Chelsea e Manchester United fizeram um jogo repleto de emoções neste sábado, no primeiro jogo do dia na Premier League. Um empate por 2 a 2 que teve dois momentos muito distintos no jogo, com os dois times em situações de vantagem em cada um deles. Por um lado, vimos o time de Maurizio Sarri fazer o seu jogo e conseguir, durante parte do jogo, dominar o rival; por outro lado, vimos uma reação e futebol que o Manchester United estava devendo há muito tempo.

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Depois de um primeiro tempo dominado pelo Chelsea em Stamford Bridge, tudo indicava que o time de Maurizio Sarri venceria bem o jogo. Marcou 1 a 0 e foi para o intervalo assim. No segundo tempo, o Manchester United virou o jogo para 2 a 1 e passou a ser melhor que o rival, apresentando um futebol que o torcedor sentia falta. A virada veio como fruto de uma postura excelente do time, pressionando o Chelsea no seu campo de defesa. Só que no fim, o Chelsea arrancou o empate pressionando de forma voraz o United e conseguindo um gol na marra.

Só que no primeiro tempo, isso tudo que viria no segundo parecia improvável. A dominação do Chelsea na partida foi imensa. O Manchester United mais assistia ao jogo do que tentava protagoniza-lo, efetivamente. Era o time da casa quem atacava, buscando alternativas de jogo.

Aos 20 minutos, Willian cruzou em escanteio do lado direito, no meio da área. Rüdiger aproveitou uma jogada de bloqueio sobre Pogba, seu marcador, para se desvencilhar dele e subir, livre, para cabecear: 1 a 0 para os Blues. A abertura do placar e a falta de jogo do adversário indicava um jogo que o Chelsea conseguiria manter o controle, até pelo estilo de jogo.

Sabe aquela história de quem não faz, toma? Eu sei, é um clichê, mas, bom, acontece. No início do segundo tempo, o Chelsea voltou como no primeiro e parecia mais perto de marcar o segundo gol do que de sofrer o empate. Eden Hazard, atuando pela esquerda, causava bastante incômodo na marcação do time de Manchester. Só que em poucos minutos, tudo mudou.

Luke Shaw cruzou para a área, Mata finalizou forte, o goleiro defendeu, a bola sobrou para Mata, que cruzou de novo para a área, Young chutou, a bola desviou duas vezes e sobrou para Martial, dentro da área. Ele dominou e fuzilou: 1 a 1 no placar, aos 10 minutos do segundo tempo. O jogo estava novamente empatado depois de minutos em que o United foi muito agressivo no ataque, como ainda não se tinha visto no jogo.

Logo depois, aproveitando o embalo, o Manchester United pressionou desde a saída de bola e depois de a bola espirrar, sobrou para Pogba, de fora da área, tentar um chute bonito, colocado, buscando o ângulo. A bola foi para fora. No breve momento que a torcida do Chelsea se assustou com o que acontecia, os torcedores do United fizeram barulho e se fizeram presentes.

O jogo mudou depois disso. O Manchester United passou a ser outro. O time de José Mourinho passou a agredir o adversário como não tinha sido no primeiro tempo. E aos 27 minutos, um contra-ataque do time vermelho foi mortal. Mata conseguiu se antecipar à cobertura de David Luiz em um lance na lateral direita do campo, avança, toca para Pogba, que abriu na esquerda para Martial, com liberdade. O camisa 11 dominou, fintou a marcação e bateu no canto: 2 a 1.

O jogo parecia nas mãos dos Diabos Vermelhos, porque o Chelsea entrou em um bloqueio criativo. Não conseguia mais dominar o jogo como fazia antes, embora tivesse mais a bola. A cada vez que o Manchester United recuperava a bola, o torcedor prendia a respiração, porque o time era mais perigoso.

Assim como o Manchester United conseguiu mudar o jogo em poucos minutos, o Chelsea conseguiu, na pressão final, mudar o resultado final. A derrota parecia próxima e o time, com dificuldades de envolver o adversário no seu jogo de passes, passou a pressionar em busca de uma falha qualquer na marcação que permitisse o gol. A ponto de Azpilicueta jogar lateral na área, em busca daquele milagre. E ele veio.

Hazard abriu na direita, Azpilicueta cruzou, David Luiz ganhou no alto e tocou forte de cabeça, mas a bola bateu na trave,  voltou Rüdiger pegou o rebote e cabeceou, para defesa monumental de David De Gea, mas na terceira vez não teve jeito: Ross Barkley aproveitou a confusão na pequena área para pegar de primeira e estufar as redes: 2 a 2 em Stamford Bridge. Eram 51 minutos do segundo tempo Empate dramático, para alegria dos torcedores do Chelsea no estádio.

Na comemoração do gol, ainda tivemos um princípio de cenas lamentáveis, mas que não se concretizou. Marco Ianni, um dos assistentes de Maurizio Sarri, comemorou dando um soco no ar, bem em frente a Mourinho, que não viu, ou fez que não viu. Mas Ianni não se deu por satisfeito e foi lá em frente a Mourinho e falou alguma coisa ao português, que agora sim, reagiu ferozmente partindo para cima do italiano, que ficou protegido atrás de um mar de seguranças e stewards. O português ainda foi lá cobrar satisfações mais tarde.

Em campo, houve um princípio de empurra empurra também, mas contido pela turma sempre presente do deixa disso. E aí o árbitro tratou de não enrolar para terminar o jogo e acabar com essa história toda. Com o apito final, Mourinho foi cordialmente até Sarri e o cumprimentou. Eles trocaram algumas palavras com bastante tranquilidade, ao contrário do que aconteceu com Ianni.

Empurra empurra em campo no Chelsea x Manchester United (Foto: Clive Rose/Getty Images)

Mourinho foi até os torcedores do Manchester United, os aplaudindo, agradecendo o apoio que receberam ao longo do jogo. Provocado pela torcida do Chelsea, ele voltou ao túnel com três dedos em riste, depois apontando para o chão, lembrando que ele ganhou três títulos da Premier League ali, em Stamford Bridge, pelo Chelsea.

No fim, ficam as boas notícias para o Manchester United, apesar do gol de empate sofrido nos acréscimos. O futebol do Manchester United no segundo tempo foi excelente, mostrou o time que se espera que seja, forte, competitivo, agressivo, que sabe o que fazer com a bola e como deixar um time como o Chelsea, de alto nível, totalmente desconfortável e acuado. O Chelsea, por sua vez, tem boas notícias pelo futebol do primeiro tempo.

Os dois times podem lamentar os tempos em que foram pouco efetivos e não conseguiram fazer seu jogo. Mas os dois podem tirar coisas boas da partida. O empate, no fim, premia um jogo que não foi tecnicamente brilhante, mas foi emocionante e bem interessante.