Frank Lampard sempre comenta que o problema do seu Chelsea é não converter as oportunidades, mas o Liverpool permitiu tantas situações claras no segundo tempo que foi quase impossível não acrescentar mais um gol ao erro crasso de Adrián na etapa inicial e selar a vitória por 2 a 0, em Stamford Bridge, pela quinta rodada da Copa da Inglaterra.

O Liverpool teve um desempenho um pouco melhor antes do intervalo, mas, defensivamente, a segunda metade de partida foi parecida à derrota para o Watford, com o Chelsea vendo dois de seus jogadores pegarem a bola no campo de defesa e levarem até a entrada da área, sem muito incômodo, e acertando duas finalizações no travessão.

Símbolo de como a maré virou para o Liverpool depois da pausa de inverno é que Fabinho, tão sólido como pilar do meio-campo, errou em uma saída de bola perigosa desde que ela começou, e Adrián, reserva confiável quando Alisson se machucou no começo da temporada, engoliu um frangaço em chute forte de Willian, aos 13 minutos, quando o Chelsea abriu o placar.

Os donos da casa já eram os mais perigosos antes disso, com uma cabeçada cruzada de Rüdiger e uma bomba de Barkley de fora da área, que Adrián defendeu meio no susto.

A partir da metade do primeiro tempo, porém, o Liverpool conseguiu mais ou menos emular o ritmo que vinha imprimindo em suas partidas antes da pausa de inverno, e Mané, em jogada individual, exigiu ótima defesa de Kepa. Neco Williams, na sequência, pegou o rebote muito mal e mandou para fora.

O Liverpool veio misto, com Origi pela esquerda e Minamino tentando fazer a função de Roberto Firmino pelo meio, com Curtis Jones e Lallana no meio-campo e Williams na lateral direita. O Chelsea também fez modificações, especialmente na escalação de Billy Gilmour desde o início.

Diante das dificuldades, era de se esperar que Klopp colocasse Salah e Firmino em campo mais cedo depois do intervalo, mas eles entraram somente depois que a vaca já havia ido para o brejo.

O primeiro susto foi uma cobrança de Mason Mount que explodiu no travessão. Dois minutos depois, Ross Barkley, longe de ser o inglês mais rápido do mundo, pegou a bola no campo de defesa e avançou. E continuou avançando. Fabinho não conseguiu encostar e, quando o ex-jogador do Everton chegou à entrada da grande área, a defesa do Liverpool preocupou-se em se alinhar e deu tempo e espaço para que ele chutasse de fora da área, sem chances para Adrián.

Logo depois, Pedro também saiu do campo de defesa, desta vez sem nem o incômodo de ter que observar quem estava em volta porque não havia ninguém em volta e não fez o terceiro somente porque chutou muito mal na hora em que se aproximou da entrada da área. E Giroud, enfim ganhando alguma moral com Lampard, ganhou a dividida com Joe Gomez e, sozinho, na cara do gol, mandou a bola direto ao travessão.

Salah e Firmino àquela altura já haviam entrado em campo, junto com Minamino e Mané em um quarteto de ataque, mas não conseguiram exigir uma defesa de Kepa. Desde a pausa de inverno, o segundo tempo contra o Chelsea foi o quarto período em que o Liverpool não conseguiu uma finalização na direção do gol, e ainda houve outros dois em que acertou apenas um chute.

As dificuldades do Liverpool, porém, não são problema do Chelsea, que caiu muito de rendimento nos últimos meses, vendo a vantagem que tinha em quarto lugar desaparecer, mas se vingou da derrota na Supercopa da Europa e segue na Copa da Inglaterra.

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