A Alemanha mantém a Argentina como uma de suas freguesas mais fiéis em Copas do Mundo. Apesar da consagração de Maradona na final de 1986, a Mannschaft venceu outros cinco duelos entre as seleções no torneio, incluindo duas decisões e duas quartas de final. Nos amistosos, curiosamente, a Albiceleste leva a melhor. São oito vitórias e apenas duas derrotas à equipe em compromissos do tipo. E os argentinos demonstraram seu poder de reação nesta quarta para sustentar uma invencibilidade de 40 anos nos amistosos contra os alemães. Numa partida cheia de garotos e de boa intensidade no Signal Iduna Park, a Alemanha abriu dois gols de vantagem, mas a Argentina arrancou o empate por 2 a 2 no final.

Joachim Löw escalou uma porção de jovens na seleção alemã. O zagueiro Robin Koch e o atacante Gian Luca Waldschmidt, ambos do Freiburg, faziam sua estreia na equipe principal. Além disso, o time trazia destaques como Serge Gnabry, Kai Havertz, Julian Brandt e Joshua Kimmich – este, atuando no meio. Já no gol, o treinador anunciara previamente a utilização de Marc-André ter Stegen, em meio à disputa com Manuel Neuer, que atuará no próximo jogo. Lionel Scaloni, por sua vez, tinha alguns medalhões a mais, com a zaga formada por Nicolás Otamendi e Marcos Rojo. O destaque ficava para a parceria entre Lautaro Martínez e Paulo Dybala, diante da ausência dos demais astros.

No ambiente especial criado pelo mosaico em homenagem ao gol de Mario Götze na Copa de 2014, a Alemanha não demorou a se impor na partida. A Argentina até chegou uma vez antes dos 10 minutos, mas o Nationalelf era superior e logo abriu o placar. A velocidade dos homens de frente gerava os espaços aos alemães, com a primeira chance pintando em chute de Brandt que Agustín Marchesín pegou. Já aos 16, saiu o primeiro gol. O ala Lukas Klostermann fez a jogada pela direita, cruzou para Gnabry e o ponta brigou pela bola, até bater na saída do goleiro.

A Alemanha se empolgou com o gol e passou a pressionar a Argentina. Foram mais alguns bons lances, antes que o segundo tento viesse aos 21, em nova investida pela direita. Klostermann teve enorme importância no contragolpe, ao roubar a bola e arrancar até o campo de ataque. Gnabry recebeu na direita e fez o cruzamento para Havertz mandar para as redes. O ritmo da Alemanha era alto e a equipe sufocava os argentinos com suas transições velozes. O terceiro quase veio aos 30, em cobrança de falta de Marcel Halstenberg que bateu no travessão.

A Argentina só conseguiu esfriar os adversários no lance seguinte, quando Rodrigo de Paul soltou uma bomba de fora da área e também carimbou o poste. A Albiceleste cresceu e passou a responder com frequência, mas pecava demais nas conclusões. Antes do intervalo, Gnabry quase faria o terceiro, ao bater cruzado e mandar para fora. Era uma partida acima da média ao que se vê em amistosos internacionais.

O início do segundo tempo manteve a superioridade da Alemanha. A Argentina realizou duas mudanças logo de cara, incluindo a estreia de Lucas Ocampos, mas eram os anfitriões que seguiam com as melhores chances. Waldschmidt bateu para fora, antes de Marchesín fazer uma defesaça com o pé no mano a mano com Emre Can. Vendo os problemas de sua equipe,  Scaloni resolveu promover a entrada de Lucas Alario no lugar de Dybala e a participação do centroavante logo fez efeito, com o primeiro gol aos 21. Marcos Acuña cruzou da esquerda e Alario acertou uma bela cabeçada para descontar à Albiceleste.

Löw também passou a trocar suas peças e a colocar mais garotos, entre eles o estreante Suat Serdar. Já a Argentina tomou as rédeas do amistoso. Se a posse de bola no primeiro tempo havia rendido pouquíssimo aos sul-americanos, a partir do gol eles passaram a empurrar a Alemanha contra a parede. Stegen faria uma defesa segura em arremate de Leandro Paredes. Já depois dos 30 minutos, o que se viu foi um abafa da Albiceleste, com a zaga alemã se virando como podia para travar a sequência de finalizações dos visitantes. O empate saiu aos 40. Alario disparou em diagonal e entregou a bola para Ocampos. O ponta chutou de primeira, vencendo Stegen. Ocampos ainda tentou a virada, mas a reação parou por aí.

O amistoso deixa lições às duas seleções. A Alemanha viu Gnabry chamando o protagonismo para si e as transições do time funcionaram muito bem. Talvez afetada pelo “vírus de Dortmund”, a equipe cedeu o resultado no final, mas é necessário ponderar a saída de jogadores importantes. Já a Argentina deve considerar a participação mais frequente de Alario e Ocampos. Os dois deram mais agressividade ao time, depois de um primeiro tempo em que a lenta zaga escalada por Scaloni deixou sua dor de cabeça.

A Alemanha volta a campo no domingo, quando visita a Estônia pelas Eliminatórias da Euro. A equipe lidera o Grupo C, com os mesmos 12 pontos da Irlanda do Norte, em disputa que ainda envolve a Holanda. Já a Argentina fará amistoso contra o Equador na cidade espanhola de Elche, também no domingo.