Dentre as relações profundas entre atleta e clube, a de Tevez e Boca Juniors certamente está entre as mais evidentes dos últimos anos no futebol mundial. O atacante nunca deixou de falar de seu amor pela equipe que o revelou e também jamais escondeu a vontade de retornar à Bombonera. Temporada após temporada levantava essa possibilidade, que, em seu caso, diferentemente do de tantos outros jogadores, parecia mesmo iminente. Agora, ao fim de grande campanha com a Juventus e vivendo o auge de sua carreira na Europa, Carlitos enfim entrou em acordo para voltar a vestir as cores azul e amarela, após quase 11 anos desde a sua partida.

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A vontade enorme de ver Tevez com a camisa do Boca obviamente não era só do próprio jogador. Ao ouvir suas declarações de que sentia falta do clube, da cidade, do Forte Apache, bairro em que o atleta cresceu, a torcida se enchia de esperança pelo retorno do craque e, vendo o que era capaz de fazer em grandes ligas europeias, imaginava o impacto que um Carlitos desenvolvido e amadurecido poderia causar no futebol argentino. Mais do que isso, as memórias de grandes atuações e campanhas pelo Boca nos três anos que passou como profissional na equipe também aumentavam esse anseio por sua volta.

Aos 31 anos, bem fisicamente, Tevez tem todas as condições para criar novas grandes memórias, mas, à espera de seu retorno ao campo em que primeiro se consagrou, vale a pena relembrar o que também já fez pelo time da Bombonera. Por isso, selecionamos cinco momentos de brilho de Carlitos com a camisa do Boca, que valeram título ou pelo menos garantiram lugar de destaque ao time nas competições que disputou. Tudo isso conquistado com apenas 20 anos de idade.

Libertadores de 2003

Em 2001, com apenas 17 anos, Tevez estreou pelo Boca Juniors. A precocidade da primeira chance no time profissional demonstrava a confiança que o clube tinha em seu potencial, mas Carlitos levaria algum tempo para de fato se estabelecer na equipe. Foi apenas na segunda metade de 2002 que se tornou titular do time, em um prelúdio, uma preparação, daquele que seria seu maior momento pelos Xeneizes. No primeiro semestre de 2003, Tevez foi o maior destaque de um time fortíssimo, digno da mística que cercou o clube argentino na Libertadores nos anos 1990 e 2000. Com apenas 19 anos, foi um dos melhores atleta do torneio, balançou a rede cinco vezes, duas delas em uma das semifinais contra o América de Cali e outra em grande atuação no Morumbi, na final contra o Santos, demonstrando a aptidão que tão cedo mostrava para decisões.

Apertura de 2003

Dando sequência ao bom primeiro semestre em 2003, Tevez foi mais uma vez um dos destaques do Boca Juniors em uma conquista. No Torneo Apertura de 2003, Carlitos pode não ter brilhado de maneira tão intensa na reta final, que definiu o título, como foi na Libertadores daquele mesmo ano, mas seus oito gols, que o colocaram como artilheiro do time na competição, certamente foram de grande ajuda na campanha claudicante, mas vitoriosa, do time da Bombonera. O gol do título, na última rodada, contra o concorrente ao título, o San Lorenzo, foi de Iarley, que surpreendera os Xeneizes na Libertadores e acabara contratado, mas o maior destaque foi mesmo Tevez, com golaços e muita garra, como no gol acima, contra o Estudiantes.

Troféu Joan Gamper de 2003

Presente em qualquer bom vídeo de gols de Tevez pelo Boca Juniors, a pintura do craque contra o Barcelona, em pleno Camp Nou, aos 19 anos, foi seu cartão de visita à Europa, onde começaria a brilhar apenas três anos depois. O confronto contra os catalães, pelo tradicional Troféu Joan Gamper, que abre as temporadas do Barcelona, garantiu o empate por 1 a 1 ao Boca, em uma época quando o tradicional jogo não representava apenas uma exibição tranquila do Barça. Os Xeneizes foram chamados para o jogo credenciados com o título da Libertadores, e Tevez, a estrela que começava a brilhar, correspondeu às expectativas de seus torcedores.

Semifinal da Libertadores de 2004

A Libertadores de 2004 terminou com a surpresa desagradável para o Boca Juniors de derrota na decisão, contra o surpreendente Once Caldas, que eliminara Santos e São Paulo nas fases anteriores, mas foi também na competição em que Tevez viveu um de seus momentos mais emblemáticos e reprisados com a camisa dos Xeneizes. Na semifinal do torneio, o time teve pela frente o arquirrival River Plate. Após vencer a partida de ida por 1 a 0 na Bombonera, o Boca ia perdendo a volta por 1 a 0 até que Tevez igualou tudo aos 44 do segundo tempo. Apenas quatro minutos depois, os Millonarios buscaram a virada, que levou o jogo para os pênaltis, mas o tento de Carlitos, com direito á comemoração de provocação em alusão a uma galinha, acabou sendo a grande recordação daquele duelo, já que os Xeneizes conseguiram o triunfo nas cobranças de pênalti.

Copa Sul-Americana de 2004

Criada em 2002, a Copa Sul-Americana lutou para se estabelecer em seus primeiros anos. Um dos métodos para agregar valor à competição encontrados pela Conmebol foi convidar times fortes do continente, como foi o caso do Boca Juniors em 2004. Mesmo sem o peso que tem hoje, o torneio foi levado a sério pelo Boca, e foi essa a última conquista de Carlitos pelo clube, antes de deixar a Argentina e assinar com o Corinthians. Após eliminar o Internacional na semifinal, os Xeneizes tiveram na decisão o Bolívar como adversário. Após perderem o jogo de ida na Bolívia por 1 a 0, os argentinos deram a volta por cima no segundo jogo, na Bombonera, e o gol de Tevez ainda no primeiro tempo é que garantiu a taça aos boquenses.