Toronto atravessou horas intensas em seu cenário esportivo desde a noite de segunda. A cidade canadense foi palco de jogos dos playoffs da NBA e da NHL, com Raptors e Maple Leafs vencendo os seus compromissos. No entanto, também viveria uma experiência inédita no futebol, com o Toronto FC disputando a decisão da Concachampions. Por aquilo que vinha jogando, os anfitriões eram os favoritos para sair em vantagem contra o Chivas Guadalajara. E até mesmo o ambiente parecia ajudar, sob neve no Estádio BMO Field. Só que o sonho ficou mais distante por conta das falhas defensivas e da imprecisão do ataque, que custaram o resultado ao Toronto. Com o triunfo por 2 a 1, o Rebaño Sagrado terá a vantagem do empate no México e poderá reerguer a taça continental após cinco décadas.

Demorou pouquíssimo para que o Toronto tomasse o primeiro golpe em suas ambições. O Chivas Guadalajara abriu o placar aos dois minutos. O brasileiro Auro não marcou direito Rodolfo Pizarro, que teve liberdade para receber o cruzamento de Isaac Brizuela e mandar às redes. Aos 19 minutos, os canadenses chegaram ao empate, graças a uma jogada bem trabalhada. Em lance com a participação de Sebastian Giovinco e Jozy Altidore, Marky Delgado se projetou pela direita e cruzou para Jonathan Osorio mandar às redes.

Na sequência da partida, o Chivas até incomodou, principalmente em bolas alçadas à área. Ainda assim, a virada parecia bem mais possível ao Toronto. Antes do intervalo, Altidore desperdiçou duas chances claras. E a pontaria dos canadenses não melhorou na volta para o segundo tempo, com mais dois lances abertos que os anfitriões não aproveitaram. Acabaram pagando caro aos 27 minutos, quando o Chivas comemorou a vitória. Alan Pulido cobrou uma falta fechada e, diante da indecisão do goleiro Alexander Bono, anotou um belo tento por cobertura.

O resultado é importante ao Chivas em vários sentidos. Leva o jogo para a sua casa, onde conta com uma massa fanática ao seu redor. Pode significar a quebra de um jejum longuíssimo na Concachampions, na qual está distante mesmo de reproduzir o sucesso de outros clubes mexicanos – com apenas um título, e logo nos primórdios do torneio. Além do mais, vale para aliviar a crise sobre o técnico Matías Almeyda. Desde que o Rebaño Sagrado conquistou o Clausura 2017, sequer se classificou aos playoffs nas duas edições seguintes da Liga MX, antepenúltimo colocado na atual campanha e eliminado com duas rodadas de antecedência. Seria a consagração de um elenco jovem, com alguns bons valores.

O Toronto, sem dúvidas, possui qualidade individual para buscar uma virada. Não é qualquer time nas Américas (e contando também o sul do continente) que conta com uma dupla de ataque do calibre de Giovinco e Altidore. Mas a linha de frente precisará demonstrar uma capacidade de definição que não se viu no Canadá durante a terça. Se serve de consolo, a equipe fez bons jogos em suas visitas anteriores ao México, contra Tigres e América, por mais que não tenha vencido. São adversários mais duros que o Chivas. Todavia, ambos jogavam pelo resultado em casa, após a derrota na visita ao BMO Field. Diferença valiosa e que deixa o destino do Chivas em suas próprias mãos.