Pausa para a data Fifa. A segunda da temporada europeia. Hora de respirar e pensar em ajustes para a próxima sequência de jogos, treinar quem não se apresentou a suas seleções e, para nós jornalistas, fazer alguns balanços. As principais ligas do continente ainda estão no começo: oito rodadas na Inglaterra, na Itália e na Espanha, nove na França e sete na Alemanha, que tem um campeonato menor. Ainda assim, é quase um quarto do previsto e algumas equipes surpreendem, como mostramos a seguir.

Parma

Laureado com o vice-campeonato da segunda divisão italiana, o Parma retornou à elite italiana três anos depois da falência que o obrigou a recomeçar nos primeiros degraus da pirâmide. A expectativa, óbvia, era simplesmente manter-se na Serie A e até que o clube está conseguindo ir um pouco além: após oito rodadas, está em nono lugar e já colecionou algumas boas vitórias.

A arrancada é recente porque o Parma reiniciou sua vida na elite italiana com um empate e duas derrotas, uma delas para a Juventus. A primeira vitória saiu contra a Internazionale, por 1 a 0. Em seguida, bateu o Cagliari, o Empoli e o Genoa, com apenas uma derrota para o Napoli nesse período para estragar a sequência.

O 4-3-3 do técnico Roberto D’Aversa claramente favorece o contra-ataque porque a equipe tem a pior posse de bola da Serie A. Fica apenas 39,3% do tempo com a pelota no pé. Nesse cenário, não surpreende que esquema tenha ficado mais perigoso com a entrada de Gervinho pelas pontas. O veterano estreou como titular do Parma contra a Juventus e deixou a sua marca. Anotou também contra Cagliari e Empoli.

Time base: Luigi Sepe; Simone Iacoponi, Ricardo Gagliolo, Bruno Alves e Massimo Gobbi; Leo Stulac, Antonino Barillà e Luca Rigoni; Antonio Di Gaudio, Gervinho e Roberto Inglese (Fabio Ceravolo).

Lille

O Lille é vice-líder do Campeonato Francês

O Lille recebeu uma baciada de reforços, a pedido de Marcelo Bielsa. Entre eles, os brasileiros Thiago Maia, Luis Araújo e Thiago Mendes. Dizer que não deu certo é superestimar a passagem do argentino pelo clube, abruptamente encerrada após 13 rodadas, com apenas três vitórias. A diretoria deixou Bielsa suspenso por aproximadamente um mês antes de encerrar o seu contrato e anunciar o sucessor, Christophe Galtier, ex-técnico do Saint-Étienne, com o qual conquistou a Copa da Liga de 2012/13, temporada em que foi eleito o treinador do ano, empatado com Carlo Ancelotti. Chegou a haver uma sequência de 11 rodadas sem triunfos entre fevereiro e abril, mas, de alguma forma, Galtier evitou o rebaixamento do Lille, por um ponto.

Pouco foi investido para esta temporada. Os principais reforços foram Loic Rémy, do Las Palmas, e José Fonte, da seleção portuguesa, que estava na China. E, agora, é o time que persegue o Paris Saint-Germain. De longe: são 19 pontos contra 27, após nove rodadas, com seis vitórias, um empate e duas derrotas. Contra os principais times do pais com os quais já se encontrou, segurou o 0 a 0 com o Monaco, que atualmente não parece grande coisa devido à fase do clube do Principado, mas também ganhou do Olympique Marseille e do Saint-Étienne.

Galtier adota um 4-2-3-1 que gosta da bola, sendo o terceiro time da liga com mais posse, 52,6%, e finaliza bastante: média de 14,6 por partida, a segunda do campeonato. Isso produz o segundo melhor ataque, curiosamente sem um grande goleador. Os três centroavantes, Rémy, Rui Fonte e Lebo Mothiba, estão se revezando como camisa 9 porque nenhum deles tem feito gols. Apenas Mothiba já colocou uma bola na rede – e foi apenas uma mesmo.

Quem tem tomado conta disso são os pontas. Jonathan Bamba é o artilheiro da equipe, com sete gols. Somente Kylian Mbappé e Neymar, com oito, marcaram mais vezes nesta temporada da Ligue 1. Nicolas Pépé aparece logo na sequência.

Time base: Mike Maignan; Zeki Celik, José Fonte, Adam Soumaoro e Fodé Ballo-Touré; Xeka, Thiago Mendes, Jonathan Ikoné, Jonatham Bamba e Nicolas Pépé; Loic Rémy (Rui Fonte ou Lebo Mothiba).

Alavés

O Alavés derrotou o Real Madrid (Foto: Getty Images)

Sob o comando de Mauricio Pellegrino, o Alavés terminou a temporada 2016/17 em alta, no meio da tabela de La Liga, e na final da Copa do Rei. A derrota por 3 a 1 para o Barcelona na decisão foi dolorida, mas não surpreendente. Os resultados indicavam que havia uma base sobre a qual construir. Mas tudo desmoronou. Pellegrino pediu demissão e foi para o Southampton, e Luis Zubeldia, seu sucessor, durou apenas quatro rodadas, com quatro derrotas e nenhum gol marcado. O italiano Giovanni de Biasi assumiu o cargo e resistiu mais: sete partidas, com cinco derrotas e duas vitórias.

