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Tinha chegado a hora. Foi difícil e a eliminação bateu na trave na semifinal. O time tinha jogado bem em um jogo muito parelho com a Argentina, mas viu Lionel Messi acertar o travessão. A classificação veio no final, com um gol de cabeça partindo de um escanteio – algo que não era tão comum naquele time de atacantes baixinhos.

Lembrou da caminhada até ali. A final, naquele domingo pela manhã – o jogo na Rússia seria à tarde e, portanto, pela manhã por aqui. O time tinha passado por alguns percalços no caminho, mas em geral tinha jogado muito bem.

A primeira fase foi relativamente tranquila. A Austrália mostrou-se um rival fraco, mesmo organizado. Gales até chegou a dar trabalho porque Gareth Bale de fato é um jogador fantástico, mas Philippe Coutinho estava em um dia iluminado. A marcação forte em Neymar não serviu para impedir o volume de jogo do time.

O meio-campo, tão frágil naquele fatídico 2014, era outro. Curioso que um dos jogadores seja justamente o mesmo. Lembrou de quando reclamou ao ver a convocação de Paulinho, a primeira de Tite, quase dois anos antes. O volante, jogando na China, não convencia muita gente que poderia voltar ao alto nível. Até a braçadeira passou a vestir. Só Neymar tinha mais jogos pela Seleção que ele. Aos 30 anos, voltou a uma Copa para recuperar o prestígio que tinha perdido quatro anos antes.

O time teve algumas modificações ao longo do caminho, mas a base foi sendo mantida nos quase dois anos de Tite à frente do time. O time sofreu algumas derrotas inesperadas e tinha sido sacudido pela Espanha em um amistoso, o que gerou algumas desconfianças. Será mesmo que o Brasil tem uma seleção para disputar com as melhores do mundo? E olha que a Espanha não vinha tão bem assim…

Na Copa, o time cresceu. Nas oitavas de final teve que enfrentar uma Inglaterra que tinha se classificado com alguma dificuldade. Só que o Brasil não teve problemas: passou com autoridade, deixando Big Sam enfurecido à beira do gramado. Os 2 a 0 vieram sem problemas. Nas quartas, a França, um adversário dos mais pesados. O Brasil teve que sofrer muito mais vencer por 2 a 1, de virada, em uma das melhores atuações do time sob o comando de Tite.

A semifinal contra a Argentina foi o momento mais tenso e dramático desde que o técnico tinha assumido. A marcação em cima de Neymar foi forte e Dybala infernizou os brasileiros. Messi, experiente, foi um perigo em vários momentos. Casemiro saiu de campo extenuado. Walace teve que entrar em campo para ajudar a dar força ao time na marcação do setor. Douglas Costa não pareceu feliz ao sair e a torcida ficou desconfiada com a substituição, mas funcionou bem. O time segurou a onda. Teve algumas chances. Fez com a Argentina um jogo de chumbo trocado.

Chegar à final era motivo para comemoração porque o time mereceu estar ali. Jogou futebol. Poderia perder, mas perderia ao menos com um time que jogou futebol. Sofreu contra o maior rival, mas venceu. A final, contra a algoz de quatro anos antes, Alemanha, era um desafio. Técnico e psicológico. Todo mundo estava ansioso e muitos passariam a noite no bar. Resolveu dormir. Queria estar descansado, acordar cedo e fazer um bom café da manhã no domingo.

Dormiu com tranquilidade. Fazia tempo que não dormia assim. Acordaria cedo no domingo, mas era dos melhores motivos possíveis. É Copa do Mundo, amigo. Que saudade sentia de uma final. Dormiu.

Acordou com um alarme que o irritou. Ficou se espreguiçando na cama e se sentiu deslocado. Tomou um susto quando olhou o relógio. Já eram 7h. Ficou deslocado. Demorou alguns segundos até se dar conta que tinha que trabalhar. Sorriu. Lembrou que adormeceu vendo alguma mesa redonda na TV falando sobre a estreia de Tite na Seleção. Abriu o site da Trivela no celular e viu o texto sobre Gabriel Jesus. Clicou e comentou, sem conseguir disfarçar o sorriso: “Cheirinho de hexa”.

Chamada Trivela FC 640X63