As lembranças relacionadas à Chapecoense ainda emocionam. A história escrita pelos 71 heróis da Copa Sul-Americana de 2016 é indelével. Apesar da tragédia, grandes mostras de solidariedade ajudaram a enfrentar o luto na época. Mais de três anos depois, há feridas abertas, especialmente em relação às famílias. No entanto, a memória dos falecidos e a volta por cima dos sobreviventes ainda podem ser exaltadas com mais uma nomeação ao Prêmio Laureus, o “Oscar dos esportes”.

A Chape já tinha vencido a honraria em 2018, na categoria “Momento Esportivo do Ano”, que reúne episódios inspiradores. Já neste início de 2020, a indicação se repete. O Verdão do Oeste se candidata ao melhor momento esportivo dos últimos 20 anos. O clube já superou as duas primeiras etapas e está entre os cinco finalistas, em votação aberta ao público no site do Laureus. O anúncio do escolhido será realizado no próximo dia 17, em Berlim.

A Chapecoense concorre pela volta por cima de seus sobreviventes, que 54 dias depois do acidente receberam o troféu da Copa Sul-Americana. A entrega da taça a Neto, Alan Ruschel e Jakson Follmann aconteceu durante amistoso contra o Palmeiras em 2017. Na Alemanha, o clube será representado pelo ex-zagueiro Neto, além do vice-presidente de marketing e patrimônio. Mais importante que o prêmio, todavia, é o reconhecimento e a lembrança dos 77 presentes no voo.

Além da Chape, também concorrem a nadadora Natalie du Toit, primeira amputada a se classificar para as Olimpíadas; Sachin Tendulkar, que conquistou a Copa do Mundo de Críquete na sexta tentativa com a Índia; Xia Boyu, que escalou o Everest, mesmo com duas pernas amputadas; e Mick Schumacher, o filho de Michael, que luta para preservar o legado do pai nas pistas, dando início à sua própria carreira. Se o futebol da Chapecoense vive um momento de mudanças, após a queda para a Série B, o que se construiu com o saudoso time resiste através da memória.