Dinheiro de fato não é um problema para o Catar. O governo do país anunciou nesta terça-feira que gasta US$ 500 milhões por semana na preparação para a Copa do Mundo de 2022. Sim, isso mesmo: 500 milhões de dólares, equivalente a R$ 1,5 bilhão. E este é um dado oficial. Quem revelou este número estratosférico foi revelado pelo Ministro das Finanças do País, Ali Shareef Al-Emadi. A estimativa de gasto é de mais de US$ 200 bilhões, algo em torno de R$ 624 bilhões. Para se ter uma dimensão deste gasto, o custo estimado da Copa e 2014 foi de R$ 25,5 bilhões, segundo o TCU.

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Lembra do Cheat O’Matic? Era uma forma usada para trapacear no Elifoot, criando dinheiro para o seu clube. Era uma forma usada para criar dinheiro. E olha  que o Catar passa por um momento financeiro raro: o país teve déficit no último ano e projeta outro para este ano, porém bem menor. Por lá, parece que alguém ligou o Cheat O’Matic para fazer a Copa e este é um dos gastos que não foram mexidos pelo governo, como explicou o ministro Al-Emadi.

Segundo o ministro, este nível de gasto continuará ao menos até 2021, ano anterior à Copa. “Nós estamos gastando perto de US$ 500 milhões por semana em projetos capitais”, afirmou Al-Emadi. “Continuaremos assim pelos próximos três a quatro anos para atingir nosso objetivo de realmente deixar o país pronto para a Copa de 2022”.

Serão gastos mais de US$ 200 bilhões no total pelo Catar em preparação à Copa de 2022, a primeira realizada no Oriente Médio. Segundo El-Emadi, esse gasto inclui os estádios, mas principalmente estradas, novo aeroporto e hospitais. “Noventa por cento dos contratos relativos à 2022 já foram feitos”, afirmou El-Emadi.

“Isso não significa apenas os estádios, nós estamos falando sobre grandes avenidas, trens, portos, aeroportos, esses estão realmente em andamento, inclusivo hospitais e tudo mais”, explicou El-Emadi. “Nós estamos realmente nos dando uma boa chance de entregar as coisas em tempo e nós não queremos estar em uma situação de estar pintando as coisas quando as pessoas começarem a chegar ao país”.

O ministro então foi perguntado 2022 seria a Copa do Mundo mais cara de todos os tempos. “Nós estamos colocando US$ 200 milhões em termos de infraestrutura… Se você olhar para a Copa do Mundo isoladamente, não será”. Uma tentativa de desviar o assunto, mas é claro que não é possível separa os gastos de infraestrutura da Copa do Mundo, mesmo que se diga que as obras de infraestrutura ficarão para o país. Nós, brasileiros, que vimos o que aconteceu na Copa de 2014, sabemos que não é bem assim que funciona – ainda que, evidentemente, o Catar seja bem diferente do nosso país em muitas coisas.

O ministro ainda disse que os gastos com a Copa de 2022 foram preservados, apesar dos cortes no orçamento feitos pelo governo em função da queda do preço do petróleo no mercado internacional. Em 2016, o Catar teve um déficit de US$ 12 bilhões, o primeiro em 15 anos. O orçamento federal para 2017 foi aprovado com um déficit previsto de US$ 7,7 bilhões.

O Catar possui a terceira maior reserva de gás natural do mundo e produz cerca de 800 mil barris de petróleo por dia, mas foi obrigado a diminuir seus custos depois de um colapso no preço do petróleo bruto. Apesar desse problema, o mercado se recuperou parcialmente e El-Emadi diz que o Catar atualmente está “muito confortável” com os atuais preços do petróleo.

Bom, com esse nível de gasto com a Copa do Mundo, é até esperado que haja um déficit no orçamento do país. Claro que o Catar quer que esse dinheiro retorne de alguma forma, fazendo com que a Copa de 2022 seja o cartão de visitas para o mundo. Resta saber se isso será possível.

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