Sem centroavante, rápido no contra-ataque, forte (literalmente) no meio-campo e consciente das suas limitações. Essas foram as principais características do primeiro time do Milan que Filippo Inzaghi treinou no Campeonato Italiano. E pelo menos na estreia do ex-atacante como treinador, a estratégia deu muito certo e a Lazio foi derrotada em casa por 3 a 1, com alguns sustos.

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A cachoeira de dinheiro que escorria pelos bolsos de Berlusconi foi interrompida. O investimento, que já tinha sido baixo na temporada anterior, foi quase nulo na atual. Apenas negócios de ocasião, acertando empréstimos e aproveitando contratos que chegavam ao fim. Casos de López, Ménez, Torres, Armero e Alex, por exemplo, os principais nomes que Inzaghi acrescentou ao elenco que deixou o Milan fora de competições europeias pela primeira vez em 16 anos e perdeu Robinho, Kaká e Balotelli.

Nesse contexto, seria muito pouco inteligente achar que há qualquer possibilidade de jogar com a bola nos pés, envolver o adversário com passes curtos e inteligentes e marcar uma baciada de gols por partida. Inzaghi parece muito consciente das limitações do que tem na mão e como lidar com elas. Armou, nessa estreia contra a Lazio, uma equipe que defende bem (melhor que a de Seedorf, pelo menos), tem um meio-campo forte, com De Jong e Muntari, embora pouco criativo, e um ataque que corre por vocação, sem centroavante, e sempre em busca do contra-ataque.

E quem se destacou como o principal conduzidor de bola vestido de preto e vermelho foi El Shaarawy, a boa notícia da tarde para a torcida do Milan. Na temporada passada, o veloz atacante passou por uma séria lesão e jogou apenas seis partidas do Campeonato Italiano. Contra a Lazio, pareceu de volta à boa forma, como no lance do primeiro gol, quando deixou a marcação comendo poeira pela esquerda e fez o cruzamento para Honda completar. Os três gols do time da casa, que atuou sob os olhares vigilantes de ídolos como Paolo Maldini e Andriy Shevchenko nas tribunas de honra, saíram pelos lados do campo. No segundo, Abate fez jogada de linha de fundo e cruzou para Muntari, e no terceiro, Ménez entrou em diagonal driblando e foi derrubado dentro da área. Ele mesmo converteu o pênalti.

Mas o fantasma de uma temporada medíocre ainda não foi expulso de San Siro. Com 3 a 0 de vantagem, o Milan não precisava ter corrido tantos riscos. Deveria conseguir manter a bola no ataque e preservar Diego López, que começou bem a sua caminhada no futebol italiano. Não pode fazer nada para evitar o gol contra de Alex, que imprudentemente tentou cortar uma bola de carrinho dentro da área, mas frustrou Candreva duas vezes. Em um chute à queima-roupa no canto e no pênalti que defendeu nos acréscimos.

Não fosse o goleiro espanhol, a partida poderia ter tomado outros rumos, mas vencer sofrendo faz parte do processo de transição e renovação. Apenas a presença de López, depois de anos de insegurança debaixo da trave,  já aponta uma direção mais otimista para o torcedor vermelho e preto. Nessa estratégia de reagir ao que o adversário propõe, ter um bom goleiro é essencial. Assim como a humildade de perceber que a realidade do Milan ainda está muito distante da sua história.

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