A tentação, ao analisar os candidatos ao título da Libertadores, é restringi-los a equipes brasileiras, mais próximas de nós, e argentinas, que sempre contam com o nosso respeito. Ignorando que, embora quatro dos últimos cinco campeões tenham sido times desses dois países, cinco dos últimos dez finalistas não são: Olimpia (Paraguai), Nacional (Paraguai), Tigres (México), Independiente Del Valle (Equador) e Atlético Nacional (Colômbia), o campeão intruso.

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Nem sempre muito respeitados, os campeonatos dos países menos badalados da América do Sul são capazes de produzir equipes que incomodam e chegam longe na Libertadores, eliminando grandes favoritos ao longo do caminho. Na semana do início da fase de grupos, destacamos cinco dessas equipes que podem fazer algum barulho na atual edição do principal torneio sul-americano.

Colo-Colo

Carlos Carmona, defendendo a seleção chilena (Foto: Getty Images)

Campeão de 1991 e único clube chileno a conquistar a Libertadores, o Colo-Colo aposta na experiência para chegar longe na competição sul-americana. Tem muitas figurinhas carimbadas em seu elenco, começando pelo goleiro Agustín Orion, ex-Boca Juniors. Esteban Paredes e Jaime Valdés, ambos com 37 anos, foram os artilheiros da equipe, com seis gols cada, na campanha do título da última edição do Campeonato Chileno, o Torneio Transição de 2017. As principais contratações deste ano seguiram o mesmo perfil. Vieram o zagueiro Juan Manuel Insaurralde, 33 anos, do Boca Juniors, e Carlos Carmona, 31, que estava no Atlanta United e disputou duas Copas do Mundo pela seleção chilena. E, claro, o meio-campo é orquestrado pelo mago Jorge Valdivia, 34, ex-jogador do Palmeiras. Outro conhecido da torcida brasileira é Gonzalo Fierro de passagem pelo Flamengo.

O Colo-Colo, porém, começou 2018 com tropeços. Ganhou apertado de Antofagasta e Audax Italiano, perdeu do Palestino e apenas empatou com o O’Higgins. Está em sexto lugar no Chileno. A sorte foi ter caído em um grupo que permite alguns vacilos. Deve brigar com o Atlético Nacional pelas primeiras posições da chave que também tem o Bolívar e o Delfín, do Equador. Se fizer direitinho o seu trabalho, classifica-se às oitavas de final e, então, quem sabe até onde pode chegar?

Junior de Barranquilla

Teo Gutiérrez, do Junior de Barranquilla (Foto: Getty Images)

O segundo semestre do ano passado embala o Junior de Barranquilla nesta Libertadores. O clube colombiano disputou três títulos naquele período. Levantou o caneco da Copa da Colômbia, batendo o Independiente Medellín na decisão, e parou nas quartas de final do Finalización, do Campeonato Colombiano, depois de liderar a primeira fase. Perdeu nos pênaltis para o América de Cali. Houve outra interessante campanha para dar experiência continental à equipe. Eliminado na terceira fase da Libertadores, o Junior foi empurrado para a Copa Sul-Americana e chegou às semifinais, superando Deportivo Cali, Cerro Porteño e Sport. Foi derrotado pelo Flamengo.

Sebastian Vieira defende as metas da equipe desde 2011, passando segurança para um time que ainda apresenta alguns probleminhas defensivos. O ataque tem o ótimo Yimmi Chará, o experiente Teo Gutiérrez e foi reforçado com a chegada de Jonathan Álvez, que fez boa Libertadores pelo Barcelona de Guayaquil, ano passado. Nesta janela, também chegaram os experientes zagueiros Alberto Rodríguez, do Universitário do Peru, e Luis Carlos Ruiz, campeão da América pelo Atlético Nacional.

Nas fases preliminares da Libertadores, eliminou o Olimpia e o Guaraní, ambos do Paraguai, mas o começo do Colombiano tem sido irregular. Duas vitórias e duas derrotas nas quatro primeiras rodadas. O grupo não dá espaço a erros. Está ao lado de Boca Juniors, Palmeiras e Alianza Lima, uma das chaves mais difíceis da atual edição.

Peñarol

O experiente Maxi Rodríguez, do Peñarol

O Peñarol abriu os cofres no meio do ano passado para trazer três reforços de peso. Acertou com o volante Walter Gargano, que estava no Monterrey, passou por Napoli e Internazionale e conquistou a Copa América de 2011 com a seleção uruguaia. Buscou o atacante Lucas Viatri, ex-Boca Juniors, que estava no Estudiantes. E acrescentou muita experiência ao elenco com o argentino Maxi Rodríguez, aquele de Liverpool e Atlético de Madrid, o do golaço contra o México na Copa do Mundo de 2006 (!). Rodríguez estava desde 2012 no Newell’s Old Boys, clube em que foi revelado.

Apesar de já estar com 37 anos, Maxi Rodríguez atuou em 13 dos 15 jogos do Clausura, marcando seis gols e dando duas assistências. As contratações funcionaram muito bem para o Peñarol, campeão do Clausura, com 14 vitórias em 15 rodadas, e também do Campeonato Uruguaio da última temporada. O elenco ainda conta com Cristian Rodríguez, ex-jogador de Grêmio, Atlético de Madrid e Porto.

O Peñarol começou direitinho o Apertura do Campeonato Uruguaio, com três vitórias e um empate, e caiu em um grupo acessível, mas com algumas armadilhas. Enfrenta o argentino Atlético Tucumán, o Libertad, do Paraguai, e o The Strongest, da Bolívia, o que significa visitar a altitude de La Paz.

Cerro Porteño

O Cerro recuperou-se da eliminação na Copa Sul-Americana e conquistou o Campeonato Paraguaio (Foto: Getty Images)

O Cerro Porteño pulou a Libertadores do ano passado, ao ficar em quinto lugar na tabela agregada do Campeonato Paraguaio, mas a situação melhorou. Sob o comando de Leonel Álvarez, o clube paraguaio conquistou o Clausura de 2017, seu primeiro título em dois anos. Álvarez, no entanto, deixou o comando da equipe no começo de fevereiro, por divergências com a direção. Luis Zubeldía, jovem, mas com a experiência de já ter treinado o Racing e o Alavés, da Espanha, entre outros, assumiu a bronca.

Sem grandes contratações para 2018, um dos motivos que teria levado às rusgas entre Álvarez e diretoria, o Cerro Porteño tem os experientes Álvaro Pereira e Nelson Váldez no seu elenco, além de um ataque com Diego Churín e Alfio Oviedo que combinou para 19 dos 41 gols que o clube marcou na conquista do Clausura. A nova temporada começou devagar, com uma vitória, dois empates e uma derrota.

O grupo não é dos mais difíceis. Enfrenta o Grêmio, atual campeão da Libertadores, mas tem condições de se classificar pelo menos em segundo, à frente do Defensor, do Uruguai, e do caçula Monagas, da Venezuela.

Emelec

Jefferson Montero, do Swansea (Foto: Getty Images)

O principal reforço do Emelec chegou no final de fevereiro. Jefferson Montero, meia-atacante do Swansea, estava emprestado ao Getafe, mas só conseguiu somar 54 minutos ao longo de quatro partidas do Espanhol. Sem espaço, recebeu permissão para retornar ao seu país de origem e se integrar ao atual campeão equatoriano. O Emelec sofreu no primeiro turno do Campeonato Equatoriano, com o terceiro lugar, a nove pontos do campeão Delfín, mas se recuperou muito bem no segundo. Ficou em primeiro lugar e garantiu vaga na decisão. E, na final, mostrou quem manda. Goleou o Delfín, por 6 a 2 no placar agregado, com 4 a 2 em casa e 2 a 0 fora.

Tem um time relativamente jovem para a disputa da Libertadores e sem muitos medalhões. A média de idade é de 26,5 anos. Não perdeu o gás no começo da atual temporada e já emendou duas vitórias no Equatoriano, sobre El Nacional, vice do segundo turno do ano passado, e Macará. Em seu grupo, tentará ser a zebra que complicará a vida de Flamengo ou River Plate. Ainda enfrenta o Santa Fé, da Colômbia, que não passa por um bom momento.

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