Os ultras do Al Ahly, do Egito, participaram ativamente do processo que culminou na queda de Hosni Mubarak do poder. A represália daqueles que eram a favor do antigo presidente foi a Tragédia de Port Said, quando uma batalha campal entre torcedores do Al Masry e Al Ahly deixou mais de 70 mortos, tudo acompanhado de perto pela conivente polícia egípcia, instrumento de repressão de Mubarak durantes os protestos da Primavera Árabe.

Quase dois anos depois, a relação dos torcedores do Ahly com o governo continua conflituosa. Neste sábado, centenas de ultras protestaram no Cairo pela retirada da investigação de 25 torcedores que foram levados sob custódia após uma briga com policiais no Aeroporto Internacional do Cairo no último dia 15.

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Um grupo de ultras aguardava pelo time de handebol do Al Ahly no aeroporto após a derrota da equipe na final da Copa Africana da modalidade. As autoridades egípcias alegam que os torcedores atacaram homens da segurança, e os homens detidos enfrentam também acusações de terem vandalizado o aeroporto. Dos detidos, apenas seis continuam sob custódia; os outros 19 já foram liberados após pagar fiança.

Os confrontos entre policiais e torcedores têm sido constantes desde 2011. Apesar de não haver ligação direta entre esses episódios mais recentes e a participação da torcida do Al Ahly na queda de Mubarak, não há dúvida de que o que acontece ainda hoje é uma consequência do clima conturbado no país.