Era apenas mais uma partida do Chelsea de José Mourinho. Um encontro com o Reading, em 14 de outubro de 2006, fora de casa, no começo da temporada. O clube vinha de dois títulos seguidos. Mas foi um sábado que mudou a vida de Petr Cech: em dividida logo no começo da partida, o joelho de Stephen Hunt acertou o seu rosto. O goleiro, que joga com um capecete desde então, temeu pela sua carreira. E pela sua vida.

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Esta semana, fez exatamente dez anos que Cech, atualmente no Arsenal, foi liberado pelo hospital e voltou para casa depois de fraturar o crânio naquele jogo contra o Reading, que também serviu para a Premier League reforçar suas medidas de segurança contra choques na cabeça. Em uma entrevista para a Sky Sports, ele relembrou detalhes daquele momento e como a proximidade com o hospital em Oxford, onde passou por uma cirurgia de emergência à 1h da manhã, provavelmente salvou sua vida.

“As coisas poderiam ter sido diferentes”, disse. “Os médicos tentaram não me assustar muito e eu nunca fiz muitas perguntas. Mas, se você perguntar a minha mulher, mesmo agora, ela não fica muito bem. Para ela, a experiência foi mil vezes pior do que pra mim. Foi por pouco. As decisões de Bryan (English, médico do Chelsea na época), a equipe médica e a proximidade com Oxford: foi essa a combinação que me deu uma chance. Eu tive uma fratura que afundou meu crânio. Alguns pedaços de osso entraram profundamente. Esse foi o maior perigo. Quanto mais eles entrassem… o lado esquerdo do cérebro é muito importante como centro de movimento. Tudo podia acontecer”.

Cech havia sido informado que não voltaria naquela temporada, mas, apenas três meses depois, entrou em campo contra o Liverpool, em Anfield. “Eu tenho que dizer que muitas pessoas não queriam que eu voltasse tão rápido quanto voltei. Mas a decisão era minha e eu tinha vontade de voltar a fazer o que eu estava acostumado a fazer e o que eu amo fazer. Quando o cirurgião disse que o crânio estava forte o bastante com o capacete, eu decidi voltar a treinar com o time. Dois dias depois, viajamos a Liverpool. Eu não disse a minha mulher, no começo, disse apenas que viajaria com o time. Mas o treinador (José Mourinho) disse: ‘Você quer assistir ou quer jogar? Você que escolhe’. Eu disse: ‘Ok, já estamos aqui. Vamos tentar'”, afirmou.

O único lado bom do episódio foram as medidas que a Premier League tomou depois do seu acidente. “Como humanos, sempre precisamos que algo aconteça para melhorarmos”, disse. “Agora, as ambulâncias estão sempre prontas, os paramédicos sempre prontos, as pessoas na torcida podem buscar ajuda sem riscos. Se você olhar para o caso de Fabrice Muamba (ex-jogador do Bolton que sofreu um ataque cardíaco durante um jogo contra o Tottenham), foi isso que ajudou a salvar a sua vida. Os paramédicos estavam lá. Se eles tivessem que vir do hospital, mesmo de um que fosse próximo, ele não estaria aqui”.