Exceção feita aos quatro confrontos das oitavas de final que contam com a participação de clubes brasileiros, metade dos classificados às quartas de final da Copa Sul-Americana já está definida. Depois de Independiente e Libertad, que carimbaram o passaporte na última semana, nesta terça a comemoração ficou por conta de Nacional de Assunção e Junior de Barranquilla. Podem não ser as camisas mais pesadas do continente, mas merecem os seus cuidados, especialmente por eliminarem adversários mais tradicionais. Estudiantes e Cerro Porteño (para variar) ficaram pelo caminho.

O Junior de Barranquilla é quem mais atrai os holofotes. Os Tubarões caíram ainda nas preliminares da Libertadores, eliminados pelo Atlético Tucumán, mas acabaram repescados à Copa Sul-Americana. Nos 16-avos de final, superaram um confronto difícil contra o Deportivo Cali, batendo os compatriotas apenas nos pênaltis, depois de dois empates. E quando a situação parecia mais difícil, não tomaram conhecimento do Cerro Porteño. Depois de segurarem o 0 a 0 em Assunção, passaram o carro no Ciclón dentro do Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, com o triunfo por 3 a 1.

Treinado pelo uruguaio Julio Comesaña, o Junior aposta em uma defesa bem estruturada, que dê espaço aos seus talentos individuais mais à frente. O líder atrás é o goleiro uruguaio Sebastián Viera. Já no setor ofensivo, as apostas ficam em outros nomes rodados, como Sebastián Hernández, Roberto Ovelar, Yimmi Chará e Teo Gutiérrez. Os dois últimos, em especial, foram trazidos a peso de ouro pela diretoria nos últimos meses e alimentam grandes esperanças na torcida. Enquanto Teo demora um pouco mais a engrenar, Chará vem voando pelos lados do campo e marcando muitos gols. Mas nesta terça, ao menos, a dupla funcionou bem.

A classificação do Junior começou a se encaminhar aos 41 do primeiro tempo, em boa jogada de Luis Díaz, jovem talento que também cava seu espaço nos Tubarões. Logo no início da etapa complementar, Teo Gutiérrez deixou sua marca, no gol mais bonito do time da noite. Jarlan Barrera deu uma enfiada de bola cirúrgica para o veterano fintar o goleiro e bater para a meta vazia. Por fim, Chará também deixaria o seu, justamente depois de tabelar com Teo. O Ciclón descontaria apenas nos acréscimos, em chutaço de Óscar Ruiz, sem chances de defesa. Pelo nível de investimento, os alvirrubros virão babando pela Sul-Americana. E considerando que a classificação aos mata-matas do Clausura do Colombiano se encaminha, poderão se dedicar mais ao torneio continental.

O Nacional Querido, por sua vez, não conta com o mesmo número de estrelas do Junior de Barranquilla. Os nomes mais conhecidos já vivem o ocaso da carreira, como Jonathan Santana, Juan Manuel Salgueiro e Fredy Bareiro. Mesmo assim, é um time com experiência e que nos últimos anos se acostumou a disputar as competições continentais, embora restem poucos resquícios dos vice-campeões da Libertadores de 2014. E que impressiona pelo cartel sustentado na Copa Sul-Americana até o momento. Depois de derrubarem Cruzeiro e Olimpia, a nova vítima foi o Estudiantes – em crise, diga-se, mas ainda assim um clube de tradições continentais inegáveis.

Se o trunfo do Nacional nas fases anteriores foi reverter situações que pareciam adversas, desta vez o time apenas esperou para dar o bote no Estudiantes. A vitória por 1 a 0 no Defensores del Chaco dava boa vantagem para o reencontro em La Plata. Os tricolores puderam se resguardar defensivamente na maior parte do tempo, contra um adversário que até esboçou pressão no início, mas fez bem menos do que poderia. Já aos 20 do segundo tempo, aproveitando um rebote de Mariano Andújar, Miguel Jacquet balançou as redes, tranquilizou ainda mais o Nacional e decretou novo triunfo por 1 a 0.

O Nacional não está no caminho dos brasileiros na Copa Sul-Americana, ao menos nas quartas de final. Os tricolores pegam o Independiente, que possui alguns jogadores conhecidos e vem de uma boa classificação sobre o Atlético Tucumán. Contudo, derrubar gigantes não é exatamente um problema aos paraguaios. Já o Junior de Barranquilla liga o sinal de alerta de Sport ou Ponte Preta, que decidem quem avança nesta quarta. Um rival bastante duro, e que pretende manter o bom desempenho dos colombianos nos últimos anos da Sul-Americana.