Nenhuma estatística expressa tão bem como a temporada do Chelsea está desesperadora quanto a lista de artilheiros, contando todas as competições. No topo dela, aparece o brasileiro Willian, melhor jogador do clube na temporada com alguma distância para os outros, com sete gols. Em segundo lugar, os adversários. O quinto gol contra a favor do time de José Mourinho desde o começo da época abriu o caminho para a vitória por 2 a 0 sobre o Porto, que valeu a classificação para as oitavas de final da Champions League.

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O outro foi de Willian, como se esse jogo derradeiro da fase de grupos resumisse o que funcionou no ataque do Chelsea na primeira metade da temporada – quase nada -, ao mesmo tempo em que expõe o quanto o time precisa melhorar até a competição europeia ser retomada, em fevereiro. E ainda há muito chão a ser percorrido na Premier League, na qual ocupa a 14ª posição, após 15 rodadas.

Porque o jogo desta quarta-feira mostrou uma ou outra boa notícia escondidas entre o marasmo de uma partida que teve um único chute a gol em 21 minutos. Foi o de Diego Costa, em lançamento de Hazard, como nos velhos tempos do Atlético de Madrid. O íbero-brasileiro ficou no limite da linha de impedimento e partiu na hora certa. Ficou cara a cara com Casillas, mas finalizou mal. Deu sorte que a bola bateu em Iván Marcano e não foi cortada a tempo por Maicon.

 

Quem merecia estar vencendo naquele momento? Ninguém. O Porto defendia-se com cinco jogadores na última linha e pouca saída para o contra-ataque. O Chelsea esbarrava nas suas limitações técnicas, que não são absolutas, mas momentâneas. Há qualidade comprovada na equipe, mas muitos jogadores estão muito abaixo do que podem jogar. Além de problemas internos, de bastidores e de relacionamentos, isso atrapalha bastante.

Fàbregas, por exemplo, ficou no banco de reservas. Diego Costa, apesar da arrancada no primeiro gol, teve outro contra-ataque em que deixaria o marcador comendo pó na sua super-temporada pelo Atlético de Madrid, em 2013/14, mas permitiu que ele o alcançasse e roubasse a bola. O futebol de Hazard quase desapareceu.

Mas não totalmente. O belga, embora não esteja sendo o ponta insinuante que ganhou o prêmio de melhor jogador da última temporada na Inglaterra, teve seus espasmos de qualidade. O primeiro, no lançamento para Diego Costa fazer a jogada do primeiro gol. O segundo, ao passar na medida para Willian chegar chutando, com firmeza, no canto de Casillas.

 

E Willian, desta maneira, chegou a cinco gols na Champions League, um em cada partida, com exceção do empate por 0 a 0 com o Dínamo Kiev. Se há um grande responsável pela classificação do Chelsea às oitavas de final, é o brasileiro. E se José Mourinho sobreviver à tempestade e conseguir tirar a corda do pescoço do seu time, também tem que agradecer ao ex-corintiano, que impediu quase sozinho que a situação fosse pior no momento mais terrível da temporada.

O Porto foi eliminado da Champions League. Caiu para a Liga Europa. O Dínamo Kiev classificou-se em segundo, e o Chelsea lidera o grupo. Pode pegar um adversário acessível nas oitavas de final, o Gent ou o PSV, ou um mais complicado, como PSG e Juventus. Mas, independente de quem for, precisa mostrar mais futebol. Muito mais.