Foi um confronto atípico este Chelsea e Manchester United pela semifinal da Copa da Inglaterra. Desde as escalações iniciais aos desdobramentos ao longo do jogo. Uma combinação de dia desastroso aos Red Devils e grande atuação dos Blues levou a um placar de 3 a 1 para o time de Frank Lampard, merecido finalista que agora encontrará o arquirrival Arsenal na grande decisão.

As duas equipes mudaram sua formação original e adotaram um 3-4-3 para o duelo, que na verdade se tratava de um 5-3-2 ou 5-4-1 sem a bola. O sistema era uma boa ao Chelsea, dando maior segurança para parar os contra-ataques que marcaram os jogos do United contra as principais equipes da Inglaterra sob o comando de Solskjaer.

Aos Red Devils, a formação era um jeito de utilizar diferentes jogadores para descansar alguns de seus principais atletas antes do jogo importantíssimo contra o West Ham, que pode deixar o clube perto de se classificar à Champions League. Pogba, Greenwood e Martial, portanto, começaram no banco, enquanto Shaw ficou de fora, se recuperando de lesão.

As apostas tiveram resultados opostos aos treinadores. Enquanto Lampard achou uma grande alternativa para sua equipe no 3-4-3, o Manchester United, ao abdicar do 4-2-3-1 com que vinha brilhando e poupar tantos jogadores-chave, se viu perdido em campo. A partir de então, uma sucessão de infortúnios veio para enterrar qualquer chance dos Red Devils na partida.

O Chelsea foi superior ao longo do primeiro tempo, com mais posse de bola e mais propósito. Aos 15 minutos, a primeira grande chance veio em cabeçada de Marcos Alonso, que apareceu sozinho atrás de Wan-Bissaka, mas mandou por cima do gol. A primeira chance decente do United viria apenas aos 32 minutos, em boa cobrança de falta de Bruno Fernandes, espalmada por Caballero para escanteio.

Bailly, depois de dois choques de cabeça em um curto intervalo de tempo, o último deles com o companheiro Maguire, foi forçado a deixar o campo perto do fim do primeiro tempo e imediatamente ser levado ao hospital. A paralisação foi longa, levando a primeira etapa a quase 60 minutos de duração, e a sensação é que este momento foi crucial do ponto de vista de confiança para o United.

No lugar de Bailly, Solskjaer colocou Martial, retornou o sistema para o 4-2-3-1 e tinha ainda cerca de dez minutos para jogar antes do intervalo. Em um de seus primeiros lances, o francês tomou a frente de Zouma em uma disputa de bola na entrada da área e foi chutado pelo zagueiro, que tentava afastar o perigo. O United reclamou de pênalti, mas a checagem do VAR não entendeu que houve irregularidade.

As circunstâncias não eram favoráveis ao United, mas os erros individuais foram a última pá de cal nas chances da equipe no jogo. Aos 56 minutos do primeiro tempo, Azpilicueta tabelou com Willian pela direita e cruzou baixo para Giroud. O francês se livrou da marcação de Lindelof e apareceu na primeira trave para desviar para o gol. De Gea poderia ter feito melhor, mas não impediu o tento do francês.

A conversa de intervalo seria essencial para o United voltar ao jogo, mas outra sequência de erros ainda no primeiro minuto de segundo tempo terminou de esmagar o espírito da equipe. Pressionado, Williams tentou um passe para o meio e entregou no pé de Mason Mount. O garoto, que teve grande atuação, arrancou até a entrada da área e arriscou. O chute não era bom o bastante para bater De Gea, mas o goleiro espanhol não é o mesmo de alguns anos atrás. Em uma falha tremenda, o arqueiro aceitou o frango, e o Chelsea chegou ao 2 a 0.

Pressionado pelo placar, Solskjaer colocou Pogba e Greenwood em campo, no lugar de Fred e James, tendo agora a sua melhor escalação disponível, com exceção de Shaw, lesionado. A mudança já era tardia, a equipe estava abatida, e o Chelsea inversamente confiante, com uma atuação excelente que ganhava ímpeto a cada jogada.

Aos 11 minutos, os Blues criaram duas situações de perigo seguidas, a principal delas espalmada por De Gea, evitando o terceiro gol. O United, por sua vez, multiplicava seus erros e parecia nervoso a cada lance, errando passes bobos e incapaz de encontrar a sua melhor forma.

Ainda assim, Maguire teve boa chance de marcar de cabeça aos 18 minutos do segundo tempo, batendo Caballero, mas mandando para fora. O zagueiro provaria que é mais matador com os pés. Infelizmente para ele, do outro lado do campo. Aos 29 minutos, Alonso cruzou baixo, na primeira trave, e o zagueiro do United apareceu para desviar contra a própria meta e matar qualquer chance de reviravolta.

O United chegou a diminuir aos 40 minutos da etapa final, com pênalti convertido por Bruno Fernandes, mas não conseguiu encaixar sequer cinco minutos de bom futebol. Em sua pior atuação em 2020, foi completamente dominado pelo rival.

Os Red Devils se viram em um daqueles dias em que tudo dá errado, em uma perfeita tempestade de erros e circunstâncias desfavoráveis. De qualquer forma, foi responsável pela maior parte desses elementos. Solskjaer fez uma escolha consciente e que fazia algum sentido ao mudar o esquema e poupar tantos jogadores. O confronto com o West Ham na quarta-feira (22), afinal, era mais importante à temporada, pela briga por uma vaga à Champions League, e o time teve 48 horas a menos de descanso que o Chelsea.

Com o mesmo sistema, vale apontar, o United havia vencido os Blues por 2 a 0 em fevereiro, pela Premier League, em pleno Stamford Bridge. Dito isso, o tempo rapidamente mostrou que a aposta do técnico norueguês não deu resultado.

Do outro lado, o mérito do Chelsea não pode ser diminuído. Lampard deu à sua equipe muita fluidez com a formação escolhida, e os jogadores, sobretudo de meio de campo e ataque, viveram uma grande noite. Os destaques são diversos: Willian, Mount, Giroud, Kovacic… Foi o tipo de atuação que inspira confiança para a próxima temporada, em que talentos como Ziyech e Werner se juntarão à equipe, com outros a caminho, possivelmente gente do calibre de Kai Havertz.

A Copa da Inglaterra tem agora uma final de peso. Os rivais Arsenal e Chelsea eliminam as duas equipes de Manchester com muito mérito e terão a chance, cada um, de dar a seus torcedores um fim de temporada bastante positivo, especialmente importante visto que estamos falando de dois projetos promissores que ainda estão em seu início, com Arteta e Lampard. Um dos dois sairá do confronto derrotado, mas isso não pode desmanchar a impressão de que parecem estar em um bom caminho.