Ainda era começo de julho quando os primeiros sinais de problemas no mercado do Chelsea começaram a aparecer. Romelu Lukaku, principal alvo para substituir Diego Costa no ataque, fora anunciado pelo Manchester United, e o atual campeão inglês ainda não havia contratado nenhuma peça para melhorar o time titular ou para rechear o elenco. Mas tudo bem: havia dinheiro no bolso e mais dois meses de negociações pela frente. Só que, agora que a janela fechou, as contratações feitas pela equipe de Antonio Conte não parecem ter sido suficientes.

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Álvaro Morata, Tiemoué Bakayoko, Danny Drinkwater, Antonio Rüdiger, Davide Zappacosta e Willy Caballero são nomes bons, alguns muito interessantes, mas são jogadores que, a princípio, servem para compor um elenco mais numeroso, agora que o Chelsea disputará a Champions League. O júri ainda delibera se o time titular foi fortalecido porque Conte também sofreu baixas. Duas, ou, na prática, uma e meia: Nemanja Matic foi para o Manchester United, e Diego Costa, embora no fim das contas tenha permanecido em Stamford Bridge e sido inscrito na Premier League, está em litígio público com o treinador e deve ganhar poucas chances. A tendência é que saia em janeiro para o Atlético de Madrid.

As reposições imediatas para esses dois titulares são Bakayoko e Morata, uma dupla promissora e mais jovem que ainda tem um caminho longo pela frente para se provarem realmente de primeiro nível no futebol europeu. O francês teve, até agora, uma temporada de destaque com o Monaco, e o espanhol, bons momentos por Juventus e Real Madrid. O Chelsea pode eventualmente sair ganhando, e os dois podem se tornar jogadores melhores que Matic e Costa, mas trocou o produto pronto por atletas que ainda precisam de certo amadurecimento.

Por outro lado, rivais diretos pelo título reforçaram-se bem. O Manchester United colocou Matic e Lukaku direto no time titular. Guardiola já utiliza Ederson, Mendy, Danilo, Walker e Bernardo Silva. O Liverpool manteve todos seus principais jogadores, inclusive Coutinho, e acrescentou Salah aos onze primeiros. Mesmo o Arsenal, sempre de poucas contratações, manteve Sánchez e se reforçou com Lacazette e Kolasinac. O Tottenham trocou Walker por Serge Aurier e também ficou com todo o resto.

O que mais frustra a torcida azul foi que o Chelsea buscou mais contratações e não conseguiu concretizá-las. Estava na liderança pelos serviços de Lukaku, mas não formalizou a proposta rápido o bastante e foi cortado pelo United, que tinha um bom relacionamento com o empresário do belga, Mino Raiola. Tentou a contratação de Alex Sandro o verão inteiro, sem conseguir chegar a um acordo com a Juventus. Monitorou a situação de Virgil Van Dijk, do Southampton, e também não chegou a fazer uma proposta oficial.

Os negócios falharam mesmo na composição do elenco. Antonio Conte queria Fernando Llorente para ser uma peça de apoio experiente para Morata e o perdeu para o Tottenham. O Chelsea conseguiu a liberação de Oxlade-Chamberlain junto ao Arsenal, mas o jogador preferiu defender o Liverpool. Também chegou a um acordo com o Everton por Ross Barkley, mas o jogador mudou de ideia na hora H – relatos dizem até que foi durante o exame médico, embora o staff do jogador negue.

O detalhe importante é que o Chelsea precisava de jogadores nascidos na Inglaterra para cumprir com a cota de pelo menos oito por elenco. Por isso, queria tanto os serviços de Chamberlain e Barkley. No entanto, conseguiu apenas Drinkwater, no apagar das luzes, e inscreveu somente 21 jogadores na Premier League. Quatro formados na Inglaterra: Gary Cahill, Victor Moses, Fàbregas e Drinkwater. As outras quatro vagas restantes – máximo de 25 – necessariamente precisam ser preenchidas por jogadores que cumpram esses mesmos requisitos.

Ou seja, mesmo com contratações interessantes para compor elenco, o número de opções que Conte tem à disposição parece frágil. Mais uma vez, a sensação é que ele terá que fazer um trabalho além dos recursos que tem em mãos para ser campeão, ao contrário do que ele próprio imaginava. E o Chelsea precisa refletir sobre a sua abordagem ao mercado: por que foi tão difícil para o atual campeão inglês fechar as contratações que ele queria?