Os clubes espanhóis foram os principais responsáveis por movimentar o mercado de transferências nesta janela. Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid encabeçam o pódio entre os maiores gastadores. Porém, há uma quarta força de La Liga que merece menção pelos altos investimentos realizados nos últimos meses. O Sevilla passou por mudanças drásticas e aparece em sétimo na lista de maiores investimentos da Europa – à frente de equipes como a Internazionale, o Arsenal e o Bayern de Munique. Novamente conduzidos por Monchi no mercado, os andaluzes desembolsaram €158,75 milhões, quantia próxima à do Manchester United. E concluem a reforma completa de seu ataque neste fechamento com a compra de Chicharito Hernández, um brinquedo “até barato”, por €7,75 milhões.

É certo que o Sevilla perdeu jogadores importantes nesta temporada. A transferência de Wissam Ben Yedder ao Monaco por €40 milhões puxa a fila, assim como Pablo Sarabia deixou uma lacuna a se ocupar ao sair para o Paris Saint-Germain por €18 milhões. E, levando em conta também os atletas sem tanto espaço que se foram, os rojiblancos decidiram reforçar todos os setores para o início do trabalho de Julen Lopetegui. Apesar das vendas, o clube termina com um balanço deficitário na janela, de aproximadamente €60 milhões. O número indica como os andaluzes foram com sede ao pote.

Nenhum dos reforços supera os €25 milhões, seguindo o padrão de observação estabelecido por Monchi desde a última década. O Sevilla preferiu trazer mais em quantidade do que em badalação, observando as ligas vizinhas. E o clube até aproveitou o preço baixo de alguns jogadores. Segundo o site Transfermarkt, se os rojiblancos tivessem pago o valor de mercado relativo a seus novos nomes, teriam desembolsado €63 milhões a mais. Dá para dizer que o plantel se valorizou com as apostas realizadas.

As novidades começam pelo gol, onde o goleiro Bono veio de empréstimo junto ao Girona. Sergio Reguilón também veio emprestado pelo Real Madrid à lateral, enquanto o miolo de zaga ganhou Jules Koundé, destaque do Bordeaux, e o brasileiro Diego Carlos, que vinha de bom trabalho no Nantes. Outro jogador do país é o veterano Fernando Reges, importante durante sua passagem pelo Galatasaray. A cabeça de área também contará com Nemanja Gudelj, trazido de graça do Guangzhou Evergrande. No meio, muito talento com o jovem Óliver Torres, que chegou a baixo custo do Porto, enquanto Joan Jordán veio de bons momentos do Eibar. Rony Lopes e Lucas Ocampos são apostas mais altas às pontas, com histórico relevante no futebol francês. De qualquer maneira, o carro chefe é mesmo o comando do ataque.

O primeiro a acertar sua transferência foi Munas Dabbur, israelense que acumulou gols com a camisa do Red Bull Salzburg. O atacante, que chegou a ser especulado pelo Liverpool, já estava acertado desde o início do ano. Desembarcou por €17 milhões. O Sevilla também conseguiu tirar Luuk de Jong do PSV. O centroavante foi peça fundamental nos últimos anos dos Boeren e o time sentiu sua falta neste início de temporada. Aos 28 anos, possui experiência e faro de gol, embora não tenha se dado bem quando saiu da Holanda. Veio por €12,5 milhões. Por fim, Chicharito completa o novo triunvirato.

Depois de ganhar um impulso com suas aparições decisivas pelo Real Madrid e pelos bons anos com o Bayer Leverkusen, Chicharito se transferiu valorizado ao West Ham, mas não correspondeu. Anotou apenas 15 gols em suas duas primeiras temporadas pela Premier League e, embora tivesse inaugurado sua contagem na atual campanha, preferiu sair. Seu preço é relativamente baixo, especialmente por conta da idade. De volta ao Campeonato Espanhol, tem um estilo que pode o favorecer na liga. E adiciona certo renome ao Ramón Sánchez-Pizjuán, como uma possível referência a esta nova etapa do clube.

“O clube confiou muito em mim e vou tentar dar meu máximo para corresponder a essa confiança. Esse passo em minha carreira é um degrau para seguir crescendo. Vou me adaptar ao que me pedirem. Quanto mais tempo dentro de campo, melhor para mim. Quero imaginar coisas grandes, porque sonhar é grátis. O Sevilla tem que pensar no maior”, declarou, em sua apresentação. Com contrato até 2022, o mexicano aceitou reduzir seu salário para se mudar à Andaluzia. Poderá jogar como homem de referência ou se combinar com um dos outros reforços, Dabbur ou De Jong.

O Sevilla tenta se recolocar entre os classificados à Champions League, seu principal objetivo no Espanhol, assim como poderá sonhar com o hexacampeonato na Liga Europa. O elenco está bem recheado para as duas competições, por mais que exista uma incontornável adaptação a se enfrentar e mesmo a desconfiança quanto a Lopetegui, após sua conturbada passagem pelo Real Madrid. Ao menos o time corresponde neste início de campanha por La Liga, com sete pontos conquistados, se colocando no encalço do Atlético de Madrid na luta pela liderança. O investimento precisa começar a se pagar e não demorou a dar bons sinais, apesar das incertezas.