículo tão fraco não deve ser escolhido.

Ranieri passou pelos grandes times italianos e trabalhou em grandes ligas. Além da Itália, trabalhou também na Espanha, Inglaterra e voltou à França, onde dirige o Nantes. Já tinha comandado o Monaco quando o time do principado caiu para a segunda divisão e ele foi o responsável por levar a equipe de volta à primeira divisão.

No futebol de seleções, porém, há uma grande marca negativa no currículo de Ranieri. Antes de assumir o Leicester e conseguir aquela que se tornou a maior conquista da sua carreira, o título da Premier League, Ranieri foi um fracasso retumbante na seleção da Grécia. Ele assumiu após a Copa do Mundo de 2014, mas durou pouco. Foram quatro jogos: derrota para a Romênia, empate com a Finlândia, derrota para a Irlanda do Norte e, por fim, uma derrota para as Ilhas Faroe em casa, em 14 de novembro daquele ano. Foi demitido depois do jogo. Só voltaria a assumir um time em julho de 2015, quando foi para o Leicester. O resto é história.

A Itália precisa de um técnico que consiga usar os bons talentos que o time tem, inclusive alguns mais jovens, que ainda não tiveram tanto espaço no time principal. O bom desempenho do time em competições sub-21, por exemplo, pode servir para dar um caminho à equipe. Aliás, foi justamente o bom desempenho dessa equipe que levou o técnico do sub-21 da Itália, Luigi Di Biagio, a assumir como interino da seleção principal para os amistosos neste primeiro semestre. A definição do técnico definitivo deve acontecer só depois do fim da temporada europeia, em maio.