City atravessou uma noite para aplaudir o passado, mas também olhar ao seu futuro

No adeus de Pablo Zabaleta do Estádio Etihad, Manchester City venceu com bom futebol e outra atuação de destaque de Gabriel Jesus

A temporada do Manchester City vai ficar abaixo do esperado, isto é fato. Nem tanto por não conquistar o título, mas por passar longe de brigar com o Chelsea pela taça. De qualquer maneira, os Citizens tiram um peso das costas ao se aproximarem da classificação à Liga dos Campeões. Nesta terça, o time de Pep Guardiola encerrou sua participação em casa na temporada, em uma atuação leve. Os anfitriões bateram o West Bromwich por 3 a 1, em noite que traz algumas indicações e outras certezas sobre o que virá nos próximos meses. Sobretudo, pelo emotivo adeus a Pablo Zabaleta, se despedindo do clube após nove anos.

Guardiola surpreendeu ao escalar Sergio Agüero e Gabriel Jesus no 11 inicial. Os dois atacantes, porém, não dividiriam entre si a linha de frente. O argentino entrou como homem de referência, enquanto o brasileiro permaneceu aberto pela direita. Combinação que logo daria certo, diante da exibição dominante do City. Aos 27 minutos, Jesus abriu o placar em excelente jogada coletiva de sua equipe. Agüero deu um passe de letra na construção, antes que Kevin de Bruyne cruzasse. Na pequena área, o camisa 33 só escorou. Dois minutos depois, o garoto retribuiria a gentileza, ajeitando uma bola para De Bruyne ampliar, em belo chute de primeira. Além dos nomes mencionados, Leroy Sané era outro que se saía muito bem, voando pela esquerda.

O Manchester City jogava com certa facilidade, transitando muito bem a bola em seu campo ofensivo. O goleiro Ben Foster cresceu em vários momentos, evitando que a goleada tomasse forma. Mas nada pôde fazer no início do segundo tempo, quando os Citizens anotaram o terceiro. Yaya Touré saiu da intermediária, tabelou com Agüero e se projetou para completar às redes. A partida estava nas mãos, e Gabriel Jesus era um dos mais ativos, criando oportunidades de marcar, apesar da boa atuação do arqueiro adversário. Não conseguiu ampliar a contagem. Já aos 42, Hal Robson-Kanu fez o tento de honra do West Brom.

Neste momento, de qualquer maneira, o Estádio Etihad já tinha se voltado ao tributo para Zabaleta. Raro remanescente do período anterior à chegada dos xeiques a Manchester, o argentino desembarcou do Espanyol justamente na véspera da compra pelos catarianos, em 2008. Desde então, se tornou um símbolo da transformação, adorado pela torcida por sua máxima dedicação. Não à toa, várias faixas e cartazes foram levados às arquibancadas. Aplaudido ao sair do banco no segundo tempo, o argentino se emocionou ao discursar no círculo central, após a partida. Recebeu uma camisa enquadrada com o número 333, seu total de partidas, e foi ovacionado ao dar a volta olímpica, enquanto seu filhinho roubava a cena. Reconhecimento bastante merecido.

E a saída de Zabaleta indica um processo de renovação que promete ser intenso no Estádio Etihad. Para tanto, a classificação à próxima edição da Liga dos Campeões é fundamental. Embora a matemática não confirme, o quadro é favorável ao Manchester City. A equipe precisa apenas empatar na última rodada, visitando o Watford. Se perder, só não vai ao torneio continental se Liverpool e Arsenal ganharem, e ainda assim os Gunners tirarem a diferença no saldo de gols. Está fácil. Por isso mesmo, a tranquilidade. E o indicativo que muitas peças do atual elenco já se encaixam. A boa atuação da linha de frente, especialmente pela combinação entre Agüero e Jesus, traz os novos ares dos Citizens.