O Cerro Porteño cumpriu, neste final de semana, um sonho comum a tantos torcedores da América do Sul: o de possuir um moderno estádio próprio. As grandes glórias do Ciclón foram vividas no Defensores del Chaco, embora desde os anos 1970 o clube tivesse a sua casa – a Olla Azulgrana, localizada no Barrio Obrero de Assunção. O antigo lar, porém, nem sempre atendia as necessidades dos azulgranas ou mesmo possuía as melhores condições. Agora, o Cerro pode encher o peito para dizer que possui a melhor praça esportiva do Paraguai. A Nova Olla abriu suas portas no sábado, recebendo 45 mil pessoas e realizando uma grande festa para exaltar o “Club del Pueblo”.

As obras da Nova Olla começaram em 2014 e custaram cerca de US$ 22 milhões ao Cerro Porteño. O novo estádio aproveitou as estruturas do antigo para se erguer. O lance de arquibancadas mais próximo do campo foi mantido, enquanto o setor central das tribunas foi preservado. O Ciclón aproveitou para construir um anel superior, assim como para reformar todo o local. Ainda que seja moderno e ofereça conforto aos torcedores, a praça esportiva não se parece tanto com as “arenas” que se replicam ao redor do mundo nos últimos anos. Há traços mais clássicos das velhas canchas sul-americanas. Por mais cheiro de tinta que a Nova Olla tenha, já parece pronta para se tornar um dos palcos clássicos da Copa Libertadores.

A construção, inclusive, contou com a ajuda dos próprios torcedores. Cerca de 40 membros da principal organizada do Cerro Porteño se juntaram aos funcionários da empresa contratada para as obras e colocaram a mão na massa. Os novos operários participaram, inclusive, de um curso de capacitação profissional para se aperfeiçoarem ao novo trabalho. Tornam ainda mais significativa a aura de “clube do povo” ao redor do Ciclón. Além disso, outro detalhe interessante é que o campo aproveitou as sobras da Copa do Mundo de 2014, reutilizando pedaços de gramado que não foram utilizados nas arenas brasileiras.

Neste sábado, o Cerro Porteño realizou um grande evento para inaugurar o estádio. Os 41,6 mil ingressos se esgotaram com antecedência, enquanto 45 mil pessoas estiveram presentes. Os azulgranas homenagearam grandes ídolos ao longo da noite, bem como promoveram um show de luzes – de certa maneira, para exaltar um dos pontos altos da nova casa, os potentes refletores que copiam o modelo adotado na Copa de 2010. Em campo, todavia, o Ciclón não fez jus à ocasião quando a bola rolou. Foi derrotado pelo Boca Juniors por 2 a 1, em amistoso. Diego Churrín marcou o gol de honra dos anfitriões.

O Cerro Porteño, de qualquer forma, não limitou a festa apenas àqueles que puderam estar presentes no jogo inaugural. Durante o domingo, a Nova Olla abriu as suas portas para visitações gratuitas, recebendo outras centenas de torcedores. O clube também promoveu atrações musicais na recepção. “Não seria justo para o povo cerrista que não tenham a oportunidade de aproveitar o estádio, de conhecê-lo em família, de participar de uma jornada que permita visitar a estrutura”, declarou o presidente do clube, Juan José Zapag.

A torcida ainda ajudou o Cerro Porteño a bancar os custos da reforma. Todos os camarotes já foram vendidos e também houve um aumento no número de sócios. As expectativas são de que a média de público aumente com a nova casa. Quem sabe, para impulsionar o Ciclón no Clausura do Campeonato Paraguaio e garantir a Nova Olla já na próxima edição da Copa Libertadores. Um sonho que, esperam, possa transformar a história dos azulgranas nos torneios continentais.

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