Este colunista, há uns 11 anos, foi desafiado por sua prima para jogar FIFA International Soccer, de Super Nintendo. Ela nunca tinha jogado, e, para “pegar leve”, o que vos escreve selecionou uma seleção mediana (que no momento não vem à mente qual) enquanto a parente escolheu, como de se imaginar, o Brasil. Envergonhado, o escritor desta coluna admite que levou uma sacolada de 6 a 1, e ficou a noite toda tentando entender o que deu errado (ou que deu certo para a guria). Ocorre que aquela versão de FIFA tinha como uma de suas características as possibilidades bem limitadas de utilização dos botões. Ou seja, um paraíso para aqueles que gostam de sair apertando todas as teclas até encontrar as que funcionam, e, aos trancos e barrancos, chegar ao gol.

E o que esse caso tem a ver com o jogo que será aqui relembrado? Muito. Afinal, quem jogou o histórico e jurássico Super Soccer, também de Super Nintendo, sabe bem o que é essa sina, especialmente nas primeiras vezes. As poucas teclas que realmente funcionavam, em um campo bastante pequeno e de relativamente difícil mobilidade, incentivavam ainda mais que se usasse e abusasse do apertão constante dos botões. No fundo, tratava-se de um jogo bastante simples de ser aprendido (ou simplesmente jogado, sem de fato o aprender), com possibilidades imensas de marcar muitos gols, e com uma carga interessante de diversão, sendo realmente um dos games mais legais e até mais bem desenhados de sua época — em suas devidas proporções, quando nem os 16 bits completos do SNES ainda eram amplamente utilizados.

Difícil, mas simples

A série foi lançada, primeiramente, no Japão, em 1991, com o nome de Super Formation Soccer (SFS), chegando no fim daquele ano e no princípio de 1992 no resto do mundo. O jogo que seguia a linha do não menos jurássico Formation Soccer, de 1990, que continha algumas das seleções da Copa do Mundo daquele ano, disputada na Itália, e que fora lançado para o extinto PC Engine. Algumas mudanças para melhor, no entanto, foram feitas no desenvolvimento do game para SNES, como a mudança da visão de jogo do bizarro horizontal para uma na qual a câmera ficava atrás do gol, um pouco acima da trave. Pode parecer pouco, mas em comparação com o “sucessor”, poder agora ver o campo todo era algo bem útil e, por que não, até mais realista.

O jogador não tinha lá muitas opções de jogo: ou realizava um amistoso (que também poderia ser uma disputa de pênaltis), com uma das 16 equipes disponíveis, ou participava de um torneio (muito semelhante ao Endurance de Ronaldo V-Football) onde se deve superar todos os times existentes no game para, em seguida, encarar a equipe especial da Nintendo. Em caso de vitória, ganha-se acesso uma senha para aumentar o nível de dificuldade dos rivais e jogar tudo de novo. Para os marinheiros de primeira viagem, Alemanha e Argentina são as melhores pedidas, o que faz sentido direto com o panorama do futebol mundial na época, já que ambas as equipes decidiram a Copa de 90. Já o Brasil era considerado apenas a 4ª força do game, atrás ainda da Itália. (A Bélgica era o “saco de pancadas”, e um bom time para iniciantes treinarem).

Em campo, não se pode ficar muito tempo com a bola no pé, já que o jogador, quando com a posse da pelota, fica muito mais devagar. Até por isso, é extremamente fácil roubar a bola do rival, principalmente porque a marcação de faltas é nula! No entanto, ao mesmo tempo que isso facilita para você se dominar a redonda, também é uma dor de cabeça quando se vê meia dúzia de jogadores adversários com o dobro da velocidade do seu atacante vindo devolver a pancada que foi dada antes, para assumir a posse de bola. Vale o aviso: a máquina gosta muito de apelar para empurrões e jogos de corpo criminosos. E o pior: ganha 90% das vezes. Ainda assim, apesar da relativa dificuldade de se “caminhar” para as redes adversárias, o arremate não era nada complicado, e ter sucesso no chute era bastante comum, devido à fragilidade dos goleiros. Mas cuidado: o seu arqueiro também está mais para o Higuita na Copa de 90, perdendo a bola na defesa, do que para um Gilmar dos Santos Neves…

Sucesso em números

Segundo o site VG Chartz, Super Soccer teve resultados significativos no mercado em sua época. Logo na primeira semana nas lojas, no meio de dezembro de 1991, vendeu quase 65 mil cópias, ficando em segundo lugar na lista dos mais comprados da ocasião, perdendo apenas para Final Fantasy Legend III, de Game Boy, outro que estreava nas prateleiras. Superou, por exemplo, Megaman 4 e Yoshi, que também debutavam, e que são títulos honrosos dentre os lançados naquela época. Em sua quinta semana, em janeiro de 1992, com 28 mil vendas, voltou a figurar no Top Five — ficou em terceiro —, e quase repetiu a dose na sexta semana (quarto lugar), com 25 mil cópias compradas.

Ao todo, nas primeiras dez semanas, foram adquiridas mais de 350 mil versões de Super Soccer ao redor do mundo. Ou quase, já que o VG Chartz aponta, para esse jogo, apenas as vendas ocorridas no Japão (ou seja, de Super Formation Soccer), sem ter dados contabilizados da vendagem do game nos Estados Unidos e Europa. O que também é algo a se destacar, visto que tais números poderiam ser ainda mais significativos. E aproveitando as informações o que o VG Chartz fornece, só para se ter uma ideia, o tradicional International SuperStar Soccer (ISS), lançado entre 1994 e 1995, só foi melhor que Super Soccer nas vendas em apenas duas semanas — a primeira, quando vendeu mais de 100 mil edições, e na nona, quando emplacou 16 mil vendas. É verdade que a série só teria seu boom real na festejada versão Deluxe, mas a superioridade do co-irmão de SNES não deixa de surpreender.

Dá para dizer, sem medo de errar, que Super Soccer cumpriu bem seu papel, e atraiu um número considerável de fãs para o futebol nos games, nicho esse que, à época, estava em expansão e construção. Vale lembrar, por exemplo, que o princípio dos anos 90 viu uma grande quantidade de games futebolísticos serem lançados. E pelo que se nota no desempenho do jogo em comparação a outros de grande sucesso até hoje (por vezes, o game aqui em questão chegou a superar títulos como The Legend of Zelda: A Link to the Past, um dos mais importantes já lançados para Super Nintendo), independentemente de sua versão oriental ou ocidental, está claro que Super Soccer — ou Formation Soccer, como preferirem — se não conseguiu se tornar o mais tradicional dos jogos de futebol do SNES, foi, certamente, um daqueles pioneiros no boom dos games do desporto bretão no mundo virtual.

Continuação

Colocado “no mundo” pela desenvolvedora de games Human Entertainment, Super Soccer e sua versão japonesa, SFS, ganharam outras edições conforme os anos se passaram, embora sem o mesmo “impacto”. Um dos destaques foi em 1994, quando foi lançado Super Formation Soccer – World Cup 94, com as 24 seleções do Mundial dos Estados Unidos, mais o Japão. Na primeira semana de vendas, foram mais de 100 mil cópias vendidas, evidenciando que, mesmo com a eminente chegada de ISS e FIFA, o game ainda tinha sua relevância no cenário do futebol virtual. Arriscou-se, ainda, uma versão com clubes europeus, em 1995. Mas como os jogos não evoluíram muito de 1992 para então, e Konami e EA Sports traziam opções já melhores, o seguimento da série passou batido. Mesmo a versão para Nintendo 64, envolvendo clubes japoneses, não encontrou chances com a forte concorrência de FIFA e ISS 64.

Vendagens

O mundo está gostando menos de futebol? Não é bem assim. Apesar de FIFA e Football Manager, nomes constantes no topo da lista dos mais vendidos no Reino Unido, passarem por dificuldades para se manter no Top 5 do mercado mundial, é importante frisar que estes já estão nessas posições há muito tempo, mesmo com o advento de cada vez mais novos e badalados games, de outros estilos. Não é de estranhar, portanto, jogos musicais, hoje os mais observados pelos fãs, no topo das listas, bem como a liderança inquestionável de The Sims 3 no meio PC, em relação a Football Manager. Além disso, não nos esqueçamos que estamos já próximos, apesar do enorme mistério, do lançamento das novas versões de Pro Evolution Soccer, FIFA e do próprio FM. É hora de aguardar.

Fonte: Gamasutra (obs.: Até o fechamento dessa coluna, não havia sido divulgado o resultado da semana de 1 a 7 de agosto).

Semana 1: 25 a 31 de julho

PlayStation 2 – Reino Unido

1. SingStar: ABBA (SCEE), 2. SingStar: Singalong with Disney (SCEE), 3. FIFA 09 (EA Sports), 4. Grand Theft Auto: San Andreas (Rockstar), 5. SingStar: Queen (SCEE).

PC – Reino Unido

1. The Sims 3 (EA Games), 2. Football Manager 2009 (Sega), 3. Fallout 3 (Bethesda), 4. Civilization IV: Complete (2K Games), 5. ArmA II (505 Games).

Playstation Portable (PSP) – Reino Unido

1. Monster Hunter Freedom Unite (Capcom), 2. FIFA 09 (EA Sports), 3. Tiger Woods PGA Tour 10 (EA Sports), 4. Lego Batman (Warner Bros.), 5. Grand Theft Auto: Liberty City Stories — Platinum Edition (Rockstar).