A próxima edição da Champions League, na temporada 2015/16, terá uma novidade no sorteio. Fazendo jus ao nome, o torneio priorizará os campeões das sete ligas melhores classificadas no ranking da Uefa na definição dos cabeças de chave. Como o próprio nome diz, o torneio reúne os campeões de todos os países europeus e, portanto, valorizá-los é uma forma de dar peso ao título. Como o número de cabeças de chave é limitado a oito, os times que ocuparão esse posto serão o atual campeão e os sete campeões nacionais das ligas mais bem colocadas no ranking da Uefa.

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A Uefa ouviu as reclamações de clubes, representados pelo ECA (“European Clubs Association”, ou “Associação Europeia de Clubes”, em português), e das emissoras de televisão transmissoras do torneio, que reclamavam que os cabeças de chave da competição estavam muito engessados, por se basear no coeficiente da Uefa. O Borussia Dortmund, por exemplo, quando voltou à Liga dos Campeões como campeão alemão, não foi cabeça de chave, caiu em um grupo muito complicado e acabou eliminado. Enquanto isso, times que não tinham levado o título, mas participavam com frequência da competição, como o próprio Real Madrid, eram cabeças de chave e acabavam, em teoria, tendo mais chances de um caminho mais tranquilo à fase mata-mata.

Se a regra já valesse nesta temporada, o Barcelona e o Chelsea, por exemplo, não seriam cabeças de chave. Apesar disso, na prática, não mudará tanto assim. Mas dará mais chances de grupos da morte. Até esta edição da Champions League, a escolha dos cabeças de chave se dava pelo ranking dos clubes. Não há restrição de país, ou seja, a Espanha teve três cabeças de chave (Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid), a Inglaterra teve dois (Chelsea e Arsenal), a Alemanha um (Bayern de Munique) e Portugal teve dois (Benfica e Porto). O ranking do time é o que importa na regra atual, independente do seu país. Um país poderia ter até seus quatro times como cabeças de chave, se fosse o caso – embora seja altamente improvável que isso aconteça.

Pelo novo critério, o atual campeão e mais os vencedores das sete ligas mais bem ranqueadas ficaram com as posições de cabeças de chave. Se o campeão da Champions for também o campeão do seu país, abre-se uma vaga para o campeão da oitava liga no ranking. Neste momento, o ranking de países da Uefa está assim:

1º Espanha
2º Inglaterra
3º Alemanha
4º Portugal
5º Itália
6º Rússia
7º França

Desta forma, se a regra já valesse na edição desta temporada, que começa na próxima terça, os cabeças de chave seriam: Real Madrid (atual campeão), Atlético de Madrid (campeão espanhol), Manchester City (campeão inglês), Bayern de Munique (campeão alemão), Benfica (campeão português), Juventus (campeã italiana), CSKA Moscou (campeão russo) e Paris Saint-Germain (campeão francês). Quem deixaria de ser cabeça de chave com essa regra seriam Barcelona, Chelsea, Arsenal e Porto. Os demais continuariam nas suas posições.

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Na prática, a medida visa valorizar justamente os campeões das ligas mais fortes do continente. O ranking é um jeito relativamente justo de organizar os times nos chamados potes na hora do sorteio, mas eventualmente, um time que consegue ser campeão em uma liga importante como a alemã e a inglesa deveria ter o direito de ser cabeça de chave, uma vez que são países bem ranqueados. Também faz sentido. A Champions League, afinal, tem que priorizar um pouco os campeões. E fazer isso com os países mais importantes no ranking é um jeito de valorizar isso.

Há ainda outras mudanças, uma delas fundamental em relação ao número de vagas. O campeão, que tem vaga garantida na edição seguinte da Champions, não tira mais uma vaga do seu país. Significa que se o campeão não estiver entre os classificados do seu país para a edição seguinte da competição, abrindo uma vaga extra. Isso vale também para o campeão da Liga Europa, que, a partir desta temporada, 2014/15, passará a levar também uma vaga à Champions League. Esta será uma vaga extra e não excluirá qualquer país classificado. Em 2012, por exemplo, o Chelsea foi campeão europeu, mas não ficou entre os quatro primeiros. Com isso, jogou o Tottenham, quarto colocado, para a Liga Europa e ficou com a vaga. Outro caso famoso, também na Inglaterra, foi em 2005, quando o Liverpool foi campeão da Champions, não ficou entre os quatro melhores e a Uefa mudou as regras, colocando os Reds na fase preliminar para garantir que os campeões estivessem naquela edição. É por casos assim que a regra foi alterada. A premiação, outro ponto importante, aumentou. O total de prêmios distribuídos a todos os clubes passará de € 1,34 bilhão para € 1,75 bilhão.

Michel Platini, presidente da Uefa, comete muitos erros como dirigente e é evidentemente um político preocupado em agradar o seu eleitorado numeroso, como foi na criação da rota dos campeões e rota da liga nas fases preliminares da Champions League. Com isso, valorizou os campeões nacionais em detrimento de times que entram na competição por serem de ligas mais fortes, mas que não são campeões. Nós já mostramos aqui na Trivela que não houve impacto técnico significativo com essa mudança, apesar da ideia comum que os times de ligas mais fortes acabam sendo prejudicados. O fato é a mudança, desta vez, visa privilegiar justamente os times das ligas mais importantes que levarem o título. Se por um lado isso leva o CSKA Moscou a ser cabeça de chave, também leva o Paris Saint-Germain, que chegou às quartas de final por dois anos seguidos e é atual bicampeão francês, ganhe uma vaga como cabeça de chave. Veremos como será a próxima edição, de acordo com os campeões das ligas.

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