Uma partida aberta, franca, entre duas equipes que buscavam a vitória. Muito estava em jogo no Pacaembu durante esta quinta-feira, em que Santos e Atlético Mineiro disputavam uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. Ainda assim, o equilíbrio não significou um duelo amarrado de mata-matas. Pelo contrário, os dois times se mostraram dispostos ao ataque e protagonizaram um agradável embate. Após o empate em Belo Horizonte, o Peixe não se acomodou. Partiu para cima e tentou resolver a situação no tempo normal. Contudo, topou com um Galo muito eficiente nos contra-ataques. Apesar da desvantagem inicial, os atleticanos souberam se refazer na peleja e buscaram a virada. Em noite inspirada de Chará e Cazares, carimbaram a classificação com a vitória por 2 a 1, um resultado imenso ao time. Enquanto isso, os santistas perdem uma excelente oportunidade e agora concentrarão seus esforços apenas no Brasileirão.

O começo de jogo foi bastante promissor ao Santos. O time de Jorge Sampaoli jogava conforme a sua cartilha, de maneira ofensiva, pressionando o Atlético no campo de ataque. Não demorou muito para que os paulistas inaugurassem o placar. Após cobrança de escanteio feita por Marinho, Gustavo Henrique saltou dentro da área e completou de cabeça. O caminho parecia se abrir aos santistas, que sufocavam e criavam perigo com constância. A equipe preenchia bem os espaços e empurrava os atleticanos contra a parede. Diego Pituca ainda daria um chute perigoso, que quase valeu o segundo gol.

O abafa do Santos, porém, não se manteve além dos 15 minutos iniciais. Logo o Atlético Mineiro começou a sair mais ao ataque e a aproveitar a velocidade de seus homens de frente. Foi quando Chará despontou. O colombiano era a principal arma ofensiva do Galo, por suas ultrapassagens e pela inteligência na movimentação. Jorge realizou um desarme providencial diante do ponta, pouco antes que ele testasse Éverson com uma bomba. O Santos responderia em um chute desviado de Jorge, que deu trabalho para Victor defender. De qualquer maneira, o jogo do Peixe se desencaixou, com dificuldades na saída de bola.

O Atlético transformou a situação e passou a criar mais lances de perigo. Éverson voltou a trabalhar em chute de Réver. E por mais que o Santos tentasse buscar os contragolpes, nem sempre com tanto efeito, o empate pareceu natural. Ele veio em uma belíssima combinação entre Cazares e Chará, aos 37. O equatoriano deu um lançamento sublime, aproveitando a passagem do colombiano. Chará escapou da marcação, avançou pela lateral da área e bateu por baixo de Everson, mesmo com pouco ângulo. Jogadaça que premiava a atitude do Galo.

Na volta para o segundo tempo, Sampaoli mexeu no Santos e colocou Jean Mota no lugar de Alisson. O VAR, aliás, logo safaria o Atlético Mineiro. Nos primeiros minutos, José Welison acertou o rosto de Marinho e o árbitro mostrou o vermelho direto. Contudo, a revisão no vídeo permitiu que corrigisse a marcação, dando um justo amarelo ao atleticano. Por mais que o Peixe tentasse se postar de maneira adiantada novamente, tinha dificuldades. As jogadas pelos lados de campo não se encaixavam e o time pecava nos cruzamentos. O caminho passou a ser os chutes de fora da área, com Marinho e Jean Lucas assustando. Pouco depois, Soteldo se tornaria outro reforço à linha de frente, no lugar de Carlos Sánchez.

O Atlético se resguardava um pouco mais e levava perigo em seus ataques rápidos. A virada quase saiu com Ricardo Oliveira, após mais um passe de Cazares. Chutou em cima de Éverson. Enquanto isso, o técnico Rodrigo Santana ia bem em suas mexidas, mantendo a firmeza do time e permitindo que contra-atacasse com agressividade. As trocas de posições constantes e as movimentações em diagonal incomodavam. Mesmo que o Santos tentasse ficar no campo de ataque, o Galo mantinha o controle da situação. Fechava bem os espaços e maltratava a defesa com suas arrancadas. Em outro contragolpe, Éverson bateu roupa em chute de Luan e Chará desperdiçou o rebote. O perigo estava expresso.

O Santos não abdicava de sua postura, mas não conseguia encontrar caminhos para balançar as redes. Marinho era quem mais tentava, arriscando bastante os chutes. Já a melhor oportunidade veio em uma cabeçada de Lucas Veríssimo, que assustou Victor. A pressa na definição atrapalhava os santistas. Do outro lado, estava claro que o Galo poderia matar o duelo a qualquer momento. Dito e feito: aos 39, Chará se confirmou como herói. Geuvânio conectou com Cazares e o equatoriano mais uma vez foi o garçom, em cruzamento preciso para o colombiano. Chará não perdoou. Enquanto o Peixe tentava salvar o resultado, a torcida começou a deixar o Pacaembu. E a verdade é que Geuvânio ficou mais próximo do terceiro, antes do apito final.

Chará se confirma como um dos principais nomes do Atlético neste primeiro semestre de 2019. Apesar da eliminação na Copa Libertadores, o colombiano fez algumas boas partidas no torneio e também brilha no Brasileirão. Ainda assim, a atuação na Copa do Brasil o alça a um novo patamar. Foi uma válvula de escape, em entrosamento afinado com Cazares, brilhante em seus passes. A dupla compensou a noite particularmente apagada de Ricardo Oliveira, que não vem em bom momento. O dinamismo dos mineiros impressionou, sobretudo pelas transições de seus meio-campistas.

Rodrigo Santana merece elogios. Encontrou soluções para o Atlético durante a partida e mantém o bom aproveitamento desde que assumiu a equipe. Jorge Sampaoli, por sua vez, precisa lidar com as cobranças. O treinador buscou a vitória e partiu para cima, mas o Santos não apresentou grande repertório no ataque, dependendo das jogadas de Marinho. Por mais que Uribe agora apareça na área, o centroavante foi encaixotado. E, pela terceira vez na temporada, o Peixe sucumbe em um mata-mata. Que o time tenha as suas limitações, esperava-se mais. As forças se concentrarão agora no Brasileirão, onde os santistas lidam melhor com as situações e fazem ótimo papel. A pausa para a Copa América deve ser importante, para consolidar os reforços e corrigir as carências.