Não é por falta de estrutura em sua preparação que as seleções de Portugal, em todas as categorias, deixarão de fazer bonito a partir de agora nas competições que disputarem. Na semana passada, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) inaugurou a prometida Cidade do Futebol, um complexo que mistura centro de treinamentos com sede administrativa e que, se bem utilizado, pode fazer muito bem ao esporte do país.

LEIA MAIS: Cruyff foi gandula de Eusébio e sonho de consumo do Porto para rivalizar com o Benfica

A Cidade do Futebol vinha sendo construída há dois anos e está localizada num lugar especial de Lisboa: bem ao lado do Estádio Nacional (ou Estádio do Jamor). Há até uma ligação subterrânea entre os dois espaços, o que pode fazer do histórico estádio também uma casa das equipes nacionais.

O novo espaço foi inaugurado pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, numa cerimônia que contou com importantes lideranças do futebol português (claro que os presidentes de Benfica e Sporting nem se cumprimentaram, como de costume), numa pomposa cerimônia, à altura do que o local pode representar.

O prédio construído em forma de T passa a abrigar a sede da FPF e uma série de setores logísticos e administrativos. Há desde dois restaurantes e 11 vestiários até um centro de imprensa, passando pela luxuosa sala do técnico da seleção principal, auditório, centro médico, academia, setor de fisioterapia e salas para setores específicos da FPF, como jurídico, marketing, arbitragem e recursos humanos, entre outros.

Na parte esportiva, são três campos e meio – este último dedicado somente ao treinamento dos goleiros. O campo que será utilizado pela seleção principal foi projetado numa elevação do terreno, o que permite que seus treinamentos não possam ser observados por quem estiver nos demais setores da Cidade do Futebol. A ideia é que o time possa ter privacidade para trabalhar, mesmo estando num espaço aberto. Este mesmo gramado conta com refletores e arquibancada para 300 pessoas.

Chama a atenção, porém, o fato de a obra, mesmo suntuosa, não contar com alojamentos para os jogadores. Segundo a FPF, isso foi feito propositadamente, já que há diversos hotéis nas redondezas e a entidade diz ter o objetivo de fomentar a economia da região.

Embora tenha recebido o terreno de 70,5 mil metros quadrados como doação do governo, a Federação Portuguesa se orgulha de não ter gasto dinheiro público na obra. Dos € 15 milhões investidos, € 6 milhões vieram da Uefa, € 1 milhão da Fifa e o resto foi arrecadado pela própria entidade, que pretende economizar um bom dinheiro a partir de agora com a centralização dos trabalhos num local próprio (a quantia ainda não foi estimada).

É claro que só estrutura não ganha jogo e que de nada adianta ter um belíssimo espaço para o desenvolvimento de suas seleções se outros fatores não forem bem trabalhados. Mas, ao menos nesse quesito, Portugal já pode se colocar num patamar elevado.