Classificação do Stade de Reims às competições europeias depois de 57 anos é uma volta ao passado

Entre 1949 e 1962, o Stade de Reims era um time dominante no futebol francês. Foram seis títulos conquistados nesse período, os mesmos que possui até hoje. Duas vezes o time foi finalista da Copa dos Campeões, em duas decisões que foi vencido pelo esquadrão do Real Madrid, de craques como Alfredo Di Stéfano. Depois de 57 anos de ausência, o Reims conquistou a volta aos gramados europeus e sem nem jogar, graças ao título do PSG na Copa da Liga, na última sexta-feira.

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O Reims chegou a conquistar uma edição da Copa Latina, em 1953. O torneio foi disputada de 1949 a 1957 e reunia os clubes da Europa Latina, Portugal, Espanha, França e Itália. Com o fortalecimento da Copa das Campeões, da Uefa, a competição acabaria encerrada. O torneio foi um dos que acabou servindo como base para a criação da Copa dos Campeões.

O último título do Campeonato Francês do Reims foi em 1961/62, o que o fez participar da Copa dos Campeões da temporada seguinte. Venceu o Austria Viena no primeiro duelo, mas caiu para o Feyenoord na fase seguinte. O jogo da eliminação foi no dia 13 de março de 1963. Nunca mais o Reims disputou uma competição europeia. Ao menos até esta temporada. Com o título do PSG na Copa da Liga, o tradicional clube vai disputar as fases preliminares da Liga Europa, depois de 57 anos de ausência nos palcos europeus.

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A campanha do time nesta temporada na Ligue 1, interrompida em março, com 28 jogos disputados, o time estava em sexto lugar, com 41 pontos, mesma pontuação do Nice. Como a temporada foi encerrada, tudo dependia do que aconteceria nas Copas. O PSG estava na final de ambas, mas como campeão, já tinha vaga na Champions League. Por isso mesmo, o Reims precisava torcer pelo PSG nas duas Copas.

Primeiro, na Copa da França, a final entre PSG e Saint-Étienne, os parisienses acabaram levando a taça, mesmo com muita luta dos adversários. A primeira das copas foi vencida pelo PSG. Restava a segunda. E foi com ares dramáticos. O Lyon segurou o empate no tempo normal e na prorrogação. Nos pênaltis, sucumbiu. O PSG, assim, completou a tríplice coroa nacional. E, de quebra, levou o Reims de volta à Europa.

O Reims é a cada de alguns nomes históricos do futebol francês. Raymond Kopa, um meia ofensivo de categoria. Foram 462 jogos pelo Reims, com 84 gols marcados. Jogou as Copas do Mundo de 1954 e 1958, quando fez três gols. Foi um dos destaques daquele torneio e sucumbiu apenas diante do Brasil, que caminhava para o seu primeiro título mundial.

Durante três temporadas, ele também jogou no Real Madrid. Em uma das finais europeias do Reims, em 1955/56, ele estava do lado francês. Na final seguinte dos rouges et blancs, em 1958/59, Kpa estava do outro lado, pelos espanhóis. No lado francês, outro jogador marcante: Just Fontaine.

Fontaine é marroquino de nascimento, que era uma colônia francesa na época. Começou a carreira no país africano, em 1950, e em 1953 parte para a Europa. Joga pelo Nice por três temporadas, até 1956, quando se transferiu para o Stade de Reims. Artilheiro, ele marcou época e fez 121 gols em seis temporadas pelo Reims.

Somando seus gols pelo Nice, foram 165 gols em 200 jogos pela Ligue 1, o que é uma marca notável. Ccom o Reims, conquistou três vezes o título do Campeonato Francês (1957/58, 1959/60 e 1961/62). Ainda conquistou a Copa da França em 1957/58. Pela seleção francesa, jogou de 1953 a 1960, com 30 gols em 21 jogos. Na Copa de 1958, teve o seu auge: 13 gols no torneio, um recorde que ninguém mais conseguiu nem chegar perto.

Kopa e Fontaine eram craques franceses que brilharam no maior momento da história do Reims. Ao final daquela temporada 1961/62, Just Fontaine se aposentou. Na temporada seguinte, 1962/63, o técnico Albert Batteux, que ficou 13 anos no cargo, saiu. Foram cinco títulos franceses com ele no comando, além de uma Copa da França e dois vice-campeonatos europeus. O Monaco foi o campeão, o Reims o segundo colocado.

A decadência foi rápida. Na temporada seguinte, 1963/64, o Reims terminou em 17º e acabou rebaixado. O rebaixamento fez com que muitos jogadores acabassem deixando o clube, assim como muitos funcionários. O período glorioso do time parecia ter terminado muito rapidamente.

Deste então, o Reims se tornou um time que sofre para estar na primeira divisão. Voltou em 1966/67, depois de dois anos na segunda divisão, mas foi imediatamente rebaixado como 19º. Em 1970, o clube voltou à primeira divisão e ficou nove anos consecutivos na primeira divisão. Em 1979, porém, o Reims foi rebaixado e ficou 33 anos sem jogar a Ligue 1.

As coisas pioraram para o Reims em 1991, quando o clube estava afogado em dívidas e acabou rebaixado à terceira divisão por isso. A temporada foi turbulenta, com o clube sendo impedido de jogar a última rodada daquela temporada em 1991/92. O clube precisou ser refundado em 1992 com o nome Stade de Teims Champagne. Foi só em 1999 que o clube retomou o seu nome original, Stade de Reims, e três anos depois, o time conseguiu voltar ao profissionalismo e chegou à Ligue 2.

O time só voltou à Ligue 1 depois de uma boa campanha na Ligue 2 em 2011/12, encerrando uma ausência de 33 anos na divisão principal do futebol francês. Foram quatro anos na primeira divisão, até que o time foi rebaixado em 2016. Em 2018, o clube novamente conquistou o acesso de volta à Ligue 1 com o título de campeão da Ligue 2. Na temporada 2018/19, o clube conseguiu um importante oitavo lugar. Enfim, em 2019/20, o sexto lugar acaba devolvendo o clube às competições europeias.

“Assim como a subida à Ligue 1 em 2012, 33 anos depois de deixar a elite do futebol francês, foi um forte marco na reconstrução do clube, esse retorno ao cenário continental marca a renovação do clube. O Stade de Reims se reconecta à sua história”, afirmou o presidente do clube, Jean-Pierre Caillot, no site do clube.

“Estou particularmente emocionado e feliz por todas as pessoas de Reims esta noite [sexta]. Esta qualificação valida primeiro uma temporada de alto nível 2019/20, com este belo sexto lugar obtido através de grandes vitórias, em particular no Parc des Princes, no Vélodrome ou mesmo em Rennes e contra o Lille”, continuou o dirigente.

“Ela também revela que o trabalho realizado no clube por vários anos está dando frutos com o desenvolvimento gradual. Hoje, através de nossas estruturas e operações, estamos prontos para competir em uma competição europeia nesta temporada, que marca o 90º aniversário do clube. A propósito, é uma data simbólica, uma bela ocasião. Obviamente, não será fácil passar pelos obstáculos, mas faremos tudo para homenagear o futebol francês e a história européia do Stade de Reims”, continuou Caillot.

A trajetória deve ser complicada, porque as fases preliminares da Liga Europa são perigosas. O Reims precisará passar por três fases preliminares antes de chegar à fase de grupos da Liga Europa. Para um clube que viveu tantos momentos de baixa nos últimos 57 anos, já motivo mais do que suficiente para comemoração.