Diego Forlán chegou ao comando do Peñarol nesta virada de ano e, sem dúvidas, ver o craque na casamata serve de atrativo aos aurinegros. Não à toa, o mercado de transferências vem sendo bastante aquecido ao clube nas últimas semanas. Até o momento, sete jogadores foram anunciados pelos carboneros e as expectativas são de que outros mais desembarquem no Estádio Campeón del Siglo. Atletas rodados fora do país se juntarão ao grupo. Além disso, o nome mais curioso é o de Krisztián Vadócz, um húngaro que se aventurará em Montevidéu.

Hungria e Uruguai possuem uma relação consideravelmente próxima, não só no futebol. O país sul-americano foi um dos maiores destinos da imigração húngara, o que mantém uma boa relação entre as nações. O próprio hino nacional uruguaio seria composto por Ferenc József Debály, músico magiar que atravessou o Atlântico em 1838. Além disso, o intercâmbio boleiro se intensificou a partir da década de 1920. Hungria e Uruguai, vale lembrar, se enfrentaram na semifinal da Copa de 1954. Além do mais, a Celeste seria convidada para inaugurar a reformada Puskás Arena em 2019.

O Peñarol, especificamente, também possui os seus laços com os magiares. Conforme o site Padre y Decano, José Koreim foi o primeiro jogador de origem húngara a vestir a camisa aurinegra, atuando por uma partida em 1925. Jorge Bottyan, por sua vez, integrou o elenco no título uruguaio de 1938. E bem mais significativa seria a participação dos treinadores. Rodado por diferentes clubes sul-americanos, incluindo Palmeiras e River Plate, Emérico Hirschl assumiu os carboneros em 1949. O comandante, além de ser bicampeão uruguaio, se tornaria importante para formar a base da seleção campeã do mundo em 1950 – responsável por lançar Alcides Ghiggia, por exemplo. Já em 1962, Béla Guttmann teve uma curta passagem, suficiente para despachar o Nacional na semifinal da Libertadores, apesar da derrota na decisão contra o Santos.

Krisztián Vadócz retoma tal tradição mais de meio século depois. O meia de 34 anos se transferiu ao Peñarol justamente pela amizade com Forlán. Ambos foram companheiros no Mumbai City e no Kitchee, os últimos clubes da carreira do uruguaio. Vadócz passou o último semestre no Honvéd, titular em parte dos jogos do sexto colocado no Campeonato Húngaro. Entretanto, a boa relação com o agora treinador facilitou sua mudança para Montevidéu. O novo reforço possui uma carreira rodada, em currículo que inclui Osasuna, Alavés, Auxerre, Motherwell e Grasshopper, entre outros. Formado pela base do próprio Honvéd, o magiar atuará no 11° país diferente, estes distribuídos por quatro continentes.

Se a transferência de Vadócz chama mais atenção pela peculiaridade, outros nomes mais conhecidos podem alavancar o Peñarol em 2020. Emprestado pelo Monterrey até junho, Jonathan Urretaviscaya vai para sua quarta passagem com a camisa aurinegra. O ponta foi reserva da seleção na Copa de 2018. Já Matías Britos chega em definitivo, após permanecer por quase uma década no futebol mexicano. Campeão nacional com o León, o atacante também fez sucesso com a camisa do Pumas UNAM.

“Recebi ligações do clube e de Forlán para falar sobre a transferência. Se Diego te chama, você responde: ‘A que horas posso chegar aí?’. Vamos passo a passo para colocar tudo em ordem”, comentou Britos, ao destacar o poder de convencimento de seu novo treinador. David Terans, que terminou 2019 no Atlético Mineiro, deverá ser oficializado nas próximas horas. Já nas transferências internas, o destaque fica para Denis Olivera, jovem meia que despontou com o Danubio na última edição do Campeonato Uruguaio. Vale dizer também que sete atletas deixaram o Peñarol desde a chegada de Forlán.

Segundo o jornal El Observador, Forlán deverá se inspirar no trabalho de Diego Simeone nestes primeiros meses como treinador. Seu estilo de jogo é um enigma, mas a contratação de jogadores rápidos à linha de frente se torna um padrão. E o que diferencia o Peñarol em relação aos outros anos é o alto investimento dos carboneros, que tiveram um volume de transferências bem menor em 2019. Além de tentar evitar o bi do Nacional no Campeonato Uruguaio, o clube estará no mesmo grupo de Athletico Paranaense, Colo-Colo e Jorge Wilstermann na Libertadores 2020.