A Premier League será a última das grandes ligas a adotar o VAR, mas a desconfiança em relação ao uso da tecnologia no futebol fará com que a liga tenha muita cautela na forma como será usado. Segundo o comandante da arbitragem Mike Riley, o VAR não será usado para apitar novamente o jogo e estabelecerá uma barra alta para intervenção durante o jogo.

O chefe de arbitragem Mike Riley e sua equipe passaram os dois últimos anos treinando os árbitros, incluindo testes ao vivo, e se disse encorajado pelo progresso realizado, mas ele diz que é um trabalho em andamento. “Ainda levará dois ou três anos para acertar isso”, afirmou Riley.

O chefe de arbitragem da Premier League falou sobre ter havia muita reação negativa à forma como o VAR foi usado na Copa do Mundo Feminina, na França, mas pela Europa, em outras competições, foi implantado com sucesso. “Você olha para o trabalho na Itália, você olha para o trabalho na Espanha, a Holanda e a Itália e na Alemanha ultimamente, e quanto mais as pessoas se familiarizarem com o processo e descobrirem como usá-lo para o jogo, eu acho que mais confortável as pessoas vão se sentir”, disse ainda Riley.

A principal preocupação de Riley é impedir que o VAR intervenha demais no jogo. A preocupação do chefe de arbitragem é justamente trabalhar para que os árbitros designados para o VAR saibam quando intervir no jogo. “Onde o VAR foi implantado com sucesso em outras competições a barra é muito alta”, afirmou, se referindo ao número de intervenções.

“Nós não queremos que o VAR venha e tente apitar novamente o jogo. Nós na verdade queremos que isso proteja os árbitros de cometerem erros sérios, aqueles que todo mundo olhe e diga: ‘Bem, na verdade isso está errado’. Se nós mantivermos a barra realmente alta, há uma chance maior de manter o fluxo do jogo, a intensidade do jogo e as pessoas aproveitarem o espetáculo em vez de constantemente olharem para a tela de vídeo para decisões serem mudadas”, explicou Riley.

Nos testes feitos offline na temporada passada da Premier League, ou seja, com o VAR sendo testado sem a comunicação com o árbitro, até a semana 33, houve oito checagens em média, com cada uma delas com duração média de 29 segundos. Riley ressaltou que a chave para o sucesso da implantação é a comunicação.

“A forma para todos nós acertarmos no jogo é falando: jogadores, técnicos, árbitros, torcedores, transmissores. Nós todos temos uma opinião e todas são válidas”, disse Riley. “Entre nós, vamos trabalhar onde nós iremos definir a intervenção. Se nós fizermos isso, nós iremos criar algo que é realmente muito bom para o nosso jogo”.

“O que está no topo das nossas mentes o tempo todo são duas coisas: mínima interferência com o máximo benefício e manter onde for possível o fluxo, intensidade e velocidade do jogo, porque é isso que as pessoas querem assistir no futebol da Premier League”, explicou ainda Riley.

Além do VAR, outro tema que gerou muito debate durante a Copa do Mundo Feminina foi a marcação de mão na bola, com as mudanças de regras que aconteceram. Riley, porém, não acredita que esse aspecto será um problema na Inglaterra. “Eu na verdade acho que a questão de mão na bola está em um lugar realmente bom neste país, e essa é a mensagem que nós recebemos de todos os clubes – de técnicos aos jogadores – quando nós falamos com eles. Nós temos uma filosofia que fiz que nós queremos que a bola na mão tenha um impacto no jogo”, disse o chefe de arbitragem.

“Nós não estamos procurando por braços abertos e nós aceitamos, quando nós estamos olhando para o que é uma posição antinatural para o braço, que braços se mexem. Nós não esperamos que jogadores defendam com os seus braços atrás das suas costas, nós não esperamos que os atacantes tentem colocar a bola na mão dos adversários para ganharem uma falta”, explicou Riley. “O modo como implantamos a bola na mão nas últimas duas ou três temporadas é o modo como nós continuamos a fazer no futuro”.

“Nós consideramos que seja uma posição natural da mão. Você não espera que os defensores mantenham seus braços colados ao corpo, então se a mão está em uma posição natural, não é falta”, continuou o chefe de arbitragem, deixando claro que a posição da Premier League é ligeiramente diferente do que parece que foi feito nas competições da Fifa.

A Premier League é desconfiada e há um temor muito grande que o VAR possa atrapalhar o ritmo intenso e a dinâmica do jogo. Os ingleses são bastante reticentes com o uso da tecnologia, embora tenham adotado aquela que não permite interpretação: o chamado gol/não gol, que indica se a bola entrou ou não – algo que já causou polêmica na semifinal da Champions League entre Liverpool e Chelsea em 2005.

O uso do VAR na Copa América também foi desastroso e certamente disparou alarmes nos ingleses. Por isso, será interessante ver como os ingleses aplicam o uso do VAR, certamente com menos intervenção do que vimos na Copa do Mundo masculina, na Copa do Mundo feminina e mesmo na América do Sul.