Daqui a uma semana, serão 20 anos desde que o Benfica demitiu Jupp Heynckes e decidiu promover o assistente José Mourinho ao cargo principal. Duas décadas de muito sucesso e polêmicas para um dos personagens mais marcantes do século. Em entrevista à Sky Sports, antes da estreia da temporada contra o Everton, Mourinho afirmou que, apesar do cabelo branco e de algumas rugas, continua o mesmo cara que era em 2000.

Mourinho começará sua primeira temporada completa com o Tottenham, após substituir Mauricio Pochettino, no final do ano passado. Conseguiu uma certa recuperação para terminar a Premier League em sexto, com um nível de desempenho que oscilou bastante. Mas disse que sua “missão” seria esta campanha que está prestes a começar, após conhecer melhor seu time, fazer uma pré-temporada, mesmo que reduzida, e algumas contratações. Trouxe Matt Doherty, do Wolverhampton, Hojbjerg, do Southampton, e Joe Hart para ser o reserva de Hugo Lloris.

O desafio para Mourinho será recuperar a excepcional competência que demonstrou à frente de Porto, Chelsea, Internazionale e em parte da sua passagem pelo Real Madrid, para dar aos Spurs seu primeiro título desde 2008.

“Claro que a cor do meu cabelo é diferente, e algumas rugas, mas eu sou o mesmo cara, com os mesmos princípios, a mesma paixão, nada mudou”, afirmou, à Sky Sports. “Eu tenho o mesmo DNA, meus princípios, sou o mesmo cara. Mas obviamente, uma grande evolução em termos de treinamento, em termos de administrar os jogadores e times, e a evolução de tudo relacionado ao jogo”.

E se às vezes, aquelas em que ele consegue bater recordes de reclamações por segundo,  parece que Mourinho não aguenta mais ser treinador, é pura impressão. “Eu amo tudo relacionado ao meu emprego. A única coisa que não gosto é de perder. Eu odeio perder. Mas eu sei muito bem que é parte do meu emprego. Mas tudo relacionado ao meu emprego eu amo. É por isso que eu não me vejo fazendo mais nada na vida”, disse.

“Eu simplesmente amo tudo no futebol. Se você me perguntar sobre qualquer coisa relacionada ao trabalho, não há nada que eu não goste. Mesmo os problemas, as dificuldades, são coisas que eu gosto no trabalho. O desafio é ser feliz, feliz, feliz, feliz!”, completou.

Segundo Mourinho, as pessoas nem sempre têm noção do quão complexo é o trabalho de um treinador de futebol. “Se acham que é apenas escolher 11 jogadores, não é. Se pensam que é apenas analisar taticamente e preparar o time taticamente, não é. Se pensam que é apenas administrar seres humanos, ser o líder de um grupo, não é”, afirmou.

“Se pensam que é tentar ter influência no clube em tudo que se relaciona ao time profissional, não. É tudo isso junto! E tudo isso torna o trabalho muito, muito complexo, mas é meu trabalho e eu amo o trabalho”, acrescentou.

E em seu trabalho no Tottenham, a ambição é clara e muito difícil. “Ganhar todos os jogos. Nosso objetivo é ir para todos os jogos pensando e sentindo que podemos ganhar. Não importa a competição, o adversário, eu quero o Tottenham tenha esse nível de confiança de jogar cada partida para vencer”.

“Vamos perder algumas, vamos empatar algumas também, mas eu quero ter esse sentimento de que não importa o adversário, eu quer que o Tottenham tente vencer, não apenas tentar vencer, mas sentir que consegue”.

“É legal ser bons rapazes, mas também é bom ter uma mentalidade competitiva, aquela agressividade e ambição que você precisa. Eu nunca tive medo de estabelecer objetivos difíceis para meus rapazes e não ter medo de tentá-los”, completou.

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