A Chapecoense se acostumou a negar o improvável em suas campanhas continentais. O sucesso do time que se eternizou na Copa Sul-Americana foi tão marcante também por esses épicos, nos quais a valentia preponderava para reverter os prognósticos. E o Verdão do Oeste precisará se superar se quiser seguir em frente nesta Copa Libertadores. O time de Gilson Kleina começa o confronto com o Nacional, pela segunda fase preliminar, com um resultado ruim. Os uruguaios venceram por 1 a 0 na Arena Condá, em noite na qual a Chape demorou a reagir e ainda exagerou na força durante os minutos finais, com dois expulsos. Os catarinenses terão que buscar a vitória em Montevidéu, em reencontro marcado para a próxima semana.

Invicta desde a chegada de Gilson Kleina, a Chapecoense vinha com algumas das caras novas contratadas para esta temporada – incluindo o lateral Bruno Pacheco, o volante Márcio Araújo e o atacante Guilherme. Já o Nacional conta com uma equipe mais experimentada, com vários jogadores de rodagem internacional. Tabaré Viúdez e Sebastián Fernández eram as principais referências ofensivas, embora o intuito dos tricolores em Chapecó fosse se defender.

O primeiro tempo foi bastante amarrado. O Nacional ameaçou logo nos primeiros instantes, mas preferia se fechar em seu campo, esperando a iniciativa dos anfitriões. A Chapecoense, por outro lado, não apresentava muita qualidade na criação. Errava muitos passes e tinha dificuldades para chegar. Na única vez que conseguiu invadir a área com perigo, parou no goleiro Esteban Conde. Quando recuperava a bola, o Bolso conseguia ser mais contundente. Explorava as jogadas pelos lados e poderia ter saído ao intervalo em vantagem. Carlos de Pena e Matías Zunino finalizaram com muito perigo contra a meta de Jandrei, mas erraram o alvo.

A tônica do jogo não mudou no segundo tempo, amarrado, com duas equipes que evitavam assumir os riscos. Enquanto o Nacional se protegia e confiava nas bolas paradas, a Chapecoense apostava em lançamentos longos. O time da casa melhorou um pouco a partir da entrada do jovem Bruno Silva, de 17 anos, mas ainda encontrava dificuldades para criar e arrematar. A partida se passava na intermediária, entre erros e divididas. Assim, ficou claro que uma falha de qualquer parte seria determinante ao placar. E ela aconteceu contra os catarinenses. Aos 28 minutos, Gonzalo Bergessio aproveitou a liberdade pelo lado esquerdo e, na linha de fundo, cruzou. Jandrei não alcançou a bola e, diante da pane na defesa alviverde, Santiago Romero completou para as redes.

Pouco depois, o Nacional ficou com um a menos, com a expulsão de Luis Alfonso Espino pelo segundo amarelo. A deixa para que a Chape partisse para cima, ao menos em busca de um gol que evitasse a derrota. Então, o goleiro Conde começou a brilhar. A primeira defesa difícil aconteceu aos 33, em chute de longe de Bruno Silva. Apodi ainda pegou livre o rebote e, de frente para o gol, perdeu chance inacreditável. Os catarinenses insistiam no chuveirinho, mas o veterano mantinha a segurança pelo alto. Já aos 39, contou com uma dose de sorte. Bruno Silva acertou um lindo chute da entrada da área e Conde espalmou o tiro, antes que ele batesse na trave. A sobra, porém, culminaria na derrocada dos catarinenses.

Pedro Perotti, que acabara de sair do banco, entrou de maneira dura em um adversário e recebeu o vermelho direto. É válido discutir o rigor do árbitro Patrício Loustau, especialmente em relação às entradas duras dos visitantes, mas não se nega a imprudência do jovem. Logo depois, a Chape ainda ficaria com nove. Outro substituto na noite, Eduardo deixou o braço no marcador e também recebeu o vermelho direto – este, mais questionável que o anterior. A falta de controle dos alviverdes era evidente. Bastou ao Nacional conter a profusão de cruzamentos e comemorar a vitória magra, mas tão valiosa para o duelo no Uruguai.

A Chapecoense tem seus motivos para chiar com a arbitragem. Mas também precisa de autocrítica. O time deixou a desejar, especialmente pela falta de ímpeto no ataque. Dependeu de um jovem talento para tentar algo diferente. E nas poucas vezes que o Verdão foi ameaçado, correu mais riscos. Agora, é resgatar a valentia de outros tempos para encarar o Parque Central – e sem confundir isso com brutalidade. A consistência e a concentração da velha Chape guerreira serão necessárias para que a façanha do último Brasileirão não termine de maneira tão precoce.