“A Libertadores começa nos mata-matas”. A máxima, tão válida a alguns clubes sul-americanos, também cai como uma luva ao Grêmio em sua atual empreitada continental. O time que flertou com a eliminação precoce na fase de grupos, afinal, não sofreu grandes riscos durante o reencontro com o Libertad nas oitavas. Os tricolores dominaram os adversários e, depois da vitória por 2 a 0 em Porto Alegre, foram eficazes para ratificar a classificação no Defensores del Chaco. O time de Renato Portaluppi teve consistência na defesa e não perdoou quando as chances surgiram no ataque. Ao final, os gremistas construíram uma confortável vitória por 3 a 0 ainda no primeiro tempo, que eleva o moral rumo às quartas de final. Tal tarimba será importantíssima para encarar o Palmeiras na próxima fase.

Apesar da iniciativa do Libertad, o Grêmio começou a partida com tudo e logo criou chances de gol para esfriar qualquer reação dos anfitriões. E a postura agressiva dos tricolores durante os primeiros minutos logo rendeu o tento inaugural. Everton Cebolinha chutou e a bola desviou no braço de Iván Piris. Pênalti claríssimo, que Jean Pyerre cobrou com muita força, sem deixar que Martín Silva saísse na foto. Aos nove minutos, o placar estava aberto. Naquele momento, os paraguaios passavam a precisar de quatro gols para conseguir reverter o cenário.

O Libertad tentou responder de imediato. Avançou ao ataque e, desta vez com Óscar Cardozo no comando da linha de frente, quase arrancou o empate. Mas o Grêmio também contou com Paulo Victor, em noite inspirada. O arqueiro operou uma defesaça após cabeçada do veterano, mantendo o controle da situação aos tricolores. Quando recuperava a bola, o time trabalhava a posse e gastava o tempo. Além disso, chamava atenção o vento fortíssimo no Defensores del Chaco, com rajadas que não davam trégua e jogavam contra a meta gremista.

Em busca de um respiro, o Libertad confiava principalmente nas jogadas pelos lados do campo e nas bolas alçadas na área, mas Paulo Victor estava muito atento para proteger sua meta. Os gremistas esperavam o momento certo para contragolpear. E, assim, quando surgiu uma brecha, o segundo gol já saiu aos 19 minutos. A partir de um avanço rápido, Everton avançou para cima da defesa e terminou travado por Piris. A bola sobrou com André, que chutou de fora da área e venceu Martín Silva com o arremate rasteiro.

Era uma aula de precisão do Grêmio. E o time também sabia administrar a situação, mais recuado, evitando o abafa do Libertad. Os paraguaios só voltaram a ameaçar pouco antes do intervalo. Novamente, esbarraram em Paulo Victor, disposto a realizar milagres. Fez outra grande intervenção após a cabeçada de Adrián Martínez e negou o tento de Cardozo, em bomba de primeira. Por fim, a confirmação da classificação se deu nos acréscimos. André, vaiado na partida de ida, anotou o seu segundo gol aos 46. Em uma bola que repicou e sobrou na área, o centroavante foi oportunista para driblar Martín Silva e bater cruzado à meta vazia.

O Libertad sequer conseguiu salvar a sua honra. Obviamente, não marcaria seis gols durante o segundo tempo. Mas deu sinais de descontrole e viu até mesmo seus jogadores se desentenderem em campo. Não era a sua noite. Sem se esforçar tanto para reduzir o desastre, os paraguaios esbarraram na segurança da defesa do Grêmio. A solidez do setor no segundo tempo também foi um dos pontos fortes dos tricolores, que passaram a poupar jogadores importantes, com as substituições de Maicon e Everton.

Já na frente, apesar de uma chegada ou outra, o Grêmio se contentava em evitar qualquer desgaste e aguardar o apito final. Substituído aos 26 minutos, André experimentou a sua redenção ao receber os aplausos da torcida gremista presente em Assunção. Seria o ponto alto de um final de partida pouco movimentado. Apesar disso, quase o quarto gol saiu, em chute de Jean Pyerre que Martín Silva salvou com boa defesa. Poderia ser o carimbo definitivo à atuação dominante do Grêmio, mas não fez falta.

O Grêmio sai confiante das oitavas de final da Copa Libertadores. Apesar da segunda colocação do grupo, ainda era favorito contra o Libertad. Mesmo assim, parecia difícil imaginar tamanha superioridade diante de um adversário que havia incomodado na fase anterior. Depois da atuação em que o time evitou os perigos em Porto Alegre, o Tricolor deu uma lição na maneira de gerir a vantagem no placar. A experiência do elenco e os próprios triunfos recentes na Libertadores contam bastante para conhecer estes atalhos. Será a principal virtude para encarar o Palmeiras, em embate bem mais duro nas quartas de final.