O ex-jogador do Barcelona, Abelardo Fernández, deu início à reação, no começo de dezembro, tirando o time do chão da tabela, com vitórias contra Girona, Las Palmas, Málaga e Sevilla, em seus seis primeiros duelos. A arrancada que evitou o rebaixamento começou em abril, com cinco vitórias em sete rodadas e um fim de La Liga confortável – no final das contas, ficou 18 pontos acima da zona de rebaixamento.

E até agora tem ido muito bem. Perdeu a estreia para o Barcelona, por 3 a 0, segurou o Bétis e emendou vitórias contra Espanyol, Valladolid e Rayo Vallecano. Ficou apenas no empate contra o Getafe e perdeu do Levante, mas recuperou os pontos perdidos ganhando do Real Madrid, com um gol nos acréscimos do segundo tempo. O 4-2-3-1 da primeira rodada virou um 4-4-2 clássico, com dois atacantes.

É um time reativo. Tem apenas o segundo índice de posse de bola de La Liga, 42,2%, melhor apenas que o do Leganés. Desarma muito, 17 vezes por partida, quinta maior média, e chuta pouco, 10,5 por duelo, quarta menor taxa do campeonato. Com 11 gols marcados, não tem um ataque nem muito e nem pouco produtivo. Com oito sofridos, a defesa é firme, mas nada espetacular. No entanto, tem funcionado.

Time base: Fernando Pacheco; Martin Aguirregabiria, Victor Laguardia, Ximo Navarro (Guillermo Maripán) e Rubén Duarte; Manu García, Mubarak Wakaso, Jony e Ibai Gómez; Rubén Sobrino (John Guidetti) e Borja Bastón (Jonathan Calleri).

Werder Bremen

O Werder Bremen de Klaassen começou bem a temporada

O Werder Bremen não fez exatamente um grande Campeonato Alemão na última temporada, terminando apenas na 11ª posição, às vezes perto demais do rebaixamento. O jovem Florian Kohfeldt assumiu as rédeas, depois da saída de Alexander Nouri, em outubro do ano passado, e continua até agora. Tenta aplicar um futebol ofensivo e de posse de bola – tem o quinto índice da liga, com 53% de média.

O mercado apresentou alguns reforços interessantes, como Davy Klaassen, uma contratação frustrada do Everton, Nuri Sahin e o retorno de Claudio Pizarro. Após sete rodadas, é um dos quatro vice-líderes da Bundesliga, empatado em 14 pontos com Borussia Monchengladbach, RB Leipzig e Hertha Berlim, à frente do Bayern de Munique, e atrás apenas do líder Borussia Dortmund, com 17.

Klaasen tem recuperado a boa forma como meia-central do 4-3-3, esquema mais utilizado neste começo de Bundesliga, embora Kohfeldt tenha também usado o 3-5-2 e o 4-4-2 uma vez cada.

O Werder Bremen viu apenas uma derrota até agora, para o Stuttgart, na penúltima rodada, e já bateu o Eintracht Frankfurt, finalista da última Copa da Alemanha, Augsburg, Hertha Berlim, outro bom time da temporada, e Wolfsburg. Empatou com o Hannover e o Nuremberg.

Time-base: Jiri Pavlenka; Gebre Selassie, Niklas Moisander, Milos Veljkovic e Ludwig Augustinsson; Philipp Bargfrede, Maximilian Eggestein e Davy Klaasen; Florian Kainz, Yuya Osako e Max Kruse.

Bournemouth 

O último jogo do Bournemouth foi uma goleada sobre o Watford (Foto: Getty Images)

O Bournemouth não chega a ser uma surpresa para quem acompanha a Premier League. Está na sua quarta temporada consecutiva na elite e vem de duas boas campanhas, entre o meio da tabela e a metade superior. No comando, está Eddie Howe, o técnico mais longevo de um time do Campeonato Inglês ao lado de Sean Dyche, do Burnley, um jovem que, mesmo com poucos recursos, insiste em um estilo ofensivo e alegre.

Tem dado resultados. É o quarto ataque, após oito rodadas, inferior apenas aos de Chelsea, Arsenal e Manchester City e melhor até que o do Liverpool, que na temporada passada foi um dos times mais ofensivos da Europa. A defesa segue frágil, tendo tomado 12 gols até aqui e caminhando para manter a média incômoda de ser vazada 65 vezes por edição disputada da Premier League.

São apenas duas derrotas, uma normal para o Chelsea, outra exagerada para o Burnley, por 4 a 0. Por outro lado, ganhou cinco vezes, inclusive do West Ham, fora de casa, do Leicester, que aparece próximo na tabela, e goleou o Watford, por 4 a 0, na última rodada, outra boa surpresa do Campeonato Inglês. Auxiliado, obviamente, pela expulsão de Chrisitan Kabasele ainda no primeiro tempo.

É o sexto colocado, com 16 pontos, praticamente o líder do restante da tabela, considerando a má fase do Manchester United, a apenas dois pontos de Arsenal e Tottenham, e a quatro dos líderes Manchester City, Liverpool e Chelsea. Joshua King é o artilheiro do time na Premier League, com quatro gols.

Time base: Asmir Begovic; Adam Smith, Steve Cook, Nathan Aké e Diego Rico (Charlie Daniels); Jefferson Lerma, Dan Gosling (Lewis Cook), Ryan Fraser e David Brooks; Joshua King e Callum Wilson